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domingo, 20 de junho de 2010

Os lugres/navio Ilhavense (Parte III)

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Navio/motor Ilhavense
1957-1974
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Navio-motor Ilhavense, na faina…
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Para substituir a unidade perdida, a empresa armadora, Parceria Marítima Esperança Lda., mandou construir nos estaleiros de Manuel Maria Mónica, na Gafanha da Nazaré, o navio-motor Ilhavense, cujo bota-abaixo teve lugar a 16 de Março de 1957, com o cerimonial da praxe.
Juntaram-se às altas entidades governamentais vindas da capital, as autoridades civis e militares de Aveiro e Ílhavo, assim como muito povo.

O Ilhavense, com uma arqueação bruta de 822,79 toneladas e líquida de 414,17, tinha de comprimento, entre perpendiculares, 47,62 metros, boca, 10,44 m. e pontal, 5,26 m. Embarcava uma tripulação de 80 homens, entre os quais 75 pescadores. Dispunha de um motor principal de 660 H.P. e motores auxiliares, guinchos, sonda eléctrica, radar e câmara frigorífica para isco e conservação de alimentos, com capacidade de 60 toneladas. Foi sua madrinha a Senhora D. Maria do Céu Naia.

Nele embarcaram ao longo da sua existência, o primeiro capitão, o Sr. João Nunes de Oliveira e Sousa (de 1957 até 1959), António Tomé da Rocha Santos (de 1960 a 71) e Aníbal Carlos da Rocha Parracho, de 1973 a 1974, ano da sua última viagem. Durante o ano de 1972, o navio não foi à pesca.

Naufragou, devido a incêndio, no Virgin Rocks, Terra Nova, em 26 de Junho de 1974, tendo-lhe prestado auxílio os navios São Jorge (naufragado a 26 de Julho do mesmo ano) e Novos Mares, a que tive uma forte ligação.

O navio recebeu muitas intervenções e, consequentemente, alterações sucessivas.

E com algumas lacunas e, porventura, algumas pequenas falhas, por falta rigorosa de dados, aqui está a história dos lugres e navio-motor Ilhavense, cujo nome vieram buscar os seus armadores à tão vetusta vila de Ílhavo, berço de tão ilustres actores da famosa Faina Maior.
Agradeço aos Amigos Reinaldo Delgado e João David, que, muito sabedores e apaixonados pelo tema, me auxiliaram. Nunca se sabe tudo acerca de um navio – aprendi, também, com eles.

Fotografias gentilmente cedidas por vários Amigos e do arquivo pessoal da autora


Ílhavo, 20 de Junho de 2010

Ana Maria Lopes
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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Os lugres/navio Ilhavense (Parte I)


Há muito que ando, paulatinamente, a reunir dados sobre estes navios, mas a sua história parece tão confusa e há tão poucas informações, que tenho “arrefecido” e, consequentemente, adiado.
Chegou a altura de elencar os elementos e “arriscar” uma ordenação, pelo interesse que o seu nome encerra, para nós, ilhavenses.

Lugre Ilhavense

O lugre Ilhavense, de madeira, construído por Manuel Maria Mónica (ou por Francisco Carlos Ramos, segundo outras informações) na Gafanha da Nazaré, para a Empresa Santos & Companhia, do ilhavense António José dos Santos (Capitão Rocheiro), foi lançado à água em 17 de Março de 1921 e registado em Aveiro.

O tal Capitão António José dos Santos, ainda no ano de 1921 foi o fundador da Parceria Marítima Esperança Lda. Documento credível atesta que o dito capitão, proprietário e residente em Ílhavo teria vendido uma quota pertencente ao «navio ainda em construção nos estaleiros da Gafanha e denominado Ilhavense com todos os seus direitos e pertenças».

Com uma arqueação bruta de 195, 05 toneladas e líquida de 185, 30, media, de comprimento entre perpendiculares, 40,50 metros, de boca, 11, 32 m. e de pontal, 3, 24 m.

Sem motor auxiliar, albergava uma equipagem total de 33 tripulantes. Foi governado pelos seguintes capitães: António dos Santos Embonado (em 1921), João Francisco Bichão (de 1922 até 1924) e João André Alão (de 1925 até 1929, ano em que naufragou).

Curiosidade: na campanha de 1928, o valor do navio mais os 29 dóris a bordo estava orçado em Esc. 150.000$00. Foram pescados 3.270 quintais de peixe e obtidos 1.900 kgs. de óleo de fígado de bacalhau. A venda do produto pescado, bacalhau e óleo, renderam Esc. 384.160$00. O navio perdeu-se por encalhe em Trepany (na costa sul da Terra Nova), devido a nevoeiro, em 15 de Julho de 1929. A tripulação salvou-se na totalidade nos dóris de bordo.
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Eventualmente, a única fotografia existente…

(Cont.)

Ílhavo, 20 de Maio de 2010

Ana Maria Lopes
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