Em maré de preciosos modelos de pequenas embarcações tradicionais da Ria de Aveiro, cá vai mais uma:
A matola ou ladra é a mais pequena das bateiras aplicadas nos trabalhos da Ria.
Matola, na anterior Sala da Ria, no MMI – 1985
De construção muito simples e até pouco cuidada, utilizava-se principalmente como auxiliar dos moliceiros, quando recolhiam moliço em zonas inacessíveis.
Não tinha bancada, nem escalamões para aplicação de remos. Vinha a reboque ou dentro dos barcos e, por ser leve, facilmente era passada sobre os baixos, até aos lugares onde ia ser necessária.
Vi algumas vezes esta embarcação a trabalhar na limpeza dos viveiros das marinhas de sal. As algas que aí cresciam gadanhavam-se todos os anos na primavera, sendo depois transportadas nestas bateiras até aos esteiros e então carregadas nos moliceiros que as aguardavam.
O sobrenome de ladra, julgo que lhe foi atribuído por, às vezes, ser utilizada por pescadores e caçadores furtivos.
Na época em que apareciam os patos-reais nos viveiros das marinhas, os melhores lugares de caça estavam facilmente ao alcance durante as noites de luar, transpondo estas pequenas embarcações sobre as barachas* até à posição pretendida para a caçada.
Para executar o meu modelo, fiz o levantamento cuidado do exemplar que se encontra na Sala da Ria do Museu Marítimo de Ílhavo.

Utilizei madeira de tola e de choupo nos costados e fundo. Nas cavernas e nas rodas de proa e popa, apliquei ramos de limoeiro.
Pintei o costado e o fundo com tinta preta para imitar a cor do breu, com que as originais eram protegidas.
A escala utilizada foi de 1/25, por ser a mais apropriada.
As medidas habituais:
Comprimento………………..4.25 m
Boca…………………………1.25 m
Pontal………………………..0,40 m
* Muretes feitos de lama, que, no mandamento das marinhas, dividem os compartimentos dos caldeiros.
Lisboa, 30 de Junho de 2010
António Marques da Silva
Fotografias da autora do blog
Ílhavo, 25 de Julho de 2010
Ana Maria Lopes


