sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

São Gonçalinho - padroeiro das gentes da Beira-Mar

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Estão a decorrer em Aveiro, as festas de S. Gonçalinho, desde hoje a 12 do presente mês de Janeiro.*
É uma oportunidade para expressar a alegria da fé e, ao mesmo tempo, apelar à partilha e solidariedade.

Barracas de doces regionais

Segundo Conceição Lopes, professora na Universidade de Aveiro, que se tem dedicado ao estudo das festividades do Santo, trata-se de uma festa de celebração sagrada da humanização do humano. Os rituais presentes na festa, as rimas, a subversão do tempo significam um corte no dia-a-dia dominado pela racionalidade lógico-financeira. O São Gonçalinho rompe com o estigma do quotidiano e os celebrantes, de um modo genuinamente singular, reagem à estigmatização instrumental e mercantil da existência humana.
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A docente da UA destaca os rituais de S. Gonçalinho, o carácter alegre do santo, o ritual das cavacas e das danças – jovialidade e tipicismo que apreciamos.
Casamenteiro, tocador de viola, dançarino, milagreiro, resolve os encravanços do peito e limpa as verrugas da alma e outras maleitas do corpo. Enfermeiro, médico, criador de vida, contemplativo e perdoador, curador de ossos, no amor e desamor, com o seu sorriso a todos acolhe e num abraço a todos envolve.

Arranjo interior do altar
 
Crentes ou descrentes, numa altura destas, é do que estamos mesmo a precisar… São Gonçalinho nos valha. E com amigas de Aveiro, marcámos mesmo um encontro na porta lateral do templo hexagonal, para irmos atirar cavacas do cimo da capela. Uma experiência nova…oxalá corra bem e não nos lesionemos.

Encontro de amigas
 
 
O atirar das cavacas…


Inventam-se distintos versos folgazões e divertidos relativos a S. Gonçalinho:

Brincalhão e galhofeiro
Vós fostes das velhas
Devoto casamenteiro.

Ó santinho milagroso
Dai também às raparigas
Um noivinho bem formoso.
 
No lançamento das cavacas do alto da capela, «meio de pagar promessas ou encomendar alguma graça», guardadas durante o ano como símbolo de protecção, Conceição Lopes vê um símbolo de fertilidade.
Sobre a dança dos mancos, realizada secretamente no interior da capela, a professora afirma: Tomando nela parte homens saracoteando os corpos em festa, em desequilíbrios possíveis que as supostas dores de ossos e pernas soltas causam, pede-se protecção antecipada contra a doença.
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Um dos hábitos mais vincados, como já se referiu, é o pagamento de promessas ao padroeiro, sendo atirados quilos de cavacas doces do cimo da capela para o público. E, então, há que fugir delas para não ficar com a cabeça rachada ou tentar apanhá-las com variados e inventivos processos, desde capacetes, guarda-chuvas voltados ao contrário, até armadilhas de redes diversas encimadas em altas varas. Camaroeiros (ou capinetes), enxalavares (ou xalabares), nassas, são os mais engenhosos processos e os que proporcionam à assistência um mais divertido espectáculo, junto à Praça do Peixe.
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E, caros amigos, com o recurso a tantas e variadas armadilhas de pesca, não me digam que os festejos do Santo da Beira-Mar aveirense estão fora da temática do Marintimidades.

Assistência «à pesca»

É de louvar o brio com que os mordomos, todos os anos, encaram, decoram e festejam o santinho de sua grande devoção – briosa armação de ruas, concertos, fogo-de-artifício e tradicional entrega do ramo.
São sempre um marco neste Janeiro soalheiro, mas gélido, os festejos ao S. Gonçalinho.
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Fotos  da autora do blogue
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Ílhavo, 12 de Janeiro de 2013
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*Atenção, este texto e imagens são mesmo relativos à festa de 2013.
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Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Ano Novo de 2015

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É o sétimo dia de Ano Novo do Marintimidades. Inspirada nesta árvore navegante, resplandecente e colossal, desejo um ano de 2015 com saúde, paz e amor, a todos os familiares, amigos, leitores e apreciadores deste blogue, apesar da vaga alterosa que nos abarca.

