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segunda-feira, 6 de novembro de 2023

Artistas D´Aveiro com quem convivo.1.


Na senda de Artistas d´Aveiro com quem convivo, passo dezenas de vezes por um quadro de Zé Penicheiro, que me seduz e me lembra cenas idênticas, que abundavam na Costa Nova, em tempos idos.

 Postal de bateira labrega com toldo, na ria
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Perguntar-me-ão. Mas o artista é de Aveiro? Não, Zé Penicheiro adoptou Aveiro. Tendo nascido em Candosa (1921), escolheu Aveiro para residir e a Figueira da Foz, como local de última morada (2014).

O azul da nossa ria e do céu foram a sua fonte de inspiração. Comecei a ter contacto com a obra pictórica de Penicheiro, pelo fim dos anos 70, em algumas exposições por Aveiro.

Depois de se ter dedicado à publicidade, abraçou outros trabalhos e criou alguns painéis de azulejo, bem conhecidos.

A partir de 1977, dedicou-se em exclusivo à pintura. Assumiu-se um auto-didacta e um verdadeiro amante da arte. O seu traço, esquartejado por diversas linhas geométricas, é inconfundível.

As duas obras de arte, que presentemente possuo e com quem convivo, são: uma Bateira com toldo, óleo sobre platex, em tons azulinos, datada de 1980.

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Bateira com toldo

e Pescadores vareiros, gouache em tons avermelhados, datado de 1979.

 

Pescadores vareiros

Ílhavo, 6 de Novembro de 2023

Ana Maria Lopes

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segunda-feira, 16 de outubro de 2023

"Artistas D´Aveiro" com quem convivo...


Passou-me, não sei bem porquê, o lançamento do livro, no passado dia 23 de Setembro, “Artistas d´Aveiro”. Logo que tive conhecimento, adquiri-o e li-o com bastante interesse. Felicito os autores que tiveram tal ideia. Também será sempre um livro de consulta. Alguma dúvida sobre o tema e toca de procurar....

Pensei, e repensei sobre ele, achando que poderia escrever umas singelas palavras sobre as vivências que tive com alguns artistas de Aveiro, que me decoram a casa.

 

Capa do livro

Começarei por Jeremias Bandarra, talvez o primeiro de quem adquiri obra, pelos anos 80. Conheci-o através do amigo Dr. Moreira Lopes, que muito o apreciava. O conhecimento colou-se e passei a frequentar o atelier de Jeremias Bandarra. O seu currículo, exposições e prémios poderão ser consultados no livro, pelas palavras de sua filha Sara Bandarra. Pela sua obra, perpassa Aveiro e a ria – marnotos, pescadores, embarcações, vendedeiras, S. Gonçalinho, velas e outros temas. Para saborear:

Mercantéis na ria
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Barco das artes
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Apanhando o isco
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Esbelta vendedeira
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E outros mais, que, pela sua colocação se tornam inacessíveis ao registo fotográfico

A sua temática é variada, real, abstracta ou abstractizante, mas sempre bairrista, e, quase sempre, lagunar.

Um dia feliz, para ele, era aquele, em que estivesse” absorvido” a pintar um quadro.

Entre mim e Jeremias Bandarra (1936-2022), de quem senti a falta, houve sempre amizade e uma boa e saudável relação.

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Ílhavo, 16 de Outubro de 2023

Ana Maria Lopes

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sábado, 16 de outubro de 2021

Galeria de arte a céu aberto está concluída

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Ainda não tive o prazer de passar por ela, pronta, mas o Diário de Aveiro de 15 de Outubro de 2021 encarregou-se de me informar. De acordo com a Câmara Municipal de Ílhavo, a entidade que encomendou a intervenção artística, “estão concluídos os painéis que decoram parte do nó viário da Praia da Barra, alusivos à realidade e identidade patrimonial, histórica, social e cultural da terra e das gentes do Município de Ílhavo, com a assinatura criativa do artista plástico António da Conceição”. Era para mim um motivo de interesse passar por lá e apreciar, ao passar, com muita cautela, “o estado da arte”, já que considero o sítio perigoso, para quem conduz, não permitindo uma análise adequada à beleza da obra.

