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terça-feira, 3 de setembro de 2013

O «antes» do S.Paio - 2013

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Cumprindo uma ancestral tradição, a partir de amanhã e até ao próximo domingo, dia 8, a praia da Torreira, no concelho da Murtosa, volta a encher-se de gente vinda dos mais variados pontos do País, em maré de celebração, para a romaria do S. Paio, indiscutivelmente, a mais concorrida, popular e afamada da região.
 
A influência da festa é de tal ordem que ali o calendário é marcado em função da romaria e então é comum ouvir dizer-se que determinado assunto fica para “antes ou depois do S. Paio” – refere o Diário de Aveiro de hoje, 3.9. 2013.
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O texto despertou-me a atenção…
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Amanhã, começa a romaria e como adoro os preliminares das festas, resolvi ir até lá para ver, realmente visto, como «era o antes do S. Paio».
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Claro, as ruas já estavam engalanadas, como supunha, com as suas decorações e iluminações temáticas – davam-se apenas os últimos retoques e experimentavam-se as ligações.
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As primeiras tendas do que, agora, em todas as festas, são uma feira, já tinham chegado ou já estavam a chegar. Encontra-se de tudo um pouco e a preços de saldo, ou não tenhamos um país em saldo, desde as imagens mais devotas até à lingerie mais ousada e arrojada nas talhos e coloridos.
Como sou suspeita nos meus sabores marítimos, fui visitar os preparativos e os ensaios das embarcações que se preparavam para desfilar na ria, deixando boquiaberto quem aprecia. Deslumbrantes e etéreas aquelas velas disseminadas pela paisagem de uma beleza azulina e empolgante, deslizavam entre céu e ria. Tudo era atraente e não se passava dos preparativos.


Preparativos...
 
                                                     
Na sexta-feira, pelas 15 horas, não percam a regata das cerca de 40 bateiras, distribuídas por várias categorias, que nos surpreenderão, enchendo-nos a alma de cor, luz, reflexos e magia.
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Com dois tripulantes, já treinavam e acertavam as manobras, com fervor.
 

Treinavam…

Cerca das 17 horas, será o momento da actuação dos imponentes chinchorros, em travessia lagunar, com o entusiasmo vibrante e ágil das tripulações masculinas e femininas.


Chinchorro Raquel em competição (2012)
 

Enquanto alguns estaleiros, em Pardilhó e na Torreira, davam os últimos retoques a bateiras que desfilarão nas regatas, o moliceiro da Câmara Municipal da Murtosa sofreu, no estaleiro do Zé Rito, à beira-ria, uma amanhação de que estava bem carente, assim como o restauro de pintura e seus painéis, para a regata de moliceiros, no sábado, pelas 16 horas. O Zé Manel Oliveira não podia faltar, na renovação das decorações. Faz parte da romaria, ou seja, da «mobília», como sói dizer-se.


Zé Manel repinta a SANTA LUZIA
 

Em tarde quente de Verão, de pés a chapinhar na água acalentada, rodeei a elegante embarcação, para apreciar e fotografar mais quatro novos painéis naïfs e coloridos, verdadeiro exemplo de arte popular.


Painel de proa. EB
 

Painel de ré. EB


E a festa já se vive, na véspera, com entusiasmo, mas sem grandes rebuliços.
 
Vamos esperando que estes últimos dias quentes de Verão se vão aguentando (não é o anunciado…), para podermos apreciar o que de melhor e entusiasmante se faz na ria, a nível de romarias populares.
 
As outras, as que Deus tem, já foram!....
E no domingo, dia 8, dia do santinho milagreiro, lá desfilará a procissão, como é hábito, com os andores que lhe são característicos, acompanhados por diversas irmandades, grupos de escuteiros, representações de emigrantes, personalidades, bandas de música, entre as quais a famosa Banda do Visconde de Salreu, e muitos crentes, que cumprem promessas. Dando a volta até ao mar, saúdam os barcos, em homenagem aos grandes homens que ali entregam a sua vida, sempre ameaçados por grandes perigos, em busca de alimento diário.


