segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Hipólito Andrade - pintor da Ria e mestre da aguarela

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Nascido em Ílhavo, no ano de 1933, tendo residido em Ovar, Hipólito Andrade foi designado como «pintor da Ria de Aveiro e mestre da aguarela».
Soube, há tempos, no Leilão de obras de arte para o jornal O Ilhavense, que faleceu, em 2015, em Ovar, e que havia sido colega na fábrica da Vista Alegre do Mestre Alberto Capucho.
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Amaro Neves, historiador aveirense, escreveu um artigo na revista Patrimónios, nº 9, 2011, intitulado HIPÓLITO ANDRADE – «mestre da aguarela e pintor da Ria», comunicação apresentada às Jornadas de História Local, em 25 de Novembro de 2011.
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O artista iniciou a sua carreira na escola de desenho, pintura e escultura da Vista Alegre. Ainda jovem, emigrou para Luanda, cidade onde a sua veia artística começou a ser notada com a realização de algumas exposições individuais, iniciando também uma colaboração profícua com a imprensa, como ilustrador. Durante a sua permanência em Angola, na década de 60, foi distinguido com alguns prémios de pintura.
De regresso ao continente, e com o reconhecimento artístico já granjeado em Angola, Hipólito Andrade afirmou-se como um dos nomes incontornáveis da aguarela portuguesa, entre as décadas de 1970 a 1990, tendo ainda deixado uma obra notável ao nível da pintura, do desenho e da caricatura. Fez 115 exposições individuais, em Portugal, tendo também exposto no estrangeiro, com destaque para França.
Nos seus quadros, alguns dos quais também a óleo, o artista demonstrou a sua grande capacidade para o desenho, arte que aperfeiçoou ao limite, com trabalhos notáveis na área da paisagem, da ria e do meio rural, tendo transposto para a tela as mais diversas paisagens de Portugal, do Minho ao Algarve, e do litoral ao interior serrano.
Nos anos 80, visitei algumas exposições dele em Coimbra (Galeria Primeiro de Janeiro) e em Leiria.
Os seus quadros de temática lagunar eram os mais cobiçados e daí, nunca ter conseguido nenhum. 

Nas traseiras da Vista Alegre. 1971

Satisfiz-me com uma aguarela relativa aos pescadores da Nazaré, que sempre também apreciei muito.
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Pescadores nazarenos.1980

Hipólito Andrade era filho de Armando Andrade, um antigo mestre escultor cerâmico que se notabilizou na fábrica de porcelanas da Vista Alegre.

Carga de moliço. Ovar. Anos 80

Apesar de uma carreira notável nas artes plásticas, Hipólito Andrade é praticamente desconhecido em Ílhavo, tal como o pai.
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Tento assim, dá-lo mais a conhecer com estes singelos apontamentos.
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Ílhavo, 8 de Fevereiro de 2016
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Ana Maria Lopes
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

