sábado, 23 de janeiro de 2010

Desafio...6...E este, hein?



E se, com este fim-de-semana cinzento de Janeiro, em que nem chove nem faz sol, os apaixonados pelos nossos veleiros se entretivessem a pensar que lugre teria sido este?
Poderão, inclusivamente acrescentar-me alguns pormenores àquilo que já sei.

Ao mesmo tempo, aguardarei com expectativa a chegada das vossas propostas.

Vamos, então, jogar à batalha naval? Arrisquem sem receio, porque também não está uma grande fortuna em risco.
Além do mais, como a foto é antiga, deu-me a oportunidade de treinar um pouco de photoshop, enquanto lhe tirava, só, as maiores sujidades e sinais do tempo.
Vamos aos palpites! Não desanimem!!!



Fotografia – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 23 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O lugre-motor Milena (II)

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Durante os anos de 1940 e 1941, o navio efectuou viagens de comércio, tendo regressado à pesca na campanha de 1942.


Cena de mau tempo…


Nele embarcaram os capitães António Augusto Marques, o Capitão Marcela (1936 até 1945), Tude Brito Namorado (1946 a 1948), João Fernandes Matias (1949 até 1951), Carlos Augusto Castro (1952 a 1955) e Joaquim Marques Bela (1956 a 1958).

No cais de St. John’s, em 1946, Tude Namorado e António Pascoal


Foi seu piloto, nas viagens de 1946 e 47, o Sr. Capitão Pascoal, que me cedeu algumas das fotografias notáveis, que utilizo.

Pormenor de bordo…

Naufragou, por motivo de alquebramento, no Virgin Rocks, Terra Nova, a 7 de Agosto de 1958, com ele tendo naufragado o avô do meu interlocutor.

Velame


Ainda hoje diz com muita piada o último Capitão que só conseguiu um carregamento completo quando o navio abriu as tábuas, se encheu de água e foi ao fundo, em 1958.

Imagens – Gentilmente cedidas pelo Sr. Capitão Pascoal e pela Fotomar.

Ílhavo, 21 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes

domingo, 17 de janeiro de 2010

O lugre-motor Milena (I)



Nunca foi minha intenção tratar o lugre Milena, mas, por alturas do Natal recebi um e-mail de um tal Emílio Gomes do Novo, confidenciando-me que era neto e filho de pescadores do bacalhau e que seu avô fizera a sua última viagem, na última do lugre-motor Milena.

Entrada no Porto de Leixões – Fotomar


Ao navegar pela internet, continua, confessa-me que encontrou o meu blog Marintimidades e que prazer e emoção teve ao ler um artigo de 18 de Novembro, Desafio…4… em que aparece uma foto do Milena e, principalmente, quando leu os comentários do Sr. Luís Filipe Morazzo.

À saída da barra de Aveiro – Arquivo H. R.


Era tão pequenino, quando vi o Milena – revela-me.
Actualmente, vive em França desde 1963, mas ainda tem algumas saudades e muito gostaria de encontrar fotos do Milena, se possível, com velas.

Para mais, em alturas de Natal, a sua comunicação sensibilizou-me; também neta de capitão bacalhoeiro, em agrestes tempos, enviei-lhe uma primeira foto do seu navio preferido, agradecendo-lhe e retribuindo os votos de Bom Natal e prometendo-lhe que, no início do Novo Ano, lhe dedicaria um post com o principal da história do Milena e com algumas boas imagens do seu quotidiano, que conseguira em buscas anteriores.

Popa do Milena


A história dos navios faz-se assim, agrupando, aos poucos, pequenos “puzzles”. A pouco e pouco lá vão aparecendo registos de grande valor histórico.
É por isto e pela nossa memória colectiva, que vale a pena continuar as pesquisas.
O imponente Milena, lugre de madeira, foi construído em Bagdad Ship Building Co., Milton, Florida, E. U. A., em 1918.
Foi o ex “Burkeland”, pertencente a J. A. Merritt & Co., Pensacola, Florida, entre 1918 e 1935.

Adquirido em Génova pela Indústria Aveirense de Pesca, Lda., de Aveiro, iniciou a actividade de pesca em 1936.
Com um comprimento de fora a fora de 60,89 m, entre perpendiculares, de 55, 04 m, com boca de 10, 88 m e pontal de 4, 99, deslocava 756, 63 toneladas brutas. Tinha um motor Polar, Suécia, 1935, de 330 HP e uma capacidade de pesca de 11 394 quintais.
Albergava 17 tripulantes e 57 pescadores.

(Cont.)

Ílhavo, 17 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Neve em Ílhavo...há 23 anos...



