segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A Muleta do Tejo


O livro A Muleta é uma edição conjunta da Câmara Municipal do Seixal/Ecomuseu Municipal e do Museu de Marinha, da autoria de Manuel Leitão, Ferdinando Oliveira Simões e António Marques da Silva.
Constitui um significativo contributo para a documentação, o estudo descritivo e a caracterização dos aspectos construtivos estruturais de uma embarcação que possui um enorme valor simbólico para as comunidades ribeirinhas do estuário do Tejo.
Depois de ter sido já lançado no passado dia 27 de Setembro no Ecomuseu do Seixal, vai ser apresentado, agora, no próximo dia 5 de Novembro, no Pavilhão das Galeotas, no Museu de Marinha, pelas 18 horas.

Capa do livro


Ao Sr. Dr. Manuel Leitão, que já não está entre nós, dedicado e douto colaborador do Museu de Marinha, autor de várias publicações, esta edição é também uma homenagem à sua memória, pela sua tão grande dedicação a assuntos desta natureza.

Ao pormenorizado estudo bem ilustrado com todas as imagens que foi possível reunir sobre a embarcação, juntaram-se vários desenhos de pormenor que facilitam o estudo e compreensão da operação e manobra do pano desta embarcação.

Um dos três modelos existentes no Museu de Marinha


Apesar da sua estranha, exótica e atraente forma do casco e do seu complicado aparelho vélico, a muleta é, a navegar, – e do que se pode concluir das muitas gravuras que chegaram até nós, uma embarcação elegante de boa manobra e rápida para os padrões da época.


Parabéns, pois, aos Srs. Comandantes Ferdinando Oliveira Simões e António Marques da Silva.
Das várias expressões artísticas que escolheram a muleta como fonte inspiradora, também o modelismo de embarcações em garrafas se inspirou nela.
Pelos anos 90, apareceu-me, cá em casa, o Sr. Capitão Weber Bela (1925 - 2008), amante da arte, com esta bonita peça, para me oferecer. E assim a guardo, com afecto, entre os meus objectos de colecção:

Muleta do Tejo – Weber Bela


Acautelem-se os amantes e estudiosos de embarcações da laguna de Aveiro, e não só, com a nomenclatura usada para as embarcações tradicionais. Passo a citar: “A muleta de pesca do Seixal, ou bateira, …(p. (8)”. Creio que não há nada melhor quando se nomeia uma embarcação tradicional, que essa nomenclatura seja aliada ao espaço geográfico onde é usada, bem como à função a que se destina. Para evitar tantas confusões.
O livro encontra-se disponível nas lojas dos Museus de Marinha e Ecomuseu Municipal do Seixal.

Imagens – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 2 de Novembro de 2009

Ana Maria Lopes

3 comentários:

David Luna de Carvalho disse...

Que bom encontrarmos mais notas sobre a Muleta do Seixal e este seu magnífico estudo!

Tem toda a razão sobre a necessidade de referência geográfica, pois nesta área existem muitas vezes os mesmos termos com significados regionais muito diferentes.

fangueiro.antonio disse...

Boa tarde.

Sem dúvida uma obra importantíssima, pela raridade dos conhecimentos sobre esta embarcação e de obras sobre a mesma. Está previsto que no futuro, pelo projecto DORNA se venha a construír uma muleta. Seria um sonho tornado realidade para muitos voltar a ver um barco destes a navegar, pois trata-se de uma das embarcações mais interessantes de Portugal, pela sua "estranheza" de construção e aparelho. Um barco que merece estudos muito aprofundados e que se revela uma das maiores riquezas do nosso passado marítimo.
Veremos se o DORNA vai ser um 8 ou um 80... .

Atentamente,
www.caxinas-a-freguesia.blogs.sapo.pt

Etelvina Almeida disse...

Parabéns aos autores da obra.

É realmente necessário utilizar uma referência geográfica quando se menciona uma embarcação tradicional. Obrigada...

Abraço,
Etelvina