O barco moliceiro, com as suas quatro iluminuras de uma diversificação estonteante, fez da ria de Aveiro uma galeria de arte flutuante, em que todos os elementos estéticos foram mergulhando.
Porém, há outras zonas da embarcação que não dispensam a decoração.
A antepara da proa exibe um motivo floral de grande dimensão ou motivo geométrico, com preferência pelo sino-saimão (signum salomonis), de protecção mágica, cuja origem Celestino Gomes procurou na deformação da estrela-do-mar: sino-saimão, sanselimão ou sinaimão, diversas nomenclaturas para o mesmo signo.

Motivo floral da antepara do castelo da proaSigno-saimão
Nos golfiões, terminações exteriores do forcado da proa, não faltam o rapaz e a moçoila, ora amigos, ora zangados, conforme as voltas das amarras que a vida dá.
Golfiões entrelaçados por amarras
Na base da bica, um motivo floral, vaso com planta florida, umas pétalas singelas ou apenas umas riscas transversais, sempre garridas, encimadas por vasito singelo.

As extremidades dos forcados biqueiros, por vezes, são também decoradas, bem como a parte vertical da entremesa da ré, sobre a qual se senta o arrais.
(Cont.)
Ílhavo, 28 de Novembro de 2009
Ana Maria Lopes
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