quarta-feira, 27 de maio de 2009

GRANDES BATALHAS NAVAIS PORTUGUESAS

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O Comandante José António Rodrigues Pereira, Director do Museu de Marinha, em Lisboa, reuniu histórias sobre as grandes batalhas navais portuguesas num só volume, a lançar, amanhã, dia 28 de Maio, às 18,30 h, no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha.
A obra, edição de A Esfera dos Livros, será apresentada pelo Contra-almirante José Luís Leiria Pinto.
Ler mais aqui.

Ílhavo, 27 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Marinha atrai milhares à Barra



A Barra de Aveiro desde há muito nos vem habituando a espectáculos altamente concorridos e comoventes.

A barca Sagres aproxima-se…


Folheando as páginas do tempo, os mais fortes e emocionantes de que me recordo foram as alvoroçadas chegadas e as amarguradas partidas dos lugres bacalhoeiros, para a sua difícil e dura missão.

Mas, na senda da história bem recente, que convém não esquecer, outros episódios, recriados, fizeram com que acudissem milhares de espectadores ao molhe da Meia-Laranja: a saída e entrada do lugre Creoula, que, no Verão de 1998, pretendeu homenagear os grandes heróis da Faina Maior, em viagem organizada, com a mesma rota até St. John’s, tal e qual nos seus velhos tempos de lugre bacalhoeiro.

Além deste, são de relembrar o Desfile das Unidades Navais no encerramento das Comemorações do Dia da Marinha em Ílhavo (2003) e o desfile final da Regata dos Grandes Veleiros que constaram da Tall Ships (23.9.2008), a que assisti, por um fiozinho, devido ao atraso provocado por um cerrado nevoeiro que teimara em irritar a assistência e me permitir chegar a tempo, de Lisboa, para observar o memorável espectáculo.

Noutra dimensão, mas também atracção para os amantes de navios, foram a saída da Gafanha para Marin do lugre Santa Maria Manuela (29.12.2008), onde está a ser concluído e o “regresso” (6.4.2009) à Gafanha da Nazaré do Polynesia II, histórico lugre ex-Argus (1939-1970), com vista à realização de viagens de turismo marítimo-cultural, após restauro.

E ontem foi o encerramento das Comemorações do Dia da Marinha em Aveiro (2009), com toda a pompa e circunstância que a Marinha envolve.

O brilhante e entusiasmante concerto da Banda da Armada, no sábado, no Centro Cultural e de Congressos de Aveiro, com cerca de 100 instrumentistas, sob a batuta do maestro Capitão-de-fragata Carlos da Silva Ribeiro, no final, com o som penetrante e marcante do Funiculì, Funiculà de L. Denza, animou e entusiasmou uma sala, que aplaudia, de pé, na ânsia dos encore. Conseguiu que fosse tocado um exuberante arranjo, hino ao mar e à liberdade, de um cantar de Zeca Afonso, autor aveirense, nascido a 2 de Agosto de 1929. E a Marcha dos Marinheiros não podia faltar, bem como o entusiasmo redobrado da assistência, que, com palmas, a acompanhou, de pé. Fazem-nos falta espectáculos destes, que exaltam os valores fraternos e patrióticos, ultimamente tão arredios e fugazes.

Motivadíssima desde sábado por este admirável e magnífico concerto, sabia, de antemão, que não podia, por razões familiares, assistir ao Desfile Naval.
Mas, ao descobrir notícias, blogs e ao ouvir relatos de alguns amigos, não queria deixar de imaginar o que se teria passado na Barra, na minha ausência.

O dia incerto, por vezes, ameaçador, acabou por proporcionar uma tarde agradável e amena.

A Barra foi pequena para acolher os espectadores/ visitantes, que se estendiam, às camadas, ao longo do paredão, até ao Forte, incluindo outros que se acomodaram em rochas e se instalaram nos molhes, sobretudo, no molhe sul.
Na Meia-Laranja, instalaram-se todas as individualidades: o Almirante CEMA., o Ministro da Defesa, os Presidentes das Autarquias, o Governador Civil e muitas outras.

