sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Atlântico - Navio perdido e imagem encontrada

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Repescando…O lugre Atlântico naufragou por encalhe a sul da barra de Aveiro, em 30 de Outubro de 1925, por motivo de avaria no leme, tendo sido salvos todos os tripulantes.
Quando em post de 12 de Maio de 2009, AtlânticoNavio Perdido…, narrei o acidente, recordando o ex-Dolores, lamentei o facto de não ter encontrado nenhuma foto do encalhe.

Com a vazante da maré, iniciaram-se os trabalhos de recuperação dos salvados e de grande parte da carga, constituída por 2 200 quintais de bacalhau.

Ao local acorreram milhares e milhares de curiosos, de Ílhavo, Aveiro, Gafanhas, Costa-Nova, para verem o navio naufragado.

Pena é que entre tantos “mirones”, nenhum tivesse feito disparar a objectiva, de modo a que um documento visual tivesse chegado, hoje, até nós, para enriquecer a narrativa, já por si, tão forte e impressionante! – manifestava eu.

Eis que há dias o Amigo Reimar me presenteou com uma foto surpresa com o Atlântico encalhado. Quem espera sempre alcança.


In O Comércio do Porto


Fotografia amavelmente cedida por Reinaldo Delgado
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Ílhavo, 26 de Novembro de 2010
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Ana Maria Lopes
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domingo, 21 de novembro de 2010

A bordo...

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Pelos vistos, a bordo, também se brincava… Para a época (entre 1952 e 70), esta menina tão «sexy», pintada em vela de dóri, a bordo do Capitão João Vilarinho, não estava nada mal – atractivo decote, arrojada mini-saia e bota alta preta!!!!!!!!!!!!!

Que frio!!!!!!!!!!!!!!!

A bordo…

Fotografia – gentil cedência de J. P. Andrieux

Ílhavo, 21 de Novembro de 2010

Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Apontamentos... sobre o painel do Gil Eannes, de Domingos Rebelo - 2

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Mas, acontece que em 1955, aquando do bota-abaixo do navio-hospital, foi editada em Lisboa uma brochura alusiva ao acto, que se tornou numa raridade bibliográfica.
Reproduz o óleo, com aparência praticamente igual, mas com algumas diferenças de pormenor:

Reprodução da obra, na citada brochura

Atentem, de novo, nas casinhas do bairro piscatório.
Notam alguma dissemelhança? Exercício de concentração… As casinhas, situadas em pleno terreiro, não têm a beleza nem a frescura dos jardins floridos.

Onde quererei chegar? Tem sido um percurso comparativo, minucioso e demorado…

Mas, entretanto, outra luta começara a ser travada pelo Presidente dos Amigos do Museu, que, em 1995, descobrira um segundo quadro de maiores dimensões (1,55x3,55 m.), praticamente igual, no Ministério do Mar, em Pedrouços, sendo Secretário de Estado das Pescas Marcelo de Vasconcelos.

Em 2002, redescobriu-o no Salão Nobre do Ministério da Agricultura e Pescas, no Terreiro do Paço, sendo então Ministro, o Engenheiro Sevinate Pinto.
A luta continuou. A burocracia era muita.

Aquando da tomada de posse do Ministro Costa Neves em Julho de 2004 e descentralização de certos serviços estatais, o referido quadro foi deslocado para a Secretaria de Estado e Desenvolvimento Rural, na Golegã, donde veio para o Museu de Ílhavo.

Em 23 de Janeiro de 2005 foi feita a entrega solene, a título de depósito, do quadro maior, denominado Família Piscatória (pela primeira vez é-lhe atribuído um título), ao Museu, pelo Ministro da Agricultura, através de um protocolo entre o Ministério da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e a CMI, em que o Senhor Ministro referiu a intervenção persistente, durante 9 anos, de Aníbal Paião (Cfr. O Ilhavense de 1 Fevereiro de 2005).
E lá está exposto, desde essa altura, à esquerda, à entrada da Sala Capitão Francisco Marques.
E, então, que diferenças tem?
Pelo tamanho do quadro e questões técnicas, apenas consegui uma foto de pormenor da obra, com enfoque no que pretendia provar:

Pormenor das tais casinhas do bairro de pescadores

Então, qual a razão da existência de dois quadros, perfeitamente idênticos?

