Mostrar mensagens com a etiqueta Nossa Senhora das Areias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Nossa Senhora das Areias. Mostrar todas as mensagens

domingo, 4 de outubro de 2020

Nossa Senhora das Areias. 2020

- 

Hoje, domingo, 4 de Outubro teria sido a última romaria lagunar, mais uma que não se realizou – a Nossa Senhora das Areias, em São Jacinto. Recordo, pois, uma das últimas a que fui.

Com algum sacrifício, alvorei cedo, para, no “Pardilhoense”, atravessar para São Jacinto – percurso frente à entrada da Barra, sempre mágico e nostálgico.

Apesar de não ser perita em hagiologia – longe disso –, preocupei-me com a identificação correcta dos santos, nos seus andores, superlativamente decorados com alguns frutos e flores distintas: antúrios rosa, brancos, verdes, vermelhos, botões de rosa de cores diversas, gladíolos, esterlitzias, gerberas, malmequeres, verduras variadas, etc., etc., etc.

Depois da Eucaristia dominical festiva, na característica capela hexagonal (posteriormente ampliada), assisti à formatura da procissão, este ano com um percurso mais complexo, devido a obras na marginal.

A Banda dos Bombeiros Voluntários de Estarreja na sua musicalidade compassada, abria o cortejo eclesiástico, logo seguida, caso curioso, de uma miniatura do barco do mar N. S. das Areias, endeusada em andor. Recordaria as “companhas da arte”, que laboraram em S. Jacinto no século XVIII, antes de se transferirem para a Costa Nova do Prado, após a abertura da Barra, em 1808.

O estralejar do foguetório anunciava a saída, indiciada por diversos estandartes, em chão pontilhado de plantas verdejantes e pétalas de rosa, que mostravam a rota da procissão, que tem sempre uma paragem obrigatória frente às “Portas de Armas” da Base Aérea Militar. Aí se dá o encontro entre as duas divindades – a Senhora do Ar, padroeira dos aerotransportados, vem saudar a Senhora das Areias, orago de S. Jacinto.

-

 
Senhora do Ar
-

Senhora das Areias 

Ao mesmo tempo, enquanto anjinhos e santinhos “ao vivo” se divertiam à brava, brincando com os seus “bonecos/meninos”, um sacerdote pregava o sermonário, numa varanda arredondada, enfeitada de colgaduras adamascadas, coloridas, no redondo que dá para a base militar e para a ria.

-

 
A saudação
-

Como romaria lagunar que é, o elemento água não podia faltar.

Uma simbólica largada de pombos homenageia o elemento ar, como meio ambiente libertador da terra, em direcção à independência cerúlea do céu. Vivas, palmas e chuviscos de pétalas de flores completaram a saudação, em ambiente religioso e tradicional.

Chamaram-me a atenção aquelas divindades que me são menos familiares – o S. Pedro Velho.

De grande chave na mão direita, será ele que nos abrirá a porta do céu?


S. Pedro Velho 

S. Miguel Arcanjo, com a balança justiceira, era suportado devotamente por militares.


S. Miguel Arcanjo

São Jacinto, pouco visto, segura ao colo a Senhora das Areias, tendo esta nos braços o Menino Jesus. Que paternalismo e que cruzamento de santidades…


São Jacinto

Depois de demorado almoço em restaurante da marginal, ao sabor de brisa suave, fizemos em grupo, uma incursão pelas “ditas” tendas. De tudo se vendia, com ordem e organização – desde brinquedos, chapelaria, atoalhados, calçado, lingerie, até à doçaria tradicional, frutos secos, queijos e enchidos de toda a espécie.

À tarde, no largo da capela, ressaltava um ambiente festivo tipicamente popular, animado por um conjunto com música ritmada, melodiosa e animada, que não nos estourava os tímpanos.

Outros “romeiros”, entretanto, bebiam cerveja fresquinha ou uma ginjinha, enquanto saboreavam pão com chouriço ou pão na pedra. Novidade?

E o bailarico da praxe prolongava-se tarde adentro.

É que até o tempo pactuou com a romaria, que encerrou a “rota das festividades lagunares”. Não esteve de excessos.

