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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ílhavo na «rota» do Titanic - 2

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Não é que umas casas adiante da minha, na mesma rua, residem mais talheres do Titanic, autênticos, com a mesma origem, há cerca de meio século? Fiquei ansiosa por vê-los, fotografá-los e ouvir a versão do achado, quase há cem anos.




Colheres de chá

Em tudo era concordante com a que toda a vida ouvira e alargou-me mais os horizontes, acicatando-me o espírito de pesquisa e a curiosidade inerente.

Garfos



Lembrei-me, só agora, de ir ao Arquivo do MMI consultar as fichas vindas do GANPB e certificar-me de dados mais concretos do suposto achadorJoão Grilo, de alcunha, Frade.

Se o nome da pessoa não for completo, não se consegue facilmente o objectivo, mas, com paciência e consulta de outros documentos, lá chegámos à ficha do Capitão João Francisco Grilo:


Ficha do GANPB


Fornece-nos muitos dados, entre os quais o local e a data de nascimento, Ílhavo, em 1894, e navios que comandou.

À época, 1912, capitaneava um primeiro lugre Trombetas, da mesma firma (Lusitânia Companhia Portuguesa de Pesca da Figueira da Foz) que o lugre Leopoldina, que João Francisco Grilo também comandou, mas não nesse ano.

À época, também da Figueira, comandava o meu Avô, nascido em 1885, o lugre Golphinho. Sendo aparentado e amigo de João Grilo, recebeu as colheres que este «pescara» e lhe oferecera, como relíquia do inafundável Titanic.


E com estas achegas, se vai cada vez mais o «puzzle» compondo.

Terei ou não razão no título deste arrazoado?


Quem quiser estar por dentro do verdadeiro espólio do Titanic, tem que colocar Ílhavo na «rota» do seu destino.


Ou por que não a RMS Titanic pensar em fazer um exposição, em Ílhavo? Nunca se sabe.


Rotas cruzadas – Viagem inaugural do Titanic e ida para os pesqueiros dos lugres da Pesca do Bacalhau.



Imagens – Arquivo da autora do blog

Ficha  do Grémio– amável cedência do MMI


Ílhavo, 24 de Outubro de 2011

Ana Maria Lopes
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ílhavo na «rota» do Titanic - 1

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Talvez conduza os leitores amigos a concordarem com este título, à primeira vista delirante.

Em posts do mês de Fevereiro de 2009, dei-vos conta da predilecção que tinha pelas minhas colheres de sopa do Titanic e pelas «memórias» que as envolviam. Mito? Lenda? Realidade?

Tendo concluído que era uma história oral que «tinha pernas para andar», com um suporte real muito legítimo, lógico e credível, faltava-lhe uma autenticação por pessoa abalizada. Estará próxima, prometeram-me.

O que precipitou os factos? Coincidências ou destinos?

O Centenário em 2012 do fatídico naufrágio do luxuoso navio, com tudo de história, mito e lenda que em volta dele se gerou, aproxima-se.

E o Comandante, amigo e conterrâneo José Paulo Vieira da Silva capitaneou, no verão passado, um navio em que uma expedição da equipa RMS Titanic fez buscas ao local do naufrágio, com diversos e científicos fins.


No fundo do Oceano, presentemente

O Comandante deu a conhecer aos interessados a “estória” das colheres e, no regresso da viagem, viu e fotografou os talheres em causa, após entusiasmada conversa e troca de impressões.

Passou quase um ano e há pouco recebi um e-mail de Jérémie Marie, a perguntar-me se estaria interessada em contar a história, bem como em mostrar os «badalados» talheres, perante as câmaras, para um curto documentário francês acerca do Titanic, a rodar no ano do centenário.

Em princípio, concordei, vamos a ver se se realizará. A equipa de filmagens deslocar-se-á a Ílhavo para esse fim? !!!!! A ver vamos…

Neste último Agosto aparece também pela Costa Nova, trazido pelo Zé Paulo, outro especialista da RMS Titanic, interessado em conversar e ver as mesmas colheres – Christopher Davino, autor do Catálogo e Director Executivo da última exposição patente em Lisboa, no espaço Rossio (Julho 2009), Titanic The artifact exhibition.

Mas, como existem em Ílhavo? E há outras famílias que também possuem talheres, se bem que eu nunca os tivesse visto (a origem tinha sido a mesma).