Como justificar as diferenças de pormenor nesta zona?

Na brochura sobre o Gil Eannes, editada em 55, que já referimos, surgiu uma reprodução do painel, com as casinhas de pescadores sem muros, nem jardins.

1. Terá o autor elaborado previamente uma aguarela ou gouache com as pequenas habitações sem muretes, que lhe terá servido de suporte aos trabalhos a óleo de grandes dimensões? É possível…mas desconhece-se o seu paradeiro.

Sendo Domingos Rebelo (1891-1971) supostamente considerado um pintor de regime e, tendo sido estas obras encomendas de Estado, é perfeitamente natural que alguma personalidade do governo de então lhe tivesse feito ver que as casinhas tinham que ser alindadas, adornadas com jardins floridos, para passar a mensagem que o Estado Novo sempre pretendeu fazer passar do bem-estar reinante entre a classe piscatória.
No quadro de maiores dimensões, até porque há mais espaço físico, as pequenas habitações têm ainda, em frente, canteiros verdejantes (Foto anterior, de pormenor).
Nesta imagem, uma observação detalhada acusa que o óleo maior sofreu, numa fase ligeiramente posterior, alguns repintes, nesta zona. Nota-se sob o muro, o traço primitivo só da casa.

2. Porquê a encomenda de dois quadros ao mesmo pintor, com a mesma data?

O de menores dimensões, temos a certeza, foi criado para decorar o Salão dos Oficiais do Gil Eannes.
O outro, pelo trajecto sofrido, imagino que terá sido uma obra para adorno de gabinete governamental.

3. Apesar do mesmo autor e ano, um terá sido original e o outro, cópia. Terá sido feito, primeiro, o destinado ao navio?
Imaginemos que sim. Este, apesar de menor, que, presentemente se encontra nas reservas do Museu, tem uma existência bem mais marcada por emoções e afectos, porque navegou durante cerca de vinte anos no navio-hospital da frota bacalhoeira (1955 – 1973).
É uma obra extremamente reproduzida em postais, brochuras, catálogos e livros, surgindo, nas três alternativas apontadas (sem muretes, nem jardins [1ª versão], com muros e jardins [2 ª versão] e ainda com canteiros exteriores floridos [3 ª versão]).

Um estudo de pigmento (cromático), conduzir-nos-ia a uma data exacta dos repintes, bem como do original e da cópia. Não me atrevo a exigir tanto…
Mais haveria a dissertar e a descobrir, mas chega de martirizar quem, porventura, teve a paciência de nos ler.

Fotografias de arquivo e gentil cedência do MMI

Ílhavo, 8 de Outubro de 2010

Ana Maria Lopes
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domingo, 14 de novembro de 2010

Apontamentos... sobre o painel do Gil Eannes, de Domingos Rebelo - 1

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Confesso que ando para dar corpo a este texto desde que criei o Marintimidades, mas vai ficando…, vai ficando, até que hoje veio a lume, neste dia invernoso de começo de Outono.


Interessará, possivelmente, a um número diminuto de leitores, mas despertou-me a curiosidade a mim, e creio que clarifica alguns pormenores, desconhecidos de outros, acerca do «Painel do Gil Eannes», existente no MMI.

Acontece (não será muito vulgar), que o MMI possui, no seu espólio, não um, mas dois quadros a óleo, muito idênticos, de grandes dimensões. Ambos assinados pelo por Domingos Rebêlo (assim assinava o artista), com o mesmo motivo, a mesma datação (1955), diferentes dimensões, com o mesmo tipo de suporte, platex, com finalidades diferentes…e alguns pormenores também distintos.

E se bisbilhotássemos e tentássemos clarificar?

Durante o ano de 1990 (tomara posse a 23 de Novembro), foi-se trocando diversa correspondência entre a CMI e a Comissão Liquidatária da Ex-CRCB, através da qual o Presidente da CMI manifestava o desejo de o painel decorativo da Câmara dos Oficiais do navio Gil Eannes, da autoria de Domingos Rebelo, 1955 (1,21x2,54 m.), alusivo à assistência que a Organização Corporativa prestara aos pescadores e suas famílias, passasse a integrar o espólio do Museu de Ílhavo.

Como elegia, que é, da pesca do bacalhau, com toda a gente que a serviu e rodeou, é uma obra que muito interessava ao acervo do Museu.