 
Ílhavo, primeiro de Janeiro de 2015
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Ana Maria Lopes
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sábado, 27 de dezembro de 2014

O grande carregador da Ria

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Que mais dizer de novo que ainda não tenha sido estudado ou publicado sobre o barco mercantel, acerca da sua função como carregador do sal – saleiro –?
Respiguemos, aqui e ali, o que diversos autores transmitiram, nomeadamente Senos da Fonseca, Inês Amorim e outros, sobre esta função do mercantel, o grande senhor da ria.
Que está extinto, é uma realidade e que é uma pena, também.
 
Como manter a sua memória? Divulgando imagens? É uma hipótese. Exibi-lo, como barco de museu? Outra. Nenhuma lhe tira a saudade da sua navegação e presença na ria, em labores diversos.
Eram-me familiares, quando na adolescência frequentava bastante o cais da Gafanha da Nazaré.
 
Fotografei-os, sem ter a noção que registava futuras relíquias. 

Gafanha da Nazaré. 1963. AML
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Pessoa amiga cedeu-me alguns registos do último mercantel construído pelo Mestre Joaquim Raimundo, da Murtosa, em 1959, em dia festivo de bota-abaixo.
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Um dos últimos mercantéis. 1959. PHC

Ainda para serviço efectivo, foi construído em 1973, o último mercantel, por Mestre Lavoura, afamado construtor de Pardilhó.
Como peça de museu, o MMI acolheu um, para exibição, em 2001, construído por Mestre Esteves, também de Pardilhó. E lá continua…
Muitas serventias…
O grande carregador lagunar teve três funções essenciais:
- Na passage, sendo mais conhecido, pela designação de barca.
- No carreto – de variadíssimos fretes – o junco, o caulino, a madeira, peixe, fruta, cereais, animais, artigos de artesãos locais, etc.
- No transporte específico do sal – o saleiro.
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O Cais da Ribeira de Ovar era o destino mais habitual do sal. Em tempo de abastança!

Ribeira de Ovar, em meados do século XX
Arquivo Aveiro

Com a evolução dos tempos, com a construção de estradas e pontes, com a diminuição de alguns destes produtos, a utilização do mercantel foi-se tornando cada vez mais escassa, conduzindo-o ao desaparecimento total.
As imagens que se seguem, inéditas e estonteantes, são registos de sonho, testemunhos de uma época não muito distante, que já não volta. Conseguidas do alto da Ponte da Varela (sempre depois de 1964), atestam idas e voltas de saleiros vazios e cheios, impulsionados por uma brisa suave que enfunava uma ou duas velas.
Imagens raras, etéreas, divinas, espelhadas entre azuis cerúleos, mortiços e acinzentados, distintos, sem linhas de horizonte notórias.

 
E o olhar alcandorado do arco central da ponte esfuma-se entre barco, sal e majestade da ria…
 
 
Têm a dimensão de uma visão efémera… 

 
Imagens finais – Gentil cedência do Sr. Comandante A. Bento
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Ílhavo, 27 de Dezembro de 2014
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Ana Maria Lopes
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domingo, 14 de dezembro de 2014