Acharam a história encantadora e fascinante e perante a exequibilidade dos factos, prometeram que atestariam a autenticidade dos objectos.
Aguardemos…
Mas as coincidências não ficaram por aí…. Em banalidades de rua…, chegou-se aos talheres do Titanic e, imaginem, caso para dizer que santos de casa não fazem milagres.

(Cont.)

Imagens – Arquivo da autora do blog

Ílhavo, 27 de Setembro de 2011

Ana Maria Lopes
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Lenda do Titanic continua...

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Pelo que acabei de ler no blog Pela Positiva, do Professor Fernando Martins, a lenda do Titanic continua a ter algo a ver com Ílhavo.
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Pela quantidade de posts que dediquei a este navio, pelas exposições a ele referentes que visitei, pelo "mito das suas colheres de prata" que me persegue, o artigo interessou-me sobremaneira.
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Ler a notícia, aqui.
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Ílhavo, 12 de Outubro de 2010
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Ana Maria Lopes

sexta-feira, 31 de julho de 2009

E o mito do Titanic continua... II



Então, o que mais me impressionou?

O ambiente lúgubre e escuro criado, a meu ver, apropriado ao ambiente que pretende retratar.
Os painéis expositivos são apresentados continuamente, em andares diversos, separados por escadas metálicas, que simulam o interior de um navio. Bancos de convés, criteriosamente colocados, permitem o descanso dos visitantes e a observação rigorosa das peças.
O ruído de fundo imita o barulho surdo das caldeiras a vapor, que, pela força da rotina, se deixa de ouvir!
Sempre que possível, há um apontamento referente aos passageiros, donos das peças em exibição:

- objectos íntimos, desde óculos, lorignons, lâminas e pincéis da barba, botões de punho, alfinetes de senhora e outras jóias mais requintadas;
- peças de vestuário, desde meias, papillons, um casaco de empregado de mesa, uma cartola de tecido acetinado;
- peças do próprio navio, como ornamentos luminosos, um querubim de bronze, suportes metálicos de bancos de convés, candeeiros em pêndulo, sinos que deram o alarme do acidente, telégrafo da casa das máquinas, telefones com altifalantes, megafone com que o Capitão Smith terá dado a última ordem para abandonarem o navio, coletes salva-vidas, manivelas de turco, etc…
- entre os objectos de cozinhas e diversas salas de jantar, conforme as classes, podiam apreciar-se grandes caçarolas e panelas, peças de louça e as tais “pratarias” decorativas funcionais, que englobavam os serviços de faqueiros.
Ainda nos foi dado observar garrafas de champagne, néctar da melhor qualidade, garrafas de cerveja e botijas de cerâmica.
Se citasse tudo, a enumeração seria infindável.

E o mito das “ditas colheres do Titanic” que, por Ílhavo existem, continua.


Exactamente iguais às que conheço, apenas com a estrela relevada da WSL, no cabo, só agora me foi dado observar.


Além das colheres de sopa, também de doce, garfos de servir, de dentes tremidos e concha de sopa, em plaqué, com o mesmo motivo.
Curioso! Os bilhetes de acesso à exposição são uma cópia fiel do acesso à viagem inaugural do barco, com o preenchimento de dados do/a passageiro/a.


Já que estava disponível, escolhi o bilhete de Millvina Dean, a última sobrevivente do naufrágio, que, há meses, morreu num lar de Southampton, com 97 anos de idade, a 97 anos da data do acidente. Como a sua morte sucedeu com a exposição já montada, o bilhete ainda não tinha actualizado o seu desaparecimento..--------------------------------------------------------------
A recriação da cena do iceberg, que pretende ser a mais forte, nem sempre é bem conseguida. No entanto, ao tocar a frigidez da falsa parede gelada, percebemos quão frias estavam as águas do Atlântico Norte, na noite do afundamento do Titanic, provocando muitas mortes por hipotermia, além do pânico e do afogamento. Fui informada de que a Exposição está patente ao público, ainda durante todo o mês de Agosto. Se puderem, não deixem de visitar!
Imagens – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 31 de Julho de 2009

Ana Maria Lopes

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domingo, 26 de julho de 2009

E o mito do Titanic continua ... I



Visitei a exposição Titanic The artifact exhibition, em Lisboa, no espaço Rossio, no mês passado.
É a terceira vez que visito exposições sobre o Titanic:
Em 1994, no Museu de Greenwich; no Mercado Ferreira Borges, no Porto, em 2004 e, agora, no Rossio, em Lisboa, em 2009.
A emoção, pela terceira vez, já não foi a mesma, mas, lá, tive oportunidade de apreciar muito mais peças do que em 1994, porque as expedições ao local do Titanic, para estudos e recolha de peças, foram-se sucedendo.
E aprende-se sempre mais. A meu ver, a exposição está dignamente montada, de uma forma séria e criteriosa.

