domingo, 22 de fevereiro de 2015

Murtosa tem Museu dedicado às conservas de enguias

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O município da Murtosa recuperou as antigas instalações da fábrica da Comur.
Já que não pude estar presente na inauguração do equipamento cultural para ver, apreciar e ouvir, tive de me valer da escrita e das imagens de amigas. Num futuro próximo, tenciono fazer lá uma visita.
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Há muito que a identidade e a vivência das gentes da Murtosa estão intimamente ligadas à indústria da conserva de enguias – a tradição de preparar e comercializar este peixe da ria remonta aos inícios do século passado e tem vindo a marcar várias gerações de murtoseiros. A partir de ontem, essa relação passa a estar devidamente destacada e perpetuada, com a abertura daquele que é o único museu nacional dedicado às conservas de enguias. O equipamento cultural, inaugurado pelo secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, nasceu da recuperação das antigas instalações da Comur – Fábrica de Conservas da Murtosa.
«É muito mais do que a recuperação de umas antigas instalações fabris, é um espaço de memória e história do nosso povo», destacou Joaquim Baptista, presidente da Câmara da Murtosa, a propósito do equipamento que resultou de um investimento de 1,3 milhões de euros – montante que incluiu a recuperação do imóvel e a aquisição de equipamento.
Joaquim Baptista confessou ter expectativas elevadas quanto à afluência de visitantes a este museu – que mantém o nome da fábrica que já funcionou naquele edifício (Comur). «Existem, por esse país fora, muitas conserveiras e uma série de espaços museológicos associados à indústria conserveira, mas conservas de enguia, só mesmo na Murtosa», destacou o edil.
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E o que podem os visitantes ficar a conhecer neste novo museu? A história da fábrica e da comunidade onde ela se insere, vendo o desenvolvimento do processo conserveiro e as suas fases, através de uma museografia contemporânea, que alia design, conteúdos de qualidade e interactividade. Este espaço distingue-se pela sua capacidade pedagógica de envolver os diversos públicos na história de uma fábrica, dos seus trabalhadores e, no fundo, de toda uma comunidade, revelou ainda Joaquim Baptista.
Um dos destaques do discurso expositivo assenta na «apresentação de vídeos, com testemunhos emocionados, de quem nasceu e trabalhou na fábrica durante muitos anos», notou ainda o autarca, em declarações ao PÚBLICO.
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Uma história com mais de 70 anos
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Desde os inícios do século XX que muitas murtoseiras se dedicavam à fritura e venda da enguia nas feiras e romarias da região Centro, mais concretamente na Guarda, Mangualde, Oliveira de Azeméis, Trancoso, Viseu. «Aproveitavam um produto excedente e encontraram uma forma de o conservar através do molho de escabeche», enalteceu Joaquim Baptista.
A devastação da II Grande Guerra acabou por motivar uma enorme procura por alimentos, levando a que surgissem oportunidades de negócio para este produto tradicional da ria. Através de um agente comercial, de Itália, chegou à Murtosa uma encomenda para 2500 barricas de enguias.
Mas como «a lei exigia condições higiénico-sanitárias para a laboração» e a produção ainda era feita de forma «artesanal e caseira», produtoras e homens de negócio agregam-se e «a 7 de Novembro de 1942, por escritura pública, constituíram uma sociedade por cotas denominada Fábrica de Conservas da Murtosa, Lda.», recordou a autarquia murtoseira.
A empresa prosperou e foi ganhando notoriedade, exportando os seus produtos para os quatro cantos do mundo. Em 1997, a firma deixou a velha «Fábrica das Enguias», em pleno centro de Pardelhas – mudando-se para a Zona Industrial da Murtosa, onde continua a laborar actualmente –, espaço que está, agora, transformado em unidade museológica.

Aspecto exterior
 
O símbolo
 
Barrica, enguia e maquinaria

A saudade de um antigo operário
 
Encenação da preparação das enguias

Enguias fritas
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Imagens – Etelvina Almeida
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Fonte – Maria José Santana, Jornal Público
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Ílhavo, 22.2.2015
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AML
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sábado, 14 de fevereiro de 2015

Em dia de S. Valentim...

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Apesar da crise, são só propostas de jantares românticos, com ementas especiais,  à luz de velas com rosas vermelhas, soirées dançantes, passeio no PARDILHOENSE, aos pares, com almoço em S. Jacinto, passeios de barco no Canal Central, e…outros eventos, neste dia 14 de Fevereiro.
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O Marintimidades dá o exemplo da criatividade deste par de velhotes pescadores, que celebra o amor ou a amizade, num passeio a dois, numa catraia poveira. Achei um casal delicioso, imbuído de um espírito de juventude e de afecto, inserido num postal antigo de um aguarelado envelhecido soberbo.
 

