domingo, 18 de outubro de 2020

Traineira IDELTA

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Bota-abaixo da traineira IDELTA, em Setembro de 1942

Há dias assim, em que as pesquisas não rendem ou, de facto, não encontramos o que procuramos.

Mas surge sempre algo que nos dá jeito, passível de aproveitar. Não eram precisos estes dados para saber que, no princípio do século XX, se construíram navios, de maior ou menor porte, em Ílhavo, lá para os lados da Malhada.

Eu e as imagens!... Esta foto que utilizo, enviou-ma um familiar dos Abreus, há uma dezena de anos atrás. Por aqui tem andado, desempregada. Hoje, cheguei ao texto que a ilustra, ao folhear “Ilhavenses” dos anos 40, para outros fins.

Assim rezava o jornal de primeiro de Outubro de 1942, que respigo:

Dos terrenos da Seca Da Empresa de Pesca de Portugal, Lda., sita junto à Ponte Juncal Ancho, nesta vila, foi, no sábado (26 de Setembro), deitada à água uma traineira mandada construir pelo Sr. Francisco António Abreu, sendo construtor o Sr. Silvério Mónica, da habilidosa família deste nome, que em trabalhos de construção naval tem dado provas de uma perícia extraordinária.

A traineira que foi baptizada com o nome de IDELTA, sendo madrinha a filha do seu proprietário, menina Maria Frederica Paradela de Abreu, aluna da Faculdade de Medicina, tem 21 metros de comprimentos, é accionada por máquina a vapor e destina-se à pesca da sardinha, no Porto.

O bota-abaixo, a que assistiu grande multidão, foi coroado do mais feliz êxito, pelo que, tanto o proprietário, Sr. Francisco António Abreu, como o novel construtor, Sr. Silvério Mónica, foram muito felicitados.

De seguida, foi oferecida uma taça de espumante aos convidados, brindando pela prosperidade do arrojado iniciador deste empreendimento, o advogado, Sr. Dr. Joaquim Silveira.

No mesmo local, já está a ser preparado o cavername para a construção de um outro barco de 300 toneladas, que o Sr. Francisco Abreu conta ter pronto no prazo de seis meses.

Eu, que era tão apreciadora de cerimónias de bota-abaixo, agora tenho de me contentar com as descrições e imagens encontradas.

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Ílhavo, 18 de Outubro de 2020

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Ana Maria Lopes

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domingo, 11 de outubro de 2020

As Mulheres das Secas

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A beleza dos painéis do já citado Viaduto, na Gafanha da Nazaré, agora decorado por António Conceição, marcou-me tanto, que fui levada a ir “ao baú”, rever que fotos tinha relativas a esta dura profissão, embora um pouco mais tardias às registadas por Maria Lamas.

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Uma das últimas secas tradicionais…a IAP. s/d
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Com o andar dos tempos, com o avanço das tecnologias, com regras mais higiénicas, com as exigências da ASAE, com a competição aguerrida, viriam a acabar, mas, para amostra, nem uma, naquele seu tabuado acastanhado, trincado, nos seus extensos armazéns, na sua carpintaria consertadora dos botes, nos tanques/lavadouros, frequentemente exteriores e rústicos, singulares e típicos carros-de-mão de roda de ferro e, sobretudo, naquela vastidão imensa do «secadouro», com as tradicionais «mesas» de arame para exposição do «fiel amigo» ao sol.

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Tanques na seca do Brites…
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Os tempos são outros, o progresso fez-se sentir, mas as mulheres das secas, sobretudo da Gafanha da Nazaré e arredores foram grandes MULHERES e merecem a honra desta singela homenagem.

Tive, por afinidades familiares, contactos, com as ditas mulheres, verdadeiras heroínas, pelo início dos anos sessenta, em que os trajares já eram mais aligeirados do que foram, outrora, e, porventura, as mentalidades, um tudo ou nada, mais abertas. Foi, então, que me deu para as fotografar.