Modelo do Titanic, à escala de 1/350


Resume, um pouco, a história do navio desde o nascimento da lenda da construção (1907), do design naval rigoroso, criado em 1908, do início da construção em Março de 1909, do dia do lançamento à água, em 31 de Maio de 1911, do seu acabamento até Março de 1912, da viagem inaugural com partida de Southampton, em 10 de Abril de 1912, até ao desfecho dramático do Iceberg à vista!, pelas 23 horas e 40 minutos de 14 de Abril de 1912.

A RMS Titanic tem-se empenhado em reunir, preservar e restaurar o máximo possível de objectos.
A história já foi contada e recontada, mas nunca de uma forma tão intensa e apaixonante como o fazem os artefactos diversos apresentados nesta exposição.
Os objectos estavam lá, na hora, pertenceram ao navio e às pessoas que navegaram nele. Não pretendem afastar a dor da perda dos passageiros, mas demonstram a importância de recordar e celebrar todos aqueles cujas vidas desapareceram com o naufrágio.

O achamento do Titanic contou com a colaboração de cientistas, aquanautas, historiadores, arqueólogos, engenheiros marítimos, arquitectos navais e conservadores de todo o mundo.
Antes da recuperação dos artefactos do Titanic, não havia uma especialização na conservação de materiais, retirados de uma profundidade de 3800 metros e sujeitos a uma pressão colossal!
Cada objecto exige um tratamento especial e a enorme variedade de materiais impõe a intervenção de especialistas não só em papel, mas também em têxteis, madeiras, metais, cerâmica, couro, etc.
Infelizmente, não existem técnicas de preservação do próprio navio, que está lentamente a ser consumido por micróbios que comem ferro. Parece impossível como a opulência do Titanic alimenta a sofreguidão de micróbios exíguos…

O que mais me impressionou?

(Cont.)

Costa-Nova, 26 de Julho de 2009

Ana Maria Lopes

terça-feira, 9 de junho de 2009

TITANIC - Morreu a última sobrevivente



Mais uma vez o indestrutível navio…

Millvina Dean, a última sobrevivente do naufrágio do Titanic, morreu, aos 97 anos, em Southampton, no lar onde decidira passar os últimos dias da sua vida, a 31 do passado mês de Maio. Com 97 anos, a 97 anos do naufrágio…
Ironicamente, quando os problemas financeiros do resto da sua vida haviam sido resolvidos pelos consagrados actores do film Titanic (1997) – Leonardo Di Caprio e Kate Winslet – que promoveram um fundo que lhe permitiria pagar a mensalidade da casa de repouso e as despesas médicas, expirou.

Millvina Dean


Há uns meses (18.10.2008), anunciara que iria leiloar todos os objectos que tinha, da época, para poder arcar com as suas despesas. E assim o fez. Millvina era, então, a única sobrevivente do Titanic, depois da morte da sua compatriota, Barbara Joyce Dainton, em 2007.
Dean tinha apenas dois meses quando seguiu a bordo do famoso navio, ao colo da mãe, tendo, mais tarde, contado a história da sua vida, pelos quatro cantos do mundo, mesmo sem ter memória exacta, propriamente dita, do sucedido.
A mãe e um irmão mais velho de Millvina sobreviveram, enquanto o pai perdeu a vida no terrível acidente, quando a família ia emigrar para o Kansas, nos Estados Unidos, para começar uma vida nova.
Os amantes do misticismo do Titanic, terão agora, na estação do Rossio de Lisboa, até ao início de Agosto uma grandiosa exposição para visitar, a que tenciono não faltar, para passar a conhecer mais alguns dos segredos do Titanic. Para mais informações, poderão consultar o site http://www.titaniclisboa.com/


O Titanic, famoso pelo luxo das suas instalações, era notável, também, para a época, pelas suas dimensões.

