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sábado, 18 de agosto de 2018

Na senda das exposições do Titanic... mais uma!...

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Ontem, no Exploratório de Coimbra, dia 17 de Agosto, pelas 17 horas, foi inaugurada a exposição TITANIC - A Reconstrução.
Tenciono visitá-la e será, para mim, a quinta exposição sobre o Titanic, que visitarei.

A primeira, em 1994, no Museu de Greenwich. A segunda, no Mercado Ferreira Borges, no Porto, em 2004 e a terceira, no espaço Rossio, em Lisboa, em 2009. Foi há bem pouco, que, a convite especial de Paulo Trincão, que muito agradeço, que visitei esta mesma exposição TITANIC – A Reconstrução, presente na Expofacif, em Cantanhede, durante dez dias.
Foi acarinhada com muito interesse e visitada por 18 mil e quinhentas pessoas, num espaço de tempo bastante limitado.

Apesar de já saber que viria a estar presente no Exploratório de Coimbra, a partir de 18 de Agosto, não deixei de vencer a onda de calor dos inícios de Agosto, para visitar o pomposo Titanic, que, em 1912, um ainda mais gigantesco iceberg afundou, sem dó nem piedade. E tal afundamento, pelas suas condições, serviu de tema a livros, a um mar de notícias, a grandes filmes, e, finalmente, já a algumas exposições, depois de terem sido encontrados os seus despojos no fundo do mar, umas dezenas de anos após o naufrágio (1912-1985).

A emoção não foi a mesma da sentida nas anteriores, em que pretendia creditar a existência dos mágicos talheres do Titanic, pertença de algumas famílias figueirenses e, sobretudo, ilhavenses. Já o tinha conseguido na terceira exposição no espaço Rossio, em Lisboa, em 2009. Mas, aprende-se sempre mais e a exibição estava dignamente montada, de uma forma séria e criteriosa, deixando para o final a sumptuosa surpresa.
Resume, um pouco, a história do navio desde o nascimento da lenda da construção (1907), do design naval rigoroso, criado em 1908, do início da construção em Março de 1909, do dia do lançamento à água, em 31 de Maio de 1911, do seu acabamento até Março de 1912, da viagem inaugural com partida de Southampton, em 10 de Abril de 1912, até ao desfecho dramático do Iceberg à vista!, pelas 23 horas e 40 minutos de 14 de Abril de 1912.
Recria alguns míticos espaços, começando pela  fotografia em grande formato da escadaria sumptuosa de acesso aos salões de 1ª classe, alguns pormenores das instalações de lavabos, diversas peças de louça, de garrafas de champagne Henri Abelé, alguns instrumentos da orquestra que tocaria, enquanto o Titanic se afundava, a cabine telegráfica Marconi, muitas fotografias conhecidas, mas sempre emocionantes, em tamanho fantástico de cenas fulcrais no naufrágio, os cadeirões do casal Strauss, de história empolgante,  no deck da primeira classe, e a simulação de uma das várias caldeiras a carvão, do navio.
E a ansiedade vai-se cultivando, à medida que os cenários nos conduzem até ao simbólico e gigantesco iceberg, que destruiu o dito indestrutível.

 
Escadaria famosa
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Pormenores dos lavabos individuais
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Garrafas de champagne, louças e outros objectos
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Alguns instrumentos da orquestra
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Cabine Marconi
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E chegamos ao climax… à simulação do iceberg e da fenomenal «maquette», de cerca de doze metros de comprimento, que a todos espanta, bem como do estaleiro White Star Line, onde o navio foi magistralmente construído.
De bombordo, uma plataforma aproxima os visitantes a nível do modelo, e a estibordo, a «maquette» é aberta, de modo a serem observados todos os pormenores dos diversos conveses, iluminados e em movimento.

Perante o iceberg e o modelo gigantesco

Panorâmica do modelo, a estibordo
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E ficamos por aqui. Quem quiser saber mais, vá mesmo visitar.
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Fotografias de Paulo Godinho
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Costa Nova, 18 de Agosto de 2018
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Ana Maria Lopes
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quarta-feira, 4 de junho de 2014

Os Talheres Mágicos do Titanic

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Dirão: – mas será que «ela» ainda não se calou com os talheres do Titanic?
Já estavam adormecidos e recatados, mas, neste caso, vieram desafiar-me a mim e a eles. E, quando a participação me entusiasma, singela que seja, não a recuso. E, aceitei-a com entusiasmo.
Partiu de Paulo Trincão, na altura, Professor da UA., que tinha em mãos um projecto financiado pelo programa COMPETE-QREN, que tinha a ver com a acção «Biodiversidade nos Supermercados».
Escrever um livro tendo como público-alvo crianças dos 4 aos 8 anos, com o objectivo de as levar a aceitar uma alimentação saudável, fazia parte do projecto.
 