O andor do S. Paio (2012)
 
 
E mais um S. Paio se avizinha. Vivamo-lo com alegria, em confraternização e percurso lagunares, a bordo de um moliceiro tradicional.
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Imagens – AML e Etelvina Almeida (chinchorro e andor)
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Costa Nova, 3 de Setembro de 2013
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Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A Senhora dos Navegantes, em procissão lagunar

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Não deixemos de comparar. No ano passado debaixo de uma nortada levada da breca, assistimos à passagem da procissão da Senhora dos Navegantes, à ressaca da «ponte» de um arrastão costeiro, na Gafanha da Nazaré. Apesar do frio, tivemos a oportunidade de apreciar a procissão, calmamente, que nos pareceu, talvez, pela perspectiva, bastante mais bem organizada.
 
 
Ao passar pela boca da Barra…

 
Este ano, com o ensejo de a acompanhar pela ria, em barco moliceiro, a perspectiva e a emoção foram completamente diferentes e mais envolventes. A marola, a agitação das águas, o conjunto de embarcações diversificadas que lutavam por melhores visão e posição, a força da maré, o nevoeiro naquele jogo do «cobre/descobre», mas mais «cobre do que descobre», fizeram do Pardilhoense uma espécie de Nau Catrineta que tem muito que contar.
 
Um pouco ao molho e fé em Deus, salve-se quer puder. Emocionante a viagem! E o nevoeiro teimava em nos estragar a vida, ofuscando-nos a visão, impossibilitando imagens de qualidade e arrefecendo-nos as mãos cada vez mais engrunhidas.
Mas o desfile lagunar prosseguia.


A Jesus nas Oliveiras, em ria cinzenta e encapelada


As embarcações acompanhantes eram mais barcos de recreio de vários géneros do que propriamente barcos de pesca, em cenário de uma beleza maquiavélica.

 
Forte ondulação…

 
Como a turbulência aumentava para os lados de S. Jacinto com a força da corrente, não seguimos a procissão e passeámo-nos entre paredões apinhados de povo, posicionando-nos para a ver dar a volta ao triângulo e aportar ao seu destino, junto ao Forte.
 
E assim foi. O sol brindou-nos com uns raios luminosos que acenderam a paisagem – espectáculo fulgurante, na diversidade de embarcações, na presença de muito devotos, de muita cor, de códigos de sinais que embandeiravam os navios em arco, nas bandeiras portuguesas e, claro, em algumas insígnias clubísticas que não podiam faltar.

 
Flores multicolores, muitas, muitas flores, palmas hirtas ou vergadas em arco e outros enfeites adornavam o cortejo religioso.
As opas coloridas e esvoaçantes das irmandades também animavam o cenário, ao som dos acordes de uma banda gafanhense, que a aragem ajudava a propagar.
Não faltava também à chegada o estridente ribombar dos foguetes, que nos envolvia e estremecia a alma.


 
A diversidade de embarcações
 
Tudo isto tem um não sei quê de devoto, místico, profano e folclórico que se entrelaça e confunde.
 
Não faltou o Santo Amaro vindo da Capelinha da Costa Nova, altaneiro no seu meia-lua, num mar de flores, a bordo da rubra motora Faina Maior, lembrando-nos as duas fainas tão características da nossa gente, a pesca costeira e a longínqua.

 
O Santo Amaro, à proa
 
Também a motora Travesso procurava posição para acostar e apear a Senhora da Nazaré, que não podia deixar de estar presente.


Junto ao Forte

E o final do desfile anunciava o momento alto – da traineira Jesus nas Oliveiras, desembarcaria e seria levada em ombros a imagem da Senhora dos Navegantes, para a sua capelinha, no jardim do Forte da Barra.

 
A chegada da traineira Jesus nas Oliveiras
 
Chegados à Costa Nova, deparámos com um daqueles fins de tarde que nos aquecem. E para despedida, navegámos até ao cais-abrigo, para voltar ao CVCN, pousio do Pardilhoense, onde iria dormir uma noite calma, ao luar, depois de um desfile algo turbulento, mas previdente e desenvolto.
 

