domingo, 17 de setembro de 2023

Em vésperas da Senhora da Saude. 2023.

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Em maré de romarias setembrinas, segue-se no último fim-de-semana de Setembro (21 a 25), a festa da Nossa Senhora da Saúde, na Costa Nova.

Se fosse possível regredir no tempo, por uns anos, desejaria assistir a uma romaria dos anos sessenta, com artística armação na Avenida Marginal e nos caminhos conducentes à Capelinha. A montagem da armação em altos escadotes marcava o início da festa. Seguia-se a chegada das primeiras tendas. Mas quando os primeiros moliceiros vinham do norte e do sul da ria, os norteiros e os matolas e atracavam mesmo aqui pertinho de mim, então a festividade estava próxima.


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Nas proas dos moliceiros
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Recordo com saudade a chegada das barracas das cutelarias de Guimarães, os chapelinhos de papel de vários feitios e cores, os brinquedos toscos infantis de lata e de madeira, o café “de apito”, a doçaria tradicional da Ti Rosa Caçoa, com os seus suspiros melosos e açucarados e os bolinhos brancos de gema.

Ao lado, a Ti Adelaide Ronca com as flores das festas, de papel, com quadra a gosto, e as coloridas e vistosas ventarolas. O Sr. Quintino Teles com os seus pratos típicos, em cerâmica relevada, com castanhas e sardinhas assadas, ovos estrelados, que até apetecia degustar, etc.


A ler a sina…

Ainda os ferros forjados, as barracas das loiças de Barcelos e de alguns atoalhados e “lingerie”, bem como, os homens dos guarda-chuvas, a leitura da sina, compunham o ramalhete.

E os vistosos e animados coretos com a banda a tocar!!!!.....

 

 

Nos famosos coretos!...

Não faltava a Vida de Cristo, em movimento, descrita em voz roufenha, rouca, do publicitador, tornada ensurdecedora pela ampliação conferida pelas cornetas do altifalante, que tentavam sobrepor-se ao anúncio da casa dos espelhos, do carrocel, dos carrinhos eléctricos ou cadeirinhas voadoras.

Com muita gente, com muito barulho, acabou por se tornar impossível a festa na frente/ria, incluindo a própria procissão, que não era recebida com o respeito devido.

Há uns anos largos, toca de mudar a festa para a Avenida do Mar. Ainda pior!!!! Chegou-se a um exagero e a uma falta de sanidade, com que alguns moradores não conviviam muito bem, quase impossibilitados de entrar em suas casas. Já não eram vendas típicas e, por vezes, ingénuas, mas uma autêntica FEIRA, onde chegou a intervir a ASAE.

O que se seguiu? A procissão, após a missa festiva e pouco mais.

No entanto, na frente/ria, passados uns tempos, voltaram a aparecer as doçarias festivas diversas, muito apelativas, os frutos secos muito apetecíveis, e algumas barracas de brinquedos e quinquilharia. 

Assim, está bem – nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O domingo da festa, pelas 23 e 30 da noite, tem encerrado com um fogo de artifício variado e de qualidade, que espelha na ria, com duplo e bonito efeito.

Entretanto, os dois anos de pandemia conduziram a mudanças radicais, que registei neste blogue, a seu tempo.

Ainda se vai passar à Costa Nova a Senhora da Saúde, quanto mais não seja, para saborear, entre amigos, a chanfana ou o leitão assado, o que origina uma prévia “procissão de leitões”.

O momento alto que vivo na festa é a passagem da procissão na Calçada Arrais Ançã, frente à minha varanda, com colgadura de damasco amarelada, em que reúno alguns amigos para a verem passar, num misto de satisfação, convívio, colorido, adorno empenhado dos andores e muita fé.


Nossa Senhora da Saúde, a passar na Mota
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Outros aspectos haveria mais a enumerar – irmandades, fanfarra, grupo de escuteiros, pároco da Gafanha da Encarnação, acólitos e crentes acompanhantes, cumpridores de promessas.

Nem gosto, sequer, de ver a casa fechada, nesse dia.