O convite da autarquia ao artista vem no seguimento do trabalho que António Conceição desenvolveu na Gafanha da Nazaré, com as pinturas de vários painéis alusivos à realidade da Faina Maior e da secagem do bacalhau, trabalho duros, mas de uma beleza inaudita. Foram mais de oito meses de labor intenso, com o pintor a retratar os marcos, as pessoas e as profissões da ria e do mar, as praias, o surf, a gastronomia, as emoções, o trabalho e o lazer. Em entrevista dada ao mesmo jornal, de 10 de Março de 2021, o artista referiu que estava a dar o seu melhor, ouvindo mesmo alguns palpites de passantes, porque a arte, neste caso, é de quem a passa a usufruir, depois de concluída. Quando se caminha para a Costa Nova, do lado esquerdo da via, ultimamente, foram acabados os últimos painéis que, apesar de muito belos e fortes, de algum modo, repetem o tema desenvolvido na Gafanha da Nazaré – a Faina Maior –, lançando mão das mesmas tonalidades entre os brancos cinzas, pretos e amarelados. A meu ver, estes escusavam de existir, porque já estão retratados, geograficamente, muito perto.

Grande falta, na minha modesta opinião, faz a representação de um “barco do mar” de proa erguida ao céu, com as suas artes de arrastar para terra, numa azáfama colorida e estonteante. Se este tipo de arte já hoje não se pratica na Costa Nova, esteve na origem deste belo rincão de areia, que, hoje, dá pelo nome de Costa Nova do Prado. A saber:

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Dois exemplos

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Para o leitor, aqui fica uma amostra de algumas das imagens que decoram o nó viário da Costa Nova/Barra, que devo à destreza de quem as tirou, já que não tinha meios de as conseguir pessoalmente, devido ao receio do trânsito, no local.

Os meus parabéns ao artista António Conceição e a quem lhe encomendou a obra, à parte o “esquecimento” da representação do” barco do mar”, imprescindível no mar da Costa Nova.

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Mar, gaivotas e o lazer do surf
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O artista em acção
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O farol, a musa e as dunas

Os mariscadores e moça a degustar uma ostra
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Cena marítima e característicos palheiros
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 Cenas da Faina Maior
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Ílhavo, 16 de Outubro de 2021

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Ana Maria Lopes

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sábado, 31 de outubro de 2020

Evocação de Cândido Teles, pintor da ria e do mar

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Faz, hoje, exactamente, 21 anos que Cândido Teles faleceu, com 78 anos de idade.

António Cândido Patoilo Teles nasceu em Ílhavo, no Arenal, a um de Janeiro de 1921 e faleceu na mesma cidade, a 31 de Outubro de 1999.

Cândido Teles, fruto da sua profissão, viveu e interpretou, na tela, ambientes distintos: Aveiro, Ílhavo, Açores, África (Angola, Guiné, S. Tomé e Moçambique), Madeira, Alentejo, Algarve, num intenso trabalho, sofrendo, em todos eles, uma influência dos meios, humano e paisagístico.

Mutações, nos aspectos temático, técnico e estético da sua arte, fizeram dele um experimentalista nato. À Ria de Aveiro, de que se afastou, geograficamente, por circunstâncias profissionais, voltou, com garra, nos últimos 20 anos da sua vida, numa técnica estruturalmente enobrecida e diversificada.

Ao longo da vida, recebeu várias distinções e a sua obra está representada em diversos museus nacionais e colecções públicas e particulares.

Plurifacetado, usou sabiamente o lápis, as tintas, os pincéis e a espátula; moldou o barro e trabalhou o ferro forjado.

Em matéria de datas, o último dígito – 9 – teve, na sua vida, uma forte carga afectiva; repete-se, por coincidência? …1939, primeira Exposição no Salão Arrais Ançã, na Costa Nova; 1999, ano do falecimento; em 2009, teria feito 70 anos de vida artística e passaram dez anos, após a sua morte.

Como apreciadora do Mestre Cândido Teles e amiga da Família, fizemos o melhor para evocar uma das facetas dele que mais me toca – a Ria. Evocar é, sobretudo, lembrar e revisitar.

Apreciemos uma ligeira mostra de trabalhos seus, por ordem cronológica:

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Vista para o Forte. 1939. Col. Família

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Xávega. 1948. Col AML

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Apontamento da época. 1949. Col. AML

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Tríptico da arte xávega. 1959. Col. MMI
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Costa Nova. Moliceiros.1967. Col. AML
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Saleiros. Aveiro. 1969. Col. CMI
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Ria em verde. 1969. Col AML
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Costa Nova. 1971. Col. AML
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Estudo Painel. Aveiro. 1985. Col. Família

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Último quadro datado, no cavalete. 1999
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Tem hoje, também, o Artista, um lugar de destaque no “Marintimidades”, porque Cândido Teles, além de muitos outros aspectos relevantes, identifica-se, na região, com um grande pintor da Ria, da Costa Nova, das nossas fainas marítimas e lagunares.