Imagens da autora do blogue
 

Ílhavo, 17 de Setembro de 2012

 
Ana Maria Lopes
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Procissão lagunar, em renovada honra à Senhora dos Navegantes

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A tradição secular voltou a cumprir-se e a Gafanha da Nazaré, este fim-de-semana, foi palco das Festas em honra da Nossa Senhora dos Navegantes, com a habitual romaria e procissão, pela Ria de Aveiro (a XIV, sob organização do Grupo Etnográfico da Nazaré e da paróquia local).

O cortejo formou-se, pelas 14 horas, junto do Cais dos Bacalhoeiros, a partir do Stella Maris, em direcção ao cais n.º 3, onde começou o desfile pela Ria.

Em dia soalheiro, um norte muito agreste fez com que participasse, a meu ver, um menor número de barcos.

No entanto, constitui sempre um espectáculo fulgurante, na diversidade de embarcações, na presença de muito devotos agasalhadíssimos e encapuçados, de muita cor, na presença de códigos de sinais que embandeiravam os navios em arco, nas bandeiras portuguesas e, claro, em algumas insígnias clubísticas que não podiam faltar.
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Flores multicolores, muitas, muitas flores, palmas hirtas ou vergadas em arco e outros enfeites adornavam o cortejo religioso.

As opas coloridas e esvoaçantes das irmandades também animavam o cenário, ao som dos acordes de uma banda gafanhense, que o vento ajudava a propagar.

Tudo isto tem um não sei quê de devoto, místico, profano e folclórico que se entrelaça e confunde.

Não tendo tido possibilidade de acompanhar a própria procissão pela Ria, resolvemos abrigarmo-nos na «ponte» do arrastão costeiro Cruz de Malta, acostado frente da empresa.
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A recato do vento e do sol e com óptima visibilidade, apreciámos embarcações, divindades e criaturas, em todo o seu esplendor.

A Ria agitada pelo próprio vento e pelo tumulto dos motores, numa marola de espuma, emoldurava a paisagem.

E nós próprios, a bordo, também éramos suavemente embalados por uma ondulação atrevida, que nos tonteava.
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Pena é que os alvos e abundantes montes de sal da paisagem de outrora se fizessem sentir! Sinais dos tempos!!!

Integraram o desfile as imagens de Nossa Senhora da Boa Viagem, de Nossa Senhora da Nazaré, a padroeira da freguesia e de Nossa Senhora dos Navegantes, a homenageada.

Este ano, a procissão contou, ainda, com a presença de uma imagem vinda da Capelinha da Costa Nova, que imediatamente reconheci – o Santo Amaro, altaneiro, embarcado na sua «xávega», num mar de flores, transportada na embarcação ESPERANÇA NO FUTURO.

ESPERANÇA NO FUTURO


Abriu o desfile a pomposa Lancha dos Pilotos DUAS ÁGUAS, seguida da motora TRAVESSO com a Senhora da Nazaré.


DUAS ÁGUAS



TRAVESSO

O ponto alto foi a embarcação de Adelino Palão JESUS NAS OLIVEIRAS que transportou, além do principal andor, os elementos da Filarmónica Gafanhense, várias irmandades e convidados.



JESUS NAS OLIVEIRAS

Barcos mercantéis adulterados, da MT, também transportaram pessoas devidamente autorizadas, a que se juntaram, ainda, barcos de recreio, barcos de pesca artesanal, lanchas, botes e outros, com proprietário, familiares e amigos.
O possante rebocador MERCÚRIO, no seu gritante alaranjado, encerrava o desfile.

Todo o agrupamento rumou a São Jacinto, saiu em direcção à barra, sempre emblemática, até à Meia-Laranja, para seguidamente voltar e acostar ao Cais do Forte. Aí, a minúscula e típica capelinha de Senhora dos Navegantes acolheu a imagem, seguindo-se a celebração de missa Solene.

Imagens – gentilmente cedidas por Etelvina Almeida


Ílhavo, 19 de Setembro de 2011

Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Romaria do S. Paio da Torreira - 2010


Cumprindo uma ancestral tradição, de 3 a 8 de Setembro, a Praia da Torreira, no Concelho da Murtosa, volta a encher-se de gente, vinda dos mais variados pontos do País, em maré de celebração, para a Romaria do S. Paio da Torreira, indiscutivelmente a mais concorrida, popular e afamada da região marinhoa, naquele que é um dos principais cartazes turísticos da Murtosa.