Tradição…apesar de já não ser o que era. É a que temos. Está a tomar uma posição sensata, sem exageros. É para respeitar e tentar transmitir…

Este ano, vamos a ver como corre. Uma coisa, é consultar o Cartaz, outra é apreciar, de facto, os eventos.

Foto a cores -  Etelvina Almeida

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Costa Nova, 17 de Setembro de 2023

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Ana Maria Lopes

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sexta-feira, 15 de setembro de 2023

O iate "Favorita"

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Recordemos o naufrágio do iate “Favorita”, que nos levou a fazer uma visita ao local, para o vermos “claramente visto” e podermos contar como foi. Já eram prenúncios do Marintimidades.

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O iate “Favorita” encalhado, nas proximidades da praia do Areão
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Na madrugada do dia 15 de Setembro de 1966, há 57 anos, pelas 3 horas da manhã e, devido ao intenso nevoeiro que envolveu o nosso litoral, encalhou, entre as praias da Vagueira e de Mira, o iate “Favorita”, elegante embarcação que parece ter sido do ex-Rei Faruk, do Egipto, e que agora, pertencia a um capitalista belga e arvorava a bandeira panamiana.

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Segundo informação do jornal “O Ilhavense”, de 20.9.1966, a tripulação do iate encalhado salvou-se e era composta por sete homens, embora viessem também, a bordo, os Srs. Américo Bolais Mónica e António da Silva Mónica, da Gafanha da Nazaré, para cujos estaleiros vinha a embarcação, a fim de ser reparada.

A notícia correu célere na Costa-Nova e nós não pudemos faltar. Fica “o boneco” para a posteridade.

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O “Favorita”, ponto de atracção…
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Alguns objectos foram dando à Costa e o espaço circundante esteve cercado e vigiado pela autoridade competente.

Foram feitas várias tentativas para salvar o iate, que estava seguro em 20 000 contos, mas em vão.

Lá apanhei no areal um bonito ornato de madeira, em forma de vaso floral, já um pouco surrado e batido pela pancada insistente do mar, vestígio de algum bonito móvel, que teria decorado o iate encalhado.

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Costa Nova, 15 de Setembro de 2023

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Ana Maria Lopes

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domingo, 3 de setembro de 2023

O Bote Catraio de Passagem

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O espaço do "Marintimidades" é, hoje, com gosto, cedido ao amigo Capitão Marques da Silva.

Quando há tempo passei na Sala das Galeotas do Museu de Marinha e reparei no bote catraio que lá está exposto, pensei que seria este o modelo que ficava a aguardar oportunidade e disposição para eu dar início a um novo trabalho.

Conversei este assunto com o Dr. Paulo Costa que rapidamente procurou, encontrou e me ofereceu um desenho desta bonita embarcação. Era um belíssimo trabalho da coleção Seixas, que como todos é de uma perfeição e rigor inexcedíveis.

Não foi preciso mais nada para me dar a coragem que me andava a fazer falta. Principiei a preparar um plano de formas na escala de 1/25, como me é habitual, para que este modelo possa vir a fazer parte da minha já vasta colecção. É um bonito barquinho de formas perfeitas e como trabalha com velas de espicha vai enriquecê-lo duplamente, pois será o primeiro desta arte.

Agora nada mais era preciso para começar a preparar o estaleiro e procurar nas minhas reservas os pedaços de madeira de limoeiro que me iam permitir fazer a quilha e as rodas da proa e da popa.

Prontas estas peças, chegam os pormenores e o trabalho vai com mais vagar. As escarvas de ligação devem ser perfeitas, para o conjunto ficar resistente, desempenado e certo no comprimento que o modelo tem. De seguida, é o alefriz que vai levar algum tempo para ficar bem graminhado, principalmente no redondo da roda de proa.

Agora, durante a montagem no estaleiro, tudo tem de ser feito com atenção. A quilha deve ficar bem segura, com a roda e o cadaste alinhados e fixados na vertical, para que o barquinho se construa perfeito.

Chegou então a altura de tratar das cavernas e as primeiras são as duas da casa mestra. Como são iguais, são marcadas e serradas ao mesmo tempo e depois de prontas assentes na quilha nos respetivos lugares, marcados previamente, de acordo com a informação retirada do plano de construção.