Modelo do navio, à escala de 1/350


Tinha 269,10 metros de comprimento, 28 de largura e 46,328 toneladas de arqueação, com uma altura da linha de água até ao tombadilho das baleeiras, de 18 metros.
As máquinas, accionadas a vapor, eram as maiores, construídas até então, com 28 caldeiras. Estas geravam uma pressão de 15 Kg/cm2, consumindo 728 toneladas de carvão em cada 24 horas. O vapor produzido accionava as turbinas Parsons, que desenvolviam 51 000 hp e impulsionavam o navio a uma velocidade máxima de 23 nós.
Podia transportar um total 3 547 pessoas, entre passageiros e tripulação.

Curiosidade:
A partida de Southampton, a 10 de Abril de 1912, não aconteceu sem incidentes – assim que os rebocadores começaram a afastar o Titanic do cais, a água deslocada provocou a quebra de amarras de outro navio, o New York, que se aproximou do Titanic, faltando apenas pouco mais de um metro para que os dois colidissem.

Erro fatal:
Indubitavelmente, o navio mais luxuoso que alguma vez cruzara os oceanos, não reunia um dos aspectos mais importantes do projecto – a segurança.
Levava 3 560 coletes salva-vidas individuais, mas apenas 16 baleeiras (para 1 178 pessoas), das 64 previstas pelo primeiro desenhador, que teriam sido suficientes para salvar os 3 547 passageiros.
Mas, como o mito da indestrutibilidade do Titanic era tão radical, assim aconteceu…

Os últimos momentos do Titanic, segundo um dos sobreviventes:

“O navio levantou-se lentamente, girando sobre o seu centro de gravidade, para adoptar uma posição vertical e ficou imóvel!
As luzes, que tinham permanecido acesas durante toda a noite sem falharem, apagaram-se de imediato, voltaram a acender-se e, finalmente, desapareceram para sempre…
O Titanic estava direito como uma coluna e descia a pouco e pouco para se afundar definitivamente… Os gritos dos náufragos, que a princípio eram fortes, enfraqueceram lentamente, até cessarem por completo.”


Se puder, não perca, no Espaço Rossio, em Lisboa, mais uma exposição majestosa e histórica, espero.

Postal e fotografia do navio – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 9 de Junho de 2009

Ana Maria Lopes

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tradição escrita... das "memórias ilhavenses" do Titanic




Já em 1996, quando Jean Pierre Andrieux me ofereceu o seu livro Disasters & Shipwrecks, vol. 3, 1940 – 1980, li uma passagem que me surpreendeu e que resumo, traduzindo-a:

Durante o Verão de 1993, fui convidado pelo Comandante António M. São Marcos, narra Andrieux, para um almoço a bordo do arrastão de popa, para pesca longínqua, Inácio Cunha, que, então comandava. Este navio, de alojamentos bem distribuídos, que eu conheça, era o último navio da frota de pesca portuguesa que tinha o logotipo do proprietário Testa & Cunhas, estampado em toda a sua louça – era a Cruz de Malta.
Tinha visto, vários anos antes, louça com variados logotipos noutros navios, mas tal prática desaparecera por completo. Falámos da expedição de 1993 ao Titanic, onde foram recuperadas louças, pratas e outros artefactos do desafortunado navio. Rapidamente, o Comandante São Marcos mostrou que isto não era novidade para si e que, desde criança, convivera com “pratas” do Titanic. Como podia ser, se os primeiros objectos só haviam sido recuperados na expedição de 1987? – pensei eu.
Como vim a perceber, para meu grande espanto, um tio-avô do Comandante, o Capitão João Frade, tinha comandado o Leopoldina (?), na Primavera de 1912. Após a tragédia do Titanic, os Grandes Bancos estavam atulhados de despojos flutuantes do desafortunado paquete. A tripulação do navio recolheu alguns destes destroços, entre os quais estava uma arca com talheres, todos marcados com o símbolo da White Star Line, proprietária do Titanic. Quando regressou a Portugal, apresentou o lote ao armador do navio, tendo ficado apenas com uma pequena parte que retirou para ele e distribuiu pelos familiares e amigos mais íntimos.
Daí a explicação para o facto de algumas famílias de Ílhavo possuírem alguns, poucos, talheres do Titanic. Pergunto eu: será que isto é verdade e os talheres seriam reconhecidos como tal? Até hoje, ainda não tenho uma certeza absoluta.