Depois de alguns contratempos e dificuldades, a 25 de Agosto de 1990, o Administrador Liquidatário da referida instituição comunicou à Direcção do Museu que a Direcção Geral do Património do Estado autorizara a entrega do quadro em causa ao nosso Museu, tendo dado entrada a 2 de Novembro de 1990.


O óleo de D. Rebelo, incorporado no MMI

Não fora incorporado na já arquitectada exposição temporária Faina Maior (inaugurada a 28 de Novembro de 1992), mas sim exposto a 2 de Abril de 1994, aquando da Reabertura do Museu com a Faina Maior transformada em exposição permanente, até ao encerramento temporário da instituição para remodelação (Agosto de 1999).

Reparem bem no exterior das casinhas do bairro de pescadores, à esquerda.

O óleo em exposição – 1994

Este mesmo óleo esteve exposto no  átrio do remodelado edifício, a partir de Março de 2002 e foi integrado na Exposição Estética e Ideologia da Faina Maior – 1º Acto, na Sala de Exposições do MMI, entre 2 de Agosto e 30 de Setembro do ano de 2003.


Convite


O pescador do bacalhau no seu ar místico e grandioso (figura central do quadro), mais parece um santo. É um antigo pescador de Vila Franca do Campo, Manuel Cafua, que foi modelo de alguns trabalhos de Domingos Rebelo.

(Cont.)

Ílhavo, 8 de Outubro de 2010

Ana Maria Lopes
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sábado, 6 de novembro de 2010

A Bateira do Mar «Carlitos»

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Nos princípios do mês de Agosto, vindo de Lisboa, o Amigo Marques da Silva mimoseou, por enquanto, a sua própria colecção de modelos com mais uma elegante e requintada miniatura. Ei-la:

A bateira do mar «CARLITOS», oferecida em 1985 ao Museu de Marinha pela companha «Os Marretas» do Torrão do Lameiro, é uma airosa embarcação, em tudo semelhante ao barco do mar de dois remos, mas de menores dimensões.


MMBateira do mar Carlitos

Temos conhecimento da existência de bateiras do mar nas companhas de pesca das praias da Beira Litoral, referidas no livro Os Saveiros do Dr. Manuel Leitão.
 
Contudo, os meus quase oitenta anos não me deram oportunidade de ter visto estas bateiras a trabalhar, mas eu também não conheci a praia do Torrão do Lameiro, que fica entre a Torreira e o Furadouro, no concelho de Ovar.

Vi bateiras do mar a pescar na praia de Esmoriz em 1958, com a rede de mugiganga, para apanhar camarão, mas mais pequenas e mais leves do que a «Carlitos».

Na recolha efectuada pela Dr.ª. Ana Maria Lopes para o seu livro O Vocabulário Marítimo Português…, encontramos, na página 108, a fotografia de uma bateira do mar, na praia da Costa Nova. Esta imagem é sem dúvida a do tipo de bateira que eu recordo, muito parecida com a que vi em Esmoriz.

Tenho também na memória as «bateiras de ir ao mar», que, em miúdo, via chegar à praia de S. Jacinto, carregadas de caranguejo, o chamado «pilado».


Marques da Silva inicia o modelo

Na minha lembrança só ficou gravado que eram grandes, mas muito parecidas com as da ria que andavam à «chincha». Nunca as vi com vela ou vara. Deslocavam-se sempre a remos e com mais que dois remadores em cada remo.
 
As pinturas eram mais ou menos decorativas dependendo do gosto do arrais.

Noutro areal…

 
Na construção do modelo desta bateira, apliquei madeiras de tola no fundo, choupo nos costados, limoeiro nas cavernas, nas rodas de proa, de popa e bancadas. Nos remos, usei madeira de tola e nas ferragens da borda e nos escalamões, arame de cobre.


Pormenor

A escala é de 1/25, por ser a que entendi mais conveniente. Para o desenho de construção deste modelo, fiz um levantamento cuidadoso da bateira «Carlitos» que se encontra no Museu de Marinha e que tem as seguintes medidas:

 
Comprimento……………………………9.20 m


Boca……………………………………. 2.15 m


Pontal…………………………………....0.80 m


Número de cavernas. …………..…………18

Caxias, 01. 08. 2010

António Marques da Silva


Fotografias – Autora do Blog

Ílhavo, 5 de Novembro de 2010

Ana Maria Lopes
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domingo, 31 de outubro de 2010

Embarcações lagunares...em 1950

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Neste dia 31 de Outubro, em que todas as notícias amarguram, dia triste por natureza, em que o vento e a chuva de um dia invernoso, em pleno Outono, ajudam a complementar o cenário, que fazer, que, de alguma maneira, distraia das intempéries?