Memórias «líquidas» de Ílhavo - II

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(Cont).
Retrocedamos um pouco no tempo.
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Ana Maria – Hoje, creio que é de tanta chuva, deu-me para os rios ou riachos, lavadeiras com tripeças. E identificar esta imagem, do tal arquivo de Ílhavo?
Atenção ao vestuário. O lenço na cabeça, com chapéu negro de aba estreita, mas voltada, diz-vos alguma coisa?
Etelvina Almeida – Gosto desta imagem. Contém muita informação.
Ana Maria – Isso é verdade...mas local? Época, aposto nos primeiros decénios do século XX, pelo traje. A roupa a corar, nos arbustos...
Ábio De Lápara – Esta sim! Não reconheço o chapéu. Os de que me lembro não tinham abas. Mas o "rio" tem exactamente a configuração geomorfológica e paisagística do Rio dos Pintos! Corre a meia encosta, contido pelo caminho de acesso. Para a direita o declive para as vessadas que percorriam o vale que desembocava na ponte de pedra da Malhada. As canas, as silvas, a sebe de louros, os velhos choupos ao longe... o tapume de madeira que vedava os acessos privados à levada... tudo aqui me cheira à minha infância. Por incrível que nos pareça hoje, este local situava-se na rua que, a partir da Avenida, hoje leva à Biblioteca Municipal. Lavava-se aqui toda a roupa da rua de Alqueidão. O alguidar de zinco e o cesto de verga mantiveram-se no mercado e a desempenhar as mesmas funções até aos anos 70.
Teresa Cruz Santos – Lembro-me bem das tripeças e da roupa a corar na vegetação envolvente, mas não na zona de Ílhavo. E desses chapéus não me lembro. Pela altura das saias, deve rondar os anos trinta, quarenta... Achei curioso não estarem todas vestidas de preto...
Ana Maria – Pelos vistos, gostaste, Ábio. Nota-se. Sei quais os chapéus a que te referes, em forma de queijo e com uma peninha. Mas, também havia estes. E outros mais rasinhos, onde as peixeiras colocavam as macolas. Grandes memórias, hein?
Ábio de Lápara – Este ribeiro corria a meia encosta, paralelo à rua José Estevão e à rua de Alqueidão. Nele terminavam todos os quintais das casas do lado sul dessas ruas. Sobre ele estão hoje os prédios da Avenida 25 de Abril, desde a Fontoura até ao CASCI, que foram exactamente construídos ao fundo daqueles quintais.
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O mar cansado, retirou-se. No final
Deixou ribeiros, ervas, ambiguidades...
Na ausência perene do seu sal,
Outras vidas nasceram nas vessadas.
Por entre finos mapas de canais
Construíram a cidade que eu amava.
As águas de cristal foram tapadas,
E não lavaram jamais,
Tudo o que a água lavava!
Do meu rio vão agora aquelas águas
Por onde o dia perdeu a claridade
E descem cantando as mágoas...
Nos subterrâneos vasos da cidade.
Céleres, correm p'rá Ria onde o sal
Lhes anula o doce e veste o ser.
Lamentam-se então, como um mortal,
Da dificuldade que tem... sobreviver.
Agora, que os becos estão à venda
E os velhos já se foram dos carris
Restam-me lembranças das contendas.
De um tempo amargo, mas feliz...
E os silêncios não me enganam
Nem nos becos, a tarde calma,
Porque esses silêncios profanam
O alegre chilreio da minha alma...
Tudo parece pacífico… talvez até mesmo doce:
Iluminaram a Praça e floriu o Jardim...
À primeira vista... Pois isso é, como se fosse
Um sobressalto negro dentro de mim.

