sábado, 12 de dezembro de 2015
Ceia de Natal - as mulheres das secas
domingo, 23 de dezembro de 2012
Ceia de Natal - as mulheres das secas
domingo, 7 de junho de 2009
Memórias... de Testa e Cunhas - II
Em “O Ilhavense” de 18.12.1927, quase que obtinha a resposta, mas quem seriam “ alguns dos nossos patrícios” citados?

Pela coincidência das datas e dos navios, fácil era concluir que a formação da firma Testa & Cunhas teria sucedido como consequência da aquisição dos bens da Empresa de Navegação e Exploração de Pesca de Aveiro. Mas devia ter na minha posse um documento que mo garantisse, e não apenas basear-me em suposições…
Rumei ao ADA (Arquivo Distrital de Aveiro), um pouco incrédula, disposta a consultar os Livros de Actos e Contratos da Comarca Notarial de Aveiro, do ano de 1927.
Com alguma sorte, as dúvidas ficaram sanadas.
Sempre associara o Avô Pisco (Manuel Simões da Barbeira) só a Testa & Cunhas e, passada uma vida, vim a descobrir que, antes disso, ele já fora armador da Empreza de Navegação e Exploração de Pesca Lda., que Testa & Cunhas, recém-formada, comprara, quatro dias depois da sua formação.
Cabeçalho da escritura da compra – 20.12.1927
Na folha 75 (verso), da escritura acima referida, de que possuo cópia, se escreve (…) que Manuel Simões da Barbeira, também pertencendo à sociedade vendedora, faz também parte da sociedade compradora (…).
Compra do Silvina, Ernani e Laura – 20.12.1927
E, na representação abaixo, se exibem, garbosos, os lugres, apesar de não terem mastaréus, na única foto que conheço, pelo menos, do Ernani.
Vista aérea do secadouro – anos 30
Nesta imagem, já o Laura, após reconstrução, tinha dado origem ao Cruz de Malta.
Fotografia – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 7 de Junho de 2009
Ana Maria Lopes
terça-feira, 2 de junho de 2009
Memórias ... de Testa e Cunhas - I
De post em post, de consulta em consulta, de arquivo em arquivo, de jornal em jornal, tenho descoberto algumas “novidades” da história da formação de Testa & Cunhas, que achei bem divulgar pelos interessados.
Tinha conhecimento, por razões pessoais, de que Testa & Cunhas lembrara os seus 50 e 75 anos com medalhas alusivas e comemorativas, em Dezembro, respectivamente, de 1977 e de 2002.
Medalha dos 75 anos – 2002Quase centenária, nascera em 16 de Dezembro de 1927. Era um dado adquirido. E estava convencida de que Manuel Simões da Barbeira teria estado entre os sócios fundadores. Confirmei-o, ao revisitar a escritura da constituição da Sociedade:
--Eis que, logo a 4.12.1927, deparei com este anúncio que, de alguma maneira, mexeu comigo:

Idênticos anúncios, creio sabê-lo, foram inseridos pelos fins de Novembro de 1927, em alguns jornais nacionais.
O nome dos navios- Silvina, Ernani e Laura, pelo menos, era-me muito, muito, familiar… Teria sido vendida a sociedade publicitada? Quem a teria comprado?
(Cont.)
Ílhavo, 2 de Junho de 2009
Ana Maria Lopes
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domingo, 14 de dezembro de 2008
As mulheres das secas
Perante três fotografias, deslumbrantes, encontradas, ignotas, lá bem no fundo de gavetas da Empresa Testa & Cunhas, guardei-as, à espera de, porventura, mais documentação.
Vista aérea da seca – 1933Cruz de Malta, Silvina e Hernâni
As fotos a que me refiro, sem datação, seriam forçosamente da empresa, onde as encontrei, pois amigos, mais velhos, conseguiram-nas identificar. Reportar-se-iam aos anos 30.
Um dia, em Agosto, um post do blog Galafanha do Professor Fernando Martins atraiu-me, pelo assunto versado e pela força e beleza descritivas do texto.
Entrámos em contacto e o Amigo Professor acabou por me emprestar o livro de Maria Lamas, As mulheres do meu País, de que há pouco a editora Caminho lançou uma 2ª edição, donde o texto era extraído.
Na década de quarenta do século passado, Maria Lamas, que faleceu em 1983, com a provecta idade de 90 anos, andou pelas Gafanhas, mais concretamente pela Gafanha da Nazaré, olhando, conversando, retratando as suas mulheres, em diversas e intensas ocupações.
Mas, as das secas foram as que mais me atraíram.
Respigando o mesmo texto, utilizo-o, para complemento e esclarecimento de imagens tão fortes.
A seca do bacalhau na Gafanha emprega muitas centenas de mulheres, durante parte do ano, havendo secas onde o trabalho é permanente, porque abrange duas campanhas, a dos lugres e a dos arrastões.
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Mulheres junto a um antigo armazém – s/d
A escritora que andou pela nossa região recorda a maneira de viver das mulheres da Gafanha, com a sua ignorância, o seu fatalismo, mas também com a sua responsabilidade e solidariedade. E salienta:
No vestuário revelam maior cuidado na limpeza do que as camponesas, que saltam da enxerga, estremunhadas, antes do luzir do dia, e lá vão, para a labuta sem fim…
Assim, acentua Maria Lamas a psicologia das trabalhadoras das secas de bacalhau, desembaraçadas, faladoras e alegres, como se a vida lhes não pesasse. Em conjunto, nas horas de plena actividade, cantando em coro ou simplesmente escutando os programas de rádio, elas constituem um quadro de plena vitalidade e de optimismo. (…)
O trabalho da mulher, nas secas, consta de: descarregar, lavar, salgar e levar o bacalhau, todos os dias, para as “mesas” da seca, recolhendo-o à tarde; depois há ainda a tarefa de o empilhar, seleccionar e enfardar. (…) A lavagem faz-se em tanques; depois o peixe é colocado, em pilhas, a escorrer, sobre pequenos carros, que cada mulher conduz à secção onde recebe o sal. (…)
Ao fundo, o “Laura”; em primeiro plano, bacalhau, carros e tanques de lavagem. Ler mais em Navios e Navegadores
As mulheres, que se ocupavam nestes serviços, eram de todas as idades, solteiras e casadas, predominando as mais jovens. Tinham consciência plena da dureza daquela vida de labores diversificados e pesados. Se o tempo estava bom, a tarefa era-lhes facilitada.
Um friso de mulheres exibe os seus trajes antigos e peculiares, de saia comprida, rodada, alçada pela faixa, longo avental, blusa tipo chambre, com cabelos apanhados que emolduram o rosto, orelhas enfeitadas, mas pés descalços.
Uma ou outra conseguia arranjar botas de borracha; a regra comum era o pé descalço e o que quase todas usavam eram canos, um tipo de meias sem pés, para protecção das pernas. Os pés, esses, eram sempre os mais castigados!
Mostram belos exemplares de peixes que só a linha permitia apanhar, espalmados, ainda com cabeça, que, praticamente, acompanham a altura delas.
Estão, certamente, a pensar que estes “bichos” seriam óptimos para a Ceia de Natal que se aproxima!
Fotografias – Arquivo pessoal da autora
Lisboa, 14 de Dezembro de 2008
Ana Maria Lopes













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