E neste caso, a história dos talheres do Titanic, os da «estrelinha» no cabo, ajudariam com a sua magia a convencer a menina, a comer peixinho cozido acompanhado de batata e couve-flor. E enloilada pela história, o prato ficou rapadinho e muitos conceitos apreendidos.
E onde entro eu? – exactamente no final. Os autores deste livro infantil, Paulo Trincão (texto) e Cristiana Sampaio (ilustração) vieram a saber que uma das donas de colheres do Titanic era uma pessoa conhecida e amiga.
O Prof. Paulo Trincão também quis quebrar a tal magia, ver as colheres, fotografá-las e pedir-me se eu contava em linguagem infantil, tudo quanto sabia acerca delas e o que tinha feito mais para as tentar identificar. E mais uma vez, a história aqui vai, um pouco mais ficcionada, visto que se destina ao nível etário em causa.

Noite de consoada do Natal de 2012…

Em redor da mesa, familiares reunidos, aquecidos pelo calor humano e pela fogueiraça, que reluzia, crepitando, na lareira. Três gerações em volta da mesa. Dos mais velhos às crianças.
Ia ser servida a canja, quando a minha netinha de nove anos, a Beatriz, me retorquiu:
Ó Avó, não tens talhares do Titanic? Vimos-te, há tempos, na televisão com eles… e também já os conhecíamos. Podíamos comer a sopinha com as colheres da estrelinha, as do Titanic…
Ó querida, tenho sim e gosto muito delas, mas, agora, a Avó já não as tem, ali, na vitrina, e estão longe, num cofre-forte, guardadas. Vamos marcar isso para a próxima vez.
O Jorge, o irmão mais velho, para «picar» a irmã, interveio:
Ah, eu já comi sopa com a Avó com as colheres do Titanic.

E assim tinha acontecido.

Mas havemos todos de saborear esse momento, noutro dia. Está bem?
Os talheres mágicos, salvados do Titanic, também a mim me encantaram e seduziram toda a vida.
Existem nesta casa, desde que me lembro, seis colheres sóbrias e pesadas, de prata, com a estrela relevada, no cabo, logotipo da WSL, companhia a que o Tinanic pertenceu. Desde sempre o meu Avô me contou a história deles, repetida mais tarde pela minha Avó, após a sua partida.
O Titanic, paquete colossal e luxuoso, naufragara contra um malvado e gélido iceberg, na sua viagem inaugural, quando saiu de Southampton (Reino Unido) em direcção a Nova Iorque, na madrugada do fatídico dia 14 de Abril de 1912.
Por essa altura, costumavam os veleiros portugueses da pesca do bacalhau partir dos diversos portos que os apetrechavam, em direcção aos Grandes Bancos, de onde voltavam por meados de Setembro a Novembro. Ora, consta que, em Ílhavo, algumas famílias possuem talheres provenientes do Titanic, mas todos com a mesma origem. E o que nos dizia a tradição?
Na primavera de 1912, ao dirigirem-se para a pesca, pescadores do lugre Trombetas, da praça da Figueira da Foz, «pescaram» uma cómoda que boiava, mais ou menos no sítio, um pouco mais a norte, onde tinha naufragado o luxuoso paquete. Era seu capitão, à época, o ilhavense João Francisco Grilo, de alcunha, Frade, casado com a irmã Rosário da minha bisavó, a «arraisa» Joana Caloa. Nesse mesmo ano, o meu Avô, Manuel Simões da Barbeira, mais conhecido por Capitão Pisco, sobrinho e afilhado do achador, capitaneara o lugre Golfinho, também da mesma praça da Figueira da Foz. Entraram essa barra, ambos, a 27 de Outubro de 1912, testemunha o jornal «A Voz da Justiça», da Figueira da Foz.
O capitão, à chegada, deu contas do achado ao seu armador, da Lusitânia Companhia Portuguesa de Pesca, mas, talvez, tendo este ficado com alguns talheres, não deu grande importância ao assunto e aconselhou o Capitão Frade a trazê-los para Ílhavo, ficar com alguns e distribuir os restantes por familiares e amigos. Foi esta a origem das minhas, hoje, seis colheres de prata, com a estrela relevada da WSL.
Esta história mítica, mas «com pernas para andar», porque as coincidências e probabilidades são mais que muitas, manteve-se dezenas de anos no seio destas famílias ilhavenses que não gostavam muito de falar do assunto – fui constatando.
Nos anos oitenta (1985), a descoberta e localização dos despojos do Titanic, no fundo do mar, e as diversas explorações subsequentes, trouxeram de novo «o navio ao de cima».
Também o grandioso filme, em 1997, Titanic, empolgou os espectadores e fez dos actores Leonardo di Caprio e de Kate Winselet, um par romântico do cinema, bem como a música, que enleva e inebria.
O interesse pelas colheres mágicas ressalta-me, e, na qualidade de Directora do Museu Marítimo de Ílhavo, na década de noventa, tinha gosto em certificar mais esta tradição. Eis que o National Maritime Museum – Greenwich – Londres, em 1994, em grandes parangonas, anuncia a exposição – The Wreck of Titanic. Sorvi a informação e pus-me lá, em dois tempos. Mas, embora tenha apreciado muito, talheres iguais não eram apresentados. Desconfiei…, mas, o peso da tradição ilhavense tinha mais força.
Dez anos após, o Mercado Ferreira Borges, no Porto, exibiu uma exposição idêntica, que também não me elucidou completamente. Foi preciso chegar a uma terceira exposição apresentada na Estação do Rossio, em 2009, em Lisboa, quando, ao visitar a secção de objectos de cozinha, da baixela e faqueiros da sala de jantar, não me contive que não soltasse uma exclamação de alegria e espanto. Disse para o meu neto, que me acompanhava.
Jorge, aqui estão talheres (eram vários) do Titanic iguaizinhos às colheres que temos lá em casa. Sorriu com um brilho nos olhos. Pois, pudera, já tinha comido sopa com elas!!!!!!!!!



