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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Naufrágio do "Courage", em S. Jacinto, faz dez anos



Faz hoje dez anos, dia 19 de Outubro, que, pelas 3. 30 h da madrugada, um cargueiro de grande porte, com bandeira dos Barbados, encalhou na praia de S. Jacinto.

O Courage, que transportava cerca de seis mil toneladas de bagaço e resíduos de palmiste, preparava-se para descarregar parte da mercadoria no Porto de Aveiro; encontrava-se fundeado ao largo da costa e o incidente deverá ter sido provocado pelo mau tempo que se fez sentir e consequentes problemas técnicos.
O navio, de cerca de 114 metros de comprimento fora a fora, 17,68 m. de boca e 9,02 de pontal, com uma arqueação bruta de 4 715 toneladas e líquida de 2 981, construído em Uwajima, no Japão, em 1976, acabou por encalhar a 50 metros da praia de S. Jacinto.

O Courage encalhado na praia


Feita a chamada de emergência, as equipas de salvamento ainda aventaram a hipótese de salvar os seus dezoito tripulantes através de um cabo de vaivém, mas a forte rebentação impediu tal operação, acabando por se optar pela utilização de um helicóptero, cerca das 10 h da manhã. A tripulação foi salva em segurança.

O salvamento por helicóptero

E, agora, o navio?

Depois de uma primeira hipótese de poder ser rebocado e reposto a navegar, tal solução foi rapidamente posta de parte, pois houve dificuldades em contactar o armador e as condições climatéricas também não eram as mais favoráveis.

E os problemas ambientais originados por qualquer derrame do combustível existente a bordo?

O comandante grego, Papapateras, descansou os jornalistas assegurando que o navio não tinha muito gasóleo a bordo e, que o que tinha, não apresentava qualquer perigo.

O pior é que, entretanto, com o decorrer dos acontecimentos, foi lançado o alerta de que o cargueiro estava em risco de se quebrar, o que veio a acontecer com a abertura de uma fenda a meio, na zona da carga e de um dos depósitos, o que motivou preocupações bem maiores e daí a necessidade de ser efectuado um plano de emergência.

Corre o risco de abrir fissuras…


Tudo a postos, disponibilizadas autoridades de emergência, de prevenção também alguns responsáveis da Reserva Natural de S. Jacinto, chegou a ser posto algum material antipoluição pela Direcção Geral da Marinha (tanques, bombas e aspiradores) em frente ao local onde o navio encalhou, tentando evitar os efeitos de uma eventual “maré negra”.

O previsto aconteceu mesmo e o navio alquebrou em dois.

Quebrado em duas partes…

Todos davam o seu parecer…achando que os impactos causados pelo eventual derrame de combustível seriam um pouco imprevisíveis. Teriam um efeito mais imediato, derramando-se sobre a areia? Far-se-iam sentir mais tarde, através da cadeia alimentar, com peixes com sabor a gasóleo? – foram as hipóteses mais imediatas.

Só me fui apercebendo, na época, que o assunto causou muita polémica, que foi noticiado, quer na imprensa, quer na televisão, durante anos, tendo-me chegado ecos, através do jornal Expresso, que, após 5 anos (1999), ainda permaneciam soterradas no areal 300 toneladas de destroços, visto que a operação de remoção não obtivera um sucesso pleno.

Ainda, uma nota de imprensa de 29 de Novembro de 2000, refere que “já começou a instalação do estaleiro para a remoção dos destroços do navio Courage, encalhado na praia, junto à Reserva Natural das Dunas de São Jacinto. A Capitania do Porto de Aveiro vai seguir os trabalhos na condição de observador. Branco Toscano, responsável pela Capitania, à época, espera que os trabalhos não levantem problemas de poluição na zona envolvente, mostrando-se confiante, já que a empreitada vai ser desenvolvida por uma empresa experiente. Os trabalhos no terreno deverão começar ainda esta semana”.

Nunca mais ouvi falar do assunto. Certamente porque o que se temeu na altura - riscos ambientais - se não concretizou.

Fotografias gentilmente cedida por Reinaldo Delgado

Ílhavo, 19 de Outubro de 2009

Ana Maria Lopes