Em 1997, o magistral filme dirigido por James Cameron e estrelado por Leonardo Dicaprio e Kate Winslet, com o mesmo nome, mais uma vez endeusa o tema. Torna-se na maior bilheteira do cinema americano e mundial e açambarca 11 dos 14 Óscares.

The New York Times



No Verão passado, o Capitão João São Marcos presta um depoimento, nas Memórias de um Pescador, que escreveu:

No lugre Leopoldina (?), em fins de Maio de 1912, o ti João Grilo, capitão de navios uma vida inteira, em fins de Maio de 1912, ao chegar à Terra Nova, encontrou aboiado e apanhou um armário de sala de jantar do paquete Titanic, com talheres da “White Star Line” que, ao chegar à Figueira da Foz, em Outubro, concluída a campanha de pesca, entregou ao seu armador, Lusitânia de Pesca.
Destes talheres, guardo como relíquia de valor incalculável e da herança deixada do capitão Grilo, um talher.

Por duas vezes, aparece evocado o nome do Capitão João Grilo (Frade), como sendo o autor dos achados, enquanto capitão do lugre Leopoldina.
Amigos também versados no assunto alertaram-me de que teria sido, de facto, o Capitão João Grilo, mas a bordo do lugre Trombetas, um primeiro que existiu, já registado em 1903 na Figueira da Foz, antes do construído em Fão em 1922.

Esta informação também está confirmada na grelha existente na página 99 do livro de Manuel Luís Pata, A Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau, Vol. I, que regista a chegada do lugre Trombetas a 27.10.1912, tendo como capitão João Francisco Grilo, com base na informação que lhe chegou através de A Voz da Justiça, da Figueira da Foz, daquele mesmo ano. De qualquer das maneiras, é uma achega, que não queria deixar de registar.

1º Lugre Trombetas – 1913


Fala-se, nos meios mais próximos, que será lembrado o centenário do acidente, em Abril de 2012, com uma exposição jamais vista, não sei onde. Faltam pouco mais de três anos. Talvez eu, ou alguém por mim, consiga averiguar, de vez, se se trata realmente de colheres do Titanic, ou se a imaginação popular e o diz que diz acrescentaram o resto à história. Quem conta um conto, acrescenta um ponto… Mas que a explanação tem fundamento, tem.

Fotografias – Arquivo pessoal da autora e de Reimar

Ílhavo, 8 de Fevereiro de 2009

Ana Maria Lopes

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Na senda das exposições do Titanic



Em 1985, uma equipa de oceanógrafos franceses e americanos descobriu o Titanic naufragado, dividido em duas partes; em 1986, iniciaram-se os trabalhos de mergulho na extensão dos escombros numa área equivalente ao centro de Londres. Mais três expedições foram levadas a cabo até 1994, tendo sido recuperados 3600 objectos, para o que foi utilizado o submergível Nautili, símbolo de alta tecnologia.

No final de 1994, em grandes parangonas, o National Maritime Museum – Greenwich – London anuncia THE WRECK OF THE TITANIC – Exhibition.

Sorvi a informação. Mesmo com tempo limitado, porque não soube logo, não podia faltar e aí fui até Londres. Que emoção!

Não perdi o meu tempo. A exposição estava organizada em nove secções, com cerca de 150 objectos. Alguns destes sectores eram recordados através de documentação da época.

Para além da extraordinária maqueta que representava o Titanic dividido em dois, as secções que mais me cativaram foram os objectos e as técnicas da sua preservação. O reconhecimento da baixela em prata atraía-me: estão mesmo a imaginar o motivo.


Peças da baixela de prata do Titanic


O que pude ainda observar?


Coletes de náufragos, lustres de um dos luxuosos salões, restos das cadeiras dos deques, porcelanas, cristais, peças da baixela em prata, instrumentos náuticos e objectos pessoais de passageiros desde pincéis de barba, agendas, pentes, palitos, botões de fardas e jóias (relógios, voltas de ouro com pingentes, alfinetes de gravata, etc.).


Vestígios de dois luxuosos lustres do Titanic


O rescaldo encontrado muito dizia da soberba qualidade do navio, da nobreza dos materiais nele utilizados e do nível social dos passageiros que fizeram a sua primeira e última viagem.
Incrível, um exemplar do jornal Southern Echo, do dia 9 de Abril de 1912, ainda legível!
A limpeza e manutenção de tão delicados objectos são uma verdadeira lição na arte da preservação, levada a cabo, entre outros, pelos laboratórios da Electricidade de França.
Sempre alerta de outras possíveis exposições, em 2004, tive conhecimento da que se realizou no Porto, no grande espaço do mercado Ferreira Borges. Não pude faltar, eu e o meu neto mais velho.