Constatei que o Catálogo desta exposição, que guardo com carinho, tem fotografado o cabo de uma colher igualzinha às referidas. Muito forte razão para o comprar de imediato.
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Ílhavo, 30 de Novembro de 2013
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Ana Maria Lopes
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Nota – o livro, pelo menos esta edição, não é vendável. Imagino que seja divulgado pelo Departamento de Biologia da UA, em acções formativas.
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Ílhavo, 4 de Junho de 2014
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Ana Maria Lopes
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domingo, 4 de março de 2012

Terceira Exposição sobre o Titanic - a grande revelação - 4

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E uma terceira exposição a não perder fora, entretanto, anunciada, no espaço Rossio, em Lisboa, – Titanic The artifact exhibition, em Julho de 2009.
A terceira exposição sobre o Titanic que visitei e a emoção já não foi a mesma, mas, lá, tive oportunidade de apreciar muito mais peças do que em 1994, porque as expedições ao local do naufrágio, para estudos e recolha de peças, foram-se sucedendo.

E aprende-se sempre mais. A meu ver, a exposição estava dignamente montada, de uma forma séria e criteriosa.

Resumia, um pouco, a história do navio desde o nascimento da lenda da construção (1907), do design naval rigoroso, criado em 1908, do início da construção em Março de 1909, do dia do lançamento à água, em 31 de Maio de 1911, do seu acabamento até Março de 1912, da viagem inaugural com partida de Southampton, em 10 de Abril de 1912, até ao desfecho dramático do Iceberg à vista!, pelas 23 horas e 40 minutos de 14 de Abril de 1912.

A RMS Titanic tem-se empenhado em reunir, preservar e restaurar o máximo possível de objectos.
A história já foi contada e recontada, mas nunca de uma forma tão intensa e apaixonante como o fizeram os artefactos diversos apresentados nesta mostra.

Os objectos estavam lá, na hora, pertenceram ao navio e às pessoas que navegaram nele. Não pretendiam afastar a dor da perda dos passageiros, mas demonstravam a importância de recordar e celebrar todos aqueles cujas vidas desapareceram com o naufrágio.

O achamento do Titanic contou com a colaboração de cientistas, aquanautas, historiadores, arqueólogos, engenheiros marítimos, arquitectos navais e conservadores de todo o mundo.
Antes da recuperação dos artefactos do Titanic, não havia uma especialização na conservação de materiais, retirados de uma profundidade de 3800 metros e sujeitos a uma pressão colossal!
Cada objecto exige um tratamento especial e a enorme variedade de materiais impõe a intervenção de especialistas não só em papel, mas também em têxteis, madeiras, metais, cerâmica, couro, etc.
Infelizmente, não existem técnicas de preservação do próprio navio, que está lentamente a ser consumido por micróbios que comem ferro. Parece impossível como a opulência do Titanic alimenta a sofreguidão de micróbios exíguos…
Então, o que mais me impressionou?
O ambiente lúgubre e escuro criado, a meu ver, apropriado à ambiência que pretendia retratar.
Os painéis expositivos eram apresentados continuamente, em andares diversos, separados por escadas metálicas, que simulavam o interior de um navio. Bancos de convés, criteriosamente colocados, permitiam o descanso dos visitantes e a observação rigorosa das peças.

