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terça-feira, 7 de agosto de 2018

AMI festeja o 81º aniversário do Museu Marítimo


Hoje, 8 de Agosto, Amigos do Museu festejam o 81º aniversário desta instituição, com a oferta de uma bateira labrega, primorosamente aparelhada. Tosca, mas airosa, embreada a negro, e de bica de proa caracteristicamente levantada, menos atrevida que a do chinchorro, foi construída pelo «mestre de primeira água» António Esteves, de Pardilhó.


Mestre Esteves ultima a labrega

Com um comprimento de 8,40 m, boca 1,82 m, pontal com 0,53 m e 14 cavernas, navegava a remos, à vara ou à vela e dedicava-se à antiga, singular e engenhosa «arte do salto», para a tainha. Depois da vela bastarda, aderiu à moda da vela latina quadrangular, auxiliada, por um pequeno leme de xarolo, de cabeça direita, tipo mercantel.
Sobretudo característica da Murtosa, expandiu-se pelo país, através da diáspora de gentes da região – para sul, integrando-se na «saga dos avieiros» no Tejo, e mesmo até Setúbal, no Sado e, para norte, até à Afurada, chegando a decorar-nos também por aqui, o canal de Mira, na Costa Nova, em tempos idos.
Era uma peça que faltava na Sala da Ria do Museu, tendo sido construída com base no levantamento levado a cabo pelo Arquitecto Fernando Simões Dias, em âmbito de Mestrado em Design, pela Universidade de Aveiro, de Etelvina Almeida, com o título: Embarcações Tradicionais da Ria de Aveiro – uma análise pelo Design, no ano de 2010.
Queremos preservar a memória patrimonial da bateira labrega, A1440 L, A PRETA, de cor e de nome, do afamado Ti Manuel «das Tainhas», que, à data, nela praticava a «arte do salto», na nossa Costa Nova.
A última das últimas (e não será por muito tempo), é a labrega A 2829 L, ROSINHA, da Bestida, é propriedade de Alfredo Cruz (mais conhecido por Viola ou Calcado), ainda primo do Ti Tainha. A ROSINHA, já algo alterada pelas várias amanhações sofridas e pela adaptação de uma falca fixa, ainda utiliza uma arte idêntica (arte da parreira), adaptada às exigências legais actuais. É suposto que ambas as bateiras tivessem sido construídas pelo mestre José Preguiça, do Monte, Murtosa.

 
Alfredo Calcado, com a dita arte de pesca

Para navegar nas águas do Museu, tem sido nossa intenção, ir salvando do tenebroso esquecimento do tempo, uma embarcação tradicional lagunar, de cada vez. A última oferecida ao MMI, em 2013, pelo seu grande peso simbólico e identitário e sua elegância, foi a bateira ílhava, seguindo-se, após uma diuturnidade, a bateira labrega.


A bateira labrega no Museu
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Ílhavo, 8 de Agosto de 2018
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Fotografias de Etelvina Almeida
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Ana Maria Lopes
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sábado, 13 de abril de 2013

Modelo da bateira labrega

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Pela Páscoa, o Amigo Marques da Silva trouxe o modelo da bateira labrega, texto e tudo. Veio a papinha toda feita – só fui fotografar, lanchar e cavaquear. Assunto, nunca falta.
Refere MS:
 
Quando pela primeira vez consultei a obra de D. José de Castro, Aveiro – Estudos Etnográficos, foi com alguma surpresa que vi aplicado o nome de bateira labrega a uma determinada embarcação da ria de Aveiro.
Não quero dizer que tenha pretensões de conhecer todos os tipos de bateiras, mas conhecia alguns e fiquei deveras curioso por nunca ter ouvido falar desta.
Será que tinha desaparecido por completo?
Fui à Torreira e procurei, perguntei, fotografei, mas não consegui encontrar o que procurava, nem alguém que me desse dela alguma informação.
Verifiquei posteriormente que tinha seguido o rumo errado, pois se tivesse procurado pela Costa Nova, teria aí encontrado o esclarecimento para a minha ignorância.
A Dra. Ana Maria Lopes não só sabia bem da sua existência, como tinha na sua colecção muitas e boas fotografias de A PRETA, bateira do Ti Tainha, pescador murtoseiro, que trabalhava com a armação da rede do salto.
Como é notável a descrição desta arte, feita pela nossa cara amiga, que embarcou nesta bateira e fotografou todo o trabalho de uma maré desta pesca.
 

A labrega do Ti Tainha

 
Surgiu então a lembrança de procurar arranjar elementos fiáveis para construir o modelo desta antiga embarcação.
A oportunidade despontou através da Dra. Etelvina Almeida que nessa ocasião trabalhava na elaboração da sua tese de Mestrado, em Design, que versava este assunto.
Havia um plano de construção muito detalhado, da autoria do Sr. Arquitecto Fernando Simões Dias, resultado do levantamento por ele efectuado a uma destas bateiras, talvez a última ainda existente, encontrada na Murtosa, na praia da Bestida, de nome ROSINHA, com algumas adulterações.

 
Rosinha na Bestida

 
Foi assim que, com o seu amável consentimento, comecei a construção da minha labrega, baseado neste detalhado plano de formas.

Modelo de MS, em andamento

 
A bateirinha que agora construí, que na verdade ainda faltava à minha colecção, vai chamar-se A PRETA e terá o número de registo A1440L.
É uma pequena homenagem não só a quem soube conservar esta relíquia, como também a quem, com o seu gosto e saber, soube preservar dela tão boas memórias.


Proa do modelo

 
Construí este modelo tal como os anteriores na escala de 1/25 e utilizei madeira de limoeiro nas cavernas e nas rodas, e choupo nos costados. Preparei os remos de tola, o mastro, a verga e as varas de ramos de ameixieira, a vela de algodão, a rede de gaze e a fateixa de arame de cobre.
O casco, o leme e as dragas foram pintados de preto, por ser essa a cor usada pelo Ti Tainha.
 

O modelo, à vela

 
Verificando agora com o é notória a semelhança desta embarcação com as bateiras da Afurada e as dos Avieiros, sou levado a acreditar ter sido esta a que, no passado, foi levada pelos emigrantes murtoseiros e ílhavos, na sua diáspora.

 
Pormenor do interior, à ré

 
As medidas reais encontradas são:
Comprimento………. 8,30 metros
Boca…………………1,70
Pontal………………. 0,50 metros
Nº de cavernas……….12


Caxias, 18 de Março de 2013

António Marques da Silva

 
Fotografias – Arquivo pessoal da autora do blogue


Ílhavo, 13 de Abril de 2013

AML
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