Já um pouco por acréscimo, Marques da Silva tentou-se a miniaturizar mais um exemplar de uma bateira da nossa região, que foi levada para outras terras – neste caso, Afurada (à beira Douro).
Aquando, nos anos 60, por lá andei (por terras da Afurada), em pesquisas, viam-se muitas bateiras deste tipo. Pena é que fosse já no alvorecer dos motorzinhos de popa em detrimento da vela e, como tal, já não me tivesse sido possível apreciar o tipo de vela, nem o elegante leme de porta alongada e cana, para seu governo.
Em consequência disso, a popa suportava um acanhado corte, em que o pequeno motor de popa se fixava.
Bateiras na Afurada, nos anos 60.
A bateira da Afurada é, sem sombra de dúvida, uma embarcação levada pelos pescadores da Murtosa, para trabalharem no rio Douro.
As suas formas airosas e o tipo de construção mostram bem a grande semelhança com a bateira de bicas, que ainda hoje é utilizada pelos pescadores da Torreira, na Ria de Aveiro.
Aspecto geral
Certamente, a proximidade da Póvoa de Varzim motivou a utilização da vela de pendão de amurar a vante, a chamada vela poveira, que lhe deu mais possibilidade de navegar de bolina (vd. embarcação poveira, em segundo plano, na primeira foto).
Pormenor da proa
Para melhor facilidade de manobra, o leme passou a ter uma porta maior e mais funda, sendo o xarolo com gualdropes, substituído por uma cana de leme.
Pormenor da popa e leme
São estas alterações que se verificam em relação às suas irmãs murtoseiras da Ria de Aveiro.
As dimensões encontradas foram:
Comprimento ………….…..+- 8.00 metros
Boca……………….……....+- 1.90 metros
Pontal…………………........+- 0.60 metros
Número de cavernas…………..…….. 17
Construi o meu modelo desta bateira baseado no levantamento efectuado pelo Arquitecto Simões Dias, do Arquivo de Arqueologia Naval do C. E. E.
Utilizei a escala de 1/25 como nos trabalhos anteriores. Apliquei madeira de limoeiro no cavername, choupo nos costados, tola nos remos e ramos de ameixieira no mastro e na verga.
Para a vela usei pano de algodão e para a fateixa arame de cobre.
Foi pintada de preto, embora também surgissem algumas embarcações destas de cores claras.
Lisboa, 25. 2. 2011
António Marques da Silva
E parece-me que será esta a última das doze miniaturas de bateiras da Ria de Aveiro que MS projectou e construiu. O Marintimidades divulgou-as a todas, podendo constituir, no seu conjunto, uma pequena lição de modelismo naval.
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Fotografias – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 30 de Maio de 2011
Ana Maria Lopes
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