quarta-feira, 12 de junho de 2013

Afundou-se o vapor CATALINA

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A nossa terra foi em determinadas épocas, e os primeiros anos da década de 40 foram uma delas, assolada por terríveis naufrágios que deixaram casas com pobres famílias na orfandade. Mais morte… por Ílhavo, em consequência de naufrágios? É mesmo o que queremos dizer.
Perante uma notícia vaga, vinda de St. Jonh’s da Terra Nova sobre o desaparecimento do vapor Catalina, reinou a tristeza, a comoção e a ansiedade, nesta nossa vila maruja – relata O Ilhavense de 1 de Fevereiro de 1942. O brutal acidente do Maria da Glória, do Delães, em 1942, do Santa Irene, do Pádua, em 1943, e tantos mais, encheram páginas dos jornais.
 
 
 
A tripulação do Catalina era de 18 homens, dos quais, dez eram ilhavenses, a saber:
José Fernandes Matias, imediato, João Nunes dos Santos (o Silveira), piloto, Manuel Pereira Lamarão, contramestre, Tomé dos Santos Panela (o Romeiro), Manuel São Marcos, Luís Francisco da Madalena, António Ferreira Carrapichano, marinheiros e Ângelo Ferreira, ajudante de cozinheiro e João Francisco Bichão, moço de câmara.

O Catalina tinha saído do Porto para a Terra Nova, onde ia buscar bacalhau frescal. O seu comandante, nosso conterrâneo, Sr. José Francisco Bichão, adoecera, tendo recolhido a um hospital local. O imediato, José Fernandes Matias (o Cajeira) ocupou o comando do navio, tendo saído de Fortune Bay a 14 de Janeiro – não mais houve notícia dos nautas e seu navio. Temporal, icebergs, consequências da guerra?
O Catalina, juntamente com o Ourém, pertenciam a uma empresa de navegação com sede no Porto, C. A. Moreira & Cª., Lda., utilizados no serviço comercial, com destino à Terra Nova, Islândia e Groenlândia. Paralelamente, escalavam portos no norte da Europa com eventuais viagens para Cuba, assegurando o transporte de açúcar, para os portos nacionais.
Ex-Kilkeel, ex-Falconer, o Catalina tinha um comprimento fora a fora de 55, 50 metros, 9,08 de boca e 4, 70 metros, de pontal. Eram muito raras, senão inexistentes, fotos do Catalina. Chegaram-nos às mãos (via Canadá) as duas que publicamos.
 

CATALINA

 
Fortaleceram mais o desejo de postar a notícia de há 70 anos, dando-lhe uma nova vida (ou morte), já que tanto de trágico teve a ver com Ílhavo.
Em site, muito mais tardio, é evidente, mas fiável, tivemos conhecimento de que o navio fora torpedeado na posição 47º 15’N| 52º 15 ‘ W pelo submarino alemão o U-203, em 15 de Janeiro de 1942, quando de viagem de Fortune Bay para St. John’s na Terra Nova. Não houve sobreviventes.
 
Fotografias oferecidas por Aníbal Paião
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Ílhavo, 12 de Junho de 2013
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Ana Maria Lopes
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5 comentários:

Marieke disse...

muito bom ...como tudo o que escreves

Torrão Sacramento disse...

Boa noite Sra. Dra. Ana Maria Lopes. Penso poder haver uma pequena gafe no nome de José Fernandes Martins (Tripulação), logo no início. Não será, mais exactamente, "Matias"?
Cumprimentos,
T. Sacramento

Maria Emília Castro disse...

Tempos muito difíceis!

Ana Maria Lopes disse...

Sr. Sacramento:
Muito obrigada. Ainda aqui tinha à mão todos os elementos em que me baseei. A letra era um pouco ilegível, mas, é, de facto, Matias.
Mais uma vez, agradeço a observação. Cumprimentos.

Anónimo disse...

Neste navio desapareceu o pai do capitâo João Laruncho de São Marcos, conforme se pode ler-se no livro " Memórias de um pescador".

Ricardo Graça Matias