«Filinto - O Poeta amargurado», no palco do CCI, esgotou a lotação

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Segundo o Diário de Aveiro de hoje (2.2.2016) foi perante uma casa cheia, ao final da tarde do passado domingo, que o Grupo de Teatro Ribalta estreou a peça «Filinto – O Poeta Amargurado». O espectáculo, que decorreu no Centro Cultural de Ílhavo (CCI) e que é baseado num texto da autoria de Senos da Fonseca, surpreendeu o público presente, que reivindica, agora, por novas apresentações, noutras localidades da região ou do país.
A peça, que retrata a vida de Filinto Elísio – um dos mais importantes poetas do Neoclassicismo português e com raízes em Ílhavo (filho de pais ilhavenses) – contou com encenação de José Júlio Fino e subiu ao palco com o apoio da Junta de Freguesia de São Salvador.
Considero que as expectativas foram alcançadas, uma vez que já há agora muita gente a saber quem foi Filinto Elísio, destacou o autor Senos da Fonseca, depois da estreia da peça – não obstante o mérito das suas obras, o poeta foi caindo no esquecimento. Foi bonito o esforço de todos e a encenação foi excelente, frisou ainda o autor do texto, a propósito do trabalho conseguido pela equipa do grupo Ribalta.
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Esta imagem de uns carinhosos ílhavos seduziu-me…
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E encantou-me…
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Desde que conheci a peça de teatro, já pelo Verão de 2014, relativa à biografia de Filinto, manifestei uma especial predilecção pela jovialidade, pelo carinho, pelo romantismo, pela coragem das personagens deste I acto e pela linguagem extremamente bem utilizada, relativamente às manobras que conduziram o jovem par, numa singela bateira, até Lisboa, à procura de vida melhor e numa tentativa de se «pisgar» de Ílhavo, dada a gravidez prematura da Maria Manuel. Esta, saltitante, meiga e enamorada, abraçada ao pescoço do Manuel Simões, seu amado, saltitava entre a preocupação e a satisfação da vida que tinha dentro de si.
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Com o amadurecimento nas subsequentes leituras, fui encontrando outras belezas textuais e interpretativas nos outros dois actos, correspondentes a fases distintas na vida do amargurado poeta.
Depois do segundo acto, todo palaciano e bem conseguido, pareceu-me que o terceiro se tornou um pouco mais pesado, apesar de surgirem uns laivos de comicidade, resultante da interpretação adequada de algumas personagens, que, intencionalmente, atenuavam a dureza do contexto.
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Resultou muito bem a economia cénica de meios, como convinha, com a sobriedade e ligeireza com que os diversos cenários foram mudados.
O efeito de som e luzes também se tornou extremamente agradável ao olhar e ouvir dos espectadores, embevecidos e esforçados para captar o mais possível do espectáculo, em silêncio, entrecortado por aplausos
O guarda-roupa, na sua simplicidade, mas bem adaptado à época e condição social das diversas personagens, esteve perfeito, bem como a maquilhagem.
Os artistas, além de amadores, jogaram «sem rede», pois o palco não tinha ponto e o texto, na sua diversidade, não era fácil.
O que achei menos bom foi a definição e o vigor de algumas vozes, por condição, sobretudo, femininas, que não estavam direccionadas para a plateia, como a encenação exigiria.
E onde foi mais notório este aspecto, pelo menos, tendo em conta a minha localização na sala, foi no I Acto. Mas, não foi por isso que desgostei menos dele.
Um par enamorado, apaixonado, perante uma gravidez anunciada, não grita, não clama, mas sussurra ternamente, numa voz doce e melíflua.
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Apreciação construtiva, como deve ser a de professora, que sempre me acompanha, além de outras profissões que fui tendo pela vida fora.
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Ílhavo, 2 de Fevereiro de 2016
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Ana Maria Lopes

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O «nosso» Filinto, no Parque dos Poetas

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Em maré de Filinto, (nunca se viu em tais alturas), entre apresentação e representação da obra de SF, surgiu-me esta recordação.
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Há uma boa dúzia de anos, em visita com a família ao Parque dos Poetas, em Oeiras, deparei-me com uma estátua de Filinto Elísio. Parei, sabia que era um poeta arcádico, «um ílhavo», mas confesso que, nessa altura, não lhe prestei muito mais atenção. Andava bastante mais entretida a brincar com o neto.
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Agora, ah!, lembrei-me. O tal Filinto, em Oeiras!
Pedi a quem me clicasse umas imagens para as dar a conhecer a quem, porventura, não as conheça.
O parque está organizado numa série de pequenas praças, cada uma dedicada a um poeta.
É o caso da praça dedicada a Filinto.
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Um curto caminho conduz à estátua, onde uma placa resume a biografia e a obra do poeta. Consideram-no nascido em Lisboa, mas, enfim, como é verdade, perdoamos-lhes o lapso de desconhecerem que foi gerado em Ílhavo, filho de pais ilhavenses. 

A praça de Filinto

Escultura do poeta
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Foi este o nome arcádico por que ficou conhecido o poeta Francisco Manuel do Nascimento, que nasceu em Lisboa e faleceu em Paris, após uma ausência da Pátria de quase quatro décadas. Em Paris, em 1798, seriam publicados Os Versos de Filinto Elísio e, de 1817 a 1819, as suas Obras Completas (11 vols.), reeditadas em Lisboa, de 1834 a 1840. Filinto representa, na nossa produção literária, a manutenção das grandes orientações neoclássicas, aqui e além tocadas pela emoção pré-romântica.
Manteve um diálogo intelectual e poético com a futura Marquesa de Alorna, por quem tinha uma admiração extraordinária, a quem deu o nome arcádico de Alcipe, que ela depois usou. Grande devoto de Horácio cultivou os géneros da tradição clássica, deixando-nos sonetos, madrigais, epigramas, contos, epístolas, sátiras, odes (sobretudo odes).

