domingo, 25 de fevereiro de 2018
Ílhavo... de outrora
quinta-feira, 20 de abril de 2017
Feriado Municipal de Ílhavo. 2017
Fotos de Etelvina Almeida e António Resende
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Ílhavo, 20.4.2017
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quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Traineira IDELTA
quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
O «nosso» Filinto, no Parque dos Poetas
sábado, 5 de dezembro de 2015
A Liga Naval em Ílhavo
Em 11 de Março do ano corrente, a convite da Liga Naval de Lisboa, o Grémio ligou-se àquela importante corporação, seguindo assim o exemplo de outras agremiações congéneres do país.
As vantagens desta fusão são incalculáveis, porquanto ninguém ignora a importância e influência política e social da Liga e os recursos de toda a natureza de que ela dispõe, benefícios de muita valia que se reflectem nas juntas locais. Disso são testemunho eloquente os trabalhos, com resultados práticos, do último Congresso Marítimo, brilhantemente levado a cabo ultimamente pela Liga, em Lisboa.
A Junta Local de Ílhavo encontra-se actualmente florescentíssima, com vida desafogada e futuro animoso, possuindo, no melhor prédio da vila, uma magnífica instalação, cuja estampa hoje se publica.
Ílhavo… mais pobre, além de outras valências que o prédio teve.
Cliché do periódico Mala da Europa
Ílhavo, 5 de Dezembro de 2015
Ana Maria Lopes
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domingo, 14 de dezembro de 2014
Memórias «líquidas» de Ílhavo - II
O mar cansado, retirou-se. No final
Deixou ribeiros, ervas, ambiguidades...
Na ausência perene do seu sal,
Outras vidas nasceram nas vessadas.
Por entre finos mapas de canais
Construíram a cidade que eu amava.
As águas de cristal foram tapadas,
E não lavaram jamais,
Tudo o que a água lavava!
Do meu rio vão agora aquelas águas
Por onde o dia perdeu a claridade
E descem cantando as mágoas...
Nos subterrâneos vasos da cidade.
Céleres, correm p'rá Ria onde o sal
Lhes anula o doce e veste o ser.
Lamentam-se então, como um mortal,
Da dificuldade que tem... sobreviver.
Agora, que os becos estão à venda
E os velhos já se foram dos carris
Restam-me lembranças das contendas.
De um tempo amargo, mas feliz...
E os silêncios não me enganam
Nem nos becos, a tarde calma,
Porque esses silêncios profanam
O alegre chilreio da minha alma...
Tudo parece pacífico… talvez até mesmo doce:
Iluminaram a Praça e floriu o Jardim...
À primeira vista... Pois isso é, como se fosse
Um sobressalto negro dentro de mim.
Há opiniões que divergem, é natural:
Ana Maria – Cada um fica no que lhe parece. Obrigada pelo esforço, pelas hipóteses, pelas memórias. Essas foram mesmo relatadas de uma forma interessante, bem como as vivências de época, em formato «saudosista» – as lavadeiras, os seus trajares, os riachos, as ribeiras, as bacias, as canastras e as tripeças, essas, peças fundamentais. À custa destas duas longínquas imagens, «navegámos» no tempo, prazerosamente.
Paulo Morgado – Claro que identificar correctamente o local é muito difícil. No entanto será num dos locais existentes ao longo do ribeiro que vinha (vem) da Presa/Légua e que passava pelo Casal a que seguia ao longo do Jardim e ia (vai) desaguar na Malhada (passa pela ponte de grés, dita romana). Conheci locais destes, junto ao Pinhal seco, num sítio que conhecíamos por Brejo, onde hoje está o acesso do Casal para o Continente, outro junto à escola primária de Cimo de Vila, e outro ainda no "Ti Alpoim", onde está a urbanização da Plenicoop. Bem, e mais terão existido anteriormente. Alguns eram mesmo particulares aproveitando a água da levada que alimentava as diversas azenhas que existiam.
Maria Dolores – Também conheci o rio na Avenida aonde havia a lixeira. Ai ainda era pequena. A minha mãe lavava a roupa.
Júlia Sardo – As lavadeiras incansáveis.
Senos Fonseca – Este, creio ser do fio de água que corria abaixo de Alqueidão.
Maria do Rosário Celestino – Como adoro saber tudo isto.