Faz hoje precisamente vinte e três anos que nevou em Ílhavo.
O tema não é bem o habitual no Marintimidades, mas anda lá por perto.
Há quem nunca tenha visto o mar e fique horas a olhá-lo, pela primeira vez, na ânsia de transpor o horizonte. Nós, que temos a benesse de usufruirmos das dádivas do litoral, pelo contrário, não podemos apreciar, com frequência, o espectáculo da neve a cair e a matizar de branco montes, vales, bosques, animais praças e pessoas.
E eu, às vezes, até sem querer, parece que tenho uma atracção por datas. É terrível. Sem grande esforço, recordo factos com facilidade e o meu arquivo fotográfico, normalmente, não me deixa ficar mal. Procurei e rapidamente encontrei as imagens catalogadas de Neve em Ílhavo – 14.1.1987.


Pretendo fazer com que os “ílhavos” recordem este dia, pois não podemos ficar indiferentes ao temporal, chuva, vento, frio e neve, que têm assolado o país e, sobretudo, a Europa.


Apesar das tormentas que temos suportado, não deixemos de abençoar o cantinho da Europa, à beira-mar plantado, em que vivemos.

Como há 23 anos, a minha agilidade para trepar aos telhados, em busca de imagens diferentes, era outra, consegui alguns “clichés”de Ílhavo, menos vulgares. Ei-los:

Telhados da Rua Ferreira Gordo
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Telhados ao longo da Rua João de Deus


As torres da nossa Igreja, ao longe…


Leves flocos salpicam a Praça da República



Imagens – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 14 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes


segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Desafio marítimo, em terra firme...


Os afazeres têm sido muitos. Convidada pelo Professor Adolfo da Silveira a dar umas aulas no Centro de Investigação e Desenvolvimento do Mar, da Universidade Autónoma de Lisboa, aí me desloquei. Faziam parte de um Mestrado em História da Náutica e Arqueologia Naval.

Pátio Interior da U. A. L.


Tratou-se de uma disciplina do 2º Semestre, História Náutica e Etnografia Marítima, ministrada pelo Professor Comandante Gomes Pedrosa com a minha modesta participação, no que respeita à etnografia marítima.
Pretendeu-se nesta unidade curricular fornecer uma panorâmica geral das embarcações tradicionais no litoral português ocidental e sul, nos últimos cinquenta anos, tendo sido abordadas as várias tipologias e características, enquadradas em aspectos geográficos, funcionais e antropológicos. A cultura imaterial flúvio-marítima também foi objecto de reflexão, integrada nos processos de preservação do património marítimo tradicional. A história e tipologia das artes de pesca, dos compromissos marítimos e das confrarias marítimas também já tinham sido objecto de estudo.
Foi uma experiência nova e enriquecedora, um verdadeiro desafio em terra firme. Novos conhecimentos, novos contactos... As trocas de experiências também abundaram.
As aulas ministradas em horário post-laboral fizeram com que a gama de alunos fosse extremamente diversificada, bem como os níveis etários e as formações.
Tinham algo de comum, “os alunos” – o interesse pelas coisas do mar.

Para mim, foi muito gratificante verificar que os assuntos cativaram a sua atenção e interesse, tendo participado, de questão em questão, com grande curiosidade e sentido crítico.

Foi um dia extremamente cansativo, mas que valeu a pena. De repetir, se as circunstâncias o proporcionarem.

O Centro de Estudos do Mar da Universidade Autónoma de Lisboa é uma unidade orgânica da Universidade que tem por finalidade desenvolver a investigação, ministrar formação e prestar serviços na área do conhecimento das ciências Humanas e do Mar.

Ílhavo, 11 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Desafio...5...Que belas proas!...



Será o primeiro desafio deste Novo Ano, no Marintimidades, por sugestão de alguns leitores amigos.

Como tenho andado bastante ocupada, deixo-lhes este trabalhinho de casa. Notável fotografia das proas de dois navios atracados em St. John’s, para receber isco. Além disso, a imagem revela alguns pormenores curiosos do quotidiano de bordo. Apreciem, pois. Tem sempre que observar, sobretudo, para quem dá valor.
Sei mesmo que navios são. Esforcem-se e empenhem-se. Acertarão, sem dúvida.
Vamos aos palpites! Não desanimem!!!


Ílhavo, 6 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes

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sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ala-Arriba, Ano Novo!



Para os meus Amigos!

Eu e as minhas paixões, neste caso, lagunares, nas primeiras “pesquisas etno-linguísticas de campo”, na Gafanha da Nazaré.
Que Senhores da Ria! Tão parecidos e tão diferentes!


Ah, esquecia-me de dizer que o “cliché” foi conseguido com a minha primeira Voïgtlander, adquirida com o valor do prémio Dr. José Pereira Tavares, na disciplina de Latim, no então Liceu Nacional de Aveiro, em 1959.

Ílhavo, 1 de Janeiro de 2010

Ana Maria Lopes