Apetrechados de vertedouro e de remo, lá vão, ternurentos, vida fora, no Barco do Amor. E esta hein? Sorriam…
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Ílhavo, 14 de Fevereiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Exposição na Fragata D.Fernando II e Glória

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A Fragata D. Fernando II e Glória, localizada na doca seca nº 2 de Cacilhas, Almada, vai ser mimoseada pela exposição de modelos à escala de embarcações tradicionais da Ria de Aveiro, saídas primorosamente das hábeis mãos do Comandante Marques da Silva. Organizada pela Comissão Cultural de Marinha terá a sua inauguração, no dia 21 deste mês, pelas 16 e 30 horas.
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São diversos, os modelos. Entre outros poderão apreciar o moliceiro, o matola, o mercantel, a bateira berbigoeira, a bateira mercantela, a caçadeira de pesca, a caçadeira de recreio, a bateira erveira de Canelas, a bateira da lagoa de Mira, a chinchorra, a bateira de mar, a labrega e a patacha.
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Não poderia faltar o barco de mar de 4 remos, réplica do Sto. António, último exemplar existente em exibição no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha.

Modelo do barco do mar Stº. António

A bateira ílhava não poderá estar presente, segundo creio, por se encontrar em exibição permanente no Museu Marítimo de Ílhavo.
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Ílhavo, 9 de Fevereiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Actividades do grupo uariadeaveiro

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A Universidade de Aveiro, através do seu grupo uariadeaveiro, está empenhada em facilitar a disponibilização do conhecimento científico sobre esta zona lagunar e colocá-lo ao serviço da região de forma mais proactiva, esperando assim dar um importante contributo para melhorar a protecção, valorização e gestão da Ria de Aveiro.
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Esta página constitui-se como um mecanismo de divulgação do conhecimento, das actividades desenvolvidas com interesse para a Ria.
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Com a evolução do trabalho, pretende constituir-se como o mais importante acervo sobre a Ria de Aveiro no país. Espera-se que esta iniciativa contribua para criar sinergias internas no âmbito da comunidade científica em torno da Ria de Aveiro, e também, para reforçar pontes de comunicação com os actores da região de forma a potenciar a sua utilização na gestão da Ria.
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O grupo uariadeaveiro em colaboração com a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, promove um novo ciclo de «Quintas da Ria», que inclui uma tertúrlia por mês, a uma quinta-feira, entre fevereiro e julho de 2015.
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A primeira conversa iniciar-se-á pelo tema «As embarcações e as rotas na Ria de Aveiro», entregue aos oradores Ana Maria Lopes, Senos da Fonseca e Helder Ventura, a ter lugar já a 12 de Fevereiro.
A moderação da sessão estará a cargo  de Álvaro Garrido (Ciemar).
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Programa:

 

Fonte – Gupo uariadeaveiro
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Ílhavo, 6 de Fevereiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Postais da Costa Nova

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A minha bíblia sobre a Costa Nova, é, infalivelmente, o livro Costa-Nova-do-Prado – 200 Anos de História e Tradição, de Senos da Fonseca, 2009. É um tratado sobre a dita praia da minha infância, juventude, maioridade e vetustez. Congelou-a no tempo. Com a escrita, sim, mas, também com a imagem.
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Relendo-o, folheando-o, revisitando-o, traz-me sempre mais alguma novidade.
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Como o autor diz, poderia ser sempre melhorado. Como tudo. A meu ver com a introdução de mais alguns postais, que vão aparecendo em alfarrabistas, que pessoa amiga colecciona e que, aos poucos vai trazendo a lume. Este bilhete-postal, embora incorrecto na identificação, pois lê-se – Aveiro – Costa Nova – com o que fico revoltada, pela ignorância ou confusão do editor, representa inequivocamente um trecho da Costa Nova, que foi a nossa (ilhavense) jóia da coroa.
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Já que o Marintimidades entra no seu 7º ano de vida, por vezes, os recursos temáticos vão rareando ou, para mim, não são os mais apetecíveis. Vamos indo e vendo.
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Decidi ir postando alguns desses postais, por vezes datados, o que lhes acrescenta uma mais-valia.
 

E para começar… Que me apraz dizer? Este postal não é datado.
Vagueio no tempo:
Sem dúvida, uma foto antiga. Mas talvez não tão antiga como a apreciação dos trajes nos conduz.
Entre 1910 e 1930? Aposto… Por comparação com outras imagens, talvez, anos 20.
O casario, pela sua posição alongada, não permite grande identificação, mas uma das primeiras casas de alvenaria da praia, do séc. XX, talvez conhecida por «Vila Africana», propriedade de um Dr. Diniz (?), que ainda hoje existe, lá ao norte, dá-nos nas vistas.
A beira-ria que nos apraz observar é mesmo à borda-d’água. O areal lambe-a. A estrada ainda não é entrecortada por nenhuma muralha e, muito menos, pela esplanada.
Abicadas no areal, algumas embarcações identificadas como moliceiros, na sua elegância de vela erguida para os céus, embelezam o conjunto.
E, a propósito de moliceiro. No primeiro não tenho dúvidas, é-nos dado apreciar os dois painéis, proa e popa, de bombordo. Já são pintados com uma área muito razoável, longe na perfeição que foram atingindo por meados do mesmo século passado.
Todo o conjunto é envolvido por uma luminosidade enternecedora, daquelas, sempre em mudança, que caracterizam a nossa praia a cada hora do dia.
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Postal gentilmente cedido por PHC.
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Ílhavo, 30 de Janeiro de 2015
Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