Vieira da Silva – Ainda me lembro de ver uma parte deste riacho de que nos fala o nosso Amigo Ábio De Lápara ao fundo do quintal da casa do meu Tio João Portugal e da minha Tia Júlia Nunes (Pais dos meus Primos António Alcides e José Paulo que foram ainda muito novos para os USA e que o Ábio De Lápara provavelmente conheceu). A casa tinha a frente virada para a Rua José Estêvão, quase em frente da casa do Sr. Madail (que hoje pertence ao Casci) e o quintal terminava num riacho.
Não percebo nada de Arquitectura, mas penso muitas vezes como seria hoje a cidade de Ílhavo se, em vez de "encobrirem" todos os fios de água os tivessem transformado em canais, não necessariamente navegáveis, que (não sei se estou a dizer disparates...) provavelmente ligariam esta zona da actual Avenida 25 de Abril às águas do esteiro da Malhada tornando-se um dos motivos de atracção turística.
Ana Maria – Entrou tarde, mas ainda veio a tempo, para participar. Obrigada, por isso. Mais um testemunho e uma hipótese...
Ábio de Lápara – Conheci muito bem essa casa e era muito amigo deles. As nossas mães eram amigas, e andamos todos na creche da Sra. Henriqueta, que depois foi da Sra. Modesta. A Henriqueta era da família deles e tinha um filho, o António, bem mais velho do que nós, mas que adorávamos pelo que nos apoiava nas brincadeiras. A partida deles para a América causou-me grande dor e nunca a entendi. Não tinham dificuldades económicas, estudavam, e com 15 anos deixaram a mãe e os amigos sem razão aparente, para irem à aventura americana. O António Alcides foi incorporado no exército e veio parar a Berlim da Guerra Fria. Teve sorte. Passado pouco tempo podia ter sido a da Coreia. Correspondemo-nos durante alguns anos, até que a vida nos afastou.
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Mostraram-se retratos, evocaram-se amizades ausentes.
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Ana Maria – Como um simples riacho arrasta tantas recordações, tantas memórias!... «Muita água passou ou passa por baixo das pontes!» - diz-se, não é?
Ábio de Lápara – As palavras e as recordações são como as cerejas...
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Brinquei com palavras? Brinquei. Alinhei frases? Alinhei. Obrigada, Ilhavenses e amigos à conversa, que me forneceram matéria-prima para um texto narrativo, com excertos informativos e poéticos, que compus. I like. Gooooooooooosto muito.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Memórias «líquidas» de Ílhavo - I
Quanto ao caudal, não sabemos o caudal da época nem sequer qual era a época, mas o caudal supostamente era muito maior no passado!
Continuarei, relativamente à outra imagem, se tiverem gostado.
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(Cont.)
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Ílhavo, 7 de Dezembro de 2014
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Ana Maria Lopes
sábado, 6 de abril de 2013
Travessia na Vista-Alegre nos anos 50
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Ílhavo na «rota» do Titanic - 2
Terei ou não razão no título deste arrazoado?
Quem quiser estar por dentro do verdadeiro espólio do Titanic, tem que colocar Ílhavo na «rota» do seu destino.
Ou por que não a RMS Titanic pensar em fazer um exposição, em Ílhavo? Nunca se sabe.
Rotas cruzadas – Viagem inaugural do Titanic e ida para os pesqueiros dos lugres da Pesca do Bacalhau.
Imagens – Arquivo da autora do blog
Ficha do Grémio– amável cedência do MMI
Ílhavo, 24 de Outubro de 2011
Ana Maria Lopes
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terça-feira, 9 de setembro de 2008
Traje da Camponesa de Ílhavo
Camponesa de Ílhavo – Séc. XIX
Há uns bons 16 anos, tive no museu algumas afáveis conversas com o Arquitecto Quininha, de quem sempre fui amiga, sobre a pintura, trajes e cerâmica expostas. Eram sectores que ele privilegiava, talvez por gostos e saberes, que não eram, nem vieram a ser, sectores fortes, naquela casa: a colecção de pintura é pobre e não criada segundo um estudo prévio, os trajes são praticamente inexistentes e, alguma cerâmica, razoável, recolheu a reservas há já alguns tempos.
Ele gostava especialmente de trajes e sabia muito de ourivesaria. Um dia, quando veio de Lisboa, numa das suas visitas frequentes a Ílhavo, trouxe-me carinhosamente aquele postal da Camponesa de Ílhavo, óleo de F. José Resende, (1825 – 1893), que encontrara à venda no então M.N.A.C. Apreciei-o, guardei-o, mas agora dou-lhe mais valor. O tal quadro vem citado no Dicionário de Pintores e Escultores Portugueses de F. de Pamplona.