O ruído de fundo imitava o barulho surdo das caldeiras a vapor, que, pela força da rotina, se deixava de ouvir!
Sempre que possível, um apontamento referente aos passageiros, donos das peças em exibição:
 - objectos íntimos, desde óculos, lorignons, lâminas e pincéis da barba, botões de punho, alfinetes de senhora e outras jóias mais requintadas;
 - peças de vestuário, desde meias, papillons, um casaco de empregado de mesa, uma cartola de tecido acetinado;
 - peças do próprio navio, como ornamentos luminosos, um querubim de bronze, suportes metálicos de bancos de convés, candeeiros em pêndulo, sinos que deram o alarme do acidente, telégrafo da casa das máquinas, telefones com altifalantes, megafone com  que o Capitão Smith terá dado a última ordem para abandonarem o navio, coletes salva-vidas, manivelas de turco, etc…
 - entre os objectos de cozinhas e diversas salas de jantar, conforme as classes, podiam apreciar-se grandes caçarolas e panelas, peças de louça e as tais “pratarias” decorativas funcionais, que englobavam os serviços de faqueiros.

 Ainda nos foi dado observar garrafas de champagne, néctar da melhor qualidade, garrafas de cerveja e botijas de cerâmica.
Se citasse tudo, a enumeração seria infindável.

E o mito das “ditas colheres do Titanic” que, por Ílhavo existem, continuava.
Exactamente iguais às que conhecia, apenas com a estrela relevada da WSL, no cabo, só nessa altura me foi dado observar. Os sóbrios talheres ilhavenses, de prata, teriam sido mesmo do Titanic! Prova das provas! Que emoção!


In Catálogo

Ao natural…
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A partir do momento em que na Costa Nova, este verão de 2011, tive o prazer de conhecer, através do Zé Paulo Vieira da Silva, Christopher Davino, membro de topo da RMS Titanic, organizador desta Exposição e autor do Catálogo, tudo, para mim, ganhou uma nova dimensão.


Christopher Davino e AML
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Além das colheres de sopa, também se expunham de doce, garfos de servir, de dentes tremidos, e concha de sopa, em plaqué, com o mesmo motivo.

Foto da Net, com alguns talheres em exibição

A recriação da cena do iceberg, que pretendia ser uma das mais fortes, nem sempre me pareceu bem conseguida. No entanto, ao tocar a algidez da falsa parede gelada, percebemos quão frias estavam as águas do Atlântico Norte, na fatídica noite do afundamento, provocando muitas mortes por hipotermia, além do pânico e do afogamento.
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O que se seguirá?
Uma exposição em Ílhavo? Nunca se sabe…Pelo menos a esperança de ver o documentário, que apenas contemplou Ílhavo, em Portugal, Suíça, França, Reino Unido e Estados Unidos. Será exibido em França, no dia 30 deste mês e, em Portugal, nos primeiros dias de Abril, na TV 5.
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Imagens – Arquivo pessoal da autora
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Ílhavo, 4 de Março de 2012
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Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Na senda das exposições do Titanic - 3

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Em 1985, uma equipa de oceanógrafos franceses e americanos descobriu o Titanic naufragado, dividido em duas partes; em 1986, iniciaram-se os trabalhos de mergulho na extensão dos escombros numa área equivalente ao centro de Londres. Mais três expedições foram levadas a cabo até 1994, tendo sido recuperados 3600 objectos, para o que foi utilizado o submergível Nautili, símbolo de alta tecnologia.
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No final de 1994, em grandes parangonas, o National Maritime Museum – Greenwich – London anuncia THE WRECK OF THE TITANIC – Exhibition.
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Sorvi a informação. Mesmo com tempo limitado, porque não soube logo, não podia faltar e então fui até Londres. Que emoção!

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Não perdi o meu tempo. A exposição estava organizada em nove secções, com cerca de 150 objectos. Alguns destes sectores eram recordados através de documentação da época.
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Para além da extraordinária maqueta que representava o Titanic dividido em duas partes, as secções que mais me cativaram foram os objectos e as técnicas da sua preservação. O reconhecimento da baixela em prata atraía-me: estão mesmo a imaginar o motivo. Mas não vi talheres exactamente iguais aos ditos…. Mas, havia várias classes, a bordo, com decorações e equipamentos diferentes – pensei eu.