Os pontos altos dos festejos são, como habitualmente, para além da procissão, as sempre espectaculares descargas de fogo de artifício no Mar (dia 4) e na Ria (dia 7), a Corrida de Bateiras à Vela (dia 4), a Corrida de Chinchorros (dia 7), o Concurso de Rusgas (dia 7) e a majestosa Regata de Moliceiros (dia 5). Este ano, na grande noitada, do dia 7 para o dia 8, actuará o artista Toy.


Cartaz do S. Paio – 2010



O programa parcial da Romaria de S. Paio da Torreira, 2010, é o seguinte:


Dia 4 – Sábado
15:00h – Corrida de Bateiras à Vela
00:00h – Sessão de Fogo do Mar

Dia 5 – Domingo
10:00h – Concurso de Painéis de Moliceiros
16:00h – Regata de Moliceiros


Dia 7 – Terça-feira
14:30h – Corrida de Chinchorros
22:00h – Concurso de Rusgas
00:00h – Sessão de Fogo da Ria
00:30h – Actuação do artista Toy

Dia 8 – Quarta-feira
09:00h – Arruada
10:00h – Missa Campal, junto à Capela de S. Paio, seguida de Majestosa Procissão
16:30h – Entrega dos prémios dos Concursos



Não faltem! VIVA O S. PAIO DA TORREIRA!!!

O culto pelo moliceiro...


O Presidente da Câmara da Murtosa dá uma extrema importância à realização da regata de moliceiros, ao concurso de painéis dos mesmos e a uma corrida de cinchorros, num esforço de manter vivas as tradições ligadas à água. São uma forma de estimular a preservação do moliceiro, cujo número de exemplares urge manter e alargar. Por outro lado, a movimentação dos cerca de 70 mil romeiros diários revela-se uma boa oportunidade para o comércio local.

Imagens de arquivo

Costa Nova, 27 de Agosto de 2010

Ana Maria Lopes


sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Romaria da Senhora da Saúde - 2009



Foi esta a machadada quase mortal que nos levou a ria para longe, sem grandes consequências benéficas, penso.

Dia de Festa em 1973


Se estiverem interessados, procurem mais dados, de romarias anteriores!

Para não deixar passar a Festa, em branco, recordo, em imagem, a primeira romaria da Senhora da Saúde, em 1973, em que a ria quase se não via, mesmo das varandas. Para os que já não conheceram como era a paisagem lagunar, a nossa ria espreguiçava-se até nós, nas suas águas calmas e mansas, numa quietude brilhante ou num farfalho inquietante e espumante provocado pela nortada fresca, até à vala, junto à muralha.

Os arcos da armação de há perto de 40 anos, à esquerda, e, no redondo do largo central, um dos últimos coretos, são os poucos testemunhos desta situação.

Mais um apontamento…

No Diário de Aveiro de 27 de Setembro de 2008, lia-se a seguinte notícia:

– Iniciados os festejos em honra da Nossa Senhora da Saúde, em 1837, vieram substituir a primitiva Festa de S. Pedro, em Ílhavo (que se tornou na Festa das Companhas), passando a ter data fixa, no último domingo do mês de Setembro.
Competia em popularidade com o S. Paio ou com o S. Tomé, na grandiosidade da animação dos festejos lagunares, no corrupio de gentes e na algazarra. Do norte do “Bico” ao sul da “Mota”, a Costa-Nova engalanava-se com o “estendal” de moliceiros.

Um bando de moliceiros! – 1933


Que beleza!...Só podem dirigir-se à festa!... Actualmente, nem um!...