O sentimento religioso e a fé deste povo das areias reflecte-se como se mostrou no fervor presente nas procissões.

-

Imagens da autora do blogue

-

Ílhavo, 4 de Outubro de 2020

-

Ana Maria Lopes

-

domingo, 4 de outubro de 2015

Vamos à romaria da Senhora das Areias! - 2015


Em dia de reflexão, nada como moliceirar até à Senhora das Areias, em São Jacinto, de véspera «como os gaiteiros».
Sendo impossível fazê-lo no domingo, devido ao dever cívico que todos sabemos, e à trabuzana anunciada, optámos pelo sábado.
Outra perspectiva da romaria. Porque não? Preparativos do principal dia festivo, com eucaristia dominical e procissão em que o ponto alto será o encontro dos andores da Senhora das Areias e da Senhora do Ar, na marginal junto à ria e próximo da base militar (RI 10).
À partida, no Oudinot, uma calmaria pungente, «nem uma agulha bulia na quieta melancolia dos pinheiros do jardim». Um sol envergonhado, em céu acinzentado, espreitava, aquecendo-nos os corpos e libertando-nos a mente, em sábado outoniço, verdadeiramente setembrino.
O SÃO SALVADOR, espera-nos aquietado, no seu poiso habitual, espelhado e vaidoso.

O São Salvador nem acredita…

Passadas a zona do Forte, do Farol, da entrada da barra, do Triângulo (cenários sempre imperdíveis), eis-nos perto de S. Jacinto com bons encontros, embarcações exuberantes ou típicas e encantadoras, que nos cativam.

Embarcação do Norte da Europa 

Antes do almoço, o nosso objectivo, hoje, para além do prazer de navegar, era visitar as barracas de romaria e a secular capelinha hexagonal da Senhora das Areias, podendo assistir aos enfeites dos andores, com o brio e a fé que caracterizam «aquelas gentes».
Nem «um barco do mar» em estrado apropriado faltará na procissão, para recordar os tempos em que «a arte de xávega» se praticou naquela praia, antes de se estabelecer na Costa Nova do Prado, depois de se ter fixado a abertura definitiva da barra, em 1808.

Foto de arquivo (2014)

«Ògada» pelas tendas que já não existem há uns bons anos na Senhora da Saúde, toca de fazer algumas compras sazonais características – um guarda-chuva para os invernos tempestuosos que nos têm assolado, cutelarias e una atoalhados garridos para as cozinhas.
Outras barracas de frutos secos, de doçaria regional – suspiros, suspirinhos, raivas, cavacas, bolinhos de gema, beijinhos, regueifas -, de brinquedos e de calçado típico, também nos prenderam o olhar!

Tamancaria portuguesa

Depois de uma grelhada variada num restaurante da frente ria, em cordial convívio, fomo-nos deixando ficar um bocado, «em suave remanso», pela nova margem de S. Jacinto, a saboreara a beleza e a doçura lagunares, sob um calorzinho tépido, sonarento e convidativo ao sonho.
-
Meninos e meninas, deixem-se de mazanzices e toca a despertar. São horas da partida – ousou o arrais.
-
No regresso, um sol anémico espelhava-se na laguna, por entre nuvens acinzentadas, deixando-a chumbada de prata, num efeito agridoce e envolvente.

Ria chumbada de prata brilhante

O nosso arrais havia-nos preparado uma surpresa e, ultrapassada a Meia-laranja, aproou o SÃO SALVADOR à Praia Velha da Barra.
Uns ocupantes saltaram para a água, outros banharam-se, outros foram ao Café Farol comprar umas «minis»…

Que belo cenário!...

Não é todos os dias que se aprecia esta paisagem, local histórico que foi palco de prantos e de alegrias com naufrágios, entradas e saídas de navios, lembrando, sobretudo, as campanhas do bacalhau, nas suas chegadas e despedidas de navios e tripulações.
-
Imagens – Da autora do blogue
-
Ílhavo, 4 de Outubro de 2015
-
Ana Maria Lopes
-

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Romaria da Nossa Senhora das Areias. 2014