Os clichés a preto e branco, num tempo em que “clicar” não era tão vulgar como agora, aprecio-os mais, porque são imagens de um passado que não volta, a que tive oportunidade de assistir ao vivo. E até de surripiar, para saborear, umas lasquinhas de bacalhau, das altas e ordenadas pilhas. Era uma técnica dura, pesada, mas perfeita, cheia de saberes e de “conhecimentos”.

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Carros, lambretas e bacalhau a perder de vista

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As secas do bacalhau, na Gafanha, empregavam muitas centenas de mulheres, durante parte do ano, havendo empresas onde o trabalho era permanente, porque abrangia duas campanhas, a dos lugres e a dos arrastões.

A escritora Maria Lamas, homenageada também no dito Viaduto, que andou pela nossa região na década de quarenta, recorda a maneira de viver das mulheres da Gafanha, com a sua ignorância, o seu fatalismo, mas também com a sua responsabilidade e solidariedade. Assim, acentua Maria Lamas (…), a psicologia das trabalhadoras das secas de bacalhau, desembaraçadas, faladoras e alegres, como se a vida lhes não pesasse. Em conjunto, nas horas de plena actividade, cantando em coro ou simplesmente escutando os programas de rádio, elas constituem um quadro de plena vitalidade e de optimismo. (…)

O trabalho da mulher, nas secas, consta de: descarregar, lavar, salgar e levar o bacalhau, todos os dias, para as “mesas” da seca, recolhendo-o à tarde; depois há ainda a tarefa de o empilhar, seleccionar e enfardar. (…) A lavagem faz-se em tanques; depois o peixe é colocado, em pilhas, a escorrer, sobre pequenos carros, que cada mulher conduz à secção onde recebe o sal. (…)

As mulheres, que se ocupavam nestes serviços, eram de todas as idades, solteiras e casadas, predominando as mais jovens. Tinham consciência plena da dureza daquela vida de labores diversificados e pesados. Se o tempo estava bom, a tarefa era-lhes facilitada.

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Escolha e separação do peixe…1961
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Um criativo designer de moda, hoje, inspirar-se-ia nos trajes das mulheres das secas para uma toilette jovial e contemporânea – saias sobre calças, caneleiras (canos) sobre o calçado e chapéu sobre o lenço…que tal? E, não raro, botas de borracha, a que hoje se chamam galochas. Um laivo de modernidade?...

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E a tarefa prossegue… 1961
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Já agora, se temos receado que as crianças e pessoas menos conhecedoras do assunto pensem que o bacalhau é um peixe espalmado, tal qual o vemos nos supermercados/mercearias, com cura mais ou menos tradicional, temamos também que com a visita ao aquário do MMI, as crianças comecem a exigir aos pais a presença de um aquário, na cozinha, com bacalhaus pequeninos, tal Nemo, colorido e listado, com a sua história comovente.

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Ílhavo, 11 de Outubro de 2020

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Ana Maria Lopes

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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Museu marítimo a céu aberto, na Gafanha da Nazaré

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Foi com algum espanto que comecei a ver no FB a reprodução de belas imagens que me espantaram, uma espécie de um museu a céu aberto que ia nascendo na região, talvez mesmo nos pilares de um viaduto da Gafanha da Nazaré. Fui ao seu encontro.

Passam a surgir as grandes mulheres, que foram, as das secas, dedicadas a um trabalho duríssimo, algumas pessoas que identifiquei, bem como cenas de pesca do bacalhau em dóris, na sua grande maioria, inspiradas em retratos de Alan Villiers, da sua memorável viagem no “Argus”, na campanha de 1950.

Num fim de tarde claro, mas acinzentado, antes daquela tempestade subtropical, que assolou o país, depois de duas semanas bem quentes e calmas, aventurei-me por esta região que bem conheço. Lá fui…

Perto do retrato do então jovem capitão Valdemar, fardado, estacionei na berma da estrada e parti, à descoberta, de olhos arregalados – do tal museu a céu aberto.