Foi aprazível e esclarecedor o espectáculo com os botes anfíbios, helicópteros, fuzileiros e zebros, um desembarque na praia, largadas de mergulhadores-sapadores dos helicópteros para o mar, recuperação de tropas dentro de água e socorros a náufragos.


Mas, eis que o desfile das onze embarcações começa, com o Navio-escola Sagres a encerrá-lo, com a majestade a que já nos habituou, nas suas 23 velas arvoradas, mas não prenhes, já que o vento não ajudou.
Além da missão relacionada com a instrução de cadetes, o navio funciona também como embaixada itinerante de Portugal, na representação da marinha e do país.
A figura, em talha dourada, do Infante D. Henrique, como carranca, e a Cruz de Cristo, vermelha, de hastes simétricas, vazada ao centro, postada nas principais velas do traquete e do mastro grande, são os seus símbolos inconfundíveis.

À passagem pelo farolim da Meia-Laranja, onde estavam todas as individualidades, a Sagres fez uma bonita manobra de pano e aproou à Meia-Laranja, cumprimentando S. Ex.ª o Almirante CEMA. Foi um delírio, pois com essa manobra, o navio aproximou-se consideravelmente do molhe, como nenhum outro tinha feito.
Foi-se afastando da multidão, no rumo certo, seguida por algumas pequenas embarcações! Volta Sagres! Ílhavo e Aveiro receber-te-ão sempre com nobreza e de braços abertos.


A barca Sagres vai-se afastando…



Ler, no Diário de Aveiro de 24 de Maio de 2009, a notícia Aveiro: Desfile de despedida promete espectáculo único no Dia da Marinha e outras relacionadas.

Fotografias – Gentil cedência do Professor Fernando Martins

Ílhavo, 25 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Navio - Escola Sagres chega a Aveiro

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Comemorei o "meu" Dia da Marinha, em Aveiro, com uma visita circunstanciada ao notável Navio -escola Sagres.
Aproveitem os próximos três dias também para o visitar, entre outras unidades navais.
Nunca é demais apreciar tão belo navio da República Portuguesa.


Bandeiras ao vento...

O sino da Sagres

Sugestiva carranca representando o Infante D. Henrique


A PÁTRIA HONRAE QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA


Acostada ao cais


Fotografias - Arquivo pessoal da autora
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Ílhavo, 20 de Maio de 2009
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Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Dia da Marinha em Aveiro - 2009



O Dia da Marinha, depois de ter sido comemorado, de entre outros locais, em Ílhavo, em 2003, e no Funchal, em 2008, volta a Aveiro, em 2009, após 18 anos (1991).
Poderá ser consultado o Programa, em post já editado.
Está aberta ao público, no aprazível edifício da Antiga Capitania de Aveiro, debruçado sobre a Ria, uma Exposição de Actividades da Marinha (Operacionais, científicas, culturais e simulador de navegação).
Gostei especialmente de apreciar um modelo à escala do lugre com motor Creoula, uma maquette igualmente à escala (1/25) do Farol de Aveiro, um quadro gigantesco de perto de duzentos exemplos de exímios trabalhos de marinharia, mostra das últimas publicações das Edições Culturais de Marinha, documentação antiga relativa a episódios lagunares e pesca do bacalhau e fotografias. Toda a encenação é apelativa e realçada pelos tradicionais têxteis azuis-marinhos, bordados, em arte aplicada, com âncoras, e pelos brilhantes e insinuantes latões, polidos com o maior zelo, de complexos instrumentos náuticos.

Para além desta exposição e de outra similar, nos Paços do Concelho, têm lugar actividades radicais, diversas actividades náuticas e desportivas, no Rossio, baptismos de mar, a bordo de duas lanchas, no Porto de Aveiro, Ílhavo.
Os momentos altos dos festejos ocorrem no dia 24: Cerimónia Militar, pelas 11 horas, no Cais da Fonte Nova, junto ao Centro de Congressos de Aveiro; Demonstração Naval, pelas 15 h., na Praia da Barra e Desfile Naval, pelas 15,30 h, no Canal da Barra, frente ao “nosso” Farol.

