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quinta-feira, 25 de abril de 2019

O n/m Inácio Cunha foi para a água, há 74 anos



O “Ilhavense”, de 11 de Janeiro de 1945, referencia: Em 1945 a frota bacalhoeira será aumentada de algumas novas e grandes unidades. Pode contar-se como certa a incorporação do Maria Frederico e do Inácio Cunha de Testa & Cunhas Lda., que descerá na carreira, no fim do corrente mês ou em princípios de Fevereiro.
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O Inácio Cunha na carreira – 1945
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Chegou, então, o dia festivo para o navio-motor Inácio Cunha, o dia 25 de Abril de 1945. Há 74 anos. Tudo a postos para a grande cerimónia.
Como a maré para o bota-abaixo fosse só pelas 17 horas, a empresa armadora decidira oferecer, entretanto, a cerca de 200 convidados, um lauto e regional almoço, num salão dos seus armazéns.
Na presença de todos os membros do Governo, vindos de Lisboa, das individualidades civis e religiosas, locais, dos armadores e dos muitos convidados, tiveram lugar as cerimónias da praxe, nos estaleiros da Gafanha da Nazaré: discursos, agradecimentos, bênção do navio pelo Sr. D. João Evangelista de Lima Vidal, o baptismo com o partir da simbólica garrafa de espumoso contra a roda da proa da embarcação, pela madrinha, Sra. D. Adília Marques da Cunha.
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Manuel M. Mónica num discurso inflamado e a madrinha
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Finalmente, o Sr. Ministro da Economia cortou o cabo da bimbarra, mas o navio manteve-se, por algum tempo, estático. Correram pressurosos os construtores e demais pessoal, para alguns trabalhos de emergência, e, passado algum tempo, o Inácio Cunha deslizou serenamente na carreira para nadar, tranquilo como um cisne, nas salsas águas da Ria.
Acenaram-se lenços, estalaram foguetes, a música executou um número alegre e os armadores e construtores receberam os abraços e parabéns da praxe. – refere o jornal, “O Ilhavense”, de 2 de Maio de 1945.
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O novo navio-motor, um dos primeiros do tipo CRCB., construídos por Manuel Maria Mónica, na Gafanha da Nazaré, media 52,72 metros de comprimento, fora a fora, 10, 44 m. de boca e, aproximadamente, 5, 50 m. de pontal.  Dispunha de todos os aperfeiçoamentos modernos, incluindo telegrafia e telefonia, belas instalações para a tripulação (69 tripulantes e pescadores e três oficiais), dispondo de 57 dóris.
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A propulsão era feita por um motor Deutz de 550 H.P., deslocando-se a cerca de 9/10 milhas horárias. A tonelagem bruta era de 775,42 toneladas. e a líquida, de 494,83.
Por cálculos de construção, esperava-se que viesse a carregar nos seus porões, sensivelmente, 12 000 quintais de bacalhau.
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O Inácio Cunha, frente à empresa – 1945
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A viagem inaugural do Inácio Cunha foi feita pelo Capitão José Gonçalves Vilão, bem como a campanha seguinte (1946). Por lá passaram, no seu comando, nos anos de 1947 a 49, Elias Andrade Bilhau, natural de Lavos, Figueira da Foz; João dos Santos Labrincha (Laruncho), de 1950 a 1955; Manuel da Silva de 1956 a 60. Entre 1961 e 1962, comandou-o David Calão Marques.
Na campanha de 1950, trouxe os náufragos do navio-motor Cova de Iria, que havia naufragado, devido a água aberta.


Entrada em Leixões com os náufragos do Cova de Iria. 1950
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Parece-me ter tido uma existência pacífica, com as atribulações e perigos, inerentes àquela dura faina.
No ano de 1962, o Capitão David Marques declarou à empresa 11 162 quintais de bacalhau, de acordo com o seu diário de pesca, pelo que o navio abandonou a pesca e chegou a Aveiro sobrecarregado, pondo em perigo o navio, a sua carga, seus pertences e vidas humanas. O que se fazia por mais uns quilitos de bacalhau, para ganhar a vida!!!!
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Bem no fundo, à chegada. 1962
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Também Ernesto Manuel dos Santos Pinhal comandou o navio de 1963 a 1966, ano em que naufragou, a 28 de Agosto, por motivo de incêndio a bordo, quando estava prestes a completar o carregamento, nos mares da Gronelândia.
A tripulação foi acolhida a bordo do navio-motor Sotto Maior, que a encaminhou para o navio-hospital Gil Eannes, a fim de ser repatriada.
Todos os Capitães, de quem me lembro e com quem convivi, foram nossos conterrâneos, com excepção de Elias A. Bilhau.
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Nas tranquilas águas da Ria, na Gafanha da Nazaré, frente a Testa & Cunhas, eis, em primeiro plano, o Inácio Cunha e, pela popa, o São Jorge, de braço dado com o Novos Mares; avista-se, em último plano, o Avé-Maria.
Reinavam, por aqui, os navios-motor.
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Imagens – Arquivo pessoal da autora, da Fotomar, da Foto Resende e de João David Marques
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Ílhavo, 25 de Abril de 2019
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Ana Maria Lopes-