Maria Dolores – Aqui será a azenha aonde vivia o senhor Alpoim?
Paulo Silva Flautas – O ribeiro é sempre o mesmo! Aqui creio ser onde está agora o Pingo Doce!
João José – Penso bem que era o do Casal que falei e mais ou menos onde hoje está o lago com os patos e onde a criada da minha casa lavava a roupa com a tripeça.
A azenha era na esquina da rua do Casal encostada à casa que mais tarde foi do Cap. José Rocha.
Carlos Maia – Este ribeiro e na Légua em frente ao pinhal seco.
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Há opiniões que divergem, é natural:
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Ana Maria – Cada um fica no que lhe parece. Obrigada pelo esforço, pelas hipóteses, pelas memórias. Essas foram mesmo relatadas de uma forma interessante, bem como as vivências de época, em formato «saudosista» – as lavadeiras, os seus trajares, os riachos, as ribeiras, as bacias, as canastras e as tripeças, essas, peças fundamentais. À custa destas duas longínquas imagens, «navegámos» no tempo, prazerosamente.
Paulo Morgado – Claro que identificar correctamente o local é muito difícil. No entanto será num dos locais existentes ao longo do ribeiro que vinha (vem) da Presa/Légua e que passava pelo Casal a que seguia ao longo do Jardim e ia (vai) desaguar na Malhada (passa pela ponte de grés, dita romana). Conheci locais destes, junto ao Pinhal seco, num sítio que conhecíamos por Brejo, onde hoje está o acesso do Casal para o Continente, outro junto à escola primária de Cimo de Vila, e outro ainda no "Ti Alpoim", onde está a urbanização da Plenicoop. Bem, e mais terão existido anteriormente. Alguns eram mesmo particulares aproveitando a água da levada que alimentava as diversas azenhas que existiam.
Maria Dolores – Também conheci o rio na Avenida aonde havia a lixeira. Ai ainda era pequena. A minha mãe lavava a roupa.
Júlia Sardo – As lavadeiras incansáveis.
Senos Fonseca – Este, creio ser do fio de água que corria abaixo de Alqueidão.
Maria do Rosário Celestino – Como adoro saber tudo isto.
Vieira da Silva – Ainda me lembro de ver uma parte deste riacho de que nos fala o nosso Amigo Ábio De Lápara ao fundo do quintal da casa do meu Tio João Portugal e da minha Tia Júlia Nunes (Pais dos meus Primos António Alcides e José Paulo que foram ainda muito novos para os USA e que o Ábio De Lápara provavelmente conheceu). A casa tinha a frente virada para a Rua José Estêvão, quase em frente da casa do Sr. Madail (que hoje pertence ao Casci) e o quintal terminava num riacho.
Não percebo nada de Arquitectura, mas penso muitas vezes como seria hoje a cidade de Ílhavo se, em vez de "encobrirem" todos os fios de água os tivessem transformado em canais, não necessariamente navegáveis, que (não sei se estou a dizer disparates...) provavelmente ligariam esta zona da actual Avenida 25 de Abril às águas do esteiro da Malhada tornando-se um dos motivos de atracção turística.
Ana Maria – Entrou tarde, mas ainda veio a tempo, para participar. Obrigada, por isso. Mais um testemunho e uma hipótese...
Ábio de Lápara – Conheci muito bem essa casa e era muito amigo deles. As nossas mães eram amigas, e andamos todos na creche da Sra. Henriqueta, que depois foi da Sra. Modesta. A Henriqueta era da família deles e tinha um filho, o António, bem mais velho do que nós, mas que adorávamos pelo que nos apoiava nas brincadeiras. A partida deles para a América causou-me grande dor e nunca a entendi. Não tinham dificuldades económicas, estudavam, e com 15 anos deixaram a mãe e os amigos sem razão aparente, para irem à aventura americana. O António Alcides foi incorporado no exército e veio parar a Berlim da Guerra Fria. Teve sorte. Passado pouco tempo podia ter sido a da Coreia. Correspondemo-nos durante alguns anos, até que a vida nos afastou.
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Mostraram-se retratos, evocaram-se amizades ausentes.
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Ana Maria – Como um simples riacho arrasta tantas recordações, tantas memórias!... «Muita água passou ou passa por baixo das pontes!» - diz-se, não é?
Ábio de Lápara – As palavras e as recordações são como as cerejas...
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Brinquei com palavras? Brinquei. Alinhei frases? Alinhei. Obrigada, Ilhavenses e amigos à conversa, que me forneceram matéria-prima para um texto narrativo, com excertos informativos e poéticos, que compus. I like. Gooooooooooosto muito.
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Imagens – Clichés de João Teles
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Ílhavo, 14 de Dezembro de 2014
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Ana Maria Lopes
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Memórias «líquidas» de Ílhavo - I

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Trazia no baú virtual duas imagens, já há uns anos, conseguidas num arquivo confiável, cá em Ílhavo.
Vi-as, apreciei-as, sorvi-as, mexi-lhes, toquei-as, em papel. Dá-me mesmo mais prazer. O virtual tem os seus encantos, benesses, modernidades, mas o tradicional, neste caso, a imagem em papel tem outra sedução.
Para dissertar sobre elas, no Marintimidades, tinha a consciência de que não sabia o suficiente e que tinha vivido uma infância mais singela, mais caseira. Teria amigos/ que, uns anitos mais velhos/as, passavam e repassavam pelos tais riachos e brincavam frequentemente por esses ribeiros e regueiros, em que a vila de Ílhavo era fértil, todos com a mesma origem.
Lembro-me muito bem de alguns lavadouros, sobretudo do da Fontoura, por onde passava com frequência e há muito menos tempo, de um existente no fim de Alqueidão, para quem levava o destino da Malhada.
Melhor ainda me recordo termos tido, em tempos idos, uma lavadeira, que levava a roupa, semanalmente, que, sem saber ler nem escrever, se entendia com o rol da roupa, com toda aquela sinalética habitual, não trocando sequer uma peça. E não estava marcada… A memória necessita ser exercitada…Grandes mulheres foram as lavadeiras, elas, as verdadeiras artistas destes cenários.
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Lavadouro da Fontoura. 1940