São Gonçalinho - padroeiro das gentes da Beira-Mar

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Estão a decorrer em Aveiro, as festas de S. Gonçalinho, desde hoje a 12 do presente mês de Janeiro.*
É uma oportunidade para expressar a alegria da fé e, ao mesmo tempo, apelar à partilha e solidariedade.

Barracas de doces regionais

Segundo Conceição Lopes, professora na Universidade de Aveiro, que se tem dedicado ao estudo das festividades do Santo, trata-se de uma festa de celebração sagrada da humanização do humano. Os rituais presentes na festa, as rimas, a subversão do tempo significam um corte no dia-a-dia dominado pela racionalidade lógico-financeira. O São Gonçalinho rompe com o estigma do quotidiano e os celebrantes, de um modo genuinamente singular, reagem à estigmatização instrumental e mercantil da existência humana.
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A docente da UA destaca os rituais de S. Gonçalinho, o carácter alegre do santo, o ritual das cavacas e das danças – jovialidade e tipicismo que apreciamos.
Casamenteiro, tocador de viola, dançarino, milagreiro, resolve os encravanços do peito e limpa as verrugas da alma e outras maleitas do corpo. Enfermeiro, médico, criador de vida, contemplativo e perdoador, curador de ossos, no amor e desamor, com o seu sorriso a todos acolhe e num abraço a todos envolve.

Arranjo interior do altar
 
Crentes ou descrentes, numa altura destas, é do que estamos mesmo a precisar… São Gonçalinho nos valha. E com amigas de Aveiro, marcámos mesmo um encontro na porta lateral do templo hexagonal, para irmos atirar cavacas do cimo da capela. Uma experiência nova…oxalá corra bem e não nos lesionemos.

Encontro de amigas
 
 
O atirar das cavacas…


Inventam-se distintos versos folgazões e divertidos relativos a S. Gonçalinho:

Brincalhão e galhofeiro
Vós fostes das velhas
Devoto casamenteiro.

Ó santinho milagroso
Dai também às raparigas
Um noivinho bem formoso.
 
No lançamento das cavacas do alto da capela, «meio de pagar promessas ou encomendar alguma graça», guardadas durante o ano como símbolo de protecção, Conceição Lopes vê um símbolo de fertilidade.
Sobre a dança dos mancos, realizada secretamente no interior da capela, a professora afirma: Tomando nela parte homens saracoteando os corpos em festa, em desequilíbrios possíveis que as supostas dores de ossos e pernas soltas causam, pede-se protecção antecipada contra a doença.
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Um dos hábitos mais vincados, como já se referiu, é o pagamento de promessas ao padroeiro, sendo atirados quilos de cavacas doces do cimo da capela para o público. E, então, há que fugir delas para não ficar com a cabeça rachada ou tentar apanhá-las com variados e inventivos processos, desde capacetes, guarda-chuvas voltados ao contrário, até armadilhas de redes diversas encimadas em altas varas. Camaroeiros (ou capinetes), enxalavares (ou xalabares), nassas, são os mais engenhosos processos e os que proporcionam à assistência um mais divertido espectáculo, junto à Praça do Peixe.
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E, caros amigos, com o recurso a tantas e variadas armadilhas de pesca, não me digam que os festejos do Santo da Beira-Mar aveirense estão fora da temática do Marintimidades.

Assistência «à pesca»

É de louvar o brio com que os mordomos, todos os anos, encaram, decoram e festejam o santinho de sua grande devoção – briosa armação de ruas, concertos, fogo-de-artifício e tradicional entrega do ramo.
São sempre um marco neste Janeiro soalheiro, mas gélido, os festejos ao S. Gonçalinho.
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Fotos  da autora do blogue
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Ílhavo, 12 de Janeiro de 2013
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*Atenção, este texto e imagens são mesmo relativos à festa de 2013.
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Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo de 2015

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É o sétimo dia de Ano Novo do Marintimidades. Inspirada nesta árvore navegante, resplandecente e colossal, desejo um ano de 2015 com saúde, paz e amor, a todos os familiares, amigos, leitores e apreciadores deste blogue, apesar da vaga alterosa que nos abarca.

 
Ílhavo, primeiro de Janeiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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