Com a colocação de mais algumas cavernas para vante e para ré das mestras, o meu bote começa a mostrar as suas formas elegantes e bem proporcionadas.

Aos olhos de quem o observa, as linhas do seu casco parecem ter sido retiradas de algum gabinete de arquitectura naval, traçadas por mestre muito sabedor.

Estou convencido, se hoje esse gabinete tivesse que idealizar uma embarcação de vela e remo, para executar o trabalho de transportar pessoas de um para outro lado da bacia do Tejo, ou passageiros e tripulantes de navios ancorados neste porto, serviço que a esta estava destinado, nada alterava ou modificava nesta pequena embarcação.

O desenho que me orientou é de Francisco Dias datado de 1929, o que me leva a pensar que teriam sido os barqueiros que navegavam nestes catraios, os chamados catraeiros, que reunidos em grupo, formaram a conhecida Companhia dos Catraeiros. Recordo que, era aos Catraeiros que eu fazia a requisição das lanchas e reboques, quando eram necessários para as manobras do meu navio em porto.

Mas voltando ao meu modelo que ficou pronto e afagado a preceito, chegou a altura de começar a preparar o leme, as bancadas e os paneiros. Ainda faltava o mastro do grande, o da catita, o gurupés, o botaló e as varas das espichas, para poder tirar a dimensão e a forma dos painéis da vela grande, da catita e da de estai, que me permitiriam riscar no pano as respectivas velas.

Como este bote usava a arte de espicha (velas em que o punho da pena é esticado por uma vara em diagonal), este plano vélico era também uma novidade para mim e foi necessário aprender. Depois de cortadas, bainhadas, entralhadas e envergadas nos respetivos mastros, foi com muito gosto que verifiquei que o meu trabalho tinha resultado.

Faltava ainda fazer dois pares de remos, uma fateixa, um balde e um vertedouro para o meu bote catraio ficar aparelhado. Resolvi deixar este modelo sem pintura. Dei isolante por fora e por dentro e revesti tudo com recuperador incolor para ficar à cor da madeira. Como sempre, apliquei madeira de limoeiro nas peças estruturais, choupo no costado, tola nas cintas bancadas e remos. Ramos de ameixieira nos mastros e varas. Nas ferragens e âncora, usei cobre. Nas velas e cordame algodão.

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Por estibordo
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De cima…

 

Plano de construção
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Plano vélico
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Gafanha da Nazaré, 3 de Setembro de 2023

António Marques da Silva

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quinta-feira, 31 de agosto de 2023

O "anjinho" na procissão da Senhora da Saúde

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A minha mais antiga recordação deste arraial é uma fotografia, já postada, no terraço do meu palheiro, à época, com dois anos e um grande laçarote na cabeça. A armação da festa comprova a data – fins de Setembro de 1946. Vivia no coração da romaria.

Outra memória, bastante mais forte e de que ainda hoje me recordo vivamente, foi a minha integração na procissão, trajada de anjinho – a primeira e a única vez.

Cá perdura o boneco tirado à la minuta no meu baú, como mandava a tradição.

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O anjinho com 7 aninhos

 

Só que foi uma procissão complicada e agitada, porque durante o seu trajecto, deflagrou um forte incêndio na, à época, Pensão Pardal, na esquina norte da Estrada do Banho.

Alterado o percurso, o susto apoderou-se de todos. As chamas lambiam as outras casas e todos temiam que se propagassem às residências vizinhas. Foi um alvoroço.

Lá vieram os Bombeiros de Ílhavo acudir ao sinistro que poderia ter alcançado proporções gigantescas, dado que as casas da proximidade eram palheiros de madeira ressequida.

Na ausência de data na fotografia, lá fiz algumas diligências para situar a ocorrência no ano certo – foi no domingo da Festa de 1951 (in O Ilhavense de 10 de Outubro de 1951).

Costa Nova, 31 de Agosto de 2023

Ana Maria Lopes

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

Projecto DE NOVO NA TERRA NOVA

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Faz exactamente, este ano de 2023, 25 anos que o NTM Creoula saiu para a Terra Nova, numa das missões mais expressivas que jamais cumpriu.