Imagens – Arquivo pessoal da autora

Costa-Nova, 25 de Setembro de 2009

Ana Maria Lopes

sábado, 5 de setembro de 2009

O Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo


Realiza-se anualmente a festa do Sr. Jesus dos Navegantes, hoje, no primeiro domingo de Setembro. Esta é, talvez a de maior tradição, e a que se mantém mais viva de entre as festas de Ílhavo.
A imagem do Senhor Jesus, um Cristo crucificado (…) desce do altar para incorporar o andor, com a miniatura do lugre bacalhoeiro “Navegante” do seu lado direito, num mar de lona pintada, dando mote ao que é a sua denominação popular: Senhor Jesus dos
Navegantes.
Ílhavo, terra de porto de mar, onde existem registos de pesca longínqua desde finais do séc. XVI, reza em devoção, lembrando seus marinheiros e embarcações naufragadas, vidas de esforço feitas de água salgada e peixe.


Andor, com o Altar por fundo, antes da Procissão

Cumprindo uma tradição centenária, é exactamente, neste fim-de-semana, de 5 a 7 de Setembro que se realiza a festa, o que nem sempre aconteceu, tendo-se já efectuado, em anos transactos, em Novembro (1941, 54 e 55) e até em Dezembro, em 1956, com a frota bacalhoeira já no ancoradouro.

Procissão numa das ruas de Ílhavo – Anos 60

O modelo do lugre “Navegante”, com três mastros e velas latinas, foi construído pelo marinheiro ilhavense José Domingues Pena, nascido em 1902.

Lugre Navegante, em pormenor

Ao começar a sua miniatura, o autor teria 17 anos, levando peças para bordo para ir trabalhando em dias de temporal, como, aliás eram hábito dos marítimos habilidosos. Quando naufragou na pesca do bacalhau, prometeu ao Senhor Jesus dos Navegantes que, se a acabasse, lha ofereceria e assim o fez, em 1919. A miniatura esteve na Igreja Matriz algum tempo, passou a ficar guardada na casa de uma irmã de José Pena, ficando mais tarde definitivamente na Igreja. Tem sempre figurado na procissão, no andor do Senhor Jesus, tendo sofrido alguns restauros conservativos, que eu saiba, em 1992 pelas hábeis mãos de José Alberto Malaquias e, o último, em 2007, pelo Capitão Francisco Paião, dada a sua fragilidade, os efeitos do tempo e a saída agitada no andor, difícil de transportar pelo peso excessivo e demasiada altura.

Do programa religioso são de destacar a Sagrada Eucaristia, na Igreja Matriz, pelas 11 horas de domingo, bem como a saída da Procissão em honra do Santo Padroeiro, pelas 17 horas, tendo lugar, no cais da Malhada, a tradicional bênção dos barcos da pesca artesanal, que simbolizam a bênção a todas as embarcações.


Na segunda-feira, dia 7, último dia das festividades, pelas 19 h e 15, terá lugar na nossa Igreja uma Missa de sufrágio pelos marítimos falecidos e são muitos!
“Quem não rema, já remou!” – diz a tradição e a Igreja costuma ficar repleta, pois a maioria das pessoas tem raízes ligadas ao mar.
Outros eventos de carácter profano completam a Romaria, sendo de destacar a realização da primeira Mostra dos Sabores e Saberes de Ílhavo, no Jardim Henriqueta Maia.

A escultura do “nosso” Senhor Jesus e a miniatura do “Navegante” foram integrados com todo o aparato na Bênção dos Lugres Bacalhoeiros, em Belém, no dia 12 de Abril de 1953.

Bênção dos Lugres Bacalhoeiros, em Belém

Não foi a única saída que teve, a miniatura. Depois da festa de 1992, até finais de 1993, a miniatura teve uma guarida diferente. Foi albergada e acolhida afectuosamente numa vitrina do MMI, integrada na exposição Faina Maior, Pesca do bacalhau à Linha, no painel Ex-Votos. Curioso que no ano de 1993, o modelo foi transferido do museu para os festejos religiosos e ao museu voltou, visto que a exposição, em princípio, temporária, ainda não tinha alcançado o seu término.

FontesSenhor Jesus dos Navegantes – Mar e Devoção de Hugo Cálão e Isabel Cachim Madaíl. Agosto de 2007.
Folha de Sala Ex-Votos, de Ana Maria Lopes. Novembro de 1992.

