quarta-feira, 15 de julho de 2015

Em tempo de «artes» – a majoeira

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Rosa Maria Allbernaz defende a pesca «majoeira»

No dia 12 passado recente, no Diário de Aveiro, saiu uma pequena notícia de que o título me chamou a atenção – Rosa Maria Allbernaz quer maior defesa da pesca majoeira.
Em tempo de «Artes», o nome chamou-me a atenção. Majoeira? Antes de ler, veio-me à cabeça rapidamente uma série de processos ou sistemas de pesca iniciados por M: – megiganga ou mugiganga, merejona ou merujona, mugeira, murgeira ou mujeira, nomenclaturas estas, consideradas variantes regionalistas.
Consultando o mais recente glossário sobre  bateiras  e artes lagunares, que, gentilmente, me foi depositado entre mãos, o termo não estava presente. Não podia ser. Mas, entretanto, fez-se-me luz e lembrei-me – isto não é uma arte lagunar, mas sim, marítima.
Rapei da minha tese, que tem os seus defeitos e algumas virtudes e lá vinha o vocábulo no glossário – majoeira. Alto, estamos em casa. Não gosto que a memória me falhe. Ninguém gostará.
Rosa Maria Albernaz, deputada socialista, no artigo do DA, defende a revisão da regulamentação da pesca com redes majoeiras, recordando que «há muito, os pescadores se batem pela pesca da majoeira, uma pesca tradicional» e assinalando que «as recomendações apresentadas são poucas, mas muito relevantes, porque visam ultrapassar as dificuldades crescentes que os pescadores enfrentam, nomeadamente a sua frágil situação económica». Chamou a necessidade de que a actividade não seja exercida sen um mínimo de segurança, bem como não tenha de ter restrições aos sábados, domingos e feriados, porque o que condiciona o uso da rede são as marés e, sobretudo, o estado do mar. Ainda era pedido o alargamento da pesca da majoeira, a toda a jurisdição marítima das Capitanias dos Portos do Douro, de Aveiro da Figueira da foz e da Nazaré».
Por aqui me fico relativamente à notícia e à arte, para não saturar os leitores. Tenho conhecimento de que essas artes são praticadas aqui na nossa zona costeira da Costa Nova. Só que acho que ninguém fica com uma ideia, sucinta que seja, do que é a pesca da majoeira.

Na zona de Quiaios
Mergulhando, de novo, na minha tese de 1975, baseada em inquéritos dos anos sessenta, lá diz, nas pp. 234 e 235. Há quanto tempo ando mergulhada nas artes!....da costa ocidental e algarvia.
A majoeira é uma rede de três panos, tresmalho, portanto, com as duas albitanas e o pano central, interior, de maior altura e malha miúda. As normais tralhas, a superior e a inferior, ou seja, a das cortiças e a dos chumbos (antigamente, pandulhos), prolongam-se, formando uma forcada, a que se prende uma estaca de cada lado.
Para o seu lançamento, vai um homem, na baixa-mar, com água pelo peito, perpendicularmente à linha da costa, espetar as estacas que a terminam, de um lado e do outro, servindo-se do repuxo (vara ferrada nas pontas) e do maço, cilindro de madeira, para as enterrar com segurança. Isto se o fundo for limpo. Se for de pedra, amarram as forcadas a quaisquer saliências da rocha.

Na zona de Quiaios

Imagens do Google
Costa Nova, 15 de Julho de 2015
Ana Maria Lopes

1 comentário:

Jose Rasquinho disse...

Gostei da explicação! Obrigado.