Dei de caras com um senhor simpático, que me identificou e me disse que o desafio daquele trabalho partira de Leonardo Aires, proprietário da empresa “Frigoríficos da Ermida”, ali situada e que tinha começado com um painel gigante que retrata ursos polares. Já me dera na vista.

E depois? Seria de utilizar os pilares do viaduto que dá acesso ao Cais dos Bacalhoeiros, que por ali passa, para celebrar histórias tão “gafanhoas”, com raízes nas secas de bacalhau, que por ali abundavam e dos homens dos botes (dóris) que pescavam o bacalhau nas terras gélidas dos mares do Norte?

Depois dos entendimentos legais junto da APA e da CMI, passou-se, então, ao início do trabalho, para o qual foi encontrado o autor, António Conceição, pintor natural do Mindelo, Cabo Verde, mas, que, actualmente, vive em Vagos.

Com jeito e gosto pela pintura, tirou o curso de Belas Artes, na Universidade do Porto, em 2005. Centrou-se em quadros que, entretanto, foi expondo em galerias, mas começou por perceber que a sua grande paixão era a pintura de ruas e os grandes murais que são uma obra de todos – a rua é a sua tela.

Começando pela grande base do viaduto, a cores, que retrata as várias tarefas, duros trabalhos, das mulheres das secas, seguem-se outras cenas de mulheres das descargas do bacalhau, que a escritora Maria Lamas, no seu livro “As Mulheres do meu País”, imortalizou. Andou, em 1948, pela Gafanha, observando e fazendo inquéritos às mulheres das secas, de onde resultaram textos belíssimos. Também o Capitão Valdemar Aveiro, que numa vetusta idade está ainda entre nós, muito freso, foi escolhido para ser homenageado e o armador dos mais empreendedores, que foi Egas Salgueiro. E de pilar em pilar, vão-se retratando cenas piscatórias da difícil tarefa dos homens dos dóris e dos moços, pau para toda a obra, a bordo.

Vejamos algumas das imagens:

 

Visão parcial do viaduto
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Mulheres das secas
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Maria Lamas

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Valdemar Aveiro

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Egas Salgueiro

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Homem do dóri
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Moço com bacalhau gigante


Raparigas das secas
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O arriar do bote

O último pilar decorado

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Na convicção de que vos tenha convencido, visitemos aquele santuário de quando em vez, com o sentido de observar e apreciar o que vai surgindo.

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Ílhavo, 9 de Outubro de 2020

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Ana Maria Lopes

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domingo, 4 de outubro de 2020

Nossa Senhora das Areias. 2020

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Hoje, domingo, 4 de Outubro teria sido a última romaria lagunar, mais uma que não se realizou – a Nossa Senhora das Areias, em São Jacinto. Recordo, pois, uma das últimas a que fui.

Com algum sacrifício, alvorei cedo, para, no “Pardilhoense”, atravessar para São Jacinto – percurso frente à entrada da Barra, sempre mágico e nostálgico.

Apesar de não ser perita em hagiologia – longe disso –, preocupei-me com a identificação correcta dos santos, nos seus andores, superlativamente decorados com alguns frutos e flores distintas: antúrios rosa, brancos, verdes, vermelhos, botões de rosa de cores diversas, gladíolos, esterlitzias, gerberas, malmequeres, verduras variadas, etc., etc., etc.

Depois da Eucaristia dominical festiva, na característica capela hexagonal (posteriormente ampliada), assisti à formatura da procissão, este ano com um percurso mais complexo, devido a obras na marginal.

A Banda dos Bombeiros Voluntários de Estarreja na sua musicalidade compassada, abria o cortejo eclesiástico, logo seguida, caso curioso, de uma miniatura do barco do mar N. S. das Areias, endeusada em andor. Recordaria as “companhas da arte”, que laboraram em S. Jacinto no século XVIII, antes de se transferirem para a Costa Nova do Prado, após a abertura da Barra, em 1808.