Imagens – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 5 de Setembro de 2009

Ana Maria Lopes

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Visite o S. Paio da Torreira, em 2009



Ao analisar o simeter do Marintimidades, surpreendi-me com a quantidade de leitores, que procuravam, no Google, o programa relativo à festa setembrina mais afamada e popular da região lagunar: o S. Paio da Torreira, que se festeja, exactamente, no dia 8 de Setembro, este ano, terça-feira, iniciando-se já os festejos no próximo dia 4 de Setembro.
Não tencionava, por agora, incluir a festa do S. Paio, na publicidade festivaleira do meu blog, mas muitas buscas de vários interessados de diversos pontos do país e “aquele bichinho do moliceiro” que não passa… fizeram com que divulgasse o que considero os momentos mais altos do programa e desse a oportunidade aos amantes da imagem e do barco de se deleitarem com as telas conseguidas num dos melhores S. Paios da minha vida, etnográfica e fotograficamente falando, no ano de 1986.

Do programa de 2009, merecem grande destaque, sob o meu ponto de vista, os seguintes eventos:


Dia 5 – Sábado

15.30h – Corrida de Chinchorros
16.00h – Corrida de Bateiras
24.00h – Sessão de Fogo no Mar

Dia 6 – Domingo

10.00h – Concurso de Painéis de Moliceiros
16.00h – Regata de Moliceiros


Desfile para o concurso de Painéis

Moliceiro em contra-luz

Proas em contra-luz

Lemes em contra-luz

Moliceiros em contra-luz

Dia 7 – Segunda-feira

22.00h – Concurso de Rusgas
00.00h – Sessão de Fogo da Ria

Dia 8 – Terça-feira

10.00h – Missa campal, junto à Capela de S. Paio, seguida de Procissão

16.30h – Entrega dos prémios dos Concursos

Estas imagens, para mim, de eleição, mesmo sem os artifícios do Photoshop, simulam a noite, ao meio-dia, em plena e radiosa luz do sol.

Fonte: Moliceiros – A Memória da Ria, texto de Ana Maria Lopes e imagem de Paulo Godinho. Quetzal Editores, Lisboa. 1997 (Esgotado).

Ler mais no Diário de Aveiro de 3.9.2009

Ílhavo, 1 de Setembro de 2009

Ana Maria Lopes

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Memórias da Romaria da Senhora da Saúde





Cá, para nós, a festa dos Grandes Veleiros, grandiosa, mesmo com alguns boas perturbações atmosféricas, já acabou. Agora, vem aí a romaria…p’ra te comprar uma flor…

A minha mais antiga recordação desta romaria é uma fotografia, no terraço da minha casa, em que tenho dois anos, com um grande laçarote na cabeça. A armação da festa comprova a data – fins de Setembro de 1946. Vivia no “coração” da romaria.

Outra, bastante mais forte e de que ainda hoje me recordo vivamente, foi a minha integração na procissão, “vestida de anjinho” – a primeira e a única vez. Cá perdurou “o boneco” tirado “à la minuta”, como mandava a tradição. Só que foi uma procissão complicada e agitada, porque durante o seu trajecto, deflagrou um forte incêndio na, à época, Pensão Pardal, na esquina norte da Estrada do Banho.

Alterado o percurso, o susto apoderou-se de todos, crianças, jovens e adultos. As chamas lambiam as outras casas e todos temiam que se propagassem às casas vizinhas. Foi um alvoroço. Postos a par da ocorrência por residentes, lá vieram os Bombeiros de Ílhavo acudir ao sinistro que poderia ter alcançado proporções gigantescas, dado que as casas da proximidade eram palheiros de madeira ressequida.
Depois de tamanha confusão, felizmente sem consequências de maior, lá chegou o “anjinho” assustado, a casa. Na ausência de data na fotografia, lá fiz algumas diligências para situar a ocorrência no ano certo – foi no domingo da Festa de 1951 (in O Ilhavense de 10 de Outubro de 1951).

Anjinho “à la minuta”


Naquela idade os meus avós faziam-me as vontadinhas todas e eu lá tinha os meus rituais.

A minha primeira compra era um “chapelinho de papel” muito frágil e gracioso, que habitualmente estavam à venda numa tenda, que montava arraial em frente à Vivenda Quinhas.