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Ílhavo, 31 de Outubro de 2020

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Ana Maria Lopes

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sábado, 8 de novembro de 2014

Uma «Costa Nova» de Eduarda Lapa, no MMI

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Um óleo Costa Nova saído da paleta de Eduarda Lapa valoriza o espólio pictórico do Museu Marítimo de Ílhavo.
Pintora contemporânea, distinguiu-se, essencialmente, como intérprete de flores, mas é a faceta de pintora da nossa ria que, sobretudo, me atrai.
Recordo-me, quando criança, de a ver pintar, da varanda da minha casa na Costa-Nova, protegida do sol, pelo seu chapeuzinho branco, de pano, de olhos fixos na ria de então, bem diferente da de hoje: grande variedade de barcos em que os moliceiros eram os senhores da laguna e dos seus quadros. Memórias da juventude…
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A 21 de Outubro, em que o edifício do Museu de Ílhavo cumpriu 13 anos de renovação, a CMI enriqueceu a colecção de pintura, com a entrada de um quadro Costa Nova de Eduarda Lapa.
A sua ida a leilão na leiloeira Veritas, Lisboa, foi-nos dada a conhecer por Zé Sacramento, galerista conhecido da «nossa praça». Da licitação se encarregou, tendo a AMI (Associação dos Amigos do Museu) contribuído para a sua compra com uma forte participação.
A obra, pintura a óleo, empastelado, sobre platex, de 33 por 43.5 cm, está assinada e não datada, o que é frequente, na autora.
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É uma romântica Costa Nova, pincelada com aquele timbre naturalista de quem pinta o que vê, dando a artista, natural relevo ao que mais a toca.
Temos elementos de sobra que nos permitem com alguma segurança, arriscar uma data para o óleo em causa.
A pintora estaria posicionada um pouco a sul da lingueta frente ao antigo mercado (1º plano), donde observava com pormenor, a 2ª mota que houve na praia, de 1932. Por outro lado, não existia ainda o edifício da Mota, com a sua pala característica, construído pela JARBA, em 1942. Por outro lado, também não há um apontamento da famosa esplanada, cuja construção andou ali por 1934/35.
Todas estas datações bem conhecidas levam-nos a situar o óleo, com segurança, entre 1932 e 35.
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Que imortalizou Eduarda Lapa? A ria junto à estrada, a sul, a mota com o seu vaivém intenso de passageiros, peixeiras, para as duas barcas de passage, acostadas à rampa, a ria a lamber a estrada, a norte, num contacto directo e poético, com o casario riscado e não riscado, de frente para a água. Que belo espectáculo!

 
Costa Nova de Eduarda Lapa

Era o quadro que faltava à colecção do MMI. De posse de alguns simpáticos registos de autores regionais, do princípio do século XX, sem esquecer Cândido Teles, com dois óleos de Fausto Sampaio, um de 1933, o casario sobre a ria, noutra perspectiva e uma neblina majestosa, sobre a ria, de 1939, o nome e a arte de Eduarda Lapa vieram completar a colecção de registos da nossa praia e da nossa ria.

Apontamentos biográficos:
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Eduarda Lapa nasceu em Trancoso em 1895. Algum tempo depois foi viver para a capital, onde a sua veia artística desabrochou. Foi discípula de Emília dos Santos Braga, que a introduziu no naturalismo, ao integrá-la nos estudos ao «ar livre».
A «embaixatriz da cor», como foi chamada, passou a viver em Paris, a partir de 1930, onde conviveu com os melhores artistas entre os quais se contavam a pintora brasileira Helena Pereira da Silva, Waldemar da Costa, Arpad Szènes e Maria Helena Vieira da Silva, colega do atelier de pintura, em Lisboa.
Detentora de uma capacidade para revelar e demonstrar quer o ritmo, quer a harmonia das coisas, a pintora especializou-se em naturezas-mortas e principalmente em flores, sendo considerada, quer pelos colegas quer pelos críticos, uma das melhores neste género, «a grande pintora de flores do nosso país»
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Porém, Eduarda Lapa não se dedicou só às flores. A sua obra apresenta, também com êxito, paisagens rústicas, magníficas marinhas, em especial trechos ribeirinhos. A zona de Aveiro e da Praia da Areia Branca proporcionavam-lhe os motivos referentes às gentes do mar, como os pescadores ou os barcos moliceiros da ria de Aveiro, as praias da Torreira, da Costa Nova e da Nazaré.