 

Regresso do antigo lugre aos mares da Terra Nova – in Jornal de Notícias de 9.8.1998


Canadianos e portugueses reaproximam-se

Creoula parte hoje para a Terra Nova – in Diário de Aveiro de 9.8.1998

 

Ílhavo “viveu” a partida do Creoula para a Terra Nova

O Presidente da República, Jorge Sampaio, no dia da largada do Creoula para a Terra Nova

Na tripulação segue grupo de jovens ilhavenses

Os votos são de boa viagem!... in O Ilhavense de 15.8.1998

 

Projecto De novo na Terra Nova junta Portugal e Canadá – in Diário de Aveiro de 15.8.1998

 

Assim se referiram ao acontecimento alguns jornais da época, e muitos mais o citaram. A 6 de Agosto, o NTM. Creoula entrara na nossa barra com diversos e importantes objectivos.

No dia 9 de Agosto, acudiram milhares de pessoas ao cais nº 10 do Porto bacalhoeiro da Gafanha da Nazaré, para viverem a saída do Creoula, com destino à Terra Nova. O Presidente da República, Jorge Sampaio, entre aquela massa humana, dirigiu-se ao navio para cumprimentar o Comandante Júlio Manuel Sajara Madeira, bem como todos os instruendos e Director de Treino de Mar, Capitão Francisco Marques, numa missão igualmente simbólica, já que havia sido o último Comandante do navio, enquanto lugre da pesca do bacalhau, no ano de 1973.

Também a Barra teve um movimento invulgar. A afluência ao Paredão e Meia-Laranja era fora de série. O NTM Creoula, de velas enfunadas, saía a Barra, relembrando as saídas dos antigos lugres com o mesmo destino. Só que a missão era bem diferente!

Muitas embarcações de vários tipos acederam ao convite de acompanhar o antigo lugre-motor, dando à entrada da Barra um aspecto comovente e arrebatador.

Tendo vivido este projecto muito por dentro e acompanhado a viagem muito de perto, inclusive no Canadá, como Directora do Museu, à época, não quis deixar passar a data despercebida, sem aqui soltar as minhas impressões – vinte e cinco anos são passados.

Recordo a divulgação do Projecto, a bordo do Creoula, em 31 de Março, a sua apresentação no Museu, a 15 de Julho, a chegada do navio a 6 de Agosto, a recepção dos participantes, na Câmara Municipal de Ílhavo, a 8 do mesmo mês (dia do 61º aniversário do Museu), e a missa, na Igreja Matriz, a abarrotar de gente, celebrada por sua Excelência Reverendíssima, D. Júlio Tavares Rebimbas, a 9 de Agosto.

Patrícia Dole, Embaixadora do Canadá, à época, lançou a ideia desta viagem, que recebeu o apoio dos dois países.

A 27 de Agosto, saiu, de Figo Maduro, num C 130, uma comitiva de cerca de 15 pessoas de que eu fazia parte, com intenção, de assistir à chegada do Creoula, a St. John`s, a 28 do mesmo mês, dia acinzentado pela morrinha. Durante a aprazível estadia de 4 dias, vários protocolos foram estabelecidos, nomeadamente com o Newfoundland Museum e com a Universidade, entre outros, com troca de lembranças. Recordo a recepção no Palácio do Governador e visita à Catedral.

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Saída da comitiva do aeroporto de Figo Maduro
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Bote do Creoula, oferta dos AMI ao Museu de St. John’s
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No dia 1 de Setembro, partiu o navio com destino à Gafanha da Nazaré, onde chegou a 20 do mesmo mês. A emoção era muita, e um mar de gente esperava, saudosa, os seus entes queridos. O Ministro José Veiga Simão, à época, Ministro da Defesa Nacional, também aguardou a chegada do navio. Ao fim da tarde, tive a honra de fazer uma visita guiada ao nosso Museu, ao Ministro Veiga Simão e à Ministra da Cultura do Canadá, acompanhados por outros elementos da comitiva. E assim se passou um mês e meio de fortes emoções, sempre à espera de notícias e do passa-a-palavra.

