Mostrar mensagens com a etiqueta Arte de arrastar. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Arte de arrastar. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de março de 2013

A ida ao mar, em imagens, na Costa Nova (Anos 40) - 2

-
(Cont.)


 

Entretanto, atingem-se as águas calmas e rema que rema, cia que cia, afastam-se cerca de 3 milhas da linha da costa.
E atrás do reçoeiro, corre, pela borda, a extensa manga da rede até à chegada do saco central, cuja abertura é sinalizada por uma bóia, normalmente, um pipo.
De regresso, percorrido o caminho inverso, lançada a segunda manga (manga de regresso ou de retorno) e o cabo da mão da barca, está na hora de abicar ao areal.
 

 

E o alar da rede que demora entre três a quatro horas, num incessante vozear de homens e mugir de animais, de cima a baixo, de baixo a cima, numa correria louca e desenfreada, assusta os presentes, que só atrapalham, quando não ajudam.
As várias juntas cruzadas, espicaçadas e aguilhoadas pelos boieiros, ajoelham sob o peso do esforço.
 
 
E «curiosos» e pescadores abençoam o saco da rede, em que o peixe fervilha num último estertor. Um peixeiro, talhado na arte, de navalha em punho, desmancha o porfio, desfazendo um dos juntoiros da rede. E outra faina começa – a da divisão do peixe, separação e venda na praia. Cada um com a sua mira!!!!

Imagens de Cândido Ançã, que aprecio e acarinho. Imagino que faltarão algumas do «abicar» do barco, porque, entretanto, na era da foto analógica, terá sido necessário mudar de rolo.
 
Ílhavo, 12 de Março de 2013

Ana Maria Lopes
-

domingo, 10 de março de 2013

A ida ao mar, em imagens, na Costa Nova (Anos 40) - 1

-
Conseguir, parcialmente, uma ida ao mar, em imagens, na Costa Nova, no final dos anos 40, não é, propriamente, fácil. Não é só farfalho, nem sorte. É preciso andar na esteira. Acontece a quem procura.
Teria os meus 7 anos e era visita assídua das companhas. O meu avô já deixara a longínqua e perigosa pesca do bacalhau para acompanhar e apaparicar a neta querida.
Mais tarde, renovei as minhas visitas, pois estes assuntos sempre me interessaram, por razões óbvias.
 
 
O barco da Costa Nova, de 4 remos bem cruzados, altivo e pujante, espera a hora da maré. No areal, a bombordo, redes e outros aprestos que os homens ultimam. Uma junta de cornígeros animais passa lentamente – a tal ruralização do litoral que encantou Unamuno.


 
Por ordem, todos os aprestos ocupam o lugar próprio na embarcação, – a manga de retorno, o saco que volteia a ré, a primeira manga e os cabos enrolados e acamados ordenadamente, à ré e mais a vante. A companha de bordo ocupa o lugar no barco e a de terra coopera. Poucos mirones. Meia dúzia de homens, no mar, de calça arregaçada, aguenta as varas, sobre as quais os rolos e o barco deslizam. À proa, o vareiro, em pé, vigia e ordena.


 
Arrais, sempre atento, à ré. Reçoeiro em terra. Momento de perigo. Os bois puxam o barco para a beirada do mar, a muleta, à ré, orienta. Após as três vagas sucessivas, o mar amolece (a mesma técnica para a entrada no banho, em tempos idos).
A esbelta embarcação bate no cavado da onda, que chapisca. Os remos equilibram. Mar chão e imenso. Mais imenso, ainda, o céu! A emoção é grande! É agora!!! Agora!!!

 
 

Um dos perigos foi ultrapassado. Já flutua. Uma segunda vaga é alcançada e superada com sofreguidão, evitando o atravessamento do barco de que poderia resultar o maior desastre.
 
Que siga em nome de Deus!!!
 
O pessoal afasta-se e juntas de bois fogem, assustadas pelo bater do mar, em forte correria, pelo declive do areal acima.

(Cont.)

Ílhavo, 10 de Março de 2013

Ana Maria Lopes
-