Quando chegavam à minha porta, a ti Adelaide Ronca com as flores de papel e ventarolas, e a ti Caçoa, com o baú das doçarias tradicionais, entre as quais sobressaíam os melosos e açucarados suspiros e os bolinhos brancos, logo as boas festeiras tinham em mim uma das primeiras freguesas; uma mão para erguer o moinho à procura do vento, até que zunisse, e logo a outra atascada com doçarias para secar a água que me crescia na boca, só de vê-las.

Seguia-se a visita à Vida de Cristo, em movimento, descrita em voz roufenha, rouca do publicitador, tornada ensurdecedora pela ampliação conferida pelas cornetas do altifalante, que tentavam sobrepor-se ao anúncio das cadeiras voadoras ou da casa do espelhos ou do comboio fantasma, itens do arraial que se iam visitando, vez à vez, até que esgotados na segunda-feira do fim de festa.

Incluída no programa das visitas, não podia faltar uma ida às barracas de loiça de Barcelos, para “puxar” , de um molho de argolas, uma, presa a um fio, que erguia o número correspondente ao prémio, que calhava em sorte.
Tem muita sorte, a menina – comentavam outros forasteiros, com os olhos caídos nas belas peças, vistosas, muito toscas e coloridas que me calhavam. Certo é que eu tirava tanta rifa, que uma ou outra, a insistência fazia com que a sorte caísse para o meu lado. O meu grande prazer residia, mesmo, em escolher uma argola, no meio do tal molho delas, puxar ao calha e ver o que a sorte me reservava. Trazia as figuras todas para casa e dispunha-as à varanda.
Assim ia gozando a festa naquela idade da criancice e inocência.

Os restantes apontamentos fotográficos são bastante mais tardios, de 1960, ano em que as minhas amigas e eu, já espigadotas, no esplendor da nossa juventude, combinámos viver a Senhora da Saúde, à moda antiga. Tinha 16 anos.

Os primeiros sinais da romaria eram dados pela chegada e montagem da armação. Depois, a vinda das primeiras tendas. Mas quando os primeiros moliceiros chegavam do norte e do sul da ria, os norteiros e os matolas e atracavam mesmo aqui pertinho de mim, então a festividade estava próxima.


Experimentámos de tudo um pouco. Depois de um belo passeio num Vouga, estava na hora de começar a reinar: andámos de carrocel, de carrinhos eléctricos, de cadeirinhas voadoras, integrámo-nos nas danças sobre a proa dos moliceiros, subimos aos vistosos e animados coretos, tirámos a sina numa boneca de tecido peludo preto, com uma grande cabeçorra, normalmente em frente do palheiro dos Senhores Moura, apreçámos toda a quinquilharia possível, desde os toscos brinquedos de lata e madeira aos ferros forjados mais elaborados. E o café de “apito”? Eu é que nunca fui amante de café.



Assistimos respeitosamente ao desfile da procissão, apreciámos o fogo de artifício, assustando, conforme podíamos e sabíamos os forasteiros, especados, de olhos pregados no céu.

Foi assim a nossa festa setembrina de 1960, em homenagem à Senhora da Saúde, em que se concentrava grande número de devotos.

Nas belas proas dos moliceiros…

No coreto…

No carrocel


A ler a sina



As participantes na folia eram Maria Manuela Vilão, Rosa Maria Moura, Eneida Viana e eu.

E hoje, o que é que temos? A procissão, o fogo de artifício, uma feira infernal e pouco mais. Por vezes, com a intervenção aparatosa da A.S.A.E.
No entanto, ainda se vai passar à Costa-Nova a Senhora da Saúde. Nem gosto, sequer, de ver a casa fechada. Tradição…apesar de já não ser o que era. É a que temos. É para respeitar e tentar transmitir…

Imagens – Arquivo pessoal da autora

Costa-Nova, 24 de Setembro de 2008

Ana Maria Lopes




quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Romaria do S. Paio da Torreira




