Fotografia – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 19 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes
"Marintimidades" foi criado para falar das coisas do mar, da ria, de embarcações, de artes, de museologia marítima e de eventos que surjam dentro desta área, publicitando-os, e sobre eles detendo um olhar...
Fotografia – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 19 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes
Perante três fotografias, deslumbrantes, encontradas, ignotas, lá bem no fundo de gavetas da Empresa Testa & Cunhas, guardei-as, à espera de, porventura, mais documentação.
Vista aérea da seca – 1933
Mulheres junto a um antigo armazém – s/d
A escritora que andou pela nossa região recorda a maneira de viver das mulheres da Gafanha, com a sua ignorância, o seu fatalismo, mas também com a sua responsabilidade e solidariedade. E salienta:
No vestuário revelam maior cuidado na limpeza do que as camponesas, que saltam da enxerga, estremunhadas, antes do luzir do dia, e lá vão, para a labuta sem fim…
Assim, acentua Maria Lamas a psicologia das trabalhadoras das secas de bacalhau, desembaraçadas, faladoras e alegres, como se a vida lhes não pesasse. Em conjunto, nas horas de plena actividade, cantando em coro ou simplesmente escutando os programas de rádio, elas constituem um quadro de plena vitalidade e de optimismo. (…)
O trabalho da mulher, nas secas, consta de: descarregar, lavar, salgar e levar o bacalhau, todos os dias, para as “mesas” da seca, recolhendo-o à tarde; depois há ainda a tarefa de o empilhar, seleccionar e enfardar. (…) A lavagem faz-se em tanques; depois o peixe é colocado, em pilhas, a escorrer, sobre pequenos carros, que cada mulher conduz à secção onde recebe o sal. (…)
Ao fundo, o “Laura”; em primeiro plano, bacalhau, carros e tanques de lavagem. Ler mais em Navios e Navegadores
As mulheres, que se ocupavam nestes serviços, eram de todas as idades, solteiras e casadas, predominando as mais jovens. Tinham consciência plena da dureza daquela vida de labores diversificados e pesados. Se o tempo estava bom, a tarefa era-lhes facilitada.
Um friso de mulheres exibe os seus trajes antigos e peculiares, de saia comprida, rodada, alçada pela faixa, longo avental, blusa tipo chambre, com cabelos apanhados que emolduram o rosto, orelhas enfeitadas, mas pés descalços.
Uma ou outra conseguia arranjar botas de borracha; a regra comum era o pé descalço e o que quase todas usavam eram canos, um tipo de meias sem pés, para protecção das pernas. Os pés, esses, eram sempre os mais castigados!
Mostram belos exemplares de peixes que só a linha permitia apanhar, espalmados, ainda com cabeça, que, praticamente, acompanham a altura delas.
Estão, certamente, a pensar que estes “bichos” seriam óptimos para a Ceia de Natal que se aproxima!
Fotografias – Arquivo pessoal da autora
Lisboa, 14 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes
O afecto falou mais alto e resolvi editá-la no blog, que, por hoje, “repousa” das Marintimidades.
Em jeito de balanço, estes tributos excederam as minhas expectativas; já tiveram alguns dos efeitos por mim idealizados e continuarão – estou certa – a cumprir esses meus intentos.
É com emoção contida que converso com algumas pessoas que se me identificam, quase a custo, como tendo sido seus discípulos ou explicandos. Pelo que me confessam, foi um Professor e um Amigo que os marcou pela positiva, de uma humanidade e um espírito de camaradagem, que, eu própria, não tive tempo para conhecer profundamente.
E, coincidência das coincidências, o nosso neto mais velho, o Jorge, completa hoje dez anitos.
A crónica do Diário de Aveiro foi, para mim, uma espécie de presente de aniversário, de Natal, o que lhe queiramos chamar, que abri e li com desvelo e transmiti com ternura.
Obrigada mais uma vez a todos os amigos, que me ajudaram a cumprir este objectivo, pela colaboração prestada, ou apenas pela presença significativa.
O Grupo “Raízes de Coimbra”, em actuação
Placa comemorativa no ISCA – UA, à entrada da Sala de Professores
Fotografias – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 12 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes
O Gazela a navegar…em toda a sua majestade
Em 1991/2, necessitou de uma nova reparação, tendo sido substituída parte da roda de proa e o beque.
Gazela, em Baltimore, nas docas de Fort Mc
Henry
1991
O Gazela protegido pela estrutura de plástico
Periodicamente, é sujeito a todas as inspecções legais, para poder continuar a navegar, em segurança.
Após uma das reparações…
É regularmente calcorreado por portugueses e jovens, em visitas de estudo programadas por escolas. Há muito quem sonhe com uma viagem do Gazela, de visita a Portugal, seu país de origem.
Em 1995 visitou novamente o porto de St. John’s, na Terra Nova, 26 anos depois de aí ter estado durante a sua última campanha de pesca.
Uns anos mais tarde, veio-se-lhe juntar o Creoula, em missão idêntica.
Actualmente, vamos seguindo interessadamente os passos da reconstrução do Santa Maria Manuela, que esperamos ainda poder ver a navegar…levando bem longe o nome da Empresa proprietária e o de Portugal.
Agradeço ao amigo Marques da Silva todas as informações dispensadas, visto que mantém contactos regulares com a Associação que cuida do “seu” Gazela.
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Fotografias gentilmente cedidas pelo Capitão Marques da Silva
Ílhavo, 9 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes

O Gazela em árvore seca - anos 50
O Guerra II a reboque…s/d
Pressupõe-se que entra a reboque, auxiliado pelo pano, envergando, no gurupés, a giba alta, bujarrona, vela de estai e polaca.
No mastro do traquete, enverga o traquete latino e a estênsula de proa ou do traquete.
No mastro grande, enverga a vela grande e a estênsula de ré ou do grande.
No mastro da mezena, a mezena. É bem visível o amantilho da retranca, onde se notam os forros de sainete.
Tem cá um sainete, este lugre, no seu mostruário de velame!
Fotografia – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 1 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes