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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Na Regata do S. Paio, três moliceiros «sulistas»

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Na Regata do S. Paio de 2011, que, cá para mim, foi a última, ou quase, dentre os oito moliceiros presentes, três, foram daqui do Sul. É de congratular esta nossa zona ter a velejar três embarcações tradicionais não adulteradas, enquanto no Canal Central de Aveiro e até no Jardim Oudinot, se assiste ao acto suicidário das embarcações lagunares mais típicas.

Os moliceiros «sulistas» são, presentemente, quase 50% da frota. Que honra!...

A saber, O INOBADOR da PT, o PARDILHOENSE de Miguel Matias e o S. SALVADOR, da Junta de Freguesia S. Salvador, de Ílhavo, à guarda da Associação Aquém Renasce da Gafanha d’Aquém.

Por mais que queira apresentar painéis novos, nada foi renovado. É a crise!... Desfilaram um pouco desbotados e estalados pelo tempo e pelo sol. O único barco que tem painéis novos, porque foi reconstruído e pintado este ano é o PARDILHOENSE.

E recorde-se um, que glorifica uma das fainas do mar que também nos disse muito:


Painel de popa, de bombordo

Saídos das mãos de mestres construtores abalizados, dois de António Esteves, de Pardilhó, e o terceiro, de Zé Rito, da Torreira, foram todos decorados pelo hábil pintor da ria, José Manuel Oliveira.

E, agora, a má notícia – depois do S. Paio, parece que mais dois moliceiros vão ser vendidos para operar no Canal Central. Será que ainda cabem? Ou não seria mais criativo e menos incomodativo, ali pela zona da Cale de S. João juntar uma série de barcos que serviriam de suporte a uma ponte que uniria as duas margens do Canal, para uso pedonal? Uma questão para a edilidade aveirense pensar.

E pela honra da Pátria, lá participaram na Regata, esperando, estoicamente, pela hora tardia da maré:


o PARDILHOENSE

O INOBADOR


e o S. SALVADOR.



Parabéns aos arrais Pedro Paião, Miguel Matias* e Manuel, bem como a suas tripulações, pois um «norte fresco» obrigou a consideráveis e extenuantes manobras.

Só um ligeiro apelo à equipa da Junta de S. Salvador. Quando a embarcação precisar pintada, ponham o bairrismo um pouco de lado e optem por outra coloração para o barco. E respeitem o negro que é característico do «pesadão leme negro do moliceiro».

O serôdio da hora não teve só desvantagens; deu origem a que saboreássemos, da ria, a beleza do entardecer, o lusco-fusco do pôr-do-sol, a brilhante lua mentirosa, em quarto crescente, no seu D perfeito, a rejuvenescida iluminação da ponte da Barra e a beleza que é a Costa Nova, de noite, feericamente iluminada, qual paquete no meio do Oceano.

Com mais ou menos contratempos, vividos em bonomia, o balanço foi muito, muito positivo e o convívio muito agradável.

Foi caso para dizer – Tão grande foi o dia com’à romaria!!!!!!!!
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* Propriamente na Regata, o arrais do PARDILHOENSE foi o José Pedro, de dez anos, neto do Zé Rito, arrais/construtor. A força dos genes lagunares, neste caso!

Fotografias – Da Etelvina Almeida (painel) e da autora do Blog

Ílhavo, 5 de Setembro de 2011

Ana Maria Lopes
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

S. Paio da Torreira de 2011, não falte...

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Cumprindo uma ancestral tradição, de 2 a 8 de Setembro, a Praia da Torreira, no Concelho da Murtosa, volta a encher-se de gente, vinda dos mais variados pontos do País, em maré de celebração, para a Romaria do S. Paio da Torreira, indiscutivelmente a mais concorrida, popular e afamada da região marinhoa, naquele que é um dos principais cartazes turísticos da Murtosa.
Os pontos altos dos festejos são, como habitualmente, para além da procissão, as sempre espectaculares descargas de fogo-de-artifício no Mar (dia 3) e na Ria (dia 7), a Corrida de Bateiras à Vela (dia 3), a Corrida de Chinchorros (dia 4), o Concurso de Rusgas (dia 7) e a majestosa Regata de Moliceiros (dia 4). Este ano, na grande noitada, do dia 7 para o dia 8, actuará a cantora Romana.

