quinta-feira, 25 de abril de 2019
O n/m Inácio Cunha foi para a água, há 74 anos
domingo, 26 de abril de 2009
Navio / Motor Inácio Cunha - II
A viagem inaugural do Inácio Cunha foi feita pelo Capitão José Gonçalves Vilão, bem como a campanha seguinte (1946). Por lá passaram, no seu comando, nos anos de 1947 a 49, Elias Andrade Bilhau, natural de Lavos, Figueira da Foz; João dos Santos Labrincha (Laruncho), de 1950 a 1955; Manuel da Silva de 1956 a 60. Entre 1961 e 1962, comandou-o David Calão Marques.
Na campanha de 1951, trouxe os náufragos do Rio Lima e/ou Paços de Brandão, que haviam naufragado, nesse ano.
Entrada em Leixões com náufragos. 14.9.1951
Parece-me ter tido uma existência pacífica, com as atribulações e perigos, inerentes àquela dura faina.
São da campanha de 1961, as fotografias que tenho o prazer de partilhar, que me foram gentilmente cedidas pelo amigo, João David, filho do Capitão David Calão Marques.
O Capitão David Marques, na asa da ponte de bombordo – 1961
O que se fazia por mais uns quilitos de bacalhau, para ganhar a vida!!!!
Também Ernesto Manuel dos Santos Pinhal comandou o navio de 1963 a 1966, ano em que naufragou, a 28 de Agosto, por motivo de incêndio a bordo, quando estava prestes a completar o carregamento, nos mares da Gronelândia.
A tripulação foi acolhida a bordo do navio-motor Soto Maior, que a encaminhou para o navio-hospital Gil Eannes, a fim de ser repatriada.
Todos os Capitães, de quem me lembro e com quem convivi, foram nossos conterrâneos, com excepção de Elias A. Bilhau.
Nas tranquilas águas da Ria, na Gafanha da Nazaré, podem apreciar-se, em primeiro plano, o Inácio Cunha e, pela popa, o São Jorge, de braço dado com o Novos Mares; avista-se, em último plano, o Avé-Maria.
Imagens – Arquivo pessoal da autora, da Fotomar, da Foto Resende e de João David Marques
Ílhavo, 26 de Abril de 2009
Ana Maria Lopes
quarta-feira, 22 de abril de 2009
O N/M Inácio Cunha em fotografias...
As idas à Empresa, ao “secadouro”, à seca, embora hoje, já nada, lá, se seque, às vezes, são proveitosas, para a minha colecção de fotografias da Faina Maior. Só que as de hoje não vieram em altura muito oportuna: entre dois posts do N/M Inácio Cunha, do qual pensava que nada mais apareceria.
Solução: editá-las entre ambos. Já não têm grande cabimento nem num, nem no outro, e não se pode perder o seu valor documental. Vejamos:
No verso da foto, espírito de bom humor, anotou:
As quatro primeiras figuras de toda a festa, segundos antes do bota-abaixo do Inácio Cunha – 25.4.1945
Da esquerda para a direita, Mestre Manuel Maria Mónica, construtor, Sr. António Cunha, Gerente da Empresa, D. Adília Cunha, madrinha do novo navio e Sr. João Testa Júnior, também Gerente da Sociedade. Que sabor a uma época que não conheci!
A ponte do comando do Inácio Cunha
Comentário anexo à fotografia exprime com uma certa graça: Mais parece a ponte do comando de um cruzador inglez!!! – 25.4.1945
Um cliché tirado a meio navio, ali no cais da Gafanha da Nazaré, no dia da entrada, em Outubro de 1962, permite apreciar o navio bem no fundo, os sacos de lona das roupas dos pescadores e a arrumação dos dóris empilhados, no convés.
Não se podem perder estes instantâneos! Enriquecem a história do navio!
Imagens – Arquivo pessoal da autora
Ílhavo, 22 de Abril de 2009
Ana Maria Lopes
domingo, 19 de abril de 2009
Navio-Motor Inácio Cunha - I
O “Diário da Manhã” de 18 de Abril de 1943 refere que vão ser construídos catorze navios a motor para a pesca do bacalhau, em todos os estaleiros do País, com capacidade de pesca de 254 000 quintais de bacalhau (…), bem como (nomeia) os armadores a que os novos barcos ficarão a pertencer.
Cita “O Ilhavense”, da mesma época, que é o maior empreendimento de construção naval, desde há dezenas de anos; esta nova frota, que deve estar pronta dentro de ano e meio, é patrocinada pelo Ministério da Economia que lhe dará todo o auxílio.
A mesma fonte, de 11 de Janeiro de 1945, referencia: Em 1945 a frota bacalhoeira será aumentada de algumas novas e grandes unidades. Pode contar-se como certa a incorporação do Maria Frederico e do Inácio Cunha de Testa & Cunhas Lda., que descerá na carreira, no fim do corrente mês ou em princípios de Fevereiro.
O Inácio Cunha na carreira – 1945Chegou, então, o dia festivo para o navio-motor Inácio Cunha, o dia 25 de Abril de 1945. Tudo a postos para a grande cerimónia.
Como a maré para o bota-abaixo fosse só pelas 17 horas, a empresa armadora decidira oferecer, entretanto, a cerca de 200 convidados, um lauto muito embora tipicamente regional almoço, num salão dos seus armazéns.
Na presença de todos os membros do Governo, vindos de Lisboa, das individualidades civis e religiosas, locais, dos armadores e dos muitos convidados, tiveram lugar as cerimónias da praxe, nos estaleiros da Gafanha da Nazaré: discursos, agradecimentos, bênção do navio pelo Sr. D. João Evangelista de Lima Vidal, o baptismo com o partir da simbólica garrafa de espumoso contra a roda da proa da embarcação, pela madrinha, Sra. D. Adília Marques da Cunha.
Mestre Manuel M. Mónica num discurso inflamado e a madrinha do Inácio Cunha – 1945(…)
Finalmente, o Sr. Ministro da Economia cortou o cabo da bimbarra, mas o navio manteve-se, por algum tempo, estático. Correm pressurosos os construtores e demais pessoal, para alguns trabalhos de emergência, e, passado algum tempo, o Inácio Cunha desliza serenamente na carreira e vai, nadar, tranquilo como um cisne, nas salsas águas da Ria.
Acenam-se lenços, estalam foguetes, a música executa um número alegre e os armadores e construtores recebem os abraços e parabéns do estilo. – refere o jornal, “O Ilhavense”, de 2 de Maio de 1945.
O novo navio-motor, um dos primeiros do tipo CRCB., construídos por Manuel Maria Mónica, na Gafanha da Nazaré, media 52,72 metros de comprimento, fora a fora, 10, 44 m. de boca e, aproximadamente, 5, 50 m. de pontal. Dispunha de todos os aperfeiçoamentos modernos, incluindo telegrafia e telefonia, belas instalações para a tripulação (69 tripulantes e pescadores e três oficiais), dispondo de 57 dóris.
A propulsão era feita por um motor Deutz de 550 H.P., deslocando-se a cerca de 9/10 milhas horárias. A tonelagem bruta era de 775,42 toneladas e a líquida, de 494,83.
Por cálculos de construção, esperava-se que viesse a carregar nos seus porões, sensivelmente, 12 000 quintais de bacalhau.
O Inácio Cunha, frente à empresa – 1945(Cont.)
Ana Maria Lopes






