terça-feira, 8 de março de 2016

Manuel Tavares - um aguarelista a fixar...

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Não passei estes dias de Carnaval cinzentão, pelo menos por cá, só a dar-me o prazer de me rever mais jovem e a desfilar em corsos. Águas passadas não movem moinhos – diz o povo e com razão.
Também «escodrinhei o baú» da pintura. Depois de ter terminado um sucinto post sobre o aguarelista ilhavense Hipólito de Andrade, vieram-me à mente, também umas aguarelas de Manuel Tavares, que não sendo ilhavense nem aveirense plasmou a nossa bela região lagunar com pinceladas muito «suas». Manuel Tavares conhece-se à distância, mas muito pouco de concreto de sabe da vida dele.
Em 1979, na então galeria Grade, sob a tutela de Zé Sacramento, houve, entre 19 de Maio e 3 de Junho, uma exposição de homenagem a Manuel Tavares.
Neste pequeno catálogo, depõem algumas pessoas que o conheceram, de que respiguei algumas palavras, mas muito pouco se continua a saber sobre o artista.
Nasceu em Oliveira de Azeméis em 1911 e morreu em 1974 (?).
Pintor e aguarelista, pai de Manuel Ferreira, nascido em Aveiro, também pintor, de um hiper-realismo estonteante, residente pelos Estados Unidos – soube-o numa galeria do Porto.
Porquê interessar-se o Marintimidades por Manuel Tavares? A ver vamos.
Autodidacta, com tendência para a vida boémia, saltitou de terra em terra, esquissou aguarelas em varadíssimos lugares. Segundo Mário de Oliveira, crítico de arte, o artista foi dos maiores aguarelistas nacionais, pincelando a aguarela, com espontaneidade e grande impulso emocional.
Tem lugar ao lado dos grandes aguarelistas nacionais tais como Alberto de Souza, de quem foi grande admirador e de que são visíveis algumas influências.
Aguarelista de ambientes rurais, foi dos ambientes urbanos (Lisboa, Porto Aveiro), que nos deixou os melhores clichés. E, para mim, é o pintor da água, de céus azuis que nos retrata as marinhas de Aveiro, os moliceiros lagunares, os saleiros no canal de S. Roque e as redes a secar na Costa Nova, que mais me encanta. Tinha de ser.
O «nosso» Cândido Teles, referindo-se a Manuel Tavares, disse que foi ele o primeiro aguarelista que vi interpretar os motivos da nossa ria, facto que me causou forte impressão e constituiu grande incentivo no começo da minha vida artística.
Na altura, MT já trabalhava com certa desenvoltura os temas que vieram a ser a sua predilecção: os palheiros do bairro piscatório do sul da Costa Nova, as bateiras da chincha e os moliceiros afundados nas águas calmas.
Mas, o que mais impressão me causou era o modo como o pintor conseguia obter os seus céus tão luminosos e as suas águas tão transparentes.
Mais do que dizer mais, mais vale contemplar alguns exemplares, que tenho à mão:

Marinhas de sal. MMI. 1941

Secando as redes. MMI. 1941

Moliceiros na Ria de Aveiro. 1960
(em leilão)
 
Aparecem com alguma frequência quadros de Manuel Tavares, em antiquários ou leilões.
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Ílhavo, 9 de Fevereiro de 2016
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Ana Maria Lopes
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2 comentários:

Anónimo disse...

No prosseguimento de quanto de belo aqui nos trouxe com tão luminosas aguarelas de Manuel Tavares, lá fomos na «esteira» da Drª Ana Maria, navegando pela net em busca de algo mais, sobre a obra de Manuel Tavares.
De entre tantas e magníficas pinturas, recordamos aquela fabulosa série dos calendários, que em meados do século passado eram editados pela falida (mais uma...) Empresa Fabril do Norte, aqui da Senhora da Hora.
Parabéns!
Al bino Gomes

Pedro Araujo disse...

Tenho um original moliceiros na ria de Aveiro num dia de Nevoeiro deve ter sido comprado pelo meu Pai no inicio dos anis 60 em Lisboa.