O programa completo da Romaria de S. Paio da Torreira, 2011, é o seguinte:

Dia 2 - sexta-feira
22:00h - Actuação da Banda Sem Tela

Dia 3 – sábado
16:00h - Corrida de Bateiras à Vela
22:00h - Actuação do grupo "MJ"
00:00h – Sessão de Fogo do Mar
00:30h - Actuação da artista NUCHA

Dia 4 - domingo
10:00h - Concurso de Painéis de Moliceiros
16.30h – Corrida de Chinchorros
17.30h - Regata de Moliceiros
22:00h - Actuação do artista JOÃO BELO e bailarinas
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Dia 6 – terça-feira
22:00h – Actuação do Grupo Folclórico Luso-Venezolano ENCANTOS DE PORTUGAL

Dia 7 - quarta-feira
08:00h - Alvorada
22:00h – Concurso de Rusgas
22.00h – Actuação do Grupo OS DEMAIS
00:00h – Sessão de Fogo da Ria
00:30h – Actuação da artista ROMANA
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Dia 8 – quinta-feira
08:00h - Alvorada
10:00h - Missa Campal, junto à Capela de S. Paio, seguida de Majestosa Procissão
15:00h – Actuação do Conjunto OS RAMBOIAS
16:00h - Concerto pela Banda Visconde de Salreu, no Largo 30 de Outubro
16:30h - Entrega dos prémios dos Concursos
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CARTAZ

No ano passado, tive a sorte de não faltar à romaria do S. Paio da Torreira, no Domingo, a bordo do moliceiro O INOBADOR, tendo passado um dia extraordinário, em agradável convívio e no deleite dos prazeres da vela, a bordo de uma embarcação tradicional lagunar – o EX-LIBRIS da Ria.
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À ré de O INOBADOR

No interior da própria embarcação, de manhã, tivemos a oportunidade de desfilar perante o júri do Concurso de Painéis.
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O arrais Caneira, da Câmara da Murtosa
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Desfile do ANTÓNIO GARETE

Depois de um almoço ligeiro num snack voltado para o mar, regressámos à frente Ria, para apreciar a beleza da Regata de Moliceiros.


Regata de Moliceiros


De regresso à Costa Nova, a viagem, ao fim da tarde, em dia soalheiro, foi indescritível: a suave brisa, o chap-chap da ondulação contra o costado do barco, o chilreado das aves marinhas, a paisagem enternecedora, faziam vibrar os sentidos e alimentavam a alma!
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De regresso à Costa Nova
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Fotos de Arquivo (S. Paio 2010)
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Costa Nova, 24 de Agosto de 2011

Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A ida à romaria do S. Paio... em 2010


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Esta ida à romaria do S. Paio…ficou-me gravada a cinzel, na memória.


A oferta, ontem, dia 5 de Setembro, era variada em acontecimentos: Encontro Nacional de Optimists (infantis), na Costa Nova, a Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo e a Regata do S. Paio da Torreira, com viagem garantida, a bordo de «O Inobador», o moliceiro da PT. Esta terceira opção era irrecusável!


Tinha direito a alvorada!!!!!! Tripulação (Pedro Paião, Miguel Matias e Toninho Martins Pereira) e passageiros (dois amigos do Miguel Matias, a Etelvina, o meu filho Miguel e eu) presentes no pontão do CVCN, perto das nove, com saída às 9 h e meia.


A ida estava prevista a motor fora de borda, para demorar menos, já que a maré também subia e para evitar madrugada. O dia prometia longo e cansativo, mas muito aliciante…
Arranjei um assento improvisado em cima das velas que repousavam sobre as tostes, em descanso.

Com a Ria completamente espelhada, a paisagem, sempre atraente, ia ficando para trás: a Costa Nova, a Ilha Branca, as gaivotas esgravatando as coroas, o arrastão Santo André, o Jardim Oudinot renovado, o Farol, o Forte desmazelado, a saída da Barra (definida pelo Triângulo), São Jacinto. Os estaleiros desactivados e degradados, para quem já lá conheceu eventos brilhantes e dignos de registo, chocam.