Foi uma das pintoras mais apreciadas pela crítica da época, juntamente com Alda Machado Santos, a aguarelista Raquel Roque Gameiro, Maria de Lurdes Mello e Castro, Adelaide Lima Cruz e Clementina Carneiro de Moura.
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Eduarda Lapa foi sócia efectiva da Sociedade Nacional de Belas Artes, tendo sido a primeira mulher a fazer parte da Direcção desta Sociedade.
Durante mais de vinte e cinco anos, Eduarda Lapa orientou cursos de desenho e pintura, tendo como objectivo desenvolver as capacidades das suas alunas, despertando-as para o conhecimento da beleza, da forma e da cor
A sua obra encontra-se representada em Câmaras Municipais, em diversos Museus e em outras instituições de arte. Está igualmente representada em colecções estrangeiras.
Faleceu em Setembro de 1976, em Lisboa, na sua residência, onde foi descerrada uma lápide alusiva, pela Câmara Municipal, que atribuiu também, o seu nome, a uma rua.

Ílhavo, 8 de Novembro de 2014
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Ana Maria Lopes
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domingo, 8 de junho de 2014

Festival Rádio Faneca

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Exposição de fotografia
 
No âmbito de uma residência artística, três fotógrafos elaboraram um registo documental, próximo da abordagem antropológica, sobre os quotidianos de quem habita as ruas, os becos e vielas do Centro Histórico de Ílhavo.
O resultado final consistiu num conjunto expressivo de imagens nas quais a comunidade, num permanente exercício de espelhos, se pode ver e mostrar ao outro. Trata-se de um projecto de arte pública que invade, em diversos sentidos, os limites do espaço privado.
Aqui está a minha modesta contribuição para esta «exposição de rua» de fotografias. Com o lugre «Novos Mares» que o meu Avô inaugurou, só à vela, por trás, o fotógrafo pôs-me a mirar pelos binóculos, a ver se avistava alguém à «boca da barra». Miragens... Pretendeu mostrar, foi o que sentiu, a minha ligação à «Faina Maior».

 
Concepção e fotografia Alexandre Almeida, Augusto Brázio, Nelson D’Aires.
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Apoio à concepção e produção |Centro Cultural de Ílhavo
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Ílhavo, 8 de Junho de 2014
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AML
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sábado, 21 de novembro de 2009

Evocação de Mestre Cândido Teles, o pintor da Ria



A próxima palestra integrada no 3º Ciclo de Conferências sobre “Aveirenses Ilustres” que a Câmara Municipal de Aveiro leva a efeito no auditório do Museu da Cidade, das 18, 30 às 19,30 horas, do dia 26 de Novembro, presta homenagem ao Artista ilhavense Cândido Teles.

Com esta iniciativa pretende a CMA homenagear personalidades que, activamente, deram o seu contributo para o desenvolvimento sociocultural e político-económico da região, valorizar a Historiografia Local e formar pedagogicamente públicos.
Associada à palestra evocativa decorre também uma pequena mostra de objectos e literatura alusiva à individualidade evocada que estará patente durante 15 dias no espaço do Museu da Cidade.
Tem hoje, também, o Artista, um lugar de destaque no Marintimidades, porque a oradora convidada será a autora deste blog e Cândido Teles, apesar de muitos outros aspectos de relevo, identifica-se, na região, com um grande pintor da Ria, da Costa Nova, das nossas fainas marítimas e lagunares.

António Cândido Patoilo Teles nasceu em Ílhavo, no Arenal, em 1921 e faleceu na mesma cidade, a 31 de Outubro de 1999.


Cândido Teles, fruto da sua profissão, viveu e interpretou, na tela, ambientes distintos: Aveiro, Ílhavo, Açores, África (Angola, Guiné, S. Tomé e Moçambique), Madeira, Alentejo, Algarve, num intenso trabalho, sofrendo, em todos eles, uma influência dos meios, humano e paisagístico.

Mutações, nos aspectos temático, técnico e estético da sua arte, fizeram dele um experimentalista nato. À Ria de Aveiro, de que se afastou, geograficamente, por circunstâncias profissionais, voltou, com garra, nos últimos 20 anos da sua vida, numa técnica estruturalmente enobrecida e diversificada.
Ao longo da vida, recebeu várias distinções e a sua obra está representada em diversos museus nacionais e colecções públicas e particulares.

Plurifacetado, usou sabiamente o lápis, as tintas, os pincéis e a espátula; moldou o barro e trabalhou o ferro forjado.
Em matéria de datas, o último dígito – 9 – teve, na sua vida, uma forte carga afectiva; repete-se, por coincidência? …1939, primeira Exposição no Salão Arrais Ançã, na Costa Nova; 1999, ano do falecimento; em 2009, teria feito 70 anos de vida artística e passaram dez anos, após a sua morte.

Como apreciadora do Mestre Cândido Teles e amiga da Família, fizemos o melhor para apresentar uma visão globalizante da obra do Artista. Evocar é, sobretudo, lembrar e revisitar.
Apreciemos uma ligeira mostra de óleos, por ordem cronológica:

Vista para o Forte. 1939. Col. Família


Xávega. 1948. Col AML

Apontamento da época. Col. Família

Açores. Anos 40. Col. MJM


Tríptico da arte xávega. Col. MMI

Saleiros. Aveiro. 1969. Col. CMI

Ria em verde. 1969. Col Família

Estudo Painel. Aveiro. 1985. Col. Família

Flores (uma excepção). 1998. Col. JLR

Último quadro datado, no cavalete. 1999


Oxalá tenham apreciado esta abreviada e truncada visita pela obra de Cândido Teles. Se assistirem à evocação, apreciarão bastante mais.


Os nossos agradecimentos pela cedência das obras fotografadas.

Ílhavo, 21 de Novembro de 2009

Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Regresso do Mar, de Lázaro Lozano, enriquece MMI


Com conhecimento habitual de que “ia à praça”, em leilão de arte moderna, no Palácio do Correio Velho, um óleo de Lázaro Lozano, reforçado por mais um alerta da Direcção do Museu, a Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo tinha de ponderar bem e de agir rapidamente, perante a peça em questão. Nem sempre aparece e a base de licitação não era exorbitante.
As hostes agitam-se, como habitualmente, aventam-se hipóteses, criam-se sonhos, de telefonema em telefonema, de e-mail em e-mail, de consulta em consulta!

Contactado “marchand” de nossa amizade, em Lisboa, estipulado um “plafond”económico, ia-se tentar conseguir o melhor e, ontem, primeiro de Julho, pelas 21 horas, o leilão começou.

O serão pareceu infindável, com a ansiedade criada, mas eis que perto da meia-noite, a boa nova chegou. Os Amigos do Museu, na perseguição de uma colecção de arte marítima representativa para a Instituição, tinham acabado de obter o óleo sobre tela, Regresso do Mar, de Bonifácio Lázaro Lozano, de 50 x 61cm, assinado, datado no verso (6.1990), como é hábito do Artista.

Regresso do Mar

Lázaro Lozano é um nome de referência numa colecção de pintura de temática marítima.
Nascido de pais espanhóis, na Nazaré, em 1906, morreu em Madrid, onde também tinha atelier, em 1999.
As suas figuras de pescadores e pescadeiras, que não enganam ninguém versado no assunto, dramáticas, têm um misto de realismo e de mística; são patéticas, atraem-nos e embriagam-nos.


Lozano reúne em si o sentido trágico da alma espanhola e o lirismo do sentimento lusíada – escreve Pamplona, acerca do Artista.

É intenção do Sr. Director do Museu que a obra de arte seja apresentada, publicamente, a 8 de Agosto, dia em que a instituição comemora os seus 72 anos de vida.

Já agora, lembramos sobretudo aos Amigos do Museu as obras de arte que a AMI ultimamente adquiriu, num espaço de dois anos e gostaríamos de as ver expostas, como é hábito em muitas instituições museológicas, com a intenção de as fruir, como obras de arte que são, e de tentar angariar mais adeptos para a Associação:

- “Marinha – Barcos na Ria de Aveiro”, de Cândido Teles (1921 – 1999), óleo sobre madeira, assinado e datado de 1941. Dim. – 17x 12 cm

- “Barco à vela “ de João Vaz (1859 – 1931), aguarela sobre papel, assinada. Dim. – 23x11 cm

- “Nazarena” de Lino António (1898-1974), 1929, desenho a lápis sobre papel. Dim. – 54x43 cm

- “Costa-Nova” de Fausto Sampaio (1893-1956). 1933. Óleo sobre madeira. Dim. – 50x62 cm

- E, agora, este Lázaro Lozano.

Não temos descurado outro tipo de espólio – foi o caso da construção do molinete do Faina Maior, a que também dediquei um post.
E aguardemos o dealbar de 2010, pois outras surpresas suceder-se-ão.

Imagem – Arquivo da leiloeira

Ílhavo, 2 de Julho de 2009

Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Óleo Costa-Nova, de Fausto Sampaio, enriquece o MMÍ.

O passado 15 de Outubro foi dia de ansiedade para os Órgãos Directivos dos Amigos do Museu! Telefonema sobre telefonema!... Consulta sobre consulta!... E-mail sobre e-mail!...

Avisada, na véspera, por Amigos do Museu, residentes em Lisboa, que andam sempre em cima do acontecimento, a Associação dos Amigos do Museu de Ílhavo teve que agir rapidamente – um óleo do pintor Fausto Sampaio, conhecido pelas suas notáveis interpretações da Costa-Nova, ia a leilão, nessa noite, na conceituada leiloeira Palácio do Correio Velho, em Lisboa.