Mas, as ditas imagens forneciam muitas informações e suscitavam muitas memórias.
O seu destino foi, pois, o Facebook, que uns renegam e outros muito apreciam.
Precisavam de ser comentadas por muitas mentes e foi o que conseguimos, através de várias participações, reminiscências e comentários, por vezes de maneira saudosista e enlevada.
Portanto, agradeço sinceramente todos os «likes» e todas as simples manifestações de apreço. Atrevo-me a editar, já que o Facebook é público, as opiniões mais informativas e/ou mais poéticas. Cada um sente como sente e escreve como escreve.
Será uma recolha escrita de «nós», ilhavenses. Vamos a ver se tecnicamente, atino com isto. Foi um desafio posto a mim própria, em dia pardacento, morrinhento e chuvoso, de poucos entreténs e atavios. Tentando encadeá-las o melhor possível! O que nem sempre consegui na íntegra, porque foram partilhadas e suscitaram comentários noutros locais. Seria preciso entrar no âmago facebookiano. Aprende-se sempre…

Vamos a isso.



Optei pela de aspecto menos antigo, para este primeiro exercício de pesquisa e composição.
 
Ana Maria A propósito de um dos antigos Lavadouros de Ílhavo, tenho aqui uma imagem de lavadeiras, no rio, com as suas tripeças, não datada. Alguém me consegue dar umas dicas?
Alguém conseguirá identificar esta imagem? Local e data possíveis?
Maria Dolores – Ui! Isto é muito antigo!
Etelvina Almeida – Belo registo... Deve ser muito antiga.
Ana Maria É e é de cá. Coloquei-a a ver se alguém conseguia identificá-la.
Carlos Oliveira – Já estive a olhar para a excelente fotografia alguns minutos. Não consigo identificar o local. Mas posso especular com base no caudal de água da levada e a geografia do terreno. Ou é na vala Madriz ou vala real junto ao Soalhal ou é junto à Malhada, caso seja do lado de Ílhavo. Se for do lado das Gafanhas não tenho a menor ideia de onde seja. Mas pode muito bem ser do lado das Gafanhas pois consigo identificar as árvores como sendo pinheiros e austrálias, arvores estas que predominam sobretudo nos areais.
Ábio de Lápara Não tenho memória deste trecho. A presença da Ria com aquela dimensão e o rio com aquele caudal, desloca, na minha opinião, a imagem para norte, já fora do nosso concelho. A época em que foi obtida, ronda a viragem do século XIX para o XX. Como o tema é a tripeça, alguém sabe o porquê dos 3 pés?
Paulo Silva Flautas Se não é aqui parece!
Quanto ao caudal, não sabemos o caudal da época nem sequer qual era a época, mas o caudal supostamente era muito maior no passado!

