Mostrar mensagens com a etiqueta Traineira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Traineira. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Traineira IDELTA

-
Bota-abaixo da traineira IDELTA, em Setembro de 1942

Há dias assim, em que as pesquisas não rendem ou, de facto, não encontramos o que procuramos.
Mas surge sempre algo que nos dá jeito, passível de aproveitar. Não eram precisos estes dados para saber que, no princípio do século XX, se construíram navios, de maior ou menor porte, em Ílhavo, lá para os lados da Malhada.
Eu e as imagens!... Esta foto que utilizo, enviou-ma um familiar dos Abreus, há meia dúzia de anos. Por aqui tem andado, desempregada. Hoje, cheguei ao texto que a ilustra, ao folhear Ilhavenses dos anos 40, para outros fins.
-
Assim rezava o de primeiro de Outubro de 1942, que assim respigo:
-
Dos terrenos da Seca Da Empresa de Pesca de Portugal, Lda., sita junto à Ponte Juncal Ancho, nesta vila, foi, no sábado (26 de Setembro), deitada à água uma traineira mandada construir pelo Sr. Francisco António Abreu, sendo construtor o Sr. Silvério Mónica, da habilidosa família deste nome, que em trabalhos de construção naval tem dado provas de uma perícia extraordinária.
A traineira que foi baptizada com o nome de IDELTA, sendo madrinha a filha do seu proprietário, menina Maria Frederica Paradela de Abreu, aluna da Faculdade de Medicina, tem 21 metros de comprimentos, é accionada por máquina a vapor e destina-se à pesca da sardinha, no Porto.
O bota-abaixo, a que assistiu grande multidão, foi coroado do mais feliz êxito, pelo que, tanto o proprietário, Sr. Francisco António Abreu, como o novel construtor, Sr. Silvério Mónica, foram muito felicitados.
De seguida, foi oferecida uma taça de espumante aos convidados, brindando pela prosperidade do arrojado iniciador deste empreendimento, o advogado, Sr. Dr. Joaquim Silveira.
No mesmo local, já está a ser preparado o cavername para a construção de um outro barco de 300 toneladas, que o Sr. Francisco Abreu conta ter pronto no prazo de seis meses.
-
Eu, que era apreciadora de cerimónias de bota-abaixo, agora tenho de me contentar com as descrições e imagens encontradas.
-
Foto – Gentilmente cedida por amigo
-
Ílhavo, 17 de Outubro de 2016
-
Ana Maria Lopes
-

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Modelo de traineira do MMI




Tendo tido conhecimento que o Amigo Marques da Silva restaurara o modelo em causa, trocámos impressões sobre o restauro. Disponibilizou-me este texto com que fez acompanhar o trabalho já recuperado.
Divulgo-o com todo o gosto junto dos apreciadores destas pequenas relíquias, pela qualidade que tem e pela dedicação que revela. Obrigada Capitão!

“Numa das últimas passagens pela sala de reservas do MMI, encontrei um modelo de traineira a vapor. Tratando-se de um modelo de traineira já desaparecido, mas que marcou o início da motorização das embarcações de cerco, entendi dedicar algum tempo ao seu estudo, fazendo também alguns trabalhos de recuperação.
Verifiquei que tinha sido reconstruído por pessoa muito conhecedora, pois todos os pormenores estavam religiosamente respeitados.

Embora o plano geométrico não tivesse sido seguido com rigor na construção do casco, as suas formas, na generalidade, eram aceitáveis.

Comparado com as medidas dos barcos deste tipo, referenciados na obra de Lixa Filgueiras “Traineiras”, pode considerar-se este modelo na escala aproximada de 1/40, estando, contudo, o pontal, um pouco exagerado.
Na p. 63 deste notável livro, uma boa fotografia mostra uma traineira precisamente igual à que inspirou o nosso modelista.

A Sra. Das Neves – Matosinhos


A máquina a vapor principiou em Portugal a ser aplicada nas traineiras a partir de 1920, havendo registo das primeiras adquiridas na Galiza, para Matosinhos, Peniche e Algarve.
Estava este modelo acompanhado da respectiva rede de cerco, armada por alguém muito conhecedor, que foi fiel em todos os pormenores.
Por esta razão, preparei uma base com dimensões que permitissem mostrar a traineira fazendo o lanço, no momento em que se aproxima da sua chalandra, para recolher os cabos com que vai fechar a rede.

Traineira a vapor fechando o cerco


A chalandra é largada de bordo, pela popa, levando os chicotes da retenida e do reçoeiro, cabo este que está ligado à extremidade da rede, onde começa o saco ou copejada.
Com o reçoeiro, fixa-se a parte superior da rede ou cortiçada.
Com a retenida, fecha-se a parte inferior, a chumbada, através de uma porção de argolas fixadas na tralha, orla inferior da rede. Este forte cabo deve ser virado rapidamente pelo guincho de bordo, para não deixar fugir o peixe que foi capturado.


O modelo estava electrificado, mas, os fios, em muito mau estado, tornaram impossível a completa recuperação sem afectar a construção.
Foi necessário fazer uma nova chalandra e uma nova âncora, porque estas peças estavam em muito mau estado.
Demos nova vida a este modelo com muito valor, por se tratar de uma embarcação bem conhecida, mas pouco representada com a dignidade que merece”.


A SAN SALVADOR



Por mera coincidência, a Agenda Cultural da CMI do corrente mês de Fevereiro, na rubrica Património, refere esta recuperação do modelo. Fornece alguns dados a que o Capitão Marques da Silva não teve acesso que completam o escrito, de acordo com o que ele opinara – o modelo foi construído e oferecido à Comissão do Museu em 1934 por Manuel Pinto da Costa, então Piloto da Barra do Douro e Porto artificial de Leixões.

Fotografias – Amavelmente cedidas pelo Capitão Marques da Silva e arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 18 Fevereiro de 2009

Ana Maria Lopes