Depois de bem aconselhados por perito de Arte e antiguidades, deveríamos ir no seu encalço, pois, já há tempos, perseguíamos a aquisição de um Fausto Sampaio, deste género.

Tomadas todas as precauções, ponderado o “esquema conceptual” da colecção a ampliar, e, após troca de impressões com o Sr. Director da Instituição e com o Sr. Presidente da Câmara, restava aguardar, ansiosamente, o desfecho.
Pelas 23 h e 30, fez-se “luz verde” – o quadro Costa-Nova, de Fausto Sampaio, adquirido em parceria com a CMÍ, era“nosso”!

Costa-Nova, de Fausto Sampaio, 1933



Belo óleo sobre madeira, 50 x 62 cm, datado de 1933, retrata a Costa-Nova antiga, zona de palheiros e ria, que nos sensibiliza a todos, mesmo que não a tenhamos conhecido tanto assim! É um trabalho posterior à primeira exposição do Artista.



Fausto Sampaio (1893-1956), natural de Anadia, surdo-mudo desde a infância, notável pintor contemporâneo, foi discípulo de Jules Renard, tendo frequentado as academias de Paris. Expõe, pela primeira vez, em Lisboa, no ano de 1930.
Fausto Sampaio distinguiu-se como grande paisagista. Exprimia profundos sentimentos pela natureza, brilhou pelo uso apurado da cor e pela predominância das atmosferas embaciadas ou luminosas. Foi inexcedível na representação das terras do Vale do Vouga e foi um dos mestres do pintor ilhavense Cândido Teles, a partir de 1939, que dele terá perfilhado o gosto pelas representações pictóricas dos coloridos moliceiros da Ria de Aveiro. Está representado em vários museus nacionais e famosas colecções particulares.

Esta pintura vai aumentar o espólio do MMÍ., no que concerne a Fausto Sampaio, pois vai associar-se a quadro do mesmo autor, já existente há uns anos no Museu, e restaurado em 2005, também intitulado Costa-Nova, óleo sobre tela, de 1939, 78x83 cm, em tons róseos inebriantes e luzentes, que retrata a zona lagunar e os sempre elegantes e cromáticos moliceiros, que ressurgem da neblina.


Costa-Nova, de Fausto Sampaio, 1939



Por curiosidade, também exactamente há um ano, a AMÍ. enriqueceu o espólio pictórico da instituição, com a oferta de “duas pequenas relíquias”, exactamente, no dia 21 de Outubro de 2007, dia em que o Museu festejou o 6ºaniversário da ampliação e remodelação do edifício, a saber:

- “Marinha – Barcos na Ria de Aveiro”, de Cândido Teles (1921 – 1999), óleo sobre madeira, assinado e datado de 1941, um dos melhores períodos da obra do” nosso” pintor. Dim. – 17x 12 cm

-“Barco à vela “ de João Vaz (1859 – 1931), grande marinhista, aguarela sobre papel, assinada. Dim. – 23x11 cm

Na esperança de que todos os trâmites legais, burocráticos e económicos, relativos ao levantamento da “peça” estejam resolvidos até domingo, dia 19, em que se assinalará o 7º aniversário da ampliação e remodelação do edifício do MMÍ, cá estamos, desta vez, para lá depositar o raro e valioso Costa-Nova de Fausto Sampaio, com a devida apresentação pública a que tem direito.

Imagens – Arquivo da leiloeira e do Museu Marítimo de Ílhavo

Ílhavo, 17 de Outubro de 2008

Ana Maria Lopes



terça-feira, 9 de setembro de 2008

Traje da Camponesa de Ílhavo



Enquanto mexericava em gavetas à procura de umas imagens de grandes veleiros, deparei com este postal – Camponesa de Ílhavo – que me fez recordar conversas passadas, relacionadas com o nosso museu.

Camponesa de Ílhavo – Séc. XIX



Há uns bons 16 anos, tive no museu algumas afáveis conversas com o Arquitecto Quininha, de quem sempre fui amiga, sobre a pintura, trajes e cerâmica expostas. Eram sectores que ele privilegiava, talvez por gostos e saberes, que não eram, nem vieram a ser, sectores fortes, naquela casa: a colecção de pintura é pobre e não criada segundo um estudo prévio, os trajes são praticamente inexistentes e, alguma cerâmica, razoável, recolheu a reservas há já alguns tempos.

