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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Moliceiro "São Salvador" - nos Canais de Aveiro

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Moliceiro "São Salvador" – nos Canais de Aveiro


Assisti ao nascimento do moliceiro São Salvador, em 2010, em Pardilhó, no estaleiro do Mestre António Esteves. Que alegria… mais um, em tempo de penúria… destinado à Junta de Freguesia com o mesmo nome, em Ílhavo.

Só que o seu destino não lhe viria a trazer grandes augúrios, porque a manutenção de um moliceiro, hoje, em dia, fica muito cara

Passou por alguns momentos altos dentre os quais saliento a participação nas regatas de 2012 e 2013, às mãos do hábil arrais da Torreira Marco Silva, velejador de têmpera rija.

Em 2014, já não participou. Dava sinais de decadência, sempre “enterrado” na Folsa dos Coquins.

A decisão da Junta de Freguesia, devido aos custos de manutenção, foi levá-lo a hasta pública, que, pela 2ª vez, se concretizou, em Maio de 2015.

Tendo sido salvo por outras mãos (não sei pormenores), acabou por ter sido comprado pela amiga Maria Emília Prado Castro. Muito bem tratado e mantido, era o seu enlevo. Formou-se um grupo de amigos/as que não faltava aos passeios organizados. Não houve romaria lagunar setembrina, em que o “São Salvador” não tivesse estado presente, durante vários anos, bem como nas regatas então existentes.

Ao sul da Costa Nova...

Agora, entro eu na história. Em 2022 – o Mestre Zé Manel, pintor, teve a ideia de decorar o painel da proa, BB, do referido moliceiro, com a minha figura, com a anuência da amiga Maria Emília. O último passeio que fiz nele, foi nesse mesmo ano, para inauguração da nova decoração. Navegava em ria aberta, sempre que possível, à vela, desde a Torreira à Vagueira, à “Bruxa”, chegando a sair a barra, numa bela tarde de Outono, aproando na dita praia velha do Farol.

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Em passeio…
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O tempo passa, as coisas acontecem e, há cerca de dois meses, soube, que o moliceiro “São Salvador” tinha sido comprado por empresa turística de Aveiro. Esteve na Ribeira do Nacinho para restauro, mas os painéis, porque estavam bons, mantinham-se. Bem, outra vida, outro rumo…. Vou passar a navegar, a motor, sem mastro nem vela, nos Canais de Aveiro. E assim é. Pessoa amiga foi "cuscar" e, sabendo qual o cais em que atracava, teve a sorte de o ver, passeando turistas. Até quando? Não sei… Deus dirá…


Nos Canais de Aveiro
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Junto ao Centro de Congressos
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Nos Canais de Aveiro
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Lá vai ela…
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Ainda se constipa…
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Se andarem por Aveiro e reconhecerem a minha “fronha”, num painel de um moliceiro, de cabelo branco, não se assustem, sou mesmo eu. Talvez, alguma vez, vá dar uma voltinha, não sei…

Costa Nova, 21 de Agosto de 2025

Ana Maria Lopes

domingo, 4 de outubro de 2015

Vamos à romaria da Senhora das Areias! - 2015


Em dia de reflexão, nada como moliceirar até à Senhora das Areias, em São Jacinto, de véspera «como os gaiteiros».
Sendo impossível fazê-lo no domingo, devido ao dever cívico que todos sabemos, e à trabuzana anunciada, optámos pelo sábado.
Outra perspectiva da romaria. Porque não? Preparativos do principal dia festivo, com eucaristia dominical e procissão em que o ponto alto será o encontro dos andores da Senhora das Areias e da Senhora do Ar, na marginal junto à ria e próximo da base militar (RI 10).
À partida, no Oudinot, uma calmaria pungente, «nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do jardim». Um sol envergonhado, em céu acinzentado, espreitava, aquecendo-nos os corpos e libertando-nos a mente, em sábado outoniço, verdadeiramente setembrino.
O SÃO SALVADOR, espera-nos aquietado, no seu poiso habitual, espelhado e vaidoso.

O São Salvador nem acredita…

Passadas a zona do Forte, do Farol, da entrada da barra, do Triângulo (cenários sempre imperdíveis), eis-nos perto de S. Jacinto com bons encontros, embarcações exuberantes ou típicas e encantadoras, que nos cativam.

Embarcação do Norte da Europa 

Antes do almoço, o nosso objectivo, hoje, para além do prazer de navegar, era visitar as barracas de romaria e a secular capelinha hexagonal da Senhora das Areias, podendo assistir aos enfeites dos andores, com o brio e a fé que caracterizam «aquelas gentes».
Nem «um barco do mar» em estrado apropriado faltará na procissão, para recordar os tempos em que «a arte de xávega» se praticou naquela praia, antes de se estabelecer na Costa Nova do Prado, depois de se ter fixado a abertura definitiva da barra, em 1808.

Foto de arquivo (2014)

«Ògada» pelas tendas que já não existem há uns bons anos na Senhora da Saúde, toca de fazer algumas compras sazonais características – um guarda-chuva para os invernos tempestuosos que nos têm assolado, cutelarias e una atoalhados garridos para as cozinhas.
Outras barracas de frutos secos, de doçaria regional – suspiros, suspirinhos, raivas, cavacas, bolinhos de gema, beijinhos, regueifas -, de brinquedos e de calçado típico, também nos prenderam o olhar!