Destacam-se as presenças do Navio-escola Sagres, do submarino Barracuda e das Fragatas Bartolomeu Dias e Álvares Cabral. Lamentamos a ausência do Creoula, a que já nos habituámos.

A visita às unidades navais, disponíveis dos dias 20 a 23, no Porto de Aveiro, também constitui sempre um ponto de grande atracção. Para “aguçar o dente” para as visitas, divulgo imagens recentes das embarcações.

EMBARQUEMOS, pois, NESTE EVENTO!

NRP Sagres

Submarino Barracuda

Fragata Bartolomeu Dias


Fragata Álvares Cabral


…e outras unidades navais …

Fotografias – Gentil cedência de Luís Miguel Correia

Ílhavo, 18 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A arte xávega na Vagueira



Hoje, ao folhear o Diário de Aveiro, esta notícia chamou-me a atenção:


Após a observação, em várias épocas, do que ainda resta da arte xávega, chegámos à conclusão, in REGRESSO AO LITORAL – Embarcações Tradicionais Portuguesas, que a região costeira que medeia entre Espinho e Vieira de Leiria, incluindo a zona lagunar de Aveiro, é aquela em que ainda mais sobrevivem as chamadas “embarcações tradicionais” e, apesar de algumas adulterações que têm sofrido ao longo dos tempos, ainda vão sendo agradáveis à vista. Saibamos continuar a mantê-las.


O barco do mar já não é o mesmo de há quarenta anos em local nenhum, bateiras do mar genuínas já não existem… Mas a arte xávega, embora de menores dimensões, ainda continua, neste espaço geográfico, a ser lançada em embarcações de madeira, de linhas elegantes e sóbrias, mas alegre policromia.

Costa-Nova – 1984 (embarcação da Vagueira)

Relembremos:
– A extensão de areal tem vindo a diminuir gradualmente em toda a costa portuguesa, havendo pontos de incidência mais forte em zonas como Esmoriz, Aveiro, Ílhavo Vagueira e Costa da Caparica;
– A legislação marítima no geral, como a que adveio da integração do país na Comunidade Europeia, é muitíssimo mais rigorosa;
– O pescado tem vindo a diminuir em quantidade e qualidade;
– As despesas por conta da classe piscatória têm vindo a aumentar: manutenção das embarcações, preço dos combustíveis, quantidade de licenças exigidas pela autoridade marítima, etc.


Pelos motivos elencados, as artes de pesca mais puras e trabalhosas têm tendência acabar. Ainda bem que a Autarquia de Vagos reconhece o valor patrimonial, cultural e social do barco e da arte, já que também constituem um grande chamariz, sob o ponto de vista turístico.

Pena é que a Costa Nova não consiga manter uma companha, mesmo com algumas adulterações a que os tempos obrigam, para fazer jus aos barcos de grandes dimensões que já lá houve, até aos anos 50.

Fotografia – Postal de Paulo Miguel Godinho

Ílhavo, 13 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes

terça-feira, 12 de maio de 2009

Atlântico - Navio Perdido...



Há muito que os naufrágios na barra de Aveiro, nos princípios do século XX me atraem, mas, só há uns tempos, tive disponibilidade para me entregar mais à sua redescoberta.
Em pesquisa sistemática do jornal “O Ilhavense”, eis que a notícia do encalhe do lugre Atlântico, nos finais de 1925, no regresso dos bancos da Terra Nova, me fez pensar e revirar os apontamentos.

Para chegar ao lugre Atlântico, tive de regredir no tempo e com trocas de impressões com amigos interessados, parece que cheguei a porto seguro…

Pesquisa ali, pesquisa acolá, listas de navios, jornais, catálogos e o tal “puzzle” marítimo encaixa gradualmente.