Ele gostava especialmente de trajes e sabia muito de ourivesaria. Um dia, quando veio de Lisboa, numa das suas visitas frequentes a Ílhavo, trouxe-me carinhosamente aquele postal da Camponesa de Ílhavo, óleo de F. José Resende, (1825 – 1893), que encontrara à venda no então M.N.A.C. Apreciei-o, guardei-o, mas agora dou-lhe mais valor. O tal quadro vem citado no Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses de F. de Pamplona.

Levou-me a ir confrontá-lo com um outro existente no Museu, algo idêntico. Com a ideia segura que tinha, consultada a colecção on-line de pintura, encontrei-o. – A mulher… também de chapeirão!...

É este:

Camponesa de Ílhavo do Séc. XIX
Francisco Resende – Col. do MMI.


Coincidências: A Camponesa de Ílhavo (o mesmo título), revela-nos o traje da camponesa de Ílhavo, em finais do século XIX. Figura altiva, esta mulher também enverga um chapeirão de aba com lenço, camisa branca, corpete e saia, escuras, e apresenta-se descalça. É um óleo sobre metal de 1875.

O primeiro quadro a que me refiro, que deverá estar nas reservas do actual Museu do Chiado, enriqueceria um pouco mais a nossa colecção, mas as pertenças de cada museu são para se respeitarem, salvo raras excepções de depósitos e cedências.

Segundo descrição de Senos da Fonseca no seu Ensaio Monográfico, a pp. 342 e 343, a lavradeira de Ílhavo (Século XIX) envergava saia de serguilha (fraldilha), colete de fazenda (mesmo de veludo), preso no peito por abotoadura de prata, de par, debruados os botões a cetim amarelo; lenço habitual. Usava uma cinta com que fazia descer ou subir a saia, do meio da perna ao tornozelo. No pescoço, cordão de filigrana.

Algumas semelhanças e alguns pormenores diferentes.

Este primeiro óleo de F. José Resende, talvez, pelas cores empasteladas de uma luminosidade sombria que usa, e pela elegante posição da figura em causa, é de uma nobreza e beleza extraordinárias. Parece demasiado rica e nobre para camponesa. No entanto, está descalça…

Um grande lenço vermelho lavrado, sobre a cabeça, abraça, lateralmente, o chapéu de feltro preto debruado a cetim, de abas bastante largas. Bonita algibeira debruada e brincos compridos de ouro dão um último toque ao vestuário que enobrece a camponesa, segundo a paleta do artista. Não dá para apreciar muito bem se o chapéu, dado o peso da sua aba, tinha fitas ou presilhas que iam da orla à copa exterior, para que as abas não descaíssem.

O grande pintor Francisco José Resende interessava-se mesmo pelo traje da camponesa de Ílhavo – pelo menos, dois quadros conhecidos, parecidos, sobre o mesmo tema…

Mais algumas representações deste género conheço, neste caso, Ílhavas – Vendedoras de sardinha, litografia de Joubert, de meados do século XIX, colecção do MMI., outras de menor qualidade gráfica, o caso do postal do Museu de Ovar, que representa a mulher e o homem de Ovar.

Foi agradável “desenterrar” esta pintura que me levou a relacioná-la e compará-la com outras de que tinha uma memória mais ou menos fresca.

Ílhavas – Vendedoras de sardinha – M.M. de Ílhavo


Mulher e homem de Ovar



Aqui fica o registo das minhas cogitações domingueiras… Há sempre algo que motiva a feitura de um blog.

Fotografias – Arquivo particular da autora e imagens on-line do MMI.

Ílhavo, 9 de Setembro de 2008

Ana Maria Lopes



quarta-feira, 9 de julho de 2008

Exposição João Carlos e Cândido Teles (Parte I I)


António CÂNDIDO Patoilo TELES nasceu em Ílhavo, a 1 de Janeiro de 1921 e faleceu a 31 de Outubro de 1999, deixando a sua obra para a posteridade.
A recente doação, por parte da Família, de obras suas à CMI., é um gesto nobre que nos permite ter ao nosso alcance um maior número de trabalhos seus do que aquele que existia no acervo do Museu Marítimo.
Obrigada, pois, pelo acto generoso!