 
Vista aérea – Aponta a via da Malhada
 
Ana Maria Obrigada pelas respostas. Não posso concordar nem discordar, porque não sei. Ábio, explica lá a razão dos 3 pés. Pelo aspecto e vestuário, aposto também na data que propões. Mais início do século XX.
Senos Fonseca – Eu olhei vezes sem conta para esta foto. Estou convencido que foi a que antecedeu o lavadouro ao fundo de Alqueidão, abaixo da Fonte dos Amores. Não vejo que outro local possa ser. Esta fotografia anda por várias mãos, e nunca se adiantou muito.
Ana Maria Somos todos muito novos, pelos vistos, mas «postei» uma outra, em que as lavadeiras têm lenços e chapéus. Procura lá e opina...
João José Lavadouros em Ílhavo só me lembro do da Fontoura e o do Casal.
Ana Maria Lembro-me de um lavadouro, em Ílhavo, no final da rua de Alqueidão, já ali mesmo pertinho da Malhada.
Ábio de Lápara – Percorri a memória dos vales que desaguam na ria ao longo do nosso concelho. A começar pelo que fica a nascente da Coutada. Terminava nas marinhas e o fundo paisagístico poderia ser o da foto. O vale a poente da Coutada não tem bacia para aquele caudal. No verão servia para fazermos "poisos" para armar as "palmas" de caçar os pardais sequiosos do trigo comido nas searas. Os locais mais notáveis eram o poiso do Mastrago e o da Maluca. O vale seguinte é o que atravessa Ílhavo, que desce da Légua, percorrido por vários ribeiros onde, aí sim, se lavava muita roupa ao longo dos seus cursos. Mas duvido que em algum desses pontos o fundo paisagístico da foto pudesse ser aquele. Depois só o vale do Soalhal, que desce de Vale de Ílhavo, poderia corresponder àquela imagem. Fiquemos pois no que nos parece porque a investigação está cara!
Já agora, respondendo à pergunta lá de trás, as tripeças tinham 3 pés, porque 4 eram demais, e dois eram insuficientes! Na verdade, 4 pés no fundo irregular do ribeiro deixariam a tábua sempre instável com um pé mal assente. Três nunca falha!!!
Maria Sílvia Eu «Inda» agora aqui cheguei, e gostei do que vi e li. O tema reportou-me à minha meninice, recordando um ribeiro que deslizava, suavemente, ao longo de toda a Avenida 25 de Abril. Quem se lembra desse tempo sem o Atlântico-Cine-Teatro, sem a Garagem Vizinhos & Vieira, enfim, em toda a extensão da Avenida corria o «rio», onde, desde o Colégio até onde hoje se encontra a Farmácia Moderna, as tripeças abundavam, (sem que suas donas receassem o seu furto) e, até ainda lembro, do sabão nelas deixado. A sua preocupação residia em que, esta presença, lhes garantisse o lugar para a tarefa do dia seguinte. Frequentando a minha 1.ª classe, por aqui passava todos os dias e, embora pequenina, reparava na resistência destas pobres mulheres quando, de Inverno, em águas tão geladas, ali as via metidas! Porém, quando de regresso a casa à hora do almoço, ao atravessar o Jardim Henriqueta Maia, já ouvia o som de suas timbradas vozes cantando, ora, triste, ora alegremente, o Melhor de AMÁLIA!!! Tempos idos em que, de saudade só me trazem a alegria da minha infância! Era triste a vida das lavadeiras, e elas bem a deixavam estampada nos lindos mas tristes fados que, tantas vezes cantavam!......
Ana Maria Observou, realmente. Ficou-lhe gravado todo esse processo. Obrigada, cara Sílvia. Memórias que não esquecem!
Maria do Rosário Celestino – Adorei o seu relato, Maria Sílvia! Desconhecia a existência de tal ribeiro e de todos os outros pormenores que abordou! Muito obrigada, pela informação, que me deu! Fico encantada a ouvir todos estes relatos do passado!
João Simões Xis Maria Sílvia, pois nesse tempo onde fica a garagem dos Vizinhos e, em frente, onde está a Galera e ainda na Travessa da Gruta eram sítios onde lavavam as roupas pois passei parte da minha meninice por esses lados, enquanto a minha mãe lavava a tal dita roupa para ganhar alguns patacos.
Amélia Marabuto – No Rio Pereira também havia um lugar onde se lavava a roupa. E bem me lembro de ver as pessoas com as bacias de zinco à cabeça com a roupa lavada! Também me lembro de ouvir dizer que iam lá lavar as tripas dos porcos, mortos pelo Sr. Ismael! Tempos idos...

Continuarei, relativamente à outra imagem, se tiverem gostado.
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(Cont.)
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Ílhavo, 7 de Dezembro de 2014
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Ana Maria Lopes
 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Traineira «Praia da Atalaia» naufraga na Barra de Aveiro


Fez exactamente ontem, 24 de Novembro, 51 anos, que aconteceu esta tragédia.
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A traineira Praia da Atalaia naufragou na barra de Aveiro, ao sair para a pesca, a 24 de Novembro de 1963. Teriam perecido, lamentavelmente, mais de 30 pescadores (segundo o jornal Comércio do Porto de 25 de Novembro de 1963).
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Era uma traineira utilizada na pesca da sardinha com rede de cerco, pertencente à praça de Peniche, construída, em 1954, por Asdrúbal Simão do Carmo para Aníbal Correia e outro sócio.
Media, de comprimento, fora a fora (17.68, entre perpendiculares), 21. 05 metros, boca,  5.25  e pontal,  2.01 m.
A arqueação bruta era de 45.82 toneladas e a líquida, de 12.30.
A propulsão era assegurada por um motor diesel Burmeister & Wain/Alpha, de 180 Hp.