Peças da baixela de prata do Titanic


 
O que pude ainda observar?
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Coletes de náufragos, lustres de um dos luxuosos salões, restos das cadeiras dos deques, porcelanas, cristais, peças da baixela de prata, instrumentos náuticos e objectos pessoais de passageiros desde pincéis de barba, agendas, pentes, palitos, botões de fardas e jóias (relógios, voltas de ouro com pingentes, alfinetes de gravata, etc.) até…
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O produto encontrado muito dizia da soberba qualidade do navio, da nobreza dos materiais nele utilizados e do nível social dos passageiros que fizeram a sua primeira e última viagem.
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Incrível, um exemplar do jornal Southern Echo, do dia 9 de Abril de 1912, ainda legível!
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A limpeza e manutenção de tão delicados objectos são uma verdadeira lição na arte da preservação, levada a cabo, entre outros, pelos laboratórios da Electricidade de França.
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Sempre alerta de outras possíveis exposições, em 2004, tive conhecimento da que se realizou no Porto, no grande espaço do mercado Ferreira Borges. Não pude faltar, eu e o meu neto mais velho lá fomos, para lhe incutir o fascínio pelo Titanic.

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Bastante pomposa, esta exibição, recriava imensos cenários, mas, para mim, não transmitia um espírito tão sério, científico e investigador, quanto a de Londres. De modo algum.
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(Cont.)

Fotografias – Arquivo pessoal da autora


Ílhavo, 24 de Fevereiro de 2012
Ana Maria Lopes


domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tradição escrita...das "memórias ilhavenses" do Titanic - 2

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Já em 1996, quando Jean Pierre Andrieux me ofereceu o seu livro Disasters & Shipwrecks, vol. 3, 1940 – 1980, li uma passagem que me surpreendeu, segundo a qual, no Verão de 1993, num almoço a bordo do arrastão de popa, Inácio Cunha, que então dirigia o Comandante António M. São Marcos, a propósito da expedição de 1993 ao Titanic, onde foram recuperadas louças, pratas e outros artefactos do desafortunado navio, mostrou que isto não era novidade para si e que, desde criança, convivera com “pratas” do Titanic.
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Como podia ser, se os primeiros objectos só haviam sido recuperados na expedição de 1987(?) –interroguei-me.
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Como vim a perceber, para meu grande espanto, um seu familiar, o Capitão João Francisco Grilo, tinha comandado o Leopoldina (?), na Primavera de 1912. Após a tragédia do Titanic, os Grandes Bancos estavam pejados de despojos flutuantes do desafortunado paquete. A tripulação do navio recolheu alguns destes destroços, entre os quais estava uma arca com talheres, todos marcados com o símbolo da White Star Line, proprietária do paquete. Quando regressou a Portugal, apresentou o lote ao armador do navio, que não se interessou muito pelo assunto, aconselhando-o a ficar com uma parte e a distribuir os restantes, em Ílhavo, pelos familiares e amigos mais íntimos.

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Daí a explicação para o facto de algumas famílias de Ílhavo, incluindo a minha, possuírem uns tantos, poucos, talheres do Titanic. Pergunto eu: será que isto é verdade e os talheres seriam reconhecidos como tal? Demorou até ter uma certeza, que considero consistente.
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No Verão de 2008, o Capitão João Laruncho de São Marcos presta este testemunho, em Memórias de um Pescador:

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No lugre Leopoldina (?), em fins de Maio de 1912, o ti João Grilo, capitão de navios uma vida inteira, em fins de Maio de 1912, ao chegar à Terra Nova, encontrou aboiado e apanhou um armário de sala de jantar do paquete Titanic, com talheres da “White Star Line” que, ao chegar à Figueira da Foz, em Outubro, concluída a campanha de pesca, entregou ao seu armador, Lusitânia de Pesca.
Destes talheres, guardo como relíquia de valor incalculável e da herança deixada do capitão Grilo, um talher.
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Creio que este talher, hoje, já está na posse de seus filhos.
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Por duas vezes, aparece evocado o nome do Capitão João F. Grilo (Frade), como sendo o autor dos achados, enquanto capitão do lugre Leopoldina.
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Amigos também versados no assunto alertaram-me de que teria sido, de facto, o Capitão João F. Grilo, mas a bordo do lugre Trombetas, um primeiro que existiu, já registado em 1903 na Figueira da Foz, antes do construído em Fão em 1922.


Ficha do GANPB, do achador


Esta informação também está confirmada na grelha existente na página 99 do livro de Manuel Luís Pata, A Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau, Vol. I, que regista a chegada do lugre Trombetas a 27.10.1912, tendo como capitão João Francisco Grilo, com base na informação que lhe chegou através do jornal A Voz da Justiça, da Figueira da Foz, daquele mesmo ano.



