Mostrar mensagens com a etiqueta Saleiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Saleiro. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Rota do Sal

 -

Tendo sido, certamente, o sal, a primeira das mercadorias a ser carregada no mercantel, foi conhecido, neste transporte, sobretudo, por saleiro.

O sal era retirado das marinhas e era levado para os armazéns do canal de S. Roque.

-

 

 Tirada de sal junto a marinha

-

Descarga do sal no Canal de S. Roque

- 

Daí, primeiro para Águeda, depois para o Cais de Ovar (Ribeira de Ovar), onde o movimento era intenso e activo, não podia também de deixar de passar também pelo esteiro de Estarreja.

A rota do sal não podia praticamente separar-se da rota do peixe, porque a seguir ao sal, era o peixe o produto mais transportado.

Vindo desde a Costa Nova, onde era lavado, salgado e vendido em palheirões à beira-ria, de S. Jacinto e da Torreira para Aveiro, daí seguia os destinos já designados.

--

 

Armazéns de venda de peixe, na Costa Nova

-

Ílhavo, 7 de Dezembro de 2023

-

Ana Maria Lopes

-

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UMA JANELA PARA O SAL

-
No próximo sábado, dia 16 de Maio, pelas 18 horas, integrado nas comemorações do Dia Internacional dos Museus, a Alêtheia Editores convida-vos para o lançamento do livro Uma Janela para o Sal com texto de Ana Maria Lopes e Etelvina Almeida e fotografia de Paulo Godinho.
-
A obra será apresentada por Senos da Fonseca.  

Convite

Referem as autoras, na contracapa do livro, em sinopse:
-
E finalmente, se abre uma janela para o sal...
Fruto de um antigo propósito, o de trazer à luz e à escrita um acervo de imagens das salinas, recolhidas nos anos 80, alusivas a um património que se tem vindo a extinguir, repescaram-se apontamentos não só imagéticos, mas também escritos e confirmados no local, que agora renascem das lamas negras das marinhas e dos brancos cristais desses tempos, trazendo a saudade e o labor de outras fainas.
E assim se retomou a «safra» e se verteu sobre o papel a escrita que os aguardava. E, a outros olhos, outros pensares, em duplo sentir, suavemente se foi tecendo homenagem a uma profissão, actividade e tradição, a do marnoto, que já morre na alma de muitos, porque os que a lembram já poucos são.
-
Trata-se de um património que faz parte da identidade de uma região que bem aconchegava esta actividade no seu seio, tal foi a sua importância desde sempre.
-
Acompanhou-se, registou-se, descreveu-se e contou-se, «cantando» e exaltando o homem do sal, que foi, é, e será o único sabedor e conhecedor de tão árduo trabalho, o de amanhar a marinha, desde a rudeza à beleza do sal.
-
Com a percepção de que se trata de uma maneira diferente de abordar o sal lagunar, com alguns laivos poéticos, fomos escrevendo esta pequena monografia Uma Janela para o Sal, acrescentando frescura ao tema e enaltecendo o Homem, o território lagunar e as marinhas. É aprazível, esclarecedora e sedutora, quer para um leitor conhecedor, quer para um leitor interessado.

Capa do livro


Amigos/as, compareçam no Museu Marítimo de Ílhavo, para darem uma espreitadela para o sal. Não se arrependerão.

Ílhavo, 13 de Maio de 2015

Ana Maria Lopes
-

sábado, 27 de dezembro de 2014

O grande carregador da Ria

-
Que mais dizer de novo que ainda não tenha sido estudado ou publicado sobre o barco mercantel, acerca da sua função como carregador do sal – saleiro –?
Respiguemos, aqui e ali, o que diversos autores transmitiram, nomeadamente Senos da Fonseca, Inês Amorim e outros, sobre esta função do mercantel, o grande senhor da ria.
Que está extinto, é uma realidade e que é uma pena, também.
 
Como manter a sua memória? Divulgando imagens? É uma hipótese. Exibi-lo, como barco de museu? Outra. Nenhuma lhe tira a saudade da sua navegação e presença na ria, em labores diversos.
Eram-me familiares, quando na adolescência frequentava bastante o cais da Gafanha da Nazaré.
 
Fotografei-os, sem ter a noção que registava futuras relíquias. 

Gafanha da Nazaré. 1963. AML
-
Pessoa amiga cedeu-me alguns registos do último mercantel construído pelo Mestre Joaquim Raimundo, da Murtosa, em 1959, em dia festivo de bota-abaixo.
-
Um dos últimos mercantéis. 1959. PHC

Ainda para serviço efectivo, foi construído em 1973, o último mercantel, por Mestre Lavoura, afamado construtor de Pardilhó.
Como peça de museu, o MMI acolheu um, para exibição, em 2001, construído por Mestre Esteves, também de Pardilhó. E lá continua…
Muitas serventias…
O grande carregador lagunar teve três funções essenciais:
- Na passage, sendo mais conhecido, pela designação de barca.
- No carreto – de variadíssimos fretes – o junco, o caulino, a madeira, peixe, fruta, cereais, animais, artigos de artesãos locais, etc.
- No transporte específico do sal – o saleiro.
-
O Cais da Ribeira de Ovar era o destino mais habitual do sal. Em tempo de abastança!

Ribeira de Ovar, em meados do século XX
Arquivo Aveiro

Com a evolução dos tempos, com a construção de estradas e pontes, com a diminuição de alguns destes produtos, a utilização do mercantel foi-se tornando cada vez mais escassa, conduzindo-o ao desaparecimento total.
As imagens que se seguem, inéditas e estonteantes, são registos de sonho, testemunhos de uma época não muito distante, que já não volta. Conseguidas do alto da Ponte da Varela (sempre depois de 1964), atestam idas e voltas de saleiros vazios e cheios, impulsionados por uma brisa suave que enfunava uma ou duas velas.
Imagens raras, etéreas, divinas, espelhadas entre azuis cerúleos, mortiços e acinzentados, distintos, sem linhas de horizonte notórias.

 
E o olhar alcandorado do arco central da ponte esfuma-se entre barco, sal e majestade da ria…
 
 
Têm a dimensão de uma visão efémera… 

 
Imagens finais – Gentil cedência do Sr. Comandante A. Bento
-
Ílhavo, 27 de Dezembro de 2014
-
Ana Maria Lopes
-