Levou-me a ir confrontá-lo com um outro existente no Museu, algo idêntico. Com a ideia segura que tinha, consultada a colecção on-line de pintura, encontrei-o. – A mulher… também de chapeirão!...
É este:
Camponesa de Ílhavo do Séc. XIXFrancisco Resende – Col. do MMI.
O primeiro quadro a que me refiro, que deverá estar nas reservas do actual Museu do Chiado, enriqueceria um pouco mais a nossa colecção, mas as pertenças de cada museu são para se respeitarem, salvo raras excepções de depósitos e cedências.
Segundo descrição de Senos da Fonseca no seu Ensaio Monográfico, a pp. 342 e 343, a lavradeira de Ílhavo (Século XIX) envergava saia de serguilha (fraldilha), colete de fazenda (mesmo de veludo), preso no peito por abotoadura de prata, de par, debruados os botões a cetim amarelo; lenço habitual. Usava uma cinta com que fazia descer ou subir a saia, do meio da perna ao tornozelo. No pescoço, cordão de filigrana.
Algumas semelhanças e alguns pormenores diferentes.
Este primeiro óleo de F. José Resende, talvez, pelas cores empasteladas de uma luminosidade sombria que usa, e pela elegante posição da figura em causa, é de uma nobreza e beleza extraordinárias. Parece demasiado rica e nobre para camponesa. No entanto, está descalça…
Um grande lenço vermelho lavrado, sobre a cabeça, abraça, lateralmente, o chapéu de feltro preto debruado a cetim, de abas bastante largas. Bonita algibeira debruada e brincos compridos de ouro dão um último toque ao vestuário que enobrece a camponesa, segundo a paleta do artista. Não dá para apreciar muito bem se o chapéu, dado o peso da sua aba, tinha fitas ou presilhas que iam da orla à copa exterior, para que as abas não descaíssem.
O grande pintor Francisco José Resende interessava-se mesmo pelo traje da camponesa de Ílhavo – pelo menos, dois quadros conhecidos, parecidos, sobre o mesmo tema…
Mais algumas representações deste género conheço, neste caso, Ílhavas – Vendedoras de sardinha, litografia de Joubert, de meados do século XIX, colecção do MMI., outras de menor qualidade gráfica, o caso do postal do Museu de Ovar, que representa a mulher e o homem de Ovar.
Foi agradável “desenterrar” esta pintura que me levou a relacioná-la e compará-la com outras de que tinha uma memória mais ou menos fresca.

Mulher e homem de Ovar
Aqui fica o registo das minhas cogitações domingueiras… Há sempre algo que motiva a feitura de um blog.
Fotografias – Arquivo particular da autora e imagens on-line do MMI.
Ílhavo, 9 de Setembro de 2008
Ana Maria Lopes
sábado, 26 de julho de 2008
Representação de Ílhavo no Milenário e Bicentenário de Aveiro
Em simultâneo, na data referida, Aveiro comemorou o Bicentenário do registo da Carta de Provisão (26.07.1759), em que D. José outorga e faz mercê, que dessa data em diante, Aveiro fique erecta cidade.
A representação de Ílhavo nas festas comemorativas do Milenário e Bicentenário de Aveiro, nomeadamente no Cortejo Folclórico, foi exemplar. Faz hoje, sábado, portanto, dia 26 de Julho, 49 anos…Era domingo, em 1959.
Dia de festa em Aveiro. Ruas e avenidas apinhadas de gente, varandas ornamentadas de colgaduras, a abarrotar… todos quantos acorreram a Aveiro procuraram local de onde pudessem apreciar o espectáculo que se lhes deparava. Corriam de um lado para o outro para bisar os aplausos a todos quantos nos seus bonitos trajes, antigos ou modernos, nas suas danças e canções os encantavam.
Todos os concelhos do nosso distrito cooperaram, participando com os bonitos carros alegóricos representativos das suas actividades comerciais, industriais e agrícolas.
Ílhavo não poderia faltar. Não só porque as histórias das duas povoações tiveram origens e percorreram caminhos comuns até certo período da sua história, confundindo-se durante largo período as suas gentes, já que Sá, sita no termo de Aveiro, pertencia a Ílhavo. Sujeitas aos mesmos momentos de fartura ou de privações, e até catástrofes, conforme o estado da laguna que era a circunstância destas gentes da borda. Mas a ligação entre os dois agregados populacionais ainda se reforçou aquando da grande crise de abastecimento da vila de Aveiro, verificada no séc. XVI. Ílhavo foi, naturalmente, pelas ligações referidas, dos lugares vizinhos que mais comparticipou para suprir as carências sentidas na vila vizinha, fazendo-o dos mais variados modos, com os mais variados produtos em que o termo da vila era rico. Forneceu pão, cereais (milho, trigo, painço), lenha, vinho e ainda carnes e muitos outros produtos, de que Aveiro precisava para sustento da sua população que teria crescido de um modo explosivo a partir do séc. XV, com a presença de muitos mercadores estrangeiros, que ali se vieram fixar.