Mas, daí para diante, a marginal entre São Jacinto e Ovar, verdejante, é sempre deliciosa: pescadores de recreio viciados, entretidos, a Casa-Abrigo de São Jacinto, onde se faziam tantos piqueniques, trapiches toscos e palafíticos serviam de cais a pequenas lanchas de recreio, a Pousada da Ria convidativa, o pseudo-estaleiro do Monte Branco…, já na Torreira.

A nossa Ria, única, ainda vai sendo, a certas horas e em certos momentos, a ria de Raul Brandão…Que largueza, que liberdade, que beleza!!!

Uma ligeira névoa semi-cerrada envolvia o horizonte. Céu de um cerúleo azulado, polvilhado de nuvens rarefactas; a linha do horizonte contínua e certa, bem delineada sobre a superfície lagunar espelhada e brilhante, reflectindo o sol que, envergonhadamente espreitava por entre nuvens.

Íamo-nos aproximando do nosso primeiro objectivo – a presença do moliceiro no Concurso de painéis, na esperança de uma boa classificação!
Na Torreira, é mesmo um desfile à vara, diante da multidão de fotógrafos e de um júri formado por elementos escolhidos pela CMM. Com direito a um prémio de presença de 100 euros e a um dos 5 prémios de 185 a 60 euros, o que importava mesmo era participar.


Orgulhoso, o Zé Rito desfilava…


O tempo que mediou entre o desfile e a regata foi bem aproveitado com uma ida até ao mar pela avenida principal ladeada de tendas recheadas de produtos variados, usuais nas actuais romarias, mais feiras do que outra coisa, com muita publicidade e preços tentadores, para superar a crise. Mas a clientela era pouca!

Não podia faltar, no regresso, uma visita ao S. Paio, na igreja, não fosse o «menino santificado» sentir-se desconsiderado versus a Senhora da Saúde!

E toca de arranjar um bom lugar, à sombra, frente à ria, para garantir uma favorável observação do espectáculo colorido e movimentado que é a Regata de moliceiros.
A afluência de barcos é que vai diminuindo, o que é uma pena. Moliceiros vernáculos só nove, quatro ou cinco meios barcos, como lhes chamam, e outras embarcações animavam a ria.

Suave brisa não ia prometer uma competição aguerrida! Mas há sempre o empenho e a luta pelos melhores lugares – prémio de presença de 200 euros e um dos cinco prémios de 180 a 65 euros, pela classificação!


Preparativos, ensaios e afinações…


Foi dado o sinal de partida com um estrondoso foguete que até me fez estremecer e acordar da sonolência que me tomava.

Autênticos cisnes brancos…após o sinal da partida


No cais, a multidão assistia, procurando a sombra das palmeiras marginais, que o sol estorricava.

Finda a regata, os barcos regressavam e nós voltávamos ao nosso meio de transporte aquático, com promessa de viagem à vela...pelas 5 e meia de uma tarde setembrina, morna.


Após a regata…


Que desejo de saborear os prazeres da vela, em moliceiro!


«O Inobador» esperava-nos


Ligado o motor para as manobras de largada, depressa foi retirado e, então, o silêncio da ria depois do ruído da festa! Que enlevo, que doçura, que calma interior! Já não é fácil ouvir só a ria e o chap-chap da ondulação contra o costado da embarcação.
E tivemos esse privilégio!

E ainda mais! A tripulação deu-me o prazer de fazer o gostinho ao dedo e ao pé, e timonar «O Inobador» por um bocado, rumo ao arco maior da ponte, de regresso à Costa Nova.

Dispensa legenda…


Chegámos cansados, mas felizes, suados, salgados, mas satisfeitos.
E hoje, sinto-me na ressaca! Quem me manda a mim meter em aventuras…já menos próprias para uma senhora menos jovem (aceitem o eufemismo)?

Valeu a pena! Há que aproveitar a ria e o convívio!
O nosso sincero agradecimento ao Pedro Paião e ao Miguel Matias.

Fotografias – Paulo Miguel Godinho

Costa Nova, 6 de Setembro de 2010

Ana Maria Lopes

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Romaria do S. Paio da Torreira - 2010


Cumprindo uma ancestral tradição, de 3 a 8 de Setembro, a Praia da Torreira, no Concelho da Murtosa, volta a encher-se de gente, vinda dos mais variados pontos do País, em maré de celebração, para a Romaria do S. Paio da Torreira, indiscutivelmente a mais concorrida, popular e afamada da região marinhoa, naquele que é um dos principais cartazes turísticos da Murtosa.