Praia da Atalaia

Cerca das 16 horas, largou do seu ancoradouro, na lota, no Canal das Pirâmides, para demandar a barra, não obstante o sinal de mar bravo estar içado.
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A Praia da Atalaia navegou até à cabeça do molhe norte, tendo-se o mestre apercebido que o mar estava muito agitado. Por insistência da companha, decidiu voltar ao porto, tendo dado ordens ao maquinista para reduzir a velocidade. Quando a embarcação estava atravessada à ondulação para inverter o rumo, uma vaga alterosa atinge-a com violência por estibordo, rebentando contra o costado.
Antes que a Praia da Atalaia conseguisse safar-se da posição, uma segunda vaga, ainda mais forte, rebenta-lhe em cima, voltando-a e partindo-a ao meio.
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Entretanto, a traineira Josefa Vilarinho, que navegava ainda no canal da barra, transmitiu para o posto Rádio Telegráfico da Mútua de Pesca, desta cidade, o que havia acontecido. Imediatamente, e por intermédio do mesmo posto, foi chamada a intervenção das duas corporações de Bombeiros Voluntários de Aveiro, assim como a tripulação do barco salva-vidas Jaime Afreixo (1948-2002) dos Socorros a Náufragos. Este barco de socorro, embora tivesse sido lançado à água logo que recebeu aquela comunicação, não pode romper com a ondulação violenta do mar, regressando ao seu ancoradouro.
Outras embarcações idênticas mantiveram-se, ainda por largo tempo, com os seus projectores para as águas, na esperança de poderem recolher alguns sobreviventes que viessem arrastados pela corrente para dentro da barra. Alguns tripulantes daquelas embarcações conseguiram saltar para terra, para, tentarem socorrer alguns sobreviventes no areal da praia de S. Jacinto, para onde a Praia da Atalaia havia sido arrastada de quilha para o ar.

Até à hora em que o jornal noticia – 21,30 h –, o único sobrevivente era o pescador Pedro da Conceição Júnior, natural de Lagos, que, bom nadador e de forte compleição física, conseguiu manter-se à superfície, agarrado a uma bóia, tendo sido lançado para cima dos blocos do molhe. Na esperança de auxiliar alguns dos camaradas que pudessem dar à costa, por ali foi ficando, até que foi levado para a Base Aérea de S. Jacinto, onde recebeu os primeiros socorros.
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A mesma fonte fornece a constituição da tripulação, pertencendo à nossa zona:
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Aveiro, motorista Francisco Ferreira Cordeiro, ajudante de motorista, José Alberto Marques Cordeiro e pescadores João Simões Basílio, Carlos Alberto Ribeiro Alcaide, Manuel Matos, Francisco da Graça Basílio, Fernando dos Santos, Celestino Fernando Pataca, José Salvador da Costa, Manuel de Oliveira Pinto, Manuel Salgado, Manuel dos Santos, Manuel Fernandes Teixeira Calisto, Augusto dos Santos Neto e Manuel Maria da Silva, também de Aveiro.

Gafanhas, Emílio da Silva Gramata, Hermínio da Silva Caçoilo, Armindo dos Santos, António Faustino Pereira da Rocha, Manuel Evangelista dos Santos Cadete, José Maria da Rocha Sardo Cravo, e Moisés Vidreiro Matos.

Ílhavo, Manuel Domingos Magano.
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Segundo a mesma fonte, Comércio do Porto, mas de 26.11.1963, sabe-se de acordo com informação oficial, que o número exacto de homens a bordo que pereceram no naufrágio é de vinte e nove porquanto um, Pedro da Conceição Guerreiro, como referimos, conseguiu salvar-se e oito não chegaram a embarcar.
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A traineira afundada está quase totalmente desmantelada. 