1º Lugre Trombetas – 1913



De achado em achado, não é que não descobri que alguns talheres com a mesma origem dos meus, eram carinhosamente albergados numa casa da minha rua, há mais de cinquenta anos, na posse de familiares de terceira geração do Capitão Grilo?
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E nunca tinha ouvido dizer…
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Tenho provas de que algum secretismo envolvia a posse destas «relíquias», no seio das famílias em que existiam.

Para além de colheres de sopa e de chá, também vi, pela primeira vez, garfos do mesmo faqueiro.





Garfos



Mas os tempos são outros, e o mundo, na sua globalidade, permite encontros, trocas de ideias, reconto de histórias – os talhares ilhavenses do Titanic tiveram a sua confirmação plena e entraram na história dos artefactos do malogrado navio.


A descoberta em 1985 dos seus despojos, no fundo do oceano, as sucessivas exposições de artefactos, a partir de 1994, pelo mundo inteiro, para nós, foram aceleradas pelo acaso do ilhavense José Paulo Vieira da Silva, com quem convivemos, ter comandado o navio de pesquisa Jean Charchot, no Verão de 2010, numa última exploração em que uma equipa habitual de oceanógrafos, arqueólogos, cientistas e historiadores, recolheu imagens em 2 e 3 D, bem como dados preciosos para os estudos em causa.

E mais uma vez Ílhavo e a rota do Titanic se cruzaram – conheceram-se e aproximaram-se pessoas e objectos, num interesse comum e fascinante.

E as acções concretizaram-se. Numa adesão da CMI ao projecto, a sala da Faina Maior e o Arquivo do MMI serviram de palco a filmagens, bem como a minha rua, mesmo em obras de remodelação, e algumas das casas relacionadas com o achado.

Também no cais da Gafanha da Nazaré e noutros locais envolventes se caçaram imagens, tendo contado com todo o entusiasmo o que sempre ouvira dizer e o que fui aprendendo e constatando.


Outros actores «contratados», improvisados, mas empenhados, narraram com emoção as suas estórias verídicas, dando corpo a um mito(?), que tem fôlego para ser confirmado.
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Aproveito para agradecer, em nome do programa Thalassa, da TV francesa, a boa vontade da edilidade e de todos os outros participantes, que se afirmaram em equipa.



(Cont.)



Fotografias – Arquivo pessoal da autora

Ficha do Grémio - Gentil cedência do MMI



Ílhavo, 12 de Fevereiro de 2012



Ana Maria Lopes
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Programa Thalassa, France TV 3, em Ílhavo

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Nos cem anos do Titanic - 1

Perante o andar dos acontecimentos e o «puzzle» que se tem vindo a completar, resolvi reorganizar e reescrever as minhas memórias dos talheres do Titanic existentes em Ílhavo, a que já dedicara alguns posts, em anos transactos.
Mas, como disse, a estória, longe de estagnar, avançou e tem vindo a atingir o auge, com algumas coincidências, cruzamentos de dados e interesses criados, perante o ano de comemoração do desditoso naufrágio do grande Titanic – 2012.


Opinávamos em escritos anteriores – Ílhavo na «rota» do Titanic. À primeira impressão, pareceria descabido, mas, o que é certo, é que acabámos de receber, há dias, a televisão francesa, do Programa Thalassa, France 3, que por Ílhavo permaneceu três dias, para gravar alguns depoimentos e plasmar algumas imagens acerca de artefactos (talheres) do fatídico navio, bem como acerca do fascínio que em torno dele se tem vindo a gerar.
Desde que me lembro, comecei, na juventude, a ouvir falar do Titanic, em casa dos meus avós maternos, onde hoje habito, a propósito, de umas simples, mas fortes e sóbrias colheres de sopa, de prata, com uma estrela relevada, na extremidade do cabo, logotipo da White Star Line.


Estas colheres faziam parte de um dos faqueiros do luxuoso Titanic. Como, porquê e a que propósito?


Colheres de prata do Titanic?...



Aqueles dados foram-me dando volta à cabeça, até porque o meu Pai, de vocação nada marítima, manifestava um certo endeusamento pelo Titanic, o maior vapor da época, o mais luxuoso, o “inafundável”, como diziam, que chegou a desafiar os desígnios de Deus, acabando por naufragar num acidente fatídico, ao colidir, na sua viagem inaugural, com um gigantesco iceberg, na noite de 14 de Abril de 1912, sem que a orquestra nunca tivesse parado de tocar, para não aumentar o pânico aos passageiros (afirmação posta em causa).

Em 1958, a história do Titanic encheu os ecrãs do cinema com o filme ”A Night to Remember”, com Kenneth More, no principal papel. A preto e branco, transmitia-nos todo o drama por que aquela gente passara, a maioria, sem retorno. Ainda muito jovem, vi-o no Teatro Aveirense, mas aí, então, não pensava muito nas colheres com as quais convivia.