São Jacinto, 5 de Outubro de 2014. Em plena romaria do primeiro fim-de-semana de Outubro, sentada no murete de uma fonte frente à Capela da Senhora das Areias, alinhavo estas linhas, antes que a memória me atraiçoe. Além de tudo, tem mais sabor…
Com algum sacrifício, alvorei cedo, para, no «Pardilhoense», atravessar para S. Jacinto – percurso frente à entrada da Barra, sempre mágico e nostálgico.
Apesar de não ser perita em hagiologia – longe disso –, preocupei-me com a identificação correcta dos santos, nos seus andores, superlativamente decorados com alguns frutos e flores distintas: antúrios rosa, brancos, verdes, vermelhos, botões de rosa de cores diversas, gladíolos, esterlitzias, gerberas, malmequeres, verduras variadas, etc., etc., etc.
Depois da Eucaristia dominical festiva, na característica capela hexagonal (posteriormente ampliada), assisti à formatura da procissão, este ano com um percurso mais complexo, devido a obras na marginal.

 
A Banda dos Bombeiros Voluntários de Estarreja na sua musicalidade compassada, abria o cortejo eclesiástico, logo seguida, caso curioso, de uma miniatura do barco do mar N. S. das Areias, endeusada em andor. Recordaria as «companhas da arte», que laboraram em S. Jacinto no século XVIII, antes de se transferirem para a Costa Nova do Prado, após a abertura da Barra, em 1808.

 
O estralejar do foguetório anunciava a saída, indiciada por diversos estandartes, em chão pontilhado de plantas verdejantes e pétalas de rosa, que mostravam a rota da procissão, que tem sempre uma paragem obrigatória frente às «Portas de Armas» da Base Aérea Militar. Aí se dá o encontro entre as duas divindades – a Senhora do Ar, padroeira dos aerotransportados, vem saudar a Senhora das Areias, orago de S. Jacinto.

Senhora do Ar
 
Senhora das Areias

Ao mesmo tempo, enquanto anjinhos e santinhos «ao vivo» se divertiam à brava, brincando com os seus «bonecos/meninos», um sacerdote pregava o sermonário, numa varanda arredondada, enfeitada de colgaduras adamascadas, coloridas, no redondo que dá para a base militar e para a ria.

A saudação

Como romaria lagunar que é, o elemento água não podia faltar.
Uma simbólica largada de pombos homenageia o elemento ar, como meio ambiente libertador da terra, em direcção à independência cerúlea do céu. Vivas, palmas e chuviscos de pétalas de flores completaram a saudação, em ambiente religioso e tradicional.
Chamaram-me a atenção aquelas divindades que me são menos familiares – o S. Pedro Velho.
De grande chave na mão direita, será ele que nos abrirá a porta do céu?

S. Pedro Velho
 
 S. Miguel Arcanjo, com a balança justiceira, era suportado devotamente por militares.
 

S. Miguel Arcanjo

São Jacinto, pouco visto, segura ao colo a Senhora das Areias, tendo esta nos braços o Menino Jesus. Que paternalismo e que cruzamento de santidades…

São Jacinto

Depois de demorado almoço em restaurante da marginal, ao sabor de brisa suave, fizemos em grupo, uma incursão pela «ditas» tendas. De tudo se vendia, com ordem e organização – desde brinquedos, chapelaria, atoalhados, calçado, lingerie, até à doçaria tradicional, frutos secos, queijos e enchidos de toda a espécie.

Fumeiro Regional de Lamego

À tarde, no largo da capela, ressaltava um ambiente festivo tipicamente popular, animado por um conjunto com música ritmada, melodiosa e animada, que não nos estourava os tímpanos. Dava vontade de acompanhar o ritmo, enquanto escrevinhava o relato.

Outros «romeiros», entretanto, bebiam cerveja fresquinha ou uma ginjinha, enquanto saboreavam pão com chouriço ou pão na pedra. Novidade?

E o bailarico da praxe prolongava-se tarde adentro.

É que até o tempo pactuou com a romaria, que encerrou a «rota das festividades lagunares». Não esteve de excessos.

O sentimento religioso e a fé deste povo das areias reflecte-se como se mostrou no fervor presente nas procissões.
-
Imagens da autora do blogue e do amigo J. Colaço (São Jacinto).
-
S. Jacinto, 5 de Outubro de 2014
-
Ana Maria Lopes
-