domingo, 26 de abril de 2009

Navio / Motor Inácio Cunha - II



A viagem inaugural do Inácio Cunha foi feita pelo Capitão José Gonçalves Vilão, bem como a campanha seguinte (1946). Por lá passaram, no seu comando, nos anos de 1947 a 49, Elias Andrade Bilhau, natural de Lavos, Figueira da Foz; João dos Santos Labrincha (Laruncho), de 1950 a 1955; Manuel da Silva de 1956 a 60. Entre 1961 e 1962, comandou-o David Calão Marques.
Na campanha de 1951, trouxe os náufragos do Rio Lima e/ou Paços de Brandão, que haviam naufragado, nesse ano.

Entrada em Leixões com náufragos. 14.9.1951


Parece-me ter tido uma existência pacífica, com as atribulações e perigos, inerentes àquela dura faina.

São da campanha de 1961, as fotografias que tenho o prazer de partilhar, que me foram gentilmente cedidas pelo amigo, João David, filho do Capitão David Calão Marques.

O Capitão David Marques, na asa da ponte de bombordo – 1961

O navio enfrenta um campo de growlers. Pela proa, a popa do n/ m Lutador


No ano de 1962, O Capitão David Marques declarou à empresa 11 162 quintais de bacalhau, de acordo com o seu diário de pesca, pelo que o navio abandonou a pesca e chegou a Aveiro sobrecarregado, pondo em perigo o navio, a sua carga, seus pertences e vidas humanas ( vide o 3º cliché do post anterior - 1962).
O que se fazia por mais uns quilitos de bacalhau, para ganhar a vida!!!!

Também Ernesto Manuel dos Santos Pinhal comandou o navio de 1963 a 1966, ano em que naufragou, a 28 de Agosto, por motivo de incêndio a bordo, quando estava prestes a completar o carregamento, nos mares da Gronelândia.

A tripulação foi acolhida a bordo do navio-motor Soto Maior, que a encaminhou para o navio-hospital Gil Eannes, a fim de ser repatriada.
Todos os Capitães, de quem me lembro e com quem convivi, foram nossos conterrâneos, com excepção de Elias A. Bilhau.


Nas tranquilas águas da Ria, na Gafanha da Nazaré, podem apreciar-se, em primeiro plano, o Inácio Cunha e, pela popa, o São Jorge, de braço dado com o Novos Mares; avista-se, em último plano, o Avé-Maria.

Imagens – Arquivo pessoal da autora, da Fotomar, da Foto Resende e de João David Marques

Ílhavo, 26 de Abril de 2009

Ana Maria Lopes

quarta-feira, 22 de abril de 2009

O N/M Inácio Cunha em fotografias...


As idas à Empresa, ao “secadouro”, à seca, embora hoje, já nada, lá, se seque, às vezes, são proveitosas, para a minha colecção de fotografias da Faina Maior. Só que as de hoje não vieram em altura muito oportuna: entre dois posts do N/M Inácio Cunha, do qual pensava que nada mais apareceria.

Solução: editá-las entre ambos. Já não têm grande cabimento nem num, nem no outro, e não se pode perder o seu valor documental. Vejamos:


No verso da foto, espírito de bom humor, anotou:
As quatro primeiras figuras de toda a festa, segundos antes do bota-abaixo do Inácio Cunha – 25.4.1945

Da esquerda para a direita, Mestre Manuel Maria Mónica, construtor, Sr. António Cunha, Gerente da Empresa, D. Adília Cunha, madrinha do novo navio e Sr. João Testa Júnior, também Gerente da Sociedade. Que sabor a uma época que não conheci!