Ainda adolescente, era-me contado que aquelas colheres tinham sido encontradas nos restos de um riquíssimo aparador, já só com uma gaveta, com a inscrição TITANIC. Não nos esqueçamos, pois, de confrontar datas e percursos. De fins de Abril a Setembro/Outubro era a altura do ano em que os lugres bacalhoeiros faziam, parcialmente, uma rota aproximada, idêntica à do Titanic, que, ao sair, na sua viagem inaugural, de 1912, em 10 de Abril, de Southampton para Nova Iorque, via Cherbourg e Queenstown, naufragara em 14 de Abril, às 11.40 p. m.

Explicação hipotética, mas dada brilhantemente pelo Comandante António Manuel São Marcos, a bordo, perante uma carta geral do Atlântico Norte, para a TV francesa.
Ele, que também mostrou os seus talheres, entre os quais uma colher de sopa da estrelinha, com que, em criança, comia a sopinha toda, pela mão carinhosa da tia Mercedes…


No primeiro dia de encontro com a equipa, fez-se um reconhecimento dos possíveis locais de filmagem: Ílhavo e enquadramento geográfico, sala Faina Maior do MMI, Arquivo, algumas das casas onde existem os míticos e presumíveis talheres do Titanic.


Tal “cómoda” teria sido “pescada”, de bordo de algum lugre bacalhoeiro, por pessoa amiga ou aparentada do meu Avô, que havia distribuído parte do faqueiro por algumas, não muitas, famílias ilhavenses.
Era o que a tradição oral ia revelando e lá que tinha lógica de sobra, tinha. E, se para experimentar a sensação, um belo dia, puséssemos uma mesa requintada com as presumíveis colheres, para saborearmos a sopa, Avó e netos, imaginando-nos passageiros, de 1ª classe, do tal mítico Titanic, no mundo do faz-de-conta?

Os anos foram passando, sem nada de especial referente ao assunto, a não ser algumas notícias relativas a sobreviventes ainda “vivas” do naufrágio.

Millvina Dean, a última, que fizera a viagem com dois meses apenas, morreu, aos 97 anos, em Southampton, no lar onde decidira passar os últimos dias da sua vida, a 31 de Maio de 2009. Com 97 anos, a 97 anos do naufrágio…

Ironicamente, quando os problemas financeiros do resto da sua vida haviam sido resolvidos pelos consagrados actores do film Titanic (1997) – Leonardo Di Caprio e Kate Winslet – que promoveram um fundo que lhe permitiria pagar a mensalidade da casa de repouso e as despesas médicas, expirou.

Modelo do navio, à escala de 1/350



Tinha 269,10 metros de comprimento, 28 de largura e 46,328 toneladas de arqueação, com uma altura da linha de água até ao tombadilho das baleeiras, de 18 metros.



As máquinas, accionadas a vapor, eram as maiores, construídas até então, com 28 caldeiras. Geravam uma pressão de 15 Kg/cm2, consumindo 728 toneladas de carvão em cada 24 horas. O vapor produzido accionava as turbinas Parsons, que desenvolviam 51 000 hp e impulsionavam o navio a uma velocidade máxima de 23 nós.
Podia transportar um total 3 547 pessoas, entre passageiros e tripulação.
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Erro fatal:

Indubitavelmente, o navio mais luxuoso que alguma vez cruzara os oceanos, não reunia um dos aspectos mais importantes do projecto – a segurança.
Levava 3 560 coletes salva-vidas individuais, mas apenas 16 baleeiras (para 1 178 pessoas), das 64 previstas pelo primeiro desenhador, que teriam sido suficientes para salvar os 3 547 passageiros.
Mas, como o mito da indestrutibilidade do Titanic era tão radical, assim aconteceu…

(Cont).


Fotos de Arquivo da autora do Blog


Ílhavo, 4 de Fevereiro de 2012


Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Ílhavo na «rota» do Titanic - 2

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Não é que umas casas adiante da minha, na mesma rua, residem mais talheres do Titanic, autênticos, com a mesma origem, há cerca de meio século? Fiquei ansiosa por vê-los, fotografá-los e ouvir a versão do achado, quase há cem anos.




Colheres de chá

Em tudo era concordante com a que toda a vida ouvira e alargou-me mais os horizontes, acicatando-me o espírito de pesquisa e a curiosidade inerente.

Garfos



Lembrei-me, só agora, de ir ao Arquivo do MMI consultar as fichas vindas do GANPB e certificar-me de dados mais concretos do suposto achadorJoão Grilo, de alcunha, Frade.