Ao contactar “Os Amigos do Museu de Ílhavo”, Patrícia Dole, pedra-chave do Projecto, Embaixadora do Canadá, encontrou nela uma forte aliada e, a partir daí, constituiu-se uma Comissão Executiva, sediada no MMI., formada pela citada Associação (AMI), pela Universidade de Aveiro e pela C.M. de Ílhavo – assim se realizou o projecto DE NOVO NA TERRA NOVA.

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Ana Maria Lopes (in Jornal “O Ilhavense” de 15 de Agosto de 2023

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quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Ainda o aniversário do Museu...

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O 86º aniversário do Museu, além da doação do óleo de Fausto Sampaio pelos AMI, foi celebrado com o regresso da “Barca dos Apóstolos”, depois de um exímio restauro na Universidade Católica do Porto e com a inauguração da exposição “Tenho Barcos na Cabeça” do artista ilhavense João Batel.

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Nesta exposição, o artista pretende mostrar a cultura regional através dos moliceiros, em que, segundo Senos da Fonseca, “o saber da construção lagunar empírica se fundiu com a arte”.

João Batel, natural de Ílhavo, é arquitecto pela Escola Superior das Belas Artes de Lisboa (ESBAL) e é também pintor. O seu precurso artístico conta com inúmeras exposições, individuais e colectivas, no país e vários prémios.

Faz parte do grupo “Aveiro/Arte” e é membro do conselho técnico da Sociedade Nacional das Belas Artes, Lisboa.

Muito criativo, eclético, utiliza variadíssimas técnicas, incluindo a digital, sobre diversos suportes. O conjunto é aliciante.

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Visita guiada pelo Autor, à exposição
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Gentileza de Etelvina Almeida
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Exposição a visitar até 19 de Novembro.

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Costa Nova, 10 de Agosto de 2023

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Ana Maria Lopes

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quarta-feira, 9 de agosto de 2023

AMI enriquece espólio pictórico do MMI, com um FAUSTO SAMPAIO

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Foi adquirido pelos Amigos do Museu de Ílhavo. um quadro de Fausto Sampaio, no Leilão do Palácio do Correio Velho, lote 684, em 19 de Dezembro de 2022.

É um óleo sobre tela, de 1940, em bom estado, datado e assinado; figurativo, o que não é vulgar no artista, e mede 35x47 cm.

Representa uma mulher da ria, simples, rude, tosca, mas de bonito e expressivo rosto, que se insere no espraiado da laguna. Por detrás, vislumbram-se moliceiros, reflectidos nas águas suaves e azulinas, rapando, mansamente, à ria, os seus belos cabelos verdes. Ao longe, montanhas com capelinha e casario de um branco puro.

A intenção era oferecê-lo ao Museu, neste 8 de Agosto de 2023, no seu octogésimo sexto aniversário e assim se cumpriu esse desígnio.

 

Mulher da Ria

Esta pintura veio aumentar o espólio do MMI., no que concerne a Fausto Sampaio, pois veio associar-se a dois óleos do mesmo autor, um que retrata a Costa-Nova antiga, zona de palheiros e ria, datado de 1933, também oferta dos AMI e outro, já existente há uns anos no Museu, e restaurado em 2005, também intitulado Costa-Nova, óleo sobre tela, de 1939, de tons róseos inebriantes e luzentes, que retrata a zona lagunar e os sempre elegantes e cromáticos moliceiros, que ressurgem da neblina.

Fausto Sampaio (1893-1956), natural de Anadia, surdo-mudo desde a infância, notável pintor contemporâneo, foi discípulo de Jules Renard, tendo frequentado as academias de Paris. Expõe, pela primeira vez, em Lisboa, no ano de 1930.

Fausto Sampaio distinguiu-se como grande paisagista. Exprimia profundos sentimentos pela natureza, brilhou pelo uso apurado da cor e pela predominância das atmosferas embaciadas ou luminosas. Foi inexcedível na representação das terras do Vale do Vouga e foi um dos mestres do pintor ilhavense Cândido Teles, a partir de 1939, que dele terá perfilhado o gosto pelas representações pictóricas dos coloridos moliceiros da Ria de Aveiro. Está representado em vários museus nacionais e famosas colecções particulares.

 

Costa Nova, 9 de Agosto de 2023

Ana Maria Lopes

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