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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A bateira caçadeira Namy - II



Para se deslocar, tem dois longos remos de escalamão, que podem ser utilizados por dois remadores, um na bancada de vante e outro na do meio. Sendo um só remador, fica a meio cruzando os punhos para que o remo de um bordo seja movido pela mão do outro bordo.

Remadores amadores… a passear, em 1981


Também lhe podia ser aplicada uma vela de pendão de amurar ao mastro, habitual na Ria. Para esse efeito, tem carlinga no fundo, enora na bancada do meio e leme de xarolo, aplicado na ferragem do cadaste.

Vista geral do modelo


Foi numa caçadeira, que há quase setenta anos, me deixaram, pela primeira vez, ajudar a remar, no remo do meio, de pé, voltado para a proa, empurrando o punho na cadência da remada. Como me senti importante naquela embarcação, atravessando do Forte da Barra para S. Jacinto na bateira da passagem.
O meu modelo desta bateira foi construído na escala de 1/25, e os materiais aplicados foram balsa para o fundo, choupo nos costados e ramos de limoeiro para o cavername, roda de proa, de ré, bancadas e leme.

Pormenor do interior

Para os remos, usei tola e para a vela, pano de algodão. Fiz o mastro e a verga com ramos de ameixieira e para a ferragem e fateixa, apliquei arame de cobre.


Caxias, 10 de Setembro de 2009
António Marques da Silva


Coincidência das coincidências…tinha sido uma das minhas bateiras. Mandada construir ao Henrique Lavoura, em Pardilhó, em 1981, a NAMY veio para a Costa Nova, depois de pronta, de camião, e foi descida para a ria pelos degraus da actual mota.
A fama do construtor garantia-lhe a qualidade. Nela brincámos, remámos, pescámos, quer com cana desportiva, quer à sertela, embora nunca tendo usado vela. Cheguei a cedê-la a um pescador profissional, que a vigiava durante o inverno, enquanto a MARIA JÚLIA, (a sua bateira), sofria uma reparação. Conheceu, portanto, o sabor da solheira, branqueira, da sertela, da rede da galeota, da cabrita, etc.
Viveu na minha posse durante 14 anos e, por razões várias, entre as quais o facto de ser muito pesadona na deslocação, não estava interessada em mantê-la. Foi então que pelo empenhamento da Associação dos Amigos do Museu, a caçadeira deu entrada na Sala da Ria do Museu, em anterior edifício, em 1995.
E lá continua, no actual, para que os visitantes apreciem a elegância das suas linhas.

Fotografias – Arquivo pessoal da Autora

Ílhavo, 13 de Dezembro de 2009

Ana Maria Lopes
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A bateira caçadeira NAMY - I



A vinda do Amigo Marques da Silva à Gafanha da Nazaré traz sempre novidades. E lá nos sentámos à mesa, para trocar impressões, consultar informação, fotografar e tomar o agradável chazinho das cinco. Desta vez, a embarcação homenageada é a bateira caçadeira, que, por grande acaso, tinha sido a minha segunda bateira de recreio, na ria, frente à Costa Nova.

A NAMY na ria da Costa Nova, em 1981


Não fora tão feliz nela, como na primeira (bastava a juventude), mas aproveitemos-lhe o que teve de bom.

Refere Marques da Silva: A caçadeira é um tipo de bateira dos mais usados da Ria de Aveiro. Mesmo nos nossos dias, ainda é fácil observá-la, ao serviço de vários trabalhos da Ria, desde a ponta mais a norte dos canais de Ovar e Murtosa, até à lagoa de Mira, no extremo sul da zona lagunar.
A caçadeira navega por todo o lado, fazendo parte da paisagem. Quer se encontre transportando pessoas e coisas, ou nas fainas dos pescadores e mariscadores, na procura de berbigões, de amêijoas ou das enguias, é esta bateira a que se mostra mais apta para tudo.
Não sendo de grandes dimensões, é de formas airosas e bem proporcionadas. Constrói-se segundo moldes tradicionais, com madeira de pinho, sendo utilizado o pau de pontos para lhe manter a forma.
Banhando a Ria, diferentes vilas ou cidades, é fácil encontrar nesta embarcação pequenas diferenças, que não modificando o tipo, lhe conferem algumas características locais específicas, próprias dos seus diferentes construtores.
As dimensões podem igualmente apresentar ligeiras alterações, que, facilmente, se reconhecem pelo número de cavernas.
Para recolher medidas, escolhi uma das que me pareceu mais representativa que encontrei no Museu Marítimo de Ílhavo, na Sala da Ria, a bateira NAMY:
Comprimento (sem o leme) – 6,05 metros
Boca máxima – 1,55 m.
Pontal – 0,55 m.
O número de cavernas é de catorze.

Caçadeira de pesca NAMY, no MMI


(Cont.)

Ílhavo, 11 de Dezembro de 2009

Ana Maria Lopes
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