Tive o privilégio de ter ao meu alcance fotografias de Alan Villiers, relativas à Campanha do Argus, em 1950, para observar, comparar e tratar. Entre elas, esta chamou-me a atenção, e o cenário, ao autor, pelos vistos, também.
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A nossa Ria, na Gafanha da Nazaré, em 1950!

O tempora! O mores!
Que espectáculo!
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Não queria, por vezes, ser tão saudosista, no sentido algo negativo que, por vezes, querem atribuir ao termo.

Mas, hoje, já que se festeja o Halloween, ou, mais portuguesmente falando, o Dia das Bruxas (yo no creo en las brujas, pero que las hay, las hay), gostaria de ter poderes mágicos, que me permitissem, por instantes, rever a «nossa» Ria de outros tempos.
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Desfeito o feitiço, lá voltaria ao presente... presente este...com que futuro?
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Imagem – Alan Villiers
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Ílhavo, 31 de Outubro de 2010

Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Marinha Portuguesa - Nove Séculos de História

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Ao fim da tarde de ontem, numa das mais nobres zonas de Lisboa, frente ao Tejo, teve lugar, no Museu de Marinha, a cerimónia do lançamento do livro da autoria do seu Director, Comandante José António Rodrigues Pereira, «Marinha Portuguesa – Nove Séculos de História», dado à estampa pelas Edições Culturais da Marinha, em aprimorada publicação de iconografia abundante.

Na presença do Senhor General Ramalho Eanes, Presidente da Comissão de Defesa Nacional, Dr. José Luís Arnaut, do Secretário de Estado da Defesa Nacional e dos Assuntos do Mar, Dr. Marcos Perestrello, do Chefe do Estado-Maior da Armada, Almirante Fernando Melo Gomes, e de outras autoridades, um vasto e atento público assistiu à sua apresentação pela professora Doutora Manuela Mendonça, Presidente da Academia Portuguesa de História, no Pavilhão das Galeotas, entre a rusticidade das embarcações tradicionais e a nobreza das embarcações reais.


Autor e apresentadora

Como refere o autor: Hoje, como antes, o Mar permanece como elemento fundamental para o futuro do País. Assim foi no Século XX com a criação da ZEE, assim será no Século XXI com a concretização do projecto de alargamento da plataforma continental, sempre com a Marinha na nobre missão de garantir aos portugueses o uso do seu mar.

A História da Marinha é uma História de Portugal vista do mar porque não é possível dissociar o Mar dos acontecimentos fundamentais da História do país.

Como afirma o Almirante Melo Gomes no Prefácio, a sua falta era sentida não só pelos marinheiros como pelos historiadores e investigadores que agora passam a dispor de uma obra de referência que apresenta também uma importante iconografia relacionada com o nosso passado.

Correspondendo a um desafio lançado pelo CEMA, em 2003, esta obra é o culminar de um processo de investigação iniciado pelo Comandante Rodrigues Pereira sobre a História da Marinha ao longo de nove séculos, que durou sete anos de pesquisa.

Neste livro de 643 páginas, reúnem-se, pela primeira vez, os acontecimentos mais importantes da nossa história marítima e o que representam para Portugal.

O Comandante Rodrigues Pereira entrou para a Escola Naval a 01 de Setembro de 1966 e especializou-se em electrotecnia em 1971-72, durante o seu percurso na Marinha. Prestou serviço em diversas unidades navais e em terra. Passou à reserva por limite de idade em 2005 e desde 07 de Fevereiro de 2006 é Director do Museu de Marinha.

Após a cerimónia, teve lugar a habitual sessão de autógrafos.


Rodrigues Pereira autografa o livro a Aníbal Paião

Além de ensinamentos que sempre se colhem, esta cerimónia proporcionou excelentes momentos de convívio entre os convidados.

Ílhavo, 28 de Outubro de 2010
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Ana Maria Lopes
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