O lugre Atlântico, ex-Dolores, de madeira, (tendo navegado sob bandeira dinamarquesa com os nomes de Urda, de 1892 a 1907, e Sylphe, de 1907 a 1909), foi construído em 1892, em Odense, Dinamarca, por N. F. Hansen. De comprimento, media, entre perpendiculares, 33,85 metros, 7,40 m. de boca e 3,14 de pontal. Registava uma arqueação bruta de 152, 68 toneladas e líquida de 101,10.
A partir de 1910, surge registado no porto de Aveiro, com o nome de Dolores, tendo sido seu capitão até 1916, António José dos Santos e Augusto Fernandes Pinto (1916 e 1917).
Por informação da lista de navios portugueses de 1914, temos, então, a certeza de que era, pois, pertença da Parceria Marítima Aveirense e foi-o até 1917.

Lugre Dolores


Entre 1918 e 1921, passou para a Companhia Aveirense de Navegação e Pesca, mudando o nome de Dolores para Atlântico, em 1920.
Alcançámos o Atlântico…
Por ele passaram os Capitães Jorge Fort’Homem (1919 e 1920) e Joaquim Gonçalves Guerra (1921).
Mas, a dança das sociedades não pára e a partir de 1922 até 1925, é propriedade da Parceria Marítima Africana.
De 1922 a 1924, inclusive, comandou o Atlântico Adolpho Francisco da Maia e no ano de 1925, assumiu o mesmo cargo o ilhavense Marco Luís Fraco, para quem estava reservada a desdita do fatídico sinistro.

Por informação da Marinha, o Atlântico naufragou por encalhe a sul da barra de Aveiro, em 30 de Outubro de 1925, por motivo de avaria no leme, tendo sido salvos todos os tripulantes, através do cabo de vaivém.
O relato do nosso jornal é muito mais emocionante e pormenorizado, pelo que me selecciono alguns parágrafos:

Quando ao largo da barra pairava uma quantidade de navios esperando a entrada no porto […], o rebocador Vouga tentou sair, não o podendo fazer em consequência da agitação do mar.
Entretanto, o Atlântico vendo o sinal do Forte, foi-se aproximando, à espera de ocasião propícia. Como o rebocador não se aproximasse […], o navio veio singrando ligeiro, passou o banco de areia e, ao chegar perto da “Meia-Laranja”, ficou sem governo, em consequência de uma vaga lhe ter despiado a gaiúta e esta ter quebrado a roda do leme.
De terra, onde uma multidão esperava a entrada dos navios, ao ver-se que o Atlântico corria o risco de se perder, houve um grito de angústia por aqueles marinheiros, que estavam prestes a serem tragados pelas ondas, tão perto de suas famílias e seus lares!
Sem governo, à mercê do vento e da corrente […], o Atlântico é arremessado pelas vagas que lhe varrem o convés, um pouco a sul da Meia-Laranja. Na impossibilidade de salvação do navio, o capitão ordena que a tripulação (no total de 28 homens) se prepare para o abandonar. Estava salva a tripulação!

Com a vazante da maré, iniciaram-se os trabalhos de recuperação dos salvados e de grande parte da carga, constituída por 2 200 quintais de bacalhau.

Ao local acorreram milhares e milhares de curiosos, de Ílhavo, Aveiro, Gafanhas, Costa-Nova, para verem o navio naufragado.

Pena é que entre tantos “mirones”, nenhum tivesse feito disparar a objectiva, de modo a que um documento visual tivesse chegado, hoje, até nós, para enriquecer a narrativa, já por si, tão forte e impressionante!

Fotografia amavelmente cedida pelo MMI.

Ílhavo, 12 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes

sábado, 9 de maio de 2009

Dia da Marinha de 16 a 24 de Maio de 2009

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Programa


Este ano, as comemorações principais do Dia da Marinha vão decorrer em Aveiro, associando-se, assim, a Marinha às celebrações dos 250 Anos de Elevação a Cidade e dos 1050 Anos da primeira referência escrita à mesma.
Programe bem, atempadamente, os seus dias, de modo a poder usufruir, ao máximo, dos tão diversificados festejos.

Fonte – Revista da Armada de Maio de 2009

Ílhavo, 9 de Maio de 2009

Ana Maria Lopes
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