Em vez de traçar a biografia que vem nos Catálogos, que tão carinhosamente me oferecia e dedicava e que carinhosamente guardo, preferi respigar uma sua entrevista fixada em “Os trabalhos e os dias”, em Outubro de 1988, altura em que foi agraciado com a Medalha de Mérito Cultural da Câmara Municipal de Ílhavo. Daí transcrevi as frases que me pareceram mais eloquentes e elucidativas:


(…) O meu contacto com a arte começou desde muito cedo com o meu avô materno que era um ceramista e um barrista de mérito (…). O meu pai, Amadeu Simões Teles, nunca abandonou a pintura. Vi-o morrer com 84 anos ainda a pintar. Foi outra grande influência que tive (…).
Com os meus 18 anos, na Costa Nova, tive a felicidade de conhecer um pintor: Fausto Sampaio. Era de Anadia e vinha para a Costa Nova sobretudo pintar (…).
Comecei por o ver trabalhar e, por último, trabalhar a seu lado (…). Dava-me conselhos sobre o enquadramento, composição, retoques…Ele era um naturalista de ar livre e a minha pintura tornou-se isso, de início.

Em 1939, C. T. fez a sua primeira exposição no Salão Arrais Ançã, na Costa Nova, salão de diversão atrás do Café Coração da Praia. Houve uma reacção de interesse pela obra exposta.
Depois, a vida profissional do Artista proporcionou-lhe ambientes distintos: Açores, Madeira, Angola, Alentejo, Algarve, Moçambique, entre outros. Em todos sofreu a influência dos meios.
Quem não conhece os verdes e os negros das fases africanas de Cândido Teles e os laranjas, ocres e vermelhos da fase alentejana, sem esquecer o sucesso do chamado Alentejo branco, o Alentejo de Monsaraz?

Em 1962, na Madeira, foi importante para C. T. o encontro com Júlio Resende, amizade que se prolongou durante a sua estadia em Évora.
Foi um conselheiro e um grande amigo, agora a somar ao seu avô, ao seu pai e a Fausto Sampaio.

(…) Depois é o regresso a Ílhavo (em 1977) e a reintegração que estou a fazer há mais de dez anos, empenhado em ir buscar as coisas que estão a desaparecer: a arte da xávega, os temas da pesca na ria, da faina do moliço que procuro reviver…Agora dedico-me mais à figuração, fui buscar as figuras, os barcos que ainda existem e evoquei o sul da Costa Nova. Não voltei a pintar ao natural. Adquiri uma série de conceitos novos que depois aplico aos temas que tratei no passado (...).

Então, voltado para a ria e coisas da ria, experimentou a escultura e empenhou-se a fundo na cerâmica, de que é exemplo flagrante o painel cerâmico, de grandes dimensões, sito na Rua dos Galitos, em Aveiro, executado por encomenda da C. M. de Aveiro, em meados dos anos 80.


Cândido Teles muito me incentivou a levar por diante a minha pesquisa sobre os Moliceiros, que ambos apreciávamos, com olhares diferentes.
Em longas conversas de inverno, no conforto da lareira da sua saleta, o Artista, a Esposa e eu, trocávamos e partilhávamos ideias. Os motivos iam brotando e os esquissos ganhavam contornos. Cada um via e entendia o barco à sua maneira.
Serões agradáveis esses, e quase sempre frutuosos!

Os cadernos de apontamentos gráficos de Cândido Teles eram rigorosos e, enquanto os folheávamos, as conversas pareciam não ter fim. Foram estes “bonecos simples”, mas fiéis, que permitiram ao Artista evocar e pintar em 1994/5, cenas de 1940/41. É o caso da típica Malhada de então, da Barquinha, de cenas lagunares com moliceiros, junto ao Palheiro, a caminho de Vagos.

Após o seu regresso definitivo a Ílhavo, passei a ser visita assídua da casa, ainda antes de se situar ali, ao fundo, no Arenal.

Iniciei paulatinamente a aquisição de quadros, entre 1975 e1985, começando por aquilo que considero as pequenas relíquias dos anos trinta e quarenta, normalmente, de temas lagunares ou marítimos: moliceiros, companhas, o sul da Costa Nova com as suas bateiras, palheiros, marinhas… Sempre escolhas em casa do Artista, bem pensadas, e com a sua opinião.


Nas aquisições, mantive-me fiel às ambiências lagunares da nossa região. É delas que vos dou conta, na perspectiva de dar ainda mais a conhecer a obra deste saudoso Amigo. Mais uma vez por ordem cronológica, aqui estão:



Palheiros, 1947
Óleo sobre madeira, 18x27 cm

Companhas, 1948
Óleo sobre madeira, 14x24 cm

Moliceiros, 1967
Óleo sobre platex, 27x36 cm



Costa Nova, 1971
Óleo sobre platex, 69x99 cm



Consertando redes, 1977
Óleo sobre platex, 23x26 cm


Grupo de peixeiras, 1982
Óleo sobre platex, 87x87 cm



Remendando redes, 1982
Óleo sobre platex, 87x87 cm



Não deixem, pois, de visitar a Exposição.

Fotografias – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 9 de Julho de 2008

Ana Maria Lopes