sexta-feira, 26 de julho de 2013

Uma janela para o sal - IV

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A pôr vieiros...


É com precisa geometria de saber feito, que se traçam os meios, ao eixo, num riscado de torrões de lama, velha e ressequida das anteriores safras.
 
 
 
 
Põem-se os vieiros, enchem-se com novas areias, alisam-se, calcam-se, endurecem-se...
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Gente do sal retira e acarreta tudo o que restou e se criou no alagamento, para depois repor areias novas.
E num corridinho de homens e mulheres, de canastra à cabeça, equilibrando-se por estreitas tábuas, carrega-se a tão almejada areia do malhadal para os vieiros.
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A areia, essa, espalha-a, a jeito, o robusto moço, a mesma que o marnoto, com o seu saber, alisa e calca.
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Marnoto que labutas  na marinha, e que fastidioso trabalho é o teu!
Ora  cortas e remexes, ora rapas e carregas, para depois encheres, alisares e endureceres os vieiros por onde os rapões passarão vezes sem conta, juntando, sem misturar, o puro ouro branco.
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Nota – Para esclarecimento de linguagem técnica, consultar GLOSSÁRIO de Diamantino Dias.

Imagens | Paulo Godinho | Anos 80

05 | 06 | 2013

Texto | Etelvina Almeida |Ana Maria Lopes
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2 comentários:

Maria Emília Castro disse...

Obrigada por mais um capítulo! Belas imagens e bom texto!

Ana Maria Lopes disse...

Olá:

A Etelvina e eu agradecemos a gentileza. Vamos continuando. Esperamos levar a «safra» a bom termo.