Os pontos altos dos festejos são, como habitualmente, para além da procissão, as sempre espectaculares descargas de fogo de artifício no Mar (dia 4) e na Ria (dia 7), a Corrida de Bateiras à Vela (dia 4), a Corrida de Chinchorros (dia 7), o Concurso de Rusgas (dia 7) e a majestosa Regata de Moliceiros (dia 5). Este ano, na grande noitada, do dia 7 para o dia 8, actuará o artista Toy.


Cartaz do S. Paio – 2010



O programa parcial da Romaria de S. Paio da Torreira, 2010, é o seguinte:


Dia 4 – Sábado
15:00h – Corrida de Bateiras à Vela
00:00h – Sessão de Fogo do Mar

Dia 5 – Domingo
10:00h – Concurso de Painéis de Moliceiros
16:00h – Regata de Moliceiros


Dia 7 – Terça-feira
14:30h – Corrida de Chinchorros
22:00h – Concurso de Rusgas
00:00h – Sessão de Fogo da Ria
00:30h – Actuação do artista Toy

Dia 8 – Quarta-feira
09:00h – Arruada
10:00h – Missa Campal, junto à Capela de S. Paio, seguida de Majestosa Procissão
16:30h – Entrega dos prémios dos Concursos



Não faltem! VIVA O S. PAIO DA TORREIRA!!!

O culto pelo moliceiro...


O Presidente da Câmara da Murtosa dá uma extrema importância à realização da regata de moliceiros, ao concurso de painéis dos mesmos e a uma corrida de cinchorros, num esforço de manter vivas as tradições ligadas à água. São uma forma de estimular a preservação do moliceiro, cujo número de exemplares urge manter e alargar. Por outro lado, a movimentação dos cerca de 70 mil romeiros diários revela-se uma boa oportunidade para o comércio local.

Imagens de arquivo

Costa Nova, 27 de Agosto de 2010

Ana Maria Lopes


terça-feira, 1 de setembro de 2009

Visite o S. Paio da Torreira, em 2009



Ao analisar o simeter do Marintimidades, surpreendi-me com a quantidade de leitores, que procuravam, no Google, o programa relativo à festa setembrina mais afamada e popular da região lagunar: o S. Paio da Torreira, que se festeja, exactamente, no dia 8 de Setembro, este ano, terça-feira, iniciando-se já os festejos no próximo dia 4 de Setembro.
Não tencionava, por agora, incluir a festa do S. Paio, na publicidade festivaleira do meu blog, mas muitas buscas de vários interessados de diversos pontos do país e “aquele bichinho do moliceiro” que não passa… fizeram com que divulgasse o que considero os momentos mais altos do programa e desse a oportunidade aos amantes da imagem e do barco de se deleitarem com as telas conseguidas num dos melhores S. Paios da minha vida, etnográfica e fotograficamente falando, no ano de 1986.

Do programa de 2009, merecem grande destaque, sob o meu ponto de vista, os seguintes eventos:


Dia 5 – Sábado

15.30h – Corrida de Chinchorros
16.00h – Corrida de Bateiras
24.00h – Sessão de Fogo no Mar

Dia 6 – Domingo

10.00h – Concurso de Painéis de Moliceiros
16.00h – Regata de Moliceiros


Desfile para o concurso de Painéis

Moliceiro em contra-luz

Proas em contra-luz

Lemes em contra-luz

Moliceiros em contra-luz

Dia 7 – Segunda-feira

22.00h – Concurso de Rusgas
00.00h – Sessão de Fogo da Ria

Dia 8 – Terça-feira

10.00h – Missa campal, junto à Capela de S. Paio, seguida de Procissão

16.30h – Entrega dos prémios dos Concursos

Estas imagens, para mim, de eleição, mesmo sem os artifícios do Photoshop, simulam a noite, ao meio-dia, em plena e radiosa luz do sol.

Fonte: Moliceiros – A Memória da Ria, texto de Ana Maria Lopes e imagem de Paulo Godinho. Quetzal Editores, Lisboa. 1997 (Esgotado).

Ler mais no Diário de Aveiro de 3.9.2009

Ílhavo, 1 de Setembro de 2009

Ana Maria Lopes