Um
escrito diferente – pretende não ser informativo, mas reflexivo, para quem
é atraído por estes assuntos, evidentemente. O dia ventoso e chuvoso a isso se
presta.
Habituada
desde menina e moça, a ir pela mão do
meu avô, às companhas, na Costa Nova,
ver chegar a rede, o barco do mar,
para mim, seria corriqueiro, muito comum, à época.
E
hoje, nem um barquinho do mar para amostra lá há, na referida praia, cujo
nascimento (em 1808) esteve
directamente aliado à vinda, para este local, das companhas que laboravam em S. Jacinto.
Longe
de ir descrever uma ida ao mar ou
elencar todas as partes do barco ou da rede (há belas descrições já feitas e
refeitas), vamos picar os
simpatizantes do Marintimidades, tal qual os pescadores aguilhoavam as juntas de
bois para se despacharem, a seu mando.
A
dita arte xávega anda nas bocas do mundo, sobretudo por causa do
tamanho mínimo do peixe capturado. Numa sexta-feira transacta, foi a Lisboa, à
Assembleia da República uma embaixada de «mirões» tentar defender os seus
direitos e impedir as suas mínguas! Fizeram bem!
Temos,
ultimamente, lido alguns testemunhos, além dos orais, já coligidos nos anos
60 do século XX, sobre a povoação de vários lugares marítimo-fluviais até ao reino dos Algarves, por pescadores ílhavos).
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Reflictamos,
que é óptimo.
Sobre
a embarcação:
Barco do mar ou barco da xávega?
Quais
as origens?
Terá
tido a ver algo com o famoso barco mesopotâmico de Ur…? Ou terá nascido da
adaptação de «bateirões» à forte pancada do nosso mar ocidental?
Geograficamente
falando, existe ou existiu, desde onde até onde?
Que
barco surgiu primeiro, o menor e de 2 remos ou o maior e de quatro?
Que
papel tiveram os «ílhavos» na sua difusão, ao longo do litoral?
A
imagem pretende abrir horizontes e conduzir à reflexão:
Ida ao mar – Costa Nova – Anos 50
Já
agora, sobre a arte:
Arte de arrastar
ou arte xávega?
Que
origem terá tido?
Qual
o verdadeiro tamanho e composição da rede?
Quando
é que os cintos de alar foram
substituídos pelas juntas de bois… (e, estas, pelos tractores)?
Barca da arte
xávega
– Algarve – Anos 60
Esta
barca, então apropriada para um mar chão, no exotismo das suas formas e
decoração, enfeitiçou-nos, embora sem a altivez, nem a esbelteza de formas e o arrojo
do nosso barco do mar.
De
passagem, entrementes, houve na Costa da Caparica, também uma bela embarcação,
no seu olho muito sui generis e de bicas bem igualadas em altura, tal qual uma meia-lua. Tal
denominação de meia-lua colou-se-lhe.
Terá sido uma adaptação do nosso barco do
mar, com algumas particularidades locais?
Tudo
o indica. Ei-lo, ainda em meio uso:
Meia-lua – Costa da
Caparica – Anos 60
Há
quem também o designe por saveiro,
mas, atenção, o termo saveiro é
um pouco traiçoeiro.
Desde
a embarcação de rio, de fundo chato, adaptada à pesca do sável, ao barco do mar
(?), até a uma pequena embarcação de quilha, algarvia, utilizada, antigamente
como auxiliar da arte da sacada, vale
quase tudo. Atenção à localização geográfica!
Ao
longo do tempo fomos aprendendo muito e, cada vez, tendo mais dúvidas, umas ténues,
outras mais profundas.
Profundas,
profundas, foram as marcas que o litoral nos gravou a fogo, na mente, quando, com pouco mais de vinte anos e boa
companhia, o percorremos ávida e incansavelmente.
E
no declínio da vida, lá regressamos sempre que possível, se bem que, de
embarcações, não haja muito que nos encante. Mas, sempre, o MAR!
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Fotografias
– Arquivo da autora do blogue
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Ílhavo,
4 de Março de 2013
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Ana Maria Lopes
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