Se o nome da pessoa não for completo, não se consegue facilmente o objectivo, mas, com paciência e consulta de outros documentos, lá chegámos à ficha do Capitão João Francisco Grilo:


Ficha do GANPB


Fornece-nos muitos dados, entre os quais o local e a data de nascimento, Ílhavo, em 1894, e navios que comandou.

À época, 1912, capitaneava um primeiro lugre Trombetas, da mesma firma (Lusitânia Companhia Portuguesa de Pesca da Figueira da Foz) que o lugre Leopoldina, que João Francisco Grilo também comandou, mas não nesse ano.

À época, também da Figueira, comandava o meu Avô, nascido em 1885, o lugre Golphinho. Sendo aparentado e amigo de João Grilo, recebeu as colheres que este «pescara» e lhe oferecera, como relíquia do inafundável Titanic.


E com estas achegas, se vai cada vez mais o «puzzle» compondo.

Terei ou não razão no título deste arrazoado?


Quem quiser estar por dentro do verdadeiro espólio do Titanic, tem que colocar Ílhavo na «rota» do seu destino.


Ou por que não a RMS Titanic pensar em fazer um exposição, em Ílhavo? Nunca se sabe.


Rotas cruzadas – Viagem inaugural do Titanic e ida para os pesqueiros dos lugres da Pesca do Bacalhau.



Imagens – Arquivo da autora do blog

Ficha  do Grémio– amável cedência do MMI


Ílhavo, 24 de Outubro de 2011

Ana Maria Lopes
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ílhavo na «rota» do Titanic - 1

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Talvez conduza os leitores amigos a concordarem com este título, à primeira vista delirante.

Em posts do mês de Fevereiro de 2009, dei-vos conta da predilecção que tinha pelas minhas colheres de sopa do Titanic e pelas «memórias» que as envolviam. Mito? Lenda? Realidade?

Tendo concluído que era uma história oral que «tinha pernas para andar», com um suporte real muito legítimo, lógico e credível, faltava-lhe uma autenticação por pessoa abalizada. Estará próxima, prometeram-me.

O que precipitou os factos? Coincidências ou destinos?

O Centenário em 2012 do fatídico naufrágio do luxuoso navio, com tudo de história, mito e lenda que em volta dele se gerou, aproxima-se.

E o Comandante, amigo e conterrâneo José Paulo Vieira da Silva capitaneou, no verão passado, um navio em que uma expedição da equipa RMS Titanic fez buscas ao local do naufrágio, com diversos e científicos fins.


No fundo do Oceano, presentemente

O Comandante deu a conhecer aos interessados a “estória” das colheres e, no regresso da viagem, viu e fotografou os talheres em causa, após entusiasmada conversa e troca de impressões.

Passou quase um ano e há pouco recebi um e-mail de Jérémie Marie, a perguntar-me se estaria interessada em contar a história, bem como em mostrar os «badalados» talheres, perante as câmaras, para um curto documentário francês acerca do Titanic, a rodar no ano do centenário.

Em princípio, concordei, vamos a ver se se realizará. A equipa de filmagens deslocar-se-á a Ílhavo para esse fim? !!!!! A ver vamos…

Neste último Agosto aparece também pela Costa Nova, trazido pelo Zé Paulo, outro especialista da RMS Titanic, interessado em conversar e ver as mesmas colheres – Christopher Davino, autor do Catálogo e Director Executivo da última exposição patente em Lisboa, no espaço Rossio (Julho 2009), Titanic The artifact exhibition.

Mas, como existem em Ílhavo? E há outras famílias que também possuem talheres, se bem que eu nunca os tivesse visto (a origem tinha sido a mesma).

Acharam a história encantadora e fascinante e perante a exequibilidade dos factos, prometeram que atestariam a autenticidade dos objectos.
Aguardemos…
Mas as coincidências não ficaram por aí…. Em banalidades de rua…, chegou-se aos talheres do Titanic e, imaginem, caso para dizer que santos de casa não fazem milagres.

(Cont.)

Imagens – Arquivo da autora do blog

Ílhavo, 27 de Setembro de 2011

Ana Maria Lopes
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terça-feira, 12 de outubro de 2010

A Lenda do Titanic continua...

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Pelo que acabei de ler no blog Pela Positiva, do Professor Fernando Martins, a lenda do Titanic continua a ter algo a ver com Ílhavo.
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Pela quantidade de posts que dediquei a este navio, pelas exposições a ele referentes que visitei, pelo "mito das suas colheres de prata" que me persegue, o artigo interessou-me sobremaneira.
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Ler a notícia, aqui.
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Ílhavo, 12 de Outubro de 2010
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Ana Maria Lopes