Em fins de verão, na zona lagunar, as festividades religiosas vão-se sucedendo: Senhora da Boa Viagem no último domingo de Agosto, no Torrão do Lameiro, S. Paio da Torreira, dia 8 de Setembro (e dias anteriores ou seguintes), procissão fluvial da Nossa Senhora dos Navegantes, em meados de Setembro, na Gafanha da Nazaré, Nossa Senhora da Saúde, na Costa-Nova, no último domingo de Setembro, Nossa Senhora das Areias em S. Jacinto, no primeiro domingo de Outubro e mais uma ou outra santidade espalhada pela região. Para muitas destas festas, o barco moliceiro era o meio de transporte favorito, porque também servia de casa nos dias de romaria. Esta tradição com o desenvolvimento de estradas e meios de transporte tem vindo a acabar. Mais sorte tem o S. Paio da Torreira que ainda é o ponto de encontro do maior e mais variado número de embarcações.

S. Paio – Anos 80


Até o nosso prémio Nobel Egas Moniz no seu livro de memórias A Nossa Casa não deixa de referir o encanto do S. Paio:

Na festa de S. Paio, a grande romaria da gente ribeirinha, a ria coalha – se de barcos que provêm de todas as freguesia marginais. Abundam os moliceiros lindamente embandeirados (…) que formam na Torreira a frota da alegria.
São as famílias e amigos do proprietário do barco que o enchem de raparigas airosas, de olhos escuros e tez morena, e de rapazes desempenados e garbosos, tisnados pela maresia.

O S. Paio é representado pela figura de um menino e está ligado às gentes que fazem da pesca o seu principal sustento, mas não só. Até porque na região a pesca interpenetra a agricultura numa simbiose perfeita do homem com a natureza: terra, ria ou mar. Quem não se lembra do Joaquim Ruivo, exemplo perfeito desta interpenetração? – tem gado e intensa vida de lavoura, no seu moliceiro, pelo menos, apanhava junco e moliço para uso pessoal, trabalha nas reconstruções ou “restaurações” dos barcos como ele lhes chama, decorava barcos e constrói as bonitas cangas vareiras.

A ligação do santinho padroeiro ao vinho, sobejamente conhecida, também terá a ver com a plena época das vindimas, em que a festa se realiza.

Quadra:

Ó S. Paio da Torreira
Ó milagroso santinho.
Hei-de cá voltar p´ró ano
Lavar o Santo com vinho.


Daí a ligação um pouco aberrante da relação entre o divino (as crenças, a fé) e o profano, cenas não das mais recomendáveis que os romeiros são levados a cometer como um desacato mais agressivo ou discussão mais acesa. Tão depressa o peregrino se entrega aos mais profundos actos de devoção, como apanha uma enorme borracheira e pragueja por tudo quanto é canto e esquina. Será em homenagem ao S. Paio milagreiro que transformava o precioso néctar em líquido santificado, segundo uma tradição antiga em que o santo era banhado em vinho?

Vide ONDE SE DÁ CONTA DOS ACONTECIMENTOS DO "ROUBO" DO S. PAIO DA TORREIRA .

Esta dicotomia de sentimentos está constantemente presente na decoração dos barcos moliceiros. E também a presença da Virgem na proa dos chinchorros e da Nossa Senhora ou da cruz de Cristo na bica do barco do mar não serão também indícios de uma forte religiosidade?

Eis alguns painéis de moliceiros em que o motivo central é religioso, neste caso, a representação do S. Paio da Torreira, celebrado nos dias 5 a 8 de Setembro.


S. Paio

O S. Paio da Torreira

“S. Paio da Torreira”

“Terás sempre lugar no meu coração”


Mais uma vez, este ano, a romaria do S. Paio já tem programa de festas. São destaques do cartaz: a procissão, o fogo de artifício no mar e na ria, regata de bateiras (à vela), a corrida de chinchorros, as rusgas e a regata de moliceiros. Esta e o concurso de painéis têm lugar no dia 7, domingo, respectivamente às 16 horas e trinta e 10 horas da manhã.
Na segunda-feira, dia 8, dia de S. Paio, às 10 horas realiza-se a tradicional missa campal, seguida da habitual procissão.

Fonte: “Murtosa – Uma terra a descobrir – Romaria do S. Paio da Torreira”, texto de Ana Maria Lopes e Fotografia de Carlos Pelicas

Fotografias do Blog – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 4 de Setembro de 2008

Ana Maria Lopes