Tamancaria portuguesa

Depois de uma grelhada variada num restaurante da frente ria, em cordial convívio, fomo-nos deixando ficar um bocado, «em suave remanso», pela nova margem de S. Jacinto, a saboreara a beleza e a doçura lagunares, sob um calorzinho tépido, sonarento e convidativo ao sonho.
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Meninos e meninas, deixem-se de mazanzices e toca a despertar. São horas da partida – ousou o arrais.
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No regresso, um sol anémico espelhava-se na laguna, por entre nuvens acinzentadas, deixando-a chumbada de prata, num efeito agridoce e envolvente.

Ria chumbada de prata brilhante

O nosso arrais havia-nos preparado uma surpresa e, ultrapassada a Meia-laranja, aproou o SÃO SALVADOR à Praia Velha da Barra.
Uns ocupantes saltaram para a água, outros banharam-se, outros foram ao Café Farol comprar umas «minis»…

Que belo cenário!...

Não é todos os dias que se aprecia esta paisagem, local histórico que foi palco de prantos e de alegrias com naufrágios, entradas e saídas de navios, lembrando, sobretudo, as campanhas do bacalhau, nas suas chegadas e despedidas de navios e tripulações.
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Imagens – Da autora do blogue
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Ílhavo, 4 de Outubro de 2015
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Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Moliceiro «São Salvador» - que destino?

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Assisti ao nascimento do moliceiro São Salvador, em 2010, em Pardilhó, no estaleiro do Mestre Esteves. Que alegria… mais um, em tempo de penúria… destinado à Junta de Freguesia com o mesmo nome, em Ílhavo.

Novinho em folha, em 2011. AML

Só que o seu destino não lhe viria a trazer grandes augúrios. Depois do bota-abaixo, acostado pomposamente na Folsa dos Coquins, na Gafanha de Aquém, estava-se mesmo a ver que aquela construção não iria dar em nada. Mais tarde, entregue à Associação Aquém Renasce, a mesma, por inerentes dificuldades, também não conseguiu retirar-lhe grande usufruto.
Passou por alguns momentos altos dentre os quais saliento a participação em Regatas da Ria e do S. Paio e numa exibição do Oudinot à Costa Nova, em 2013, em dia de nortada forte. Que adrenalina!

Regata do S. Paio, em 2011. AML.

Mais altos ainda, foram os primeiros lugares conseguidos nas regatas de 2012 e 2013, às mãos do hábil arrais da Torreira, Marco Silva, velejador de têmpera rija.

Exibição do Oudinot à Costa Nova. 2013. Ah.cravo

Em 2014, já não participou. Dava sinais de decadência, sempre «enterrado» na Folsa dos Coquins. Seria a morte anunciada, alagado, com sinais evidentes de degradação.

São Salvador, em Abril de 2015

Começou a constar que a actual Junta de Freguesia pretendia desfazer-se do barco, por não suportar os custos de manutenção a que conduzia.
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Segundo o Diário de Aveiro de 4 de Abril de 2015, foi promovida uma hasta pública, ao final da tarde da passada quinta-feira, pela Junta de Freguesia de São Salvador para vender o seu moliceiro, que ficou deserta. A autarquia liderada por João Campolargo com intenção de recuperar algum do dinheiro já gasto com a sua aquisição (pelo anterior Executivo) e manutenção, decidiu avançar para uma nova hasta pública.
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«Juntamente com o nosso advogado, e na próxima semana já poderemos dar nota pública de qual o procedimento que iremos tomar», referiu ao Diário de Aveiro, João Campolargo. O autarca reconhece «que a opção mais viável continua a ser a venda, uma vez que «manutenção do barco no nosso Canal do Boco não é viável, até pelas condições do próprio canal, além de que o moliceiro exige a existência de um arrais e a Junta de Freguesia não consegue dar essa resposta», especificou ainda o autarca».

O mesmo jornal de 26 de Abril de 2015 informa que depois de uma primeira tentativa que saiu gorada, vai voltar a hasta pública a 4 de Maio, no auditório da Junta, pelas 19 horas, o moliceiro São Salvador. O preço desceu de 11 000 € para 3 500.

Estando a vida dos ditos moliceiros tradicionais tão difícil, admiro que não apareça nenhum operador turístico interessado. Pelos cortes e adulterações a que são sujeitas as embarcações para navegarem num canal povoado de várias pontes, não sou muito adepta da transmutação, mas é uma realidade.

E tenho uma percepção, pelo que vejo, sempre que frequento Aveiro, que a via turística é «uma galinha de ovos de ouro». Será?
As imagens comprovam-no, em fim-de-semana de Páscoa. Claro, nem sempre é assim! Pseudo-moliceiros em fila, mas é-o com muita frequência.
 


No Canal Central, em Aveiro. De Alberto Cardoso
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Grata pela cedência pelas fotografias creditadas.
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Ílhavo, 30 de Abril de 2015
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Ana Maria Lopes
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