Do jornal Comércio do Porto, 26.11.1963

 
Há, portanto, algumas disparidades entre o número de náufragos, ao compararmos os dois jornais, de datas subsequentes.
Os barcos da frota de pesca, ancorados no porto de Aveiro, hastearam as suas bandeiras a meia adriça em sinal de luto, tendo, logo de madrugada, iniciado as pesquisas ao longo da costa do litoral aveirense para a possível recolha de corpos dos desventurados pescadores que, porventura, viessem a ser arrojados às praias.
De manhã, foi recolhido e levado para terra, na praia da Torreira, o cadáver do pescador João Simões Basílio, casado, de 64 anos, da Gafanha da Encarnação.
 A tragédia, originada, ao que parece, por um acto de menos prudência, causou a maior consternação na cidade e arredores.
O Sr. Capitão do porto, Agostinho Simões Lopes, esteve em S. Jacinto, a fim de se inteirar das condições em que se deu o trágico acontecimento.
Chegou a Aveiro o Sr. Guilherme de Sousa Otero Salgado, presidente do Grémio e Mútua dos Armadores da Pesca da Sardinha, que representará nos funerais das vítimas do naufrágio, o Contra-almirante Henrique Tenreiro e Comandante Sá Linhares.
O Sr. Capitão do porto de Aveiro representará, nos funerais, o Sr. Presidente da República, e, também, o Sr. Ministro da Marinha. Os funerais serão custeados inteiramente pelo cofre da Mútua dos Armadores da Pesca da Sardinha, não bastando isso, de forma alguma, para superar a falta que os saudosos pescadores, em plena actividade, fizeram às suas famílias, ao tentarem arrancar das águas, o seu sustento, com amor e carinho.
A nossa barra tem sido palco, lamentavelmente, ao longo dos anos, de muitos acidentes e naufrágios. Segundo testemunham os entendidos, não é uma barra fácil.
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Imagem – Gentil oferta do amigo Reinaldo Delgado
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Ílhavo, 25 de Novembro de 2014
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Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Apresentação da «Terras de Antuã», na Câmara de Estarreja

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Anteontem, sábado, por ocasião da comemoração do 495º aniversário da outorga do Foral à vila de Antuã, por D. Manuel, em 15 de Novembro de 1519, foi apresentado o número oito da revista Terras de Antuã – Histórias e Memórias do Concelho de Estarreja, mais uma vez com uma assistência numerosa, no belíssimo Salão Nobre dos Paços do Concelho, numa sessão presidida pelo Presidente da Câmara Municipal de Estarreja, Diamantino Sabina.

Convite

Este oitavo volume é constituído por 14 artigos de dezasseis autores, cujas temáticas vão desde a arqueologia, passando pela arte popular, arte sacra, biografia, conflitos sociais, documentação, construção naval, emigração, entre outras.
Para nós foi gratificante participarmos com o artigo sobre o convívio que fomos tendo desde 1994, com o prestigiado Mestre António Esteves, de Pardilhó, construtor de machado e enxó, ainda em laboração. O artigo parte do Homem para a obra, obra essa que é evidente na Sala da Ria do Museu Marítimo de Ílhavo e que culminou com a construção da ancestral bateira ílhava. Memórias recentes que, depressa, se tornarão longínquas.

Alguns dos autores participantes na Revista
Desta vez, a capa da Terras de Antuã e o convite apresentam a casa Arte Nova, de Francisco Maria Simões, no Largo da Igreja de Salreu, cujo arquitecto foi Francisco Augusto da Silva Rocha (1864-1957).  
Foi, pois, um prazer de colaborar com a revista, sabiamente dirigida, em estreia, pela Dra. Rosa Maria Rodrigues, ilustre Conservadora da Casa-Museu Egas Moniz.
 
 
Fez 140 anos que nasceu Egas Moniz (1874-2014) e todo o ambiente que se respirava na CME era dedicado ao nosso Prémio Nobel de Medicina, em Outubro de 1949, pelo qual nutrimos um carinho muito especial.
Depois de termos visitado, na Casa da Cultura de Estarreja, uma exposição de pintura «Memórias Resgatadas» de Gina Marrinhas, regressámos com o espírito mais leve, mais arejado e com novos projectos em mente. Talvez venham a ter realização. Quem sabe!... É preciso, sobretudo, sonhar…para, mais tarde, executar.
À noite, folheámos a revista, debruçando-nos sobre alguns dos artigos que mais nos interessaram – As descobertas de Egas Moniz e o seu contexto histórico, da autoria de seus sobrinhos netos e Francisco Augusto da Silva Rocha e a casa de Francisco Maria Simões – Um novo padrão de beleza, pela pena de Maria João Fernandes, crítica de arte e bisneta do arquitecto Silva Rocha.
Ainda está por reconhecer o justo mérito ao Arquitecto, em Aveiro, cuja casa da Família Pessoa, no Rossio, hoje, Museu de Arte Nova, de seu projecto, recebeu o seu nome.
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Fotografias de Etelvina Almeida
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Ílhavo, 17 de Novembro de 2014
Ana Maria Lopes