A ponte do comando do Inácio Cunha


Comentário anexo à fotografia exprime com uma certa graça: Mais parece a ponte do comando de um cruzador inglez!!! – 25.4.1945


Um cliché tirado a meio navio, ali no cais da Gafanha da Nazaré, no dia da entrada, em Outubro de 1962, permite apreciar o navio bem no fundo, os sacos de lona das roupas dos pescadores e a arrumação dos dóris empilhados, no convés.
Não se podem perder estes instantâneos! Enriquecem a história do navio!

Imagens – Arquivo pessoal da autora

Ílhavo, 22 de Abril de 2009

Ana Maria Lopes

domingo, 19 de abril de 2009

Navio-Motor Inácio Cunha - I


O “Diário da Manhã” de 18 de Abril de 1943 refere que vão ser construídos catorze navios a motor para a pesca do bacalhau, em todos os estaleiros do País, com capacidade de pesca de 254 000 quintais de bacalhau (…), bem como (nomeia) os armadores a que os novos barcos ficarão a pertencer.

Cita “O Ilhavense”, da mesma época, que é o maior empreendimento de construção naval, desde há dezenas de anos; esta nova frota, que deve estar pronta dentro de ano e meio, é patrocinada pelo Ministério da Economia que lhe dará todo o auxílio.

A mesma fonte, de 11 de Janeiro de 1945, referencia: Em 1945 a frota bacalhoeira será aumentada de algumas novas e grandes unidades. Pode contar-se como certa a incorporação do Maria Frederico e do Inácio Cunha de Testa & Cunhas Lda., que descerá na carreira, no fim do corrente mês ou em princípios de Fevereiro.


O Inácio Cunha na carreira1945


O Ministro da Economia, em colaboração com a C. R. C. B. e com o Grémio dos Armadores gizou, em 1943, um plano de renovação da frota bacalhoeira, dando facilidades aos armadores, ao mesmo tempo que as Escolas de Pesca preparavam os pescadores da geração nova.

Chegou, então, o dia festivo para o navio-motor Inácio Cunha, o dia 25 de Abril de 1945. Tudo a postos para a grande cerimónia.
Como a maré para o bota-abaixo fosse só pelas 17 horas, a empresa armadora decidira oferecer, entretanto, a cerca de 200 convidados, um lauto muito embora tipicamente regional almoço, num salão dos seus armazéns.
Na presença de todos os membros do Governo, vindos de Lisboa, das individualidades civis e religiosas, locais, dos armadores e dos muitos convidados, tiveram lugar as cerimónias da praxe, nos estaleiros da Gafanha da Nazaré: discursos, agradecimentos, bênção do navio pelo Sr. D. João Evangelista de Lima Vidal, o baptismo com o partir da simbólica garrafa de espumoso contra a roda da proa da embarcação, pela madrinha, Sra. D. Adília Marques da Cunha.

Mestre Manuel M. Mónica num discurso inflamado e a madrinha do Inácio Cunha – 1945

(…)
Finalmente, o Sr. Ministro da Economia cortou o cabo da bimbarra, mas o navio manteve-se, por algum tempo, estático. Correm pressurosos os construtores e demais pessoal, para alguns trabalhos de emergência, e, passado algum tempo, o Inácio Cunha desliza serenamente na carreira e vai, nadar, tranquilo como um cisne, nas salsas águas da Ria.
Acenam-se lenços, estalam foguetes, a música executa um número alegre e os armadores e construtores recebem os abraços e parabéns do estilo. –
refere o jornal, “O Ilhavense”, de 2 de Maio de 1945.

O novo navio-motor, um dos primeiros do tipo CRCB., construídos por Manuel Maria Mónica, na Gafanha da Nazaré, media 52,72 metros de comprimento, fora a fora, 10, 44 m. de boca e, aproximadamente, 5, 50 m. de pontal. Dispunha de todos os aperfeiçoamentos modernos, incluindo telegrafia e telefonia, belas instalações para a tripulação (69 tripulantes e pescadores e três oficiais), dispondo de 57 dóris.

A propulsão era feita por um motor Deutz de 550 H.P., deslocando-se a cerca de 9/10 milhas horárias. A tonelagem bruta era de 775,42 toneladas e a líquida, de 494,83.
Por cálculos de construção, esperava-se que viesse a carregar nos seus porões, sensivelmente, 12 000 quintais de bacalhau.


O Inácio Cunha, frente à empresa – 1945

(Cont.)

Ílhavo, 19 de Abril de 2009

Ana Maria Lopes