O estralejar do foguetório anunciava a saída, indiciada por diversos estandartes, em chão pontilhado de plantas verdejantes e pétalas de rosa, que mostravam a rota da procissão, que tem sempre uma paragem obrigatória frente às “Portas de Armas” da Base Aérea Militar. Aí se dá o encontro entre as duas divindades – a Senhora do Ar, padroeira dos aerotransportados, vem saudar a Senhora das Areias, orago de S. Jacinto.

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Senhora do Ar
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Senhora das Areias 

Ao mesmo tempo, enquanto anjinhos e santinhos “ao vivo” se divertiam à brava, brincando com os seus “bonecos/meninos”, um sacerdote pregava o sermonário, numa varanda arredondada, enfeitada de colgaduras adamascadas, coloridas, no redondo que dá para a base militar e para a ria.

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A saudação
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Como romaria lagunar que é, o elemento água não podia faltar.

Uma simbólica largada de pombos homenageia o elemento ar, como meio ambiente libertador da terra, em direcção à independência cerúlea do céu. Vivas, palmas e chuviscos de pétalas de flores completaram a saudação, em ambiente religioso e tradicional.

Chamaram-me a atenção aquelas divindades que me são menos familiares – o S. Pedro Velho.

De grande chave na mão direita, será ele que nos abrirá a porta do céu?


S. Pedro Velho 

S. Miguel Arcanjo, com a balança justiceira, era suportado devotamente por militares.


S. Miguel Arcanjo

São Jacinto, pouco visto, segura ao colo a Senhora das Areias, tendo esta nos braços o Menino Jesus. Que paternalismo e que cruzamento de santidades…


São Jacinto

Depois de demorado almoço em restaurante da marginal, ao sabor de brisa suave, fizemos em grupo, uma incursão pelas “ditas” tendas. De tudo se vendia, com ordem e organização – desde brinquedos, chapelaria, atoalhados, calçado, lingerie, até à doçaria tradicional, frutos secos, queijos e enchidos de toda a espécie.

À tarde, no largo da capela, ressaltava um ambiente festivo tipicamente popular, animado por um conjunto com música ritmada, melodiosa e animada, que não nos estourava os tímpanos.

Outros “romeiros”, entretanto, bebiam cerveja fresquinha ou uma ginjinha, enquanto saboreavam pão com chouriço ou pão na pedra. Novidade?

E o bailarico da praxe prolongava-se tarde adentro.

É que até o tempo pactuou com a romaria, que encerrou a “rota das festividades lagunares”. Não esteve de excessos.

O sentimento religioso e a fé deste povo das areias reflecte-se como se mostrou no fervor presente nas procissões.

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Imagens da autora do blogue

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Ílhavo, 4 de Outubro de 2020

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Ana Maria Lopes

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quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Desfile da Nossa Senhora da Saúde, em 2020

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Em dia outoniço e acinzentado, não quero deixar fechar o mês, sem agradecer à Comissão de Festas da Senhora da Saúde, a dignidade com que fez desfilar entre as ruas da Costa Nova, a imagem veneranda e sua padroeira.

Pelos motivos que todos sabemos, a Pandemia Covid – 19, esperemos que esta seja uma festa única e que, para o ano, possamos apreciar a simplicidade, a beleza, a emoção e a fé da procissão, em todo o seu esplendor.

O desfile da Santa padroeira da Costa Nova do Prado, este ano, no seu isolamento e distanciamento, foi digno e comovente.

Imagem bonita, carinhosamente enfeitada de flores cor de rosa, entre antúrios, rosas e gerberas, entremeadas com verduras diversas e graciosas, desfilou sobre um carro de bombeiros, o célebre” Leão das Chamas”, de 1937, também ele, peça digna de museu.

Foi com emoção, comoção, dignidade, amor, fé e, sobretudo, esperança, que os peregrinos assistiram ao inédito desfile, nesta terra piscatória.

