quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Traineira IDELTA
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Modelo de traineira do MMI
Tendo tido conhecimento que o Amigo Marques da Silva restaurara o modelo em causa, trocámos impressões sobre o restauro. Disponibilizou-me este texto com que fez acompanhar o trabalho já recuperado.
Divulgo-o com todo o gosto junto dos apreciadores destas pequenas relíquias, pela qualidade que tem e pela dedicação que revela. Obrigada Capitão!
“Numa das últimas passagens pela sala de reservas do MMI, encontrei um modelo de traineira a vapor. Tratando-se de um modelo de traineira já desaparecido, mas que marcou o início da motorização das embarcações de cerco, entendi dedicar algum tempo ao seu estudo, fazendo também alguns trabalhos de recuperação.
Verifiquei que tinha sido reconstruído por pessoa muito conhecedora, pois todos os pormenores estavam religiosamente respeitados.
Embora o plano geométrico não tivesse sido seguido com rigor na construção do casco, as suas formas, na generalidade, eram aceitáveis.
Comparado com as medidas dos barcos deste tipo, referenciados na obra de Lixa Filgueiras “Traineiras”, pode considerar-se este modelo na escala aproximada de 1/40, estando, contudo, o pontal, um pouco exagerado.
Na p. 63 deste notável livro, uma boa fotografia mostra uma traineira precisamente igual à que inspirou o nosso modelista.
A máquina a vapor principiou em Portugal a ser aplicada nas traineiras a partir de 1920, havendo registo das primeiras adquiridas na Galiza, para Matosinhos, Peniche e Algarve.
Estava este modelo acompanhado da respectiva rede de cerco, armada por alguém muito conhecedor, que foi fiel em todos os pormenores.
Por esta razão, preparei uma base com dimensões que permitissem mostrar a traineira fazendo o lanço, no momento em que se aproxima da sua chalandra, para recolher os cabos com que vai fechar a rede.
Traineira a vapor fechando o cerco
A chalandra é largada de bordo, pela popa, levando os chicotes da retenida e do reçoeiro, cabo este que está ligado à extremidade da rede, onde começa o saco ou copejada.
Com o reçoeiro, fixa-se a parte superior da rede ou cortiçada.
Com a retenida, fecha-se a parte inferior, a chumbada, através de uma porção de argolas fixadas na tralha, orla inferior da rede. Este forte cabo deve ser virado rapidamente pelo guincho de bordo, para não deixar fugir o peixe que foi capturado.
O modelo estava electrificado, mas, os fios, em muito mau estado, tornaram impossível a completa recuperação sem afectar a construção.
Foi necessário fazer uma nova chalandra e uma nova âncora, porque estas peças estavam em muito mau estado.
Demos nova vida a este modelo com muito valor, por se tratar de uma embarcação bem conhecida, mas pouco representada com a dignidade que merece”.
A SAN SALVADOR Por mera coincidência, a Agenda Cultural da CMI do corrente mês de Fevereiro, na rubrica Património, refere esta recuperação do modelo. Fornece alguns dados a que o Capitão Marques da Silva não teve acesso que completam o escrito, de acordo com o que ele opinara – o modelo foi construído e oferecido à Comissão do Museu em 1934 por Manuel Pinto da Costa, então Piloto da Barra do Douro e Porto artificial de Leixões.
Fotografias – Amavelmente cedidas pelo Capitão Marques da Silva e arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 18 Fevereiro de 2009
Ana Maria Lopes