Pormenor da sua assinatura-
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Numa folha estilizada no chão, a cinzel, foi gravado este amargurado soneto:
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Estende o manto, estende, ó noite escura,
enluta de horror feio o alegre prado;
molda-o bem c’o pesar dum desgraçado
a quem nem feições lembram da ventura.
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Nubla as estrelas, céu, que esta amargura
em que se agora ceva o meu cuidado,
gostará de ver tudo assim trajado
da negra cor da minha desventura.
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Ronquem roucos trovões, rasguem-se os ares,
rebente o mar em vão n’ocos rochedos,
solte-se o céu em grossas lanças de água.
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Consolar-me só podem já pesares;
quero nutrir-me de arriscados medos,
quero saciar de mágoa a minha mágoa!
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E grão a grão, se vão alargando e cruzando os saberes!...
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Ílhavo, 28 de Janeiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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domingo, 24 de janeiro de 2016

XVII Capítulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau

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Foi uma distinção ter sido entronizada «confrade de honra», no XVII Capítulo da Confraria Gastronómica do Bacalhau. E, logo, a primeira mulher!…
Andámos ao serviço do bacalhau das 9 da matina até às 5 da tarde. Cansativo, mas agradável, entre convívio e aprendizagem.
Pelas 10 h, os confrades representantes das diversas confrarias visitantes vinham chegando ao Museu, onde eram recebidos por uma lauta mesa de iguarias copiosas e regionais – 1ª sessão de prova de vitualhas.
Depois de um primeiro encontro, todos se dirigiram ao auditório que fulgurava na policromia intensa dos trajes diversos, e se tornou pequeno para os ocupantes.
Após uma castiça apresentação da Terra da Lâmpada pelo Grão-Mestre João da Madalena, e outros discursos de circunstância, foram trocadas lembranças.
Patanisca de honra – segundo momento degustativo – regada por fresquinho espumante.
A entronização dos novos confrades de honra e efectivos, a bordo do iate Faina Maior, tem o seu ritual a respeitar, traduzido na prova de lasquinhas de bacalhau salgado, broa e vinho tinto e na opinião sobre o sabor dos petiscos.
O Grão-Mestre com o garfo (de garfar o bacalhau do bote para o lugre), entroniza o novo confrade, perante um padrinho que lhe coloca o pendão ao pescoço, fazendo-lhe ver que está a assumir um compromisso na defesa do património gastronómico e cultural do fiel amigo e a sua ligação às terras de Ílhavo.
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Viva o bacalhau!...E brinda-se, a bordo do Faina Maior, com vinho tinto.
Em visita ao Aquário, o confrade João Mário, interpretou um fado de sua autoria, com acompanhamento à viola, num tributo à sofrida vida no mar das gentes de Ílhavo.
Depois de um desfile a pé, com fotografia de grupo na escadaria da Junta de Freguesia, lá nos instalámos no salão do Hotel sobre a piscina, onde degustámos, aos poucos, os pitéus mais apreciados da variada ementa:
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Entradas
Carinhas fritas
Pataniscas de Bacalhau
Ovas de Bacalhau
Bolos de Bacalhau
Punheta de Bacalhau
Prova de azeites
Pratos
Chora
Açorda de línguas
Feijoada de samos
Bacalhau à Confraria
Doces regionais
Bolo de aniversário
Fruta
Os novos confrades foram mimoseados com títulos honoríficos apropriados à cerimónia.

Reportagem fotográfica
Aspecto da assistência, no auditório
Pormenor da assistência
Entronização. 1
Entronização. 2
Os novos confrades, a bordo
Entrega dos títulos honoríficos
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Gentil cedência das imagens de Carlos Duarte e Marina Pequeno
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Ílhavo, 24 de Janeiro de 2016
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Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

«Filinto - O Poeta Amargurado»

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No próximo dia 16 de Janeiro, pelas 16 horas, a Professora Dr.ª Rita Marnoto da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra apresentará o livro Filinto – O Poeta Amargurado de Senos da Fonseca, no Salão da Junta de Freguesia de São Salvador, em Ílhavo.
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Há mais de dez anos que ouço, entre outros temas que lhe teriam sido mais caros, Senos da Fonseca falar de Filinto Elísio. Com razões para sabermos de quem falávamos, a maior parte dos ilhavenses desconhecerá a figura de Filinto.
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Com este livro, passará a conhecê-lo melhor – primeiro, porque foi «um dos nossos», um ílhavo, gerado no nosso rincão e levado, por mar até Lisboa, onde nasceu. Segundo, porque, embora um arcádico não muito conhecido, foi um grande poeta.
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Alguns dos nossos maiores autores como Garrett, Eça, Castilho e outros renderam a este poeta oitocentista, pouco estudado e pouco conhecido, como já referimos, rasgados encómios. Foi um purista do século XVIII, este Filinto, ligando mais às palavras e à construção sintáxica mais importância que às ideias e sentimentos, segundo Eça.
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A biografia do poeta amargurado de SF não é simplesmente a sucessão de notas biográficas de Filinto, mas surge-nos, formalmente, como peça de teatro a levar à cena, no dia 31 de Janeiro, pelo grupo de teatro amador ilhavense – «A Ribalta», no Centro Cultural de Ílhavo, pelas 17 horas.
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Ílhavo, 14 de Janeiro de 2016
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Ana Maria Lopes
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domingo, 3 de janeiro de 2016

The White Ship

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Enviaram-me esta relíquia. Não perco a oportunidade de a divulgar ainda mais. Acho que vale a pena.
Ainda mais num domingo escuro, enfadonho e chuvoso de Janeiro... como este.
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The White Ship, já conhecido, mas sempre excelente e comovente, é uma realização de Hector Lemieux, que nos dá a conhecer o quotidiano da vida de bordo no Santa Maria Manuela, na campanha de 1966, em cerca de 12 minutos.
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Além do mais, o actor principal, todo galã, é o nosso dedicado Amigo Capitão Vitorino Ramalheira.
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Produção – A National Film Board of Canadian Production, 1966
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Ílhavo, 7 de Março de 2009
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Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O lugre «Ilda»

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Dias invernosos, chuvosos, húmidos e ventosos, como os que têm estado, favorecem as trocas de impressões, à distância, entre amigos que têm gostos afins – navios.
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Depois de umas visitas e arrumações no meu baú virtual, tendo-me já ocupado no Marintimidades dos naufrágios na barra de Aveiro de que consegui elementos fidedignos, verifiquei que o encalhe do lugre Ilda ficou em branco.
Outros bloguistas mais adiantados já o fizeram, mas o lugre Ilda, encalhado a sul do Farol, não podia ter ficado ausente. Estamos a tempo de o repor.
Aproveitei o desafio.
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O lugre Ilda cujo construtor foi António Dias dos Santos, de Fão, em 1906, tinha uma arqueação bruta de 225,27 toneladas e 189,30, de arqueação líquida. Era pertença do armador Daniel Silva, de Angra do Heroísmo, com registo em Aveiro.
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O Ilda, de três mastros, não era bacalhoeiro, mas muita da sua tripulação, que se salvou, era de Ílhavo. Como o soube? Claro, pelo jornal O Ilhavense, de 19 de Agosto de 1934, em busca aturada que tenho vindo a fazer, com parcimónia.
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Respigando a notícia: – «há perto de um mês desceu do ancoradouro da Gafanha para a boca da barra o lugre Ilda, propriedade do Sr. Daniel da Silva (…) que, por não poder sair, ali ficou aguardando o dia seguinte. Quando o seu capitão, António de Oliveira da Velha, procedia a manobras, verificou que o barco estava em seco.
Rebocado ora por um, ora por outro rebocador, no dia 13 do corrente mês (Agosto), conseguiu safar-se do banco de areia, tomando a direcção do mar. Quando ia na pancada da vaga, foi apanhado por um valente estoque de água que o arrastou para sul do Farol, onde encalhou».
 
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Ficou como se vê, com um acesso fácil, através de escada improvisada, aos proprietários, tripulação e seguradores e, sempre que assim acontecia, era um tal arraial de voyeurs, em vaivém, para ver realmente visto aquilo que, de facto, acontecera.
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O capitão, piloto, Sr. José Russo, e outros tripulantes, como já referi, oriundos de Ílhavo, foram salvos por barcos de pescadores, assim como a maior parte da carga constituída por sal, cal, louças e fósforos.
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O navio estava seguro numa companhia inglesa por 110 contos, que tomou conta do barco e, em dias seguintes, fez a venda dos salvados em hasta pública.
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E assim a acabou a romaria à Barra, pelo menos sem perdas de vidas humanas. E logo em Agosto!...
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Fotografias – Arquivo Digital de Aveiro.
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Ílhavo, 1 de Janeiro de 2016
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Ana Maria Lopes
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