As imagens de Maria Emília Prado Castro, de Maria Ucha Alvarinho e de Naty Veiga falam por si:

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Frente à capela…
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Junto à Capela, em formação…

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Comovente, junto à Ria

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Com dignidade, junto aos "palheiros"
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Com esperança em melhores dias

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Ílhavo, 30 de Setembro de 2020

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Ana Maria Lopes

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segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Câmara Municipal de Ílhavo inaugurou a instalação "Riscas da Costa Nova", do artista Paulo Neves, que homenageia as gentes da localidade

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Cabeças de peixe “a sair da ria ou do mar”, que “espreitam para ver as pessoas a passar”, vieram embelezar a rotunda da Costa Nova. Sob o título “Riscas da Costa Nova”, por incluírem as riscas das casas típicas, a instalação do artista Paulo Neves apresenta oito esculturas que celebram a história e a identidade das gentes da terra.

O escultor, natural e residente em Cucujães, disse-se “encantado” quando, há quase dois anos, o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, o “desafiou” a criar a obra de arte agora inaugurada formalmente, em 26 de Setembro de 2020.

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Em dia de inauguração…
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Paulo Neves disse que esta instalação pode ser “o início” de “um parque de esculturas” que quer instalar num terreno ali perto.

“Será um ponto de referência”, considerou o autarca ilhavense sobre a instalação, opinando que “muita gente virá à Costa Nova para ver a obra de arte do Paulo”.

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Em fase de montagem…

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Realçando que “a cultura também faz parte da identidade de um povo”, salientou que as esculturas “acrescentam à beleza do local”.

Fernando Caçoilo destacou o tema dos peixes, enfatizando que é uma riqueza local que continua a ser valorizada, através do Mercado do Peixe, que promove a actividade de pescadores e vendedores, e de uma “oferta gastronómica” que atrai cada vez mais gente do exterior.

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De norte para sul…

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O Presidente da Câmara Municipal ainda enquadrou esta obra que chamou de “forma integrada e complementar” que o seu Executivo tem de governar o município. “Tudo é preciso, acentuou, referindo que uma autarquia deve olhar para as obras físicas, nomeadamente para a construção e reparação de infra-estruturas, sem que possa ou deva descurar as outras componentes que concorrem para a qualidade de vida”, realçou.

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Vista geral de cima, para a ria

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PS – Depois de tantas quezílias, disques e opiniões diversas, optei por usar o texto (adaptado) do Diário de Aveiro, de 27 de Setembro de 2020. Logo eu, que até posso pregar aos peixes, da varanda, mesmo sem ser o Santo António.

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Ílhavo, 28 de Setembro de 2020

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Ana Maria Lopes

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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

SAGRES - Partida da "barca bela" - 2013

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O objectivo de tal passeio de moliceiro, em Setembro de 2013, foi a despedida da “Sagres”, a “nossa barca bela” (lembrou-me Garrett), que veio visitar o porto de Aveiro, Gafanha da Nazaré.

Depois da edição e reedição do livro “Sagres – Construindo a Lenda”, do Comandante António Manuel Gonçalves, edição da Comissão Cultural da Marinha, tudo está dito sobre este embaixador de Portugal. Que mais acrescentar?

Faz, exactamente, hoje, sete anos que acompanhámos a sua saída, depois de uma entrada fascinante, dois dias antes.

Creio que as imagens que ilustram esta despedida são esclarecedoras:

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Aproxima-se lentamente entre azuis suaves, em águas serenas e espelhadas, em direcção à barra.

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Entre céu eivado de algodão esfiapado e “mar de azeite e prata”, esperamos com ansiedade o símbolo marítimo da Pátria.

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A carranca dourada como que aponta o caminho ao país que “deu novos mundos ao mundo”, sob o lema da sigla “TALANT DE BIEN FAIRE”.

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Entre molhes, eis que se afasta a “barca bela”, entre uma etérea neblina.

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De olhos siderados no horizonte, despeço-me até à volta

Valeu a pena vir receber a “Sagres”, há dois dias, assim como vir acompanhá-la a mar aberto.

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Costa Nova, 23 de Setembro de 2020

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Ana Maria Lopes

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