Por estes motivos, a participação do concelho de Ílhavo, nas festas do Milenário, deveria ter uma dimensão muito vasta e variada, na expressão e motivação.
Embora todo o concelho de Ílhavo tivesse uma representação à altura, é, do nosso grupo, de que eu e muitas das minhas amigas fazíamos parte, que tenho uma memória mais viva.
Abertura da representação de Ílhavo
A abrir, um dístico com a palavra ÍLHAVO, conduzido por dois autênticos pescadores. A seguir, um friso de jovens pescadeiras, seguidas por mais seis padeiras e outras tantas ceifeiras, vestidas a capricho. Um grupo de lindas tricanas antigas e modernas, tendo havido o cuidado de, naquelas como nestas, escolher lindos palminhos de cara, dentre as mais graciosas das nossas gentis meninas. – in “O Ilhavense “ de 1 de Agosto de 1959.
O desfile
Pelo menos, as ceifeiras entoavam alegremente a “Canção das Ceifeiras” que o nosso conterrâneo João Aníbal Ramalheira me ajudou a situar como fazendo parte do repertório da revista infantil “A Nossa Escola”, com letra do Prof. José Pereira Teles e música do vaguense Berardo Pinto Camelo.
Ei-la, completa:
Côro das Ceifeiras
As nossas doces cantigas
São tecidas ao luar
Apanhando as espigas
Em constante labutar.
Côro
Ceifeiras! – lêdas, morênas,
Cachopas da nossa terra
Sois como as lindas falênas
Vôejando pela serra
Estas searas amigas
Dão-nos fartura de pão
Andai, andai, raparigas
Ceifai – as por nossa mão.
Em desafio constante
Andam cigarras no ar,
Não suspendais um instante,
Continuai a ceifar.
Trigo loiro, sazonado,
Vai em seguida p’ra eira
Onde o solsinho doirado
Lhe dá cor mais lisonjeira.
Seguiram-se representações do Illiabum Clube, da Fábrica da Vista-Alegre, da Gafanha da Nazaré, da Indústria de Conservas de Peixe da Barra, o carro da Capelinha da Nossa Senhora da Saúde…
Fechava esta parte do cortejo um carro com uma alegoria de Ílhavo (a vela não podia faltar), estruturada sob um feliz desenho modernista de Emanuel Macedo e ladeada pelos bombeiros Voluntários de Ílhavo.
O carro alegórico
Segundo a fonte jornalística já referida, foi um cortejo que fechou com chave de oiro todas as festas mundanas do Milenário e Bicentenário de Aveiro.
E lembrar a azáfama que antecipou todo este folclore?
O centro do mundo era a casa da Senhora D. Dadinha Lé, pequenina, gordinha e gaiteira, com o bairrismo à flor da pele.
Em cima da mesa da sala de jantar, metros e metros dos mais variados tecidos (cetins, sarjas, veludos, chitas, fazendas, feltros, etc.) e acessórios: chapéus, lenços, cestos, canastras, faixas, xailes, foices e outros.
E as idas ao Porto àqueles grandes armazéns de têxteis, em busca dos tecidos mais apropriados?
E as provas, que farra!
Na nossa juventude, queríamos apresentarmo-nos o melhor possível: o calçar da bota, da meia riscada de vermelho e branco, o arriar do saiote, o içar da saia com a faixa, o trilhar do avental, o ajeitar da blusa ao peito e o dobrar da aba do chapéu da maneira que melhor condissesse com o rosto.
Ceifeiras lêdas, morênas…
Eram estas as gentis ceifeiras, da esquerda para a direita: Célia Ré, Ana Maria Lopes, Maria Manuela Vilão, Rosa Armanda Mano, Idalina Bela e Elisabete Moreira.
Fotografias – Arquivo pessoal da autora
N. B. – No Coro das Ceifeiras, respeita-se a grafia da época, 1933.
Ílhavo, 26 de Julho de 2008
Ana Maria Lopes






