Bastante pomposa, esta exibição, recriava imensos cenários, mas, para mim, não transmitia um espírito tão sério, científico e investigador, quanto a de Londres. De modo algum.


(Cont.)


Fotografias – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 5 de Fevereiro de 2009

Ana Maria Lopes

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Colheres do Titanic...as minhas "memórias"

Quando pretendo explorar um assunto e ele se vai esclarecendo, se lhe vão juntando pequenos dados, tudo caminha no mesmo sentido – é como que uma tragédia grega que atinge o seu clímax.
O processo, neste caso, não é bem o mesmo, porque desde que me lembro, comecei a ouvir falar do Titanic, em casa dos meus avós maternos, a propósito, de umas simples, mas fortes e sóbrias colheres de sopa, de prata, com uma estrela relevada, na extremidade do cabo, logotipo da White Star Line. Estas colheres faziam parte de um dos faqueiros do luxuoso Titanic. Como, porquê e a que propósito?

Colheres de prata do Titanic?...


Aqueles dados foram-se avolumando na minha cabeça, até porque o meu Pai, de vocação nada marítima, manifestava um certo endeusamento pelo Titanic, o maior vapor da época, o mais luxuoso, o”inafundável”, como diziam, que chegou a desafiar os desígnios de Deus, acabando por naufragar num acidente fatídico, ao colidir, na sua viagem inaugural, com um gigantesco iceberg, na noite de 14 de Abril de 1912, sem que a orquestra nunca tivesse parado de tocar, para não aumentar o pânico entre os passageiros.


Em 1958, a história do Titanic encheu os ecrãs do cinema com o film”A Night to Remember”, com Kenneth More, no principal papel. A preto e branco, transmitia-nos todo o drama por que aquela gente passara, a maioria, sem retorno. Ainda muito jovem, vi-o no Teatro Aveirense, mas aí, então, não pensava muito nas colheres com as quais convivia.


Ainda adolescente, era-me contado que aquelas colheres tinham sido encontradas nos restos de um riquíssimo aparador, só com uma gaveta, com a inscrição TITANIC. Não nos esqueçamos, pois, de confrontar datas e percursos. De Abril a Setembro era a altura do ano em que os lugres bacalhoeiros faziam, parcialmente, uma rota idêntica à do Titanic, que, ao sair, na sua viagem inaugural, de 1912, em 10 de Abril, de Southampton para Nova Iorque, via Cherbourg e Queenstown, naufragara em 14 de Abril, às 11.40 p. m.

Postal naïf do naufrágio


Tal “cómoda” teria sido “pescada”, de bordo de algum lugre bacalhoeiro, por pessoa amiga ou aparentada do meu Avô, que havia distribuído parte do faqueiro por algumas, poucas, famílias ilhavenses.


Era o que a tradição oral ia revelando e lá que tinha alguma lógica, tinha. E, se para experimentar a sensação, um belo dia, puséssemos uma mesa requintada com as presumíveis colheres, para saborearmos a sopa, Avó e netos, imaginando-nos passageiros, de 1ª classe, do tal mítico Titanic, no mundo do faz-de-conta?


Os anos foram passando, sem nada de especial referente ao assunto, a não ser algumas notícias relativas a sobreviventes ainda “vivas” do naufrágio.
E o trazer agora à cena o assunto do Titanic, se bem que estivesse “em agenda”, ocorreu, porque li, há uns meses (18.10.2008), a notícia de que Millvina Dean, de 96 anos, a última “sobrevivente” do Titanic, ainda viva, anunciou que ia leiloar todos os objectos que tinha, da época, para poder pagar o lar de terceira idade onde habita.
Dean tinha apenas dois meses quando seguiu a bordo do famoso navio, ao colo da mãe, tendo revelado que não tinha memória do sucedido e assim teria preferido ficar, do que ter visto o blockbuster de 1997 "Titanic”. Millvina é actualmente a única sobrevivente do Titanic, depois da morte da sua compatriota, Barbara Joyce Dainton, há dois anos (2007).


(Cont.)


Fotografias – Arquivo pessoal da autora e de Reimar

Ílhavo, 1 de Fevereiro de 2009

Ana Maria Lopes