O sino da Sagres
Sugestiva carranca representando o Infante D. Henrique
A PÁTRIA HONRAE QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA
Acostada ao caisFotografias - Arquivo pessoal da autora
"Marintimidades" foi criado para falar das coisas do mar, da ria, de embarcações, de artes, de museologia marítima e de eventos que surjam dentro desta área, publicitando-os, e sobre eles detendo um olhar...
O sino da Sagres
Sugestiva carranca representando o Infante D. Henrique
A PÁTRIA HONRAE QUE A PÁTRIA VOS CONTEMPLA
Acostada ao caisSubmarino Barracuda
Fragata Álvares Cabral
Após a observação, em várias épocas, do que ainda resta da arte xávega, chegámos à conclusão, in REGRESSO AO LITORAL – Embarcações Tradicionais Portuguesas, que a região costeira que medeia entre Espinho e Vieira de Leiria, incluindo a zona lagunar de Aveiro, é aquela em que ainda mais sobrevivem as chamadas “embarcações tradicionais” e, apesar de algumas adulterações que têm sofrido ao longo dos tempos, ainda vão sendo agradáveis à vista. Saibamos continuar a mantê-las.
O barco do mar já não é o mesmo de há quarenta anos em local nenhum, bateiras do mar genuínas já não existem… Mas a arte xávega, embora de menores dimensões, ainda continua, neste espaço geográfico, a ser lançada em embarcações de madeira, de linhas elegantes e sóbrias, mas alegre policromia.
Costa-Nova – 1984 (embarcação da Vagueira)Relembremos:
– A extensão de areal tem vindo a diminuir gradualmente em toda a costa portuguesa, havendo pontos de incidência mais forte em zonas como Esmoriz, Aveiro, Ílhavo Vagueira e Costa da Caparica;
– A legislação marítima no geral, como a que adveio da integração do país na Comunidade Europeia, é muitíssimo mais rigorosa;
– O pescado tem vindo a diminuir em quantidade e qualidade;
– As despesas por conta da classe piscatória têm vindo a aumentar: manutenção das embarcações, preço dos combustíveis, quantidade de licenças exigidas pela autoridade marítima, etc.
Lugre Dolores
Entre 1918 e 1921, passou para a Companhia Aveirense de Navegação e Pesca, mudando o nome de Dolores para Atlântico, em 1920.
Alcançámos o Atlântico…
Por ele passaram os Capitães Jorge Fort’Homem (1919 e 1920) e Joaquim Gonçalves Guerra (1921).
Mas, a dança das sociedades não pára e a partir de 1922 até 1925, é propriedade da Parceria Marítima Africana.
De 1922 a 1924, inclusive, comandou o Atlântico Adolpho Francisco da Maia e no ano de 1925, assumiu o mesmo cargo o ilhavense Marco Luís Fraco, para quem estava reservada a desdita do fatídico sinistro.
Por informação da Marinha, o Atlântico naufragou por encalhe a sul da barra de Aveiro, em 30 de Outubro de 1925, por motivo de avaria no leme, tendo sido salvos todos os tripulantes, através do cabo de vaivém.
O relato do nosso jornal é muito mais emocionante e pormenorizado, pelo que me selecciono alguns parágrafos:
Quando ao largo da barra pairava uma quantidade de navios esperando a entrada no porto […], o rebocador Vouga tentou sair, não o podendo fazer em consequência da agitação do mar.
Entretanto, o Atlântico vendo o sinal do Forte, foi-se aproximando, à espera de ocasião propícia. Como o rebocador não se aproximasse […], o navio veio singrando ligeiro, passou o banco de areia e, ao chegar perto da “Meia-Laranja”, ficou sem governo, em consequência de uma vaga lhe ter despiado a gaiúta e esta ter quebrado a roda do leme.
De terra, onde uma multidão esperava a entrada dos navios, ao ver-se que o Atlântico corria o risco de se perder, houve um grito de angústia por aqueles marinheiros, que estavam prestes a serem tragados pelas ondas, tão perto de suas famílias e seus lares!
Sem governo, à mercê do vento e da corrente […], o Atlântico é arremessado pelas vagas que lhe varrem o convés, um pouco a sul da Meia-Laranja. Na impossibilidade de salvação do navio, o capitão ordena que a tripulação (no total de 28 homens) se prepare para o abandonar. Estava salva a tripulação!
Com a vazante da maré, iniciaram-se os trabalhos de recuperação dos salvados e de grande parte da carga, constituída por 2 200 quintais de bacalhau.
Ao local acorreram milhares e milhares de curiosos, de Ílhavo, Aveiro, Gafanhas, Costa-Nova, para verem o navio naufragado.
Pena é que entre tantos “mirones”, nenhum tivesse feito disparar a objectiva, de modo a que um documento visual tivesse chegado, hoje, até nós, para enriquecer a narrativa, já por si, tão forte e impressionante!
Fotografia amavelmente cedida pelo MMI.
Ílhavo, 12 de Maio de 2009
Ana Maria Lopes
Depois, voltámos a ver trabalhar a enxó de ribeira, guardada há tantos anos, mas que o mestre ainda manobra com mestria.
Agora começava o acerto das ferragens que, depois de devidamente aplicadas, davam movimento ao nosso molinete.
Trabalhava, rodava e até “cantava” como os seus “irmãos” a bordo dos navios.
No MMI…
Chegava o dia de partir para o seu lugar e lá seguiu desmontado na camioneta que o levou até ao Museu de Ílhavo, onde o mestre Zé Vareta, que já tinha construído o Faina Maior ia agora terminar o seu trabalho colocando no castelo de proa o molinete para virar a amarra».
No MMI…
28.4.2009 – António Marques da Silva
Fui acompanhando o trabalho, sempre com curiosidade e entusiasmo, e fotografando as suas diversas fases.
Mais uma vez, estamos muito gratos ao Amigo Marques da Silva, pela boa vontade, espírito de pesquisa, saber e paciência.
Obrigada Capitão Marques da Silva!
Fotografias – Autora do Blog
Ílhavo